{"id":33901,"date":"2014-01-20T10:09:33","date_gmt":"2014-01-20T13:09:33","modified":"2021-11-15T21:29:34","modified_gmt":"2021-11-16T00:29:34","slug":"hinario-adventista-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/jael.eneas\/hinario-adventista-100-anos\/","title":{"rendered":"Hin\u00e1rio Adventista completa 100 Anos"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2014 marca o centen\u00e1rio da edi\u00e7\u00e3o brasileira do Hin\u00e1rio Adventista. Tudo come\u00e7ou de forma muito simples. Em 1914, Guilherme Stein Jr., educador, erudito, publisher, edita uma brochura com 104 hinos, ampliada cinco anos mais tarde para 321, todos sem m\u00fasica.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo era longo: Cantae ao Senhor \u2013 Psalmos e Hymnos para Cultos e Solemnidades Religiosas. A publica\u00e7\u00e3o foi da Sociedade Internacional de Tratados, precursora da Casa Publicadora Brasileira (CPB), cuja sede era na Esta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bernardo (atual Santo Andr\u00e9, SP), em propriedade que ficou conhecida por anos como \u201cCh\u00e1cara dos Alem\u00e3es\u201d. Desde ent\u00e3o, o material teve mais tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es no Brasil: \u201cHimnario Adventista\u201d (1933), o primeiro com m\u00fasica; \u201cCantai ao Senhor\u201d (1963); e o \u201cHin\u00e1rio Adventista do S\u00e9timo Dia\u201d, (1996), o bisneto da edi\u00e7\u00e3o pioneira.<\/p>\n<p>Para homenagear o hin\u00e1rio centen\u00e1rio, o 20\u00ba Encontro de M\u00fasicos dedicou uma noite para refletir sobre o papel, import\u00e2ncia e perspectiva do hin\u00e1rio no louvor congregacional. O evento aconteceu de 14 a 18 de janeiro, no Centro Universit\u00e1rio Adventista de S\u00e3o Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, SP.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-lan\u00e7amento do atual hin\u00e1rio aconteceu durante a Comiss\u00e3o Diretiva da Divis\u00e3o Sul-Americana de fim de ano, em dezembro de 1995. Na ocasi\u00e3o, cantou-se o hino \u201cVencendo Vem Jesus\u201d (no. 152), o tradicional \u201cGl\u00f3ria, Gl\u00f3ria, Aleluia\u201d. Representando os integrantes da Comiss\u00e3o Revisora do Hin\u00e1rio, o maestro Jos\u00e9 Newton da Silva J\u00fanior, atual diretor do MusiCasa, regeu o p\u00fablico e o compositor Lineu Soares, acompanhou ao piano. Em sua fase final, a comiss\u00e3o funcionou com Rubens Lessa, presidente, T\u00e9rcio Sarli, vice-presidente, Leni Azevedo (secret\u00e1ria) e mais 13 componentes.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Newton, a \u201ccaixa com o novo hin\u00e1rio chegara \u00e0 reuni\u00e3o momentos antes. Ao pegar o primeiro exemplar, eu fiquei emocionado. Tudo cheirava novo\u201d, disse. Semanas depois, o hino \u201cTu \u00c9s Fiel, Senhor\u201d (no. 35) foi cantado na CPB, inaugurando assim, a nova fase de cultos com o novo lan\u00e7amento.<\/p>\n<h4>Tudo em Alem\u00e3o<\/h4>\n<p>No Brasil, os cultos adventistas a partir do fim da d\u00e9cada de 1890 e in\u00edcio do s\u00e9culo XX se desenvolviam em col\u00f4nias rurais alem\u00e3s, no sul do pa\u00eds, Esp\u00edrito Santo e S\u00e3o Paulo. Os hinos eram cantados em alem\u00e3o, usando-se o volumoso \u201cZions Lieder\u201d, hin\u00e1rio com 945 hinos, em sua primeira edi\u00e7\u00e3o. Isto trazia alguns problemas. Primeiro, o repert\u00f3rio era inspirado em versifica\u00e7\u00f5es m\u00e9tricas de Calvino e melodias corais do tempo da Reforma de Lutero. Embora Guilherme Stein Jr. traduzisse alguns hinos para o portugu\u00eas<strong>[1]<\/strong> , todavia, o material n\u00e3o respondia mais \u00e0s necessidades da comunidade adventista que crescia por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo, doutrinas distintivas como o s\u00e1bado, santu\u00e1rio celestial e a iminente volta de Cristo demandavam por hinos mais focados nestes temas. Por esta \u00e9poca, circulavam no Brasil v\u00e1rios hin\u00e1rios protestantes: \u201cSalmos e Hinos\u201d<strong>[2]<\/strong> , de 1861, o primeiro hin\u00e1rio evang\u00e9lico com 18 salmos e 32 hinos; e o \u201cCantor Crist\u00e3o\u201d, de 1891, contendo 18 hinos.<\/p>\n<p>Estes hin\u00e1rios usados por \u201cempr\u00e9stimo\u201d tinham \u00eanfase apenas na teologia do \u201camor de Deus\u201d, penit\u00eancia e confiss\u00e3o de pecados, dos movimentos reavivamentistas da segunda metade do s\u00e9culo XIX. Em contrapartida, j\u00e1 o hin\u00e1rio \u201cHinos e Salmos\u201d, segundo an\u00e1lise feita por Mendon\u00e7a (1995, p. 223)<strong>[3]<\/strong> , relata que o \u201ctema da ressurrei\u00e7\u00e3o ocupava um espa\u00e7o relativamente pequeno, cerca de dez c\u00e2nticos. [Al\u00e9m disso], nota-se, um extremo individualismo nos c\u00e2nticos, escritos quase sempre na primeira pessoa do singular\u201d.<\/p>\n<h4>Solu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Na Am\u00e9rica do Norte, para superar estes desafios, pioneiros do Movimento Adventista come\u00e7aram a escrever e adaptar hinos com \u00eanfase na verdade presente: Sa\u00fade, as Mensagens Ang\u00e9licas, o S\u00e1bado e o Segundo Advento. Com base nesta vis\u00e3o doutrin\u00e1ria distintiva, em 1849, Tiago White publica \u201cHymns for God's Peculiar People That Keep the Commandments of God and The Faith of Jesus\u201d (Hinos para o Povo Peculiar de Deus que Guarda os Mandamentos de Deus e a F\u00e9 de Jesus). Embora a m\u00fasica destes hinos derivasse de melodias protestantes, todavia, o conte\u00fado po\u00e9tico era notadamente doutrin\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 1863, Tiago White editou mais cinco hin\u00e1rios e quatro suplementos, todos sem m\u00fasica, com participa\u00e7\u00e3o de sua irm\u00e3, Anna White, cuja contribui\u00e7\u00e3o foi compilar Hymns for the Youth and Children, (Hinos para Jovens e Crian\u00e7as), em 1854. No Simp\u00f3sio sobre M\u00fasica Adventista promovida pelo Centro White (Brasil), em 2005, Warren Judd citou em palestra que outros dois irm\u00e3os, \u201cUriah Smith e Annie Smith, escreveram e cantaram m\u00fasicas evang\u00e9licas, todavia, as letras se referiam ao Advento e as doutrinas \u00fanicas\u201d. Ele tamb\u00e9m citou que James Nix relatou que \u201calguns desses hinos tiveram que ter textos alterados para se ajustar \u00e0s novas cren\u00e7as da Igreja Adventista\u201d .<\/p>\n<h4>Deus \u00e0 Frente<\/h4>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o de louvor entre os Adventistas do S\u00e9timo Dia \u00e9 fruto da certeza de que Deus est\u00e1 \u00e0 frente de Sua Igreja. A express\u00e3o \u201cvamos cantar um hino\u201d, t\u00e3o comum nas reuni\u00f5es da igreja, deve ser fruto de uma convic\u00e7\u00e3o pessoal, oferecida pelo Esp\u00edrito Santo, de que Deus sempre teve um \u201cpovo remanescente\u201d. A ideia de remanescente n\u00e3o deve ser vista por um exclusivismo institucional, mas, pelo exclusivismo da alian\u00e7a feita por Deus, que atrav\u00e9s da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, somos regenerados para uma viva esperan\u00e7a. E Cristo fez mais. A primeira carta de Pedro diz que os eleitos receberam uma \u201cheran\u00e7a, incorrupt\u00edvel, sem m\u00e1cula, imarcesc\u00edvel, pela qual est\u00e3o guardados pelo poder de Deus, mediante a f\u00e9, para a salva\u00e7\u00e3o\u201d. E o ap\u00f3stolo Pedro conclui: \u201cNisso voc\u00eas devem exultar\u201d. (I Pedro 1: 3-6).<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o em Cristo e o convite para pertencer ao \u201cpovo exclusivo de Deus\u201d (I Pedro 2: 8), deve fazer a Igreja, no centen\u00e1rio do Hin\u00e1rio Adventista, louvar em duas cad\u00eancias: primeiro, viver em santidade e amor, afim de \u201cproclamar as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a maravilhosa luz\u201d (I Pedro 1: 13-25; 2: 1-17), certeza alcan\u00e7ada pelo minist\u00e9rio intercess\u00f3rio de Cristo no Santu\u00e1rio Celestial (Hebreus 4: 14-16; 10: 19-25); e segundo, esperar, apressar e aguardar a vinda de Cristo, visto que, a nossa \u201cP\u00e1tria n\u00e3o \u00e9 aqui\u201d (Filipenses 3: 20-21), pois, \u201caguardamos novos c\u00e9us e nova terra, nos quais habita justi\u00e7a\u201d (II Pedro 3: 13). Nisto consiste o nosso cantar!<\/p>\n<p>Historicamente, al\u00e9m de conte\u00fado, os hin\u00e1rios adventistas t\u00eam uma distin\u00e7\u00e3o: a marca da esperan\u00e7a. Toda forma\u00e7\u00e3o de um hin\u00e1rio passa evidentemente por um processo de sele\u00e7\u00e3o, escolha, vi\u00e9s cultural para viabilizar intencionalidades, ideologias e modo de pensar. Isto est\u00e1 fartamente documentado em estudos acad\u00eamicos. N\u00e3o s\u00f3 Calvino, Lutero, Watts, Wesley, metrificaram salmos, vernacularizaram corais, popularizaram hinos; e mais tarde, Sankey, Bliss, Crosby, adaptaram letras \u00e0s melodias folcl\u00f3ricas, mas nesta trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, Deus conduziu os pioneiros adventistas como os Whites, Annie R. Smith (1831\u20131855), Roswell F. Cottrell (1814\u20131892) e Frank E. Belden (1858\u20131945) <strong>[5]<\/strong> a adaptarem o material hinol\u00f3gico e a organizarem hin\u00e1rios para que os Adventistas cantassem enquanto aguardam a volta de Cristo.<br \/>\nNo Brasil, isto aconteceu em 1933, quando, pela primeira vez, publicou-se o Hin\u00e1rio Adventista com m\u00fasica, com 333 hinos, organizados em 24 se\u00e7\u00f5es e \u00edndices em alem\u00e3o e ingl\u00eas. A Revista Adventista publicou o pre\u00e7o: 12$000. E, completou: \u201cser\u00e1 excelente companheiro para vossa B\u00edblia\u201d. Em 1943 uma nova edi\u00e7\u00e3o surgiu e ampliou os hinos para 350. Ao iniciar-se a d\u00e9cada de 1960, a Igreja Adventista clamava por um novo hin\u00e1rio. Novos hin\u00e1rios n\u00e3o podiam ser publicados, porque, como a produ\u00e7\u00e3o era tipogr\u00e1fica, todos os tipos estavam gastos. Ap\u00f3s o trabalho de uma comiss\u00e3o especial, no 1\u00ba. s\u00e1bado de 1963, o hin\u00e1rio \u201cCantai ao Senhor\u201d foi usado pela primeira vez nos cultos das Igrejas de Santo Andr\u00e9, SP, e na Igreja do IAE, (hoje Unasp, campus S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s da hist\u00f3ria do Hin\u00e1rio Adventista existe a hist\u00f3ria de um povo, de uma igreja, de pessoas que s\u00e3o movidas pela esperan\u00e7a. Nos momentos de tristeza, nos funerais e nas un\u00e7\u00f5es, o hin\u00e1rio \u00e9 aberto para confortar cora\u00e7\u00f5es. Nas apresenta\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as, nos cultos de 15 anos, nas celebra\u00e7\u00f5es, o hin\u00e1rio \u00e9 aberto para louvar a Deus. Nos cultos de adora\u00e7\u00e3o, nos batismos, nos evangelismos, nos pequenos grupos, o hin\u00e1rio \u00e9 aberto para expressar a voz daqueles que caminham com os olhos fitos nos c\u00e9us. Escreve Ellen White: \u201cAt\u00e9 aqui nos ajudou o Senhor. Confiai na prote\u00e7\u00e3o de Deus. Sua Igreja d\u00e9bil e defeituosa como possa ser, \u00e9 ela o objeto de Seu supremo cuidado\u201d <strong>[6]<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que um hin\u00e1rio tem vida \u00fatil, devido \u00e0 necessidade de se atualizar linguagens (musical, po\u00e9tica, estil\u00edstica), o que deve acontecer em algum momento com o atual Hin\u00e1rio Adventista, mas, tamb\u00e9m \u00e9 certo que sem hin\u00e1rios a vida crist\u00e3 se perde em queixumes. N\u00e3o importa se projetados em multim\u00eddia, adaptados para celulares, tabletes ou dispon\u00edveis no formato para download, fa\u00e7a do hin\u00e1rio sua motiva\u00e7\u00e3o para louvar a Deus por todos os benef\u00edcios espirituais recebidos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>[1]<\/strong> O pesquisador e music\u00f3logo <strong>Jetro de Oliveira<\/strong> ao escrever para Centro de Mem\u00f3ria Adventista, do Centro Ellen White (Brasil), afirma que a partir de 1900, Guilherme Stein Jr, o primeiro adventista batizado no Brasil, traduziu para o portugu\u00eas 10 a 15 hinos. Nesta ocasi\u00e3o, ele atuava como redator da iniciante Casa Publicadora Brasileira. Em 1910, h\u00e1 o registro de que circulava pelas igrejas, uma colet\u00e2nea com 70 hinos, sem m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>[2]<\/strong>\u00a0<strong>\u201cSalmos e Hinos\u201d<\/strong>, editado por Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Pou Hon Kalley, foi o primeiro hin\u00e1rio protestante que circulou no Brasil. Ele era m\u00e9dico, nascido na Esc\u00f3cia em 8 de setembro de 1809. Converteu-se ao protestantismo e estudou teologia. Em novembro de 1837 iniciou seu trabalho mission\u00e1rio na China. Em uma passagem pelos EUA em 1853 Dr. Robert, por interm\u00e9dio da Sociedade B\u00edblica Americana, tomou conhecimento da necessidade de mission\u00e1rios o Brasil. Tendo desenvolvido atividades mission\u00e1rias na Ilha da Madeira e dominando a l\u00edngua, Kalley embarcou para o Brasil com a sua segunda esposa, Sarah Kalley (1825-1907), em 1855.<\/p>\n<p><strong>[3]<\/strong> MENDON\u00c7A, Antonio G. <strong>O Celeste Porvir:<\/strong> Inser\u00e7\u00e3o do Protestantismo no Brasil. S\u00e3o Paulo: Aste, 1995. p. 223.<\/p>\n<p><strong>[4]<\/strong> JUDD, Warren. D. <strong>A Brief History of SDA Church Music.<\/strong> Manuscrito da palestra proferida em 8 de novembro de 2005, durante Simp\u00f3sio sobre M\u00fasica Adventista. Arquivo Centro White. Engenheiro Coelho, SP, p. 7.<\/p>\n<p><strong>[5]\u00a0<\/strong>SPALDING, Arthur W. <strong>\u201cOrigin &amp; History of Seventh-day Adventists\u201d<\/strong>, R &amp; H Publishing Association, 1962, p.137<\/p>\n<p><strong>[6]\u00a0<\/strong>WHITE, E. G. <strong>\u201cA Igreja Remanescente\u201d<\/strong>. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010. P. 53-54.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2014 marca o centen\u00e1rio da edi\u00e7\u00e3o brasileira do Hin\u00e1rio Adventista. Tudo come\u00e7ou de forma muito simples. Em 1914, Guilherme Stein Jr., educador, erudito, publisher, edita uma brochura com 104 hinos, ampliada cinco anos mais tarde para 321, todos sem m\u00fasica. 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