{"id":365681,"date":"2024-03-08T07:00:00","date_gmt":"2024-03-08T10:00:00","modified":"2024-03-08T09:02:42","modified_gmt":"2024-03-08T12:02:42","slug":"inabalaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/inabalaveis\/","title":{"rendered":"Inabal\u00e1veis\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-365685\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-240x135.jpg 240w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-768x432.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A hist\u00f3ria est\u00e1 cheia de mulheres cujas f\u00e9 e coragem revolucionaram n\u00e3o apenas as suas vidas, mas a de muitas pessoas ao seu redor. (Arte: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu gosto muito de ouvir hist\u00f3rias de pessoas. E, em meio a tantas\u00a0hist\u00f3rias incr\u00edveis, n\u00f3s, mulheres, temos uma forma peculiar de contar as nossas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Minha m\u00e3e tem v\u00e1rias irm\u00e3s. Quando eu era crian\u00e7a, gostava de me deitar entre elas enquanto contavam o seu cotidiano. Elas falavam dos romances que estavam vivendo, desabafavam,&nbsp;sempre me olhando de soslaio para se certificarem de que eu n\u00e3o estava escutando \u201ccertos detalhes\u201d. Eu fingia estar dormindo para poder ouvi-los.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses muitos anos de \u201cescuta\u201d eu desenvolvi uma profunda admira\u00e7\u00e3o e respeito pela resili\u00eancia e a tenacidade femininas. A resist\u00eancia das mulheres muitas vezes contrasta com sua imagem; algumas s\u00e3o pequenas e fisicamente fr\u00e1geis, mas t\u00eam uma for\u00e7a interior absurda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cristianismo \u00e9 cheio de hist\u00f3rias de mulheres incrivelmente fortes. N\u00f3s precisamos conhec\u00ea-las para fazer delas pilares para a nossa pr\u00f3pria narrativa. Independentemente da forma como as culturas se organizam, sempre h\u00e1 mulheres fazendo hist\u00f3ria, e vou contar algumas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>L\u00e1 no Jap\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p>Por volta de 1889, o evangelista Abram La Rue distribu\u00eda pelas ruas do Jap\u00e3o algumas publica\u00e7\u00f5es&nbsp;contendo a mensagem do advento. No ano seguinte, nascia uma menina chamada Aiko. Por pouco a chegada de Aiko n\u00e3o coincidiu com a chegada do adventismo no pa\u00eds, mas essas hist\u00f3rias se entrela\u00e7ariam mais \u00e0 frente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inexplicavelmente, Aiko ficou cega na adolesc\u00eancia. Ela buscou formas de restaurar sua vis\u00e3o, inclusive com m\u00e9todos que&nbsp;envolveram muito dinheiro. Mas, infelizmente, as tentativas n\u00e3o tiveram sucesso e ela pensou em tirar sua pr\u00f3pria vida. Naquela \u00e9poca, a massoterapia era uma ocupa\u00e7\u00e3o tradicional no Jap\u00e3o para pessoas com defici\u00eancia visual. Aiko se tornou uma excelente massoterapeuta e as coisas pareciam ter mudado para ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aiko conheceu Araki. Logo eles se casaram e tiveram um filho. Mas, em seguida, Araki morreu de tuberculose. Aiko, ent\u00e3o, era uma jovem mulher, vi\u00fava, cega e com uma crian\u00e7a para criar sozinha. Pense em tamanho sofrimento dessa mo\u00e7a!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 26 anos, Aiko conheceu a Jesus, foi batizada e come\u00e7ou a trabalhar como instrutora b\u00edblica. Ela levava a B\u00edblia \u00e0 casa de algum amigo ou vizinho e pedia que algu\u00e9m lesse para ela. Escolhia textos que intrigassem os leitores, para que ela pudesse explic\u00e1-los. O&nbsp;interesse pelas Sagradas Escrituras s\u00f3 aumentava e Aiko era uma imbat\u00edvel ganhadora de almas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma sequ\u00eancia de conflitos pol\u00edticos e guerras tornou o Jap\u00e3o hostil ao cristianismo. As igrejas crist\u00e3s eram vigiadas pelo governo e os mission\u00e1rios adventistas estrangeiros foram proibidos de entrar no pa\u00eds. Em 1943, parecia que a Igreja Adventista havia sido erradicada do pa\u00eds, mas, silenciosa e incansavelmente, Aiko continuava compartilhando o Evangelho com pessoas pr\u00f3ximas. Ela fazia visitas e marcava grupos de estudo da B\u00edblia com pessoas de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/aiko-araki.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1738\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/aiko-araki.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-365684\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/aiko-araki.jpg 1080w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/aiko-araki-768x1236.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/aiko-araki-954x1536.jpg 954w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Aiko Araki lendo sua B\u00edblia em braile (por volta de 1980)<\/em>&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Contudo, sua atividade chegou ao conhecimento das autoridades. Aiko teve sua preciosa B\u00edblia em braile confiscada pela pol\u00edcia e foi hostilmente interrogada. Os policiais olharam para aquela mulher cega, pequenina e de modos serenos, n\u00e3o viram nenhuma amea\u00e7a, ent\u00e3o a libertaram. Por\u00e9m, lhe ordenaram n\u00e3o falar mais sobre Jesus.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela manh\u00e3 de setembro, Aiko saiu solit\u00e1ria do pr\u00e9dio da pol\u00edcia e n\u00e3o tinha para onde ir, pois sua casa havia sido destru\u00edda por ataques a\u00e9reos. Ela n\u00e3o tinha o que comer e muitos de seus companheiros crentes estavam presos. Sofrendo com a lembran\u00e7a de sua pequena e amada igreja, Aiko seguiu orando. Ela sempre falara aos outros da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o e, naquele momento, era a \u00fanica coisa que tinha. \u201cMinha vida est\u00e1 repleta de ora\u00e7\u00e3o. Na verdade, minha vida \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o\u201d, ela afirmou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com sua perseveran\u00e7a e for\u00e7a vindas do c\u00e9u, Aiko conseguiu reunir mais de 40 adventistas numa cidade portu\u00e1ria e os liderou. Seus irm\u00e3os de f\u00e9 diziam que a simples presen\u00e7a de Aiko os enchia de coragem. Eles se encontravam em montanhas, cemit\u00e9rios e locais que n\u00e3o levantassem suspeitas. Em&nbsp;cada reuni\u00e3o, sob&nbsp;chuva ou sol, l\u00e1 estava Aiko, enrolada em um cobertor ou debaixo de um guarda-chuva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pequena, cega e fr\u00e1gil, Aiko sustentou a Igreja Adventista no Jap\u00e3o e foi um instrumento implac\u00e1vel na expans\u00e3o do cristianismo naquela regi\u00e3o. Se Deus p\u00f4de usar uma mulher como ela, tamb\u00e9m poderia usar uma grande, alta e de maneiras rudes, certo?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nos EUA<\/strong>&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar de Carrie Nation? Ela fazia parte de um grupo de mulheres ativistas do s\u00e9culo XIX. Sua luta era contra a intemperan\u00e7a, sempre tentando proteger as mulheres de maridos abusivos que ficavam ainda mais agressivos ap\u00f3s o consumo de \u00e1lcool. Apesar de ter sido uma mulher importante nesse movimento, sua biografia ficou reduzida a uma meia d\u00fazia de piadas. Isso porque ela tinha um m\u00e9todo de agir pouco convencional: invadia os bares com a B\u00edblia e uma machadinha nas m\u00e3os, expulsava os b\u00eabados, quebrava barris de bebidas alc\u00f3olicas e derrubava as garrafas das prateleiras. Em dez anos de \u201cminist\u00e9rio\u201d, foi presa mais de 30 vezes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela se descrevia como o \u201cbulldog de Jesus, correndo ao seu lado e latindo para tudo de que ele n\u00e3o gosta\u201d. Ao contr\u00e1rio de Aiko, Carrie era uma mulher alta e forte: 1,80m e 76kg de pura ousadia. A hist\u00f3ria conta que ela entrava nos bares e cumprimentava os presentes assim: \u201cBom dia, destruidores de almas!\u201d Puxava seu machado e cantava: \u201cQuebra! Quebra! Pelo sangue de Jesus! Quebra!\u201d O simples an\u00fancio de sua chegada a uma cidade era suficiente para os bares fecharem as portas at\u00e9 ela ir embora. Carrie Nation foi um nome importante na causa da temperan\u00e7a (que levou \u00e0 Lei Seca) e pelos direitos das mulheres nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/carrie-nation.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"900\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/carrie-nation.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-365683\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/carrie-nation.jpg 983w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/carrie-nation-768x703.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Carrie Nation segurando sua B\u00edblia e sua machadinha com as quais militava em favor da seguran\u00e7a das mulheres (por volta de 1900)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<strong>Na Fran\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A grande verdade \u00e9 que Deus pode usar qualquer mulher que se disponha a ser um instrumento, seja ela a \u00fanica crist\u00e3 na fam\u00edlia ou parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o ministerial, assim como Marie Durand. Ela foi uma protestante francesa do s\u00e9culo XVIII, presa aos 19&nbsp;anos de idade por professar sua f\u00e9. Seu pai ficou na cadeia por 14 anos pelo mesmo motivo. Seu irm\u00e3o era um not\u00e1vel pregador e foi enforcado no mesmo ano em que o pai foi solto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marie ficou confinada na Torre de Constance com outras mulheres. Se ela renunciasse sua f\u00e9, seria solta imediatamente. Essa oferta lhe era feita todos os dias. Bastava dizer \"eu renuncio\". No entanto, ela sempre dizia \u201ceu resisto\u201d. Ela at\u00e9 entalhou numa pedra a palavra \"<em>r\u00e9sister<\/em>\", como sinal de sua posi\u00e7\u00e3o inflex\u00edvel. Essa inscri\u00e7\u00e3o est\u00e1 at\u00e9 hoje na torre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/tour-de-constance.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/tour-de-constance.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-365682\" style=\"width:721px;height:454px\" width=\"721\" height=\"454\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Prisonni\u00e8res huguenotes \u00e0 la Tour de Constance, de Jeanne Lombard (1907)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Marie Durand permaneceu presa por mais de 38 anos. Ela foi liberta em 1768 e morreu oito anos depois, com sua f\u00e9 inabal\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rias como essas fortalecem a nossa f\u00e9 e a nossa consci\u00eancia de feminilidade. Que o seu cora\u00e7\u00e3o esteja em Deus, firme como uma rocha, e que nele esteja entalhado \u201ceu resisto\u201d, como sinal de que voc\u00ea, mulher, sempre ir\u00e1 perseverar em Cristo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><em><strong>Vanessa Meira&nbsp;<\/strong>\u00e9 educadora e doutora em Teologia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href=\"http:\/\/adv.st\/espacoafam\">Espa\u00e7o Afam<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a das mulheres \u00e9 algo impressionante e inspirador, especialmente quando elas est\u00e3o firmadas em Deus<\/p>\n","protected":false},"author":148,"featured_media":365685,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3884],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3685,3221,3996],"xtt-pa-departamentos":[3632],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-365681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-artigo","xtt-pa-editorias-datas-especiais","xtt-pa-editorias-gente","xtt-pa-editorias-historia","xtt-pa-departamentos-ministerio-da-mulher","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"Vanessa Meira","embed_url":"","embed_length":""},"terms":{"editorial":"Datas Especiais","format":"Artigo"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-768x432.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/03\/mulheres-480x270.jpg"}}