{"id":342693,"date":"2023-08-25T06:30:00","date_gmt":"2023-08-25T09:30:00","modified":"2023-08-25T11:22:44","modified_gmt":"2023-08-25T14:22:44","slug":"separacao-de-igreja-e-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/paraserlivre\/separacao-de-igreja-e-estado\/","title":{"rendered":"Separa\u00e7\u00e3o de Igreja e Estado"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"669\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-342711\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa.jpeg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa-768x514.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">No Brasil e em outros pa\u00edses h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o clar\u00edssima em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00e3o interfer\u00eancia de religi\u00e3o no poder estatal e vice-versa. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No site da ACNUR Brasil (Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados), a chamada \u00e9 clara: \u201cRefugiados <em>Rohingya<\/em> s\u00e3o for\u00e7ados a escapar da viol\u00eancia em Mianmar a um ritmo impressionante desde 2017 \u2013 e os n\u00fameros continuam crescendo. Cerca 961.729&nbsp;refugiados <em>Rohingya<\/em> vivem em Bangladesh. (Dados de 30 de junho de 2023)\u201d<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.&nbsp;A mat\u00e9ria jornal\u00edstica apresenta a triste realidade dessa minoria \u00e9tnico-religiosa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/paraserlivre\/os-adventistas-e-a-relacao-com-os-governos-e-as-autoridade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os adventistas e a rela\u00e7\u00e3o com os governos e as autoridades<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o <em>M\u00e9dicos Sem Fronteiras <\/em>(MSF), os Rohingya s\u00e3o uma minoria mu\u00e7ulmana em Mianmar, pa\u00eds majoritariamente budista. Desde 1962, ciclos recorrentes de viol\u00eancia e a nega\u00e7\u00e3o de seus direitos fizeram com que quase um milh\u00e3o de membros da comunidade Rohingya busquem ref\u00fagio em Bangladesh, tornando-se o maior campo de refugiados do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mianmar possui uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente budista, e o governo \u00e9 intolerante com religi\u00f5es n\u00e3o budistas. Conforme o <em>Religious Freedom World Report 2021,<\/em> publicado no site oficial da <em>International Religious Liberty Asociation<\/em>, o governo de Mianmar exige que cada pessoa carregue um cart\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o indicando a religi\u00e3o preferida. Embora a constitui\u00e7\u00e3o supostamente garanta a liberdade de religi\u00e3o, as autoridades violam essa liberdade. O budismo <em>Theravada<\/em> \u00e9 priorizado em detrimento de outras religi\u00f5es, e pessoas que desejam ingressar no servi\u00e7o p\u00fablico ou militar devem ser budistas<sup>4<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece em Mianmar \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o da realidade quando n\u00e3o existe separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, ou quando essa separa\u00e7\u00e3o \u00e9 violada. Historicamente, sempre que Igreja e Estado n\u00e3o atuam separadamente, e todas as vezes que um Estado adota uma religi\u00e3o oficial, invariavelmente o resultado \u00e9 intoler\u00e2ncia religiosa, discrimina\u00e7\u00e3o, supress\u00e3o de direitos e viol\u00eancia contra grupos minorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A posi\u00e7\u00e3o dos adventistas do s\u00e9timo dia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O terceiro marco referencial adventista para a liberdade religiosa, encontrado no <em>Manual Pr\u00e1tico para Diretores de Liberdade Religiosa de Igreja Local<\/em>, da Divis\u00e3o Sul-americana (DSA) da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia (IASD), trata da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado. Est\u00e1 escrito: \u201c\u2018E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u2019 (Marcos 12:17). Cada poder tem o seu espa\u00e7o e autoridade. A Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia reconhece e respeita o Estado, mas trabalha para que atuem separadamente.\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O livro <em>Declara\u00e7\u00f5es da Igreja<\/em> traz a posi\u00e7\u00e3o dos adventistas sobre o assunto: \u201cA Igreja Adventista defende a liberdade religiosa a todos, bem como a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado.\u201d<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> A fundamenta\u00e7\u00e3o para esta posi\u00e7\u00e3o, acha-se no cap\u00edtulo <em>A Rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado<\/em>: \u201cDeus \u00e9 amor. Seu governo universal \u00e9 baseado na obedi\u00eancia volunt\u00e1ria por parte de Sua cria\u00e7\u00e3o. Essa obedi\u00eancia \u00e9 despertada por Sua benevol\u00eancia magn\u00edfica. Somente uma f\u00e9 que repousa no cora\u00e7\u00e3o humano e apenas a\u00e7\u00f5es motivadas por amor s\u00e3o aceit\u00e1veis a Deus. O amor, no entanto, n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o civil. N\u00e3o pode ser despertado por decreto nem sustentado por estatuto. Portanto, todos os esfor\u00e7os para legislar sobre a f\u00e9 est\u00e3o, pela pr\u00f3pria natureza, em oposi\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da verdadeira religi\u00e3o e, consequentemente, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade divina.\u201d<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o adventista destaca a conduta de Jesus Cristo, que nunca usou da for\u00e7a para implantar Seu reino neste mundo e nem para fazer avan\u00e7ar a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho. Outras declara\u00e7\u00f5es encontradas s\u00e3o vitais para a compreens\u00e3o e solidifica\u00e7\u00e3o do pensamento adventista e defendem uma liberdade religiosa para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a posi\u00e7\u00e3o adventista \u00e9 assim definida: \u201cComo crist\u00e3os, os adventistas reconhecem o papel leg\u00edtimo dos governos organizados na sociedade. Apoiamos o direito do Estado de legislar nas quest\u00f5es seculares e apoiamos o consentimento com tais leis. Quando nos deparamos com uma situa\u00e7\u00e3o em que a lei terrena conflita com os ordenamentos b\u00edblicos, no entanto, concordamos com a determina\u00e7\u00e3o b\u00edblica de que temos que obedecer a Deus em vez de prestar obedi\u00eancia ao ser humano.\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Essa ordena\u00e7\u00e3o b\u00edblica encontra-se em Atos 5:29: \u201cEnt\u00e3o, Pedro e os demais ap\u00f3stolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.\u201d<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aspectos hist\u00f3ricos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Marcos De Benedicto, em seu livro <em>Pol\u00edtica<\/em>, inseriu um registro hist\u00f3rico sobre a separa\u00e7\u00e3o de Igreja e Estado, que enriquece a compreens\u00e3o do assunto. Escreveu ele: \u201cDesde os prim\u00f3rdios, o adventismo adotou a defesa radical da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado. [...] essa posi\u00e7\u00e3o surgiu como reflexo do pr\u00f3prio legado de liberdade por parte dos peregrinos puritanos que zarparam da Inglaterra em 1620 para o Novo Mundo por causa de persegui\u00e7\u00f5es religiosas na Europa.\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, De Benedicto registra como os Estados Unidos chegaram \u00e0 consci\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, com destaque para Roger Williams, William Penn, Isaac Backus e Thomas Jefferson, cuja luta e dedica\u00e7\u00e3o foram recompensadas pela inclus\u00e3o, em 1791, da Primeira Emenda<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> na Constitui\u00e7\u00e3o Norte-americana, aprovada em 1789, garantindo assim a separa\u00e7\u00e3o oficial entre Igreja e Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm s\u00e9culo mais tarde, os adventistas entrariam no debate sobre Igreja e Estado. Em 1888 Alonzo T. Jones (1850-1923), brilhante editor, pregador e professor, fez uma not\u00e1vel defesa da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado ao discursar perante uma comiss\u00e3o do Senado norte-americano, que estava discutindo um projeto de lei dominical de autoria do senador Henry William Blair.\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na defesa feita por Jones diante da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho do Senado, ele marcou uma clara distin\u00e7\u00e3o entre o que pertence a Deus e ao que pertence a C\u00e9sar. Defendeu a rela\u00e7\u00e3o direta do indiv\u00edduo com Deus, afirmando que qualquer lei que legislasse sobre dias de guarda e cultos, fosse uma lei sab\u00e1tica ou dominical, seria anticrist\u00e3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o amea\u00e7adora da imposi\u00e7\u00e3o de um dia espec\u00edfico para cultos, nos Estados Unidos, conduziu os adventistas a adotarem a liberdade religiosa como um minist\u00e9rio de grande relev\u00e2ncia em sua organiza\u00e7\u00e3o. \u201cA entrada da denomina\u00e7\u00e3o na arena da liberdade religiosa foi entusiasticamente apoiada por Ellen White. Ela viu o tema tanto do ponto de vista hist\u00f3rico quanto prof\u00e9tico, bem como reagiu \u00e0s condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.\u201d<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ellen White<\/h4>\n\n\n\n<p>Algumas declara\u00e7\u00f5es de Ellen G. White acerca desse assunto s\u00e3o emblem\u00e1ticas e merecem nossa considera\u00e7\u00e3o. \u201cEla declarou que Satan\u00e1s \u2018trabalha para restringir a liberdade religiosa\u2019 (T7, 180), e que os funcion\u00e1rios do governo que aprovam tais leis restritivas assumem um \u2018direito que s\u00f3 a Deus pertence\u2019 (O Desejado de todas as na\u00e7\u00f5es, p\u00e1gina 630). [...] Motivando os adventistas a resistir vigorosamente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o nesse sentido, ela disse: \u2018\u00c9 nosso dever, ao vermos os sinais do perigo que se aproxima, despertarmos para a a\u00e7\u00e3o\u2019. Ela tamb\u00e9m acrescentou: \u2018N\u00e3o estamos cumprindo a vontade de Deus se nos deixarmos ficar em quietude, nada fazendo para preservar a liberdade de consci\u00eancia\u2019 (Testemunhos Seletos, volume 5, p\u00e1gina 713).\u201d<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio total de Ellen G. White, os adventistas assumiram uma posi\u00e7\u00e3o de vanguarda em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas em favor da liberdade religiosa. Primeiramente lan\u00e7aram a revista <em>The American Sentinel<\/em><a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>(A Sentinela Americana), em 1886, com o compromisso de defender o direito e a liberdade religiosa para todos. Seus editores se opuseram a uma variada gama de atividades governamentais que, segundo eles, violavam o princ\u00edpio da &nbsp;separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado. Logo depois, em 1893, foi criada uma associa\u00e7\u00e3o em defesa, promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>John Grass, que por 20 anos (1995-2015) dirigiu o Departamento de Assuntos P\u00fablicos e Liberdade Religiosa, na sede mundial da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland, EUA, informa que: \u201cEm 1889, durante uma assembleia no tabern\u00e1culo de Battle Creek, 110 l\u00edderes adventistas decidiram estabelecer uma nova associa\u00e7\u00e3o para promover e defender a liberdade religiosa. A Igreja era muito ativa nesse campo. J\u00e1 havia publicado a revista <em>The Sentinel<\/em>, mas havia a necessidade de uma associa\u00e7\u00e3o que pudesse responder, de forma mais espec\u00edfica, aos desafios contra a liberdade religiosa.\u201d<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente foi chamada de <em>National Religious Liberty Asociation<\/em> (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Liberdade Religiosa), mas em 1893, passou a ser conhecida como <em>International Religious Liberty Asociation<\/em> (Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Liberdade Religiosa), devido \u00e0 excelente aceita\u00e7\u00e3o fora dos Estados Unidos<em>. <\/em>Depois, vieram outras inciativas como o estabelecimento de uma biblioteca de liberdade religiosa e a cria\u00e7\u00e3o, em 1901, do departamento de Assuntos P\u00fablicos e Liberdade Religiosa, na sede mundial da Organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>No Brasil<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A laicidade ganhou espa\u00e7o nas discuss\u00f5es pol\u00edticas no Brasil, com enorme repercuss\u00e3o, a partir da segunda metade do per\u00edodo do imp\u00e9rio. O debate resultou na promulga\u00e7\u00e3o do Decreto n\u00ba 119-A, de 07 de janeiro de 1890, que influenciou diretamente o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado na primeira Constitui\u00e7\u00e3o Republicana brasileira, em 1891.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO decreto proibiu a participa\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o da autoridade federal e dos Estados federados nos assuntos religiosos, consagrou o ideal de plena liberdade de cultos, extinguiu o padroado e estabeleceu algumas provid\u00eancias sobre a conturbada rela\u00e7\u00e3o que havia entre Igreja Cat\u00f3lica e o Estado brasileiro.\u201d<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade religiosa, com separa\u00e7\u00e3o de Igreja e Estado, foi assegurada nas demais edi\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o, publicadas nos anos de 1934, 1937, 1946 e 1967. Atualmente, o princ\u00edpio da liberdade religiosa est\u00e1 protegido tanto no \u00e2mbito da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 quanto no \u00e2mbito de outras legisla\u00e7\u00f5es. Os princ\u00edpios que tratam da liberdade religiosa na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, encontram-se no Artigo 5\u00ba e incisos VI e VIII.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo 19 da atual Constitui\u00e7\u00e3o, encontra-se assegurado o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, onde se pode ler: \u201c\u00c9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Munic\u00edpios:<\/p>\n\n\n\n<p>I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencion\u00e1-los, embara\u00e7ar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia ou alian\u00e7a, ressalvada, na forma da lei, a colabora\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico;<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>II - recusar f\u00e9 aos documentos p\u00fablicos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III - criar distin\u00e7\u00f5es entre brasileiros ou prefer\u00eancias entre si.\u201d<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Na discuss\u00e3o sobre a separa\u00e7\u00e3o de Igreja e Estado, h\u00e1 outros campos a considerar, como a participa\u00e7\u00e3o de membros da Igreja Adventista no governo, representa\u00e7\u00e3o perante governos e entidades internacionais, e o recebimento de fundos p\u00fablicos. A leitura da posi\u00e7\u00e3o oficial da igreja no cap\u00edtulo <em>A Rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado <\/em>do livro <em>Declara\u00e7\u00f5es da Igreja<\/em>, publicado em 2016 pela Casa Publicadora Brasileira, \u00e9 recomendada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra dimens\u00e3o a ser explorada \u00e9 a escatol\u00f3gica. A Igreja Adventista tem uma vis\u00e3o peculiar baseada nos livros b\u00edblicos de Daniel e Apocalipse. Esse tema foi tratado por Marvin Moore na obra Apocalipse 13 (Casa Publicadora Brasileira, 2013) e por Vanderlei Dorneles em <em>O \u00daltimo Imp\u00e9rio<\/em> (Casa Publicadora Brasileira, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Desde seus prim\u00f3rdios, a posi\u00e7\u00e3o oficial dos adventistas tem sido defender, promover e proteger a liberdade religiosa para todos. A convic\u00e7\u00e3o sobre a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado sempre fez parte de seus ideais. Sem liberdade religiosa, n\u00e3o h\u00e1 dignidade humana nem cumprimento da miss\u00e3o. A separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica em inimizade ou oposi\u00e7\u00e3o ao Estado e suas leis, mas para os adventistas algo \u00e9 muito claro \u2013 Deus em primeiro lugar, quando a legisla\u00e7\u00e3o contradiz a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos gratos a Deus por vivermos em um pa\u00eds com ampla liberdade religiosa, permitindo que a Igreja Adventista exer\u00e7a suas prerrogativas sem embara\u00e7o estatal. Os membros podem viver a f\u00e9 integralmente, salvo raras exce\u00e7\u00f5es. Desfrutamos de um relacionamento respeitoso com as autoridades e outros grupos religiosos. Louvemos ao Senhor por tantas d\u00e1divas. Oremos em favor das autoridades e agrade\u00e7amos por vivermos neste pa\u00eds \"aben\u00e7oado por Deus e bonito por natureza\".<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias: <\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/rohingya\/\">https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/rohingya\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.adventistas.org\/liberdadereligiosa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.adventistas.org\/liberdadereligiosa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> DE BENEDICTO, Marcos (ed). <strong>Declara\u00e7\u00f5es da Igreja<\/strong>. 3. ed. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016, p. 135.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, p.154<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem, p. 155<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <strong>B\u00edblia Sagrada. <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada no Brasil, 2. ed. S\u00e3o Paulo, SP: Sociedade B\u00edblica do Brasil, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> DE BENEDICTO, Marcos. <strong>Pol\u00edtica<\/strong>. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2022, p. 65.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs20129807.htm\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs20129807.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ibidem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> FORTIM, Denis e MOON, Jerry (ed).&nbsp; <strong>Enciclop\u00e9dia Ellen G. White. <\/strong>Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018, p. 1034.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Idem, p. 1035.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Idem, p. 984<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> GRAZ, John. <strong>Embaixador da Igreja.<\/strong> S\u00e3o Paulo, SP: Luz Editora, 2015, p. 82,<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Bittencourt, Josias J. <strong>Separa\u00e7\u00e3o Entre Religi\u00f5es E Estado: Utopias E Realidades. <\/strong>In: Lellis, Lelio M. e Hees, Carlos A. (Org). Fundamentos Jur\u00eddicos da Liberdade Religiosa. Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, Imprensa Universit\u00e1ria Adventista, 2016, p. 110-11.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda o que \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado e o posicionamento adventista a respeito. <\/p>\n","protected":false},"author":392,"featured_media":342711,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3658],"xtt-pa-departamentos":[1366],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-342693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-institucional","xtt-pa-departamentos-liberdade-religiosa","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"H\u00e9lio Carnassale","embed_url":"","embed_length":""},"terms":{"editorial":"Institucional","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa.jpeg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa-768x514.jpeg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa-240x135.jpeg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa-240x135.jpeg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2023\/08\/maolevantadacorteusa-480x270.jpeg"}}