{"id":35261,"date":"2014-03-10T11:05:38","date_gmt":"2014-03-10T14:05:38","modified":"2021-11-15T21:28:30","modified_gmt":"2021-11-16T00:28:30","slug":"evolucao-pelo-faro-isso-nao-cheira-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/michelson.borges\/evolucao-pelo-faro-isso-nao-cheira-bem\/","title":{"rendered":"Evolu\u00e7\u00e3o pelo faro \u2013 isso n\u00e3o me cheira bem"},"content":{"rendered":"<p>A revista <i>Ci\u00eancia Hoje<\/i> de maio de 2011 publicou mat\u00e9ria na qual sustenta que o fato de os mam\u00edferos (especialmente o ser humano) terem c\u00e9rebro maior em rela\u00e7\u00e3o ao corpo do que os outros seres vivos pode estar relacionado ao olfato. Os cientistas usaram uma nova t\u00e9cnica de tomografia computadorizada para \u201cenxergar\u201d dentro da cavidade craniana de f\u00f3sseis de mam\u00edferos que eles acreditam serem \u201cancestrais evolutivos\u201d dos animais que vivem hoje.<\/p>\n<p>\u201cDepois de recriar em 3D a cavidade craniana de mais de dois mil f\u00f3sseis de mam\u00edferos e pr\u00e9-mam\u00edferos [sic], os cientistas decidiram estudar os cr\u00e2nios de duas esp\u00e9cies precursoras dessa classe, <i>Morganucodon oehleri<\/i> e <i>Hadrocodium wui<\/i>, que viveram h\u00e1 190 milh\u00f5es de anos [segundo a cronologia evolucionista] onde hoje \u00e9 a China\u201d, informa a revista. \u201cAo comparar a cavidade craniana desses f\u00f3sseis com a de outros animais mais antigos, os pesquisadores perceberam que as regi\u00f5es do c\u00e9rebro ligadas ao olfato, como o bulbo e o c\u00f3rtex olfativo, eram as que mais tinham se desenvolvido. \u2018A cavidade craniana desses animais prov\u00ea a primeira evid\u00eancia s\u00f3lida dos est\u00e1gios de evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro mam\u00edfero\u2019, diz Zhe-Xi Luo, paleont\u00f3logo do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Carnegie e um dos autores do estudo. \u2018Saber que mam\u00edferos com grandes c\u00e9rebros j\u00e1 existiam h\u00e1 tantos anos p\u00f5e um marco nos estudos sobre a nossa evolu\u00e7\u00e3o.\u2019\u201d<\/p>\n<p>Ainda segundo <i>Ci\u00eancia Hoje<\/i>, os pesquisadores n\u00e3o sabem afirmar por que somente os pr\u00e9-mam\u00edferos [sic] desenvolveram essa habilidade olfativa. \u201cUma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a capacidade tenha surgido como uma adapta\u00e7\u00e3o para que esses animais, que tinham h\u00e1bitos noturnos, sobrevivessem em um ecossistema dominado por dinossauros.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores sugerem que esse avan\u00e7o evolutivo teria sido possibilitado pela presen\u00e7a de pelos corporais nas duas esp\u00e9cies de animais analisadas. \u201cMais do que esquentar o corpo dos mam\u00edferos\u201d, explica a mat\u00e9ria, \u201co pelo teria sido respons\u00e1vel por tornar o tato mais sens\u00edvel, o que estimulou a forma\u00e7\u00e3o de novos campos sensoriais no neocortex e o desenvolvimento de uma melhor coordena\u00e7\u00e3o motora.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, todos esses ind\u00edcios levam a crer que os c\u00e9rebros mam\u00edferos passaram por tr\u00eas etapas de evolu\u00e7\u00e3o: a primeira marcada pela melhora da capacidade olfativa, a segunda por um aumento da sensibilidade t\u00e1til e a terceira pelo aumento da coordena\u00e7\u00e3o neuromuscular. \u201cNossos ancestrais mam\u00edferos n\u00e3o desenvolveram um c\u00e9rebro t\u00e3o grande para contempla\u00e7\u00e3o, mas sim para o aperfei\u00e7oamento da sua capacidade de sentir cheiros e toques\u201d, afirma Lou. \u201cGra\u00e7as a esse avan\u00e7o, n\u00f3s humanos podemos hoje pensar sobre quest\u00f5es como esta.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar como cada nova descoberta transforma as <i>certezas<\/i> anteriores em \u201capenas especula\u00e7\u00f5es\u201d. Baseado nisso, creio que seja melhor esperar o desenvolvimento de novas tecnologias antes de aceitar a atual possibilidade. A reportagem da <i>Ci\u00eancia Hoje<\/i> tem a estrutura (i)l\u00f3gica comum a muitos textos evolucionistas: inicia com uma possibilidade (\u201cpode estar\u201d) e depois trata o tema como fato (o c\u00e9rebro avantajado dos mam\u00edferos \u201cse deve a anos de evolu\u00e7\u00e3o\u201d; o texto que come\u00e7a com o \u201cpode\u201d termina com uma declara\u00e7\u00e3o totalmente afirmativa no \u00faltimo par\u00e1grafo).<\/p>\n<p>Os cientistas reproduziram o formato dos cr\u00e2nios de alguns animais, utilizando tecnologia 3D, e estudaram o cr\u00e2nio de supostos precursores desses animais. Note que a ideia de precursores prov\u00e9m da filosofia darwinista n\u00e3o test\u00e1vel. Assim, a pesquisa parte de uma premissa para investigar o que j\u00e1 se considera fato: que alguns animais evolu\u00edram para outros e que o c\u00e9rebro teria essa capacidade intr\u00ednseca de aumentar de tamanho e complexidade (quando, na verdade, se sabe que o <a href=\"http:\/\/www.criacionismo.com.br\/2011\/01\/cerebro-humano-esta-diminuindo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e9rebro est\u00e1 diminuindo<\/a>).<\/p>\n<p>O texto assume que a capacidade olfativa teria surgido, pura e simplesmente, mas n\u00e3o explica como (pra variar). Pergunto se o que teria surgido primeiro s\u00e3o as complexas c\u00e9lulas espec\u00edficas que captam os odores e enviam est\u00edmulos para o c\u00e9rebro ou os neur\u00f4nios especializados que interpretam as sensa\u00e7\u00f5es olfativas? Para que serviria um sem o outro? Ou todo o mecanismo teria surgido de uma \u00fanica vez, como um verdadeiro \u201cmilagre darwiniano\u201d que torna os darwinistas muito mais \u201ccrentes\u201d do que os criacionistas? Al\u00e9m disso, a mat\u00e9ria e a pesquisa n\u00e3o dedicam uma linha sequer para tratar da dificuldade instranspon\u00edvel de explicar o aumento de informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica necess\u00e1ria para o \u201csurgimento\u201d de novos \u00f3rg\u00e3os e novas fun\u00e7\u00f5es. \u00c9 o tipo de texto\/pesquisa que n\u00e3o me cheira bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Ci\u00eancia Hoje de maio de 2011 publicou mat\u00e9ria na qual sustenta que o fato de os mam\u00edferos (especialmente o ser humano) terem c\u00e9rebro maior em rela\u00e7\u00e3o ao corpo do que os outros seres vivos pode estar relacionado ao olfato. 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