{"id":316874,"date":"2022-11-11T07:30:00","date_gmt":"2022-11-11T10:30:00","modified":"2022-11-10T16:11:35","modified_gmt":"2022-11-10T19:11:35","slug":"baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru\/","title":{"rendered":"Baleias no deserto: evid\u00eancias do dil\u00favio no Peru"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2038\" height=\"1144\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-316882\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru.jpg 2038w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-240x135.jpg 240w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-768x431.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-1536x862.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2038px) 100vw, 2038px\" \/><\/a><figcaption>Regi\u00e3o de Ocucaje, Peru, local onde os f\u00f3sseis foram encontrados (Foto: Maura Brand\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em palestras e eventos sobre criacionismo, o tema de nove em cada dez perguntas \u00e9 a data\u00e7\u00e3o das rochas e os milh\u00f5es de anos usados pela teoria da evolu\u00e7\u00e3o para explicar a idade da Terra, f\u00f3sseis ou origem da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo profundo \u00e9 um componente essencial \u00e0 teoria da evolu\u00e7\u00e3o, que considera mudan\u00e7as lentas e graduais, assim como as muta\u00e7\u00f5es e a sele\u00e7\u00e3o natural, como condi\u00e7\u00f5es essenciais para o surgimento e diversidade da vida. A ideia de que nosso planeta teria bilh\u00f5es de anos foi proposta por naturalistas como James Hutton e Charles Lyell. Afinal, se as mudan\u00e7as que vemos hoje ocorrem num ritmo lento, ent\u00e3o a vida na Terra deve ser muito antiga para que as mudan\u00e7as ocorridas devido a sele\u00e7\u00e3o natural e acumuladas ao longo do tempo produzam novas formas de vida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/tanis-e-as-evidencias-do-diluvio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tanis e as evid\u00eancias do dil\u00favio<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/maioria-da-historias-sobre-origem-do-homem-sao-incompativeis-com-registro-fossil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maioria das hist\u00f3rias sobre origem do homem s\u00e3o incompat\u00edveis com registro f\u00f3ssil<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Atualmente s\u00e3o realizados testes, chamados de data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9trica, para determinar a idade das rochas e consequentemente dos animais que s\u00e3o encontrados nelas. Um exemplo cl\u00e1ssico e sempre mencionado \u00e9 a do Carbono-14 (C14). \u00c9 muito importante dizer que o C14 \u00e9 um m\u00e9todo usado para estimar idades de amostras que cont\u00eam mat\u00e9ria org\u00e2nica, e n\u00e3o rochas. Ele pode ser usado em artefatos, tecidos, cer\u00e2micas ou outros itens do tipo. Seus resultados s\u00e3o confi\u00e1veis em idades que v\u00e3o de algumas centenas de anos at\u00e9, no m\u00e1ximo, 50 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o, como o Pot\u00e1ssio-Arg\u00f4nio (K\/Ar), Ur\u00e2nio-Chumbo (U\/Pb) e Rub\u00eddio-Estr\u00f4ncio (Rb\/Sr) s\u00e3o usados para datar rochas mais antigas, as magm\u00e1ticas. Esses m\u00e9todos se baseiam na medi\u00e7\u00e3o da quantidade de \u00e1tomos radioativos desses elementos, considerando o c\u00e1lculo da meia vida deles. O resultado determina qual a idade em que aquela rocha foi formada, ou seja, quando magma se transformou em rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>Claramente, as informa\u00e7\u00f5es obtidas a partir das data\u00e7\u00f5es radiom\u00e9ticas representam um desafio enorme \u00e0 cosmovis\u00e3o criacionista. Muitos criacionistas defendem que a vida foi criada j\u00e1 pronta h\u00e1 alguns milhares de anos, num per\u00edodo recente, se compararmos as idades apresentadas pelas data\u00e7\u00f5es radiom\u00e9tricas. Essa \u00e9 uma raz\u00e3o que pode levar alguns crist\u00e3os a aceitar a narrativa da cosmovis\u00e3o evolucionista no que chamamos de <strong>criacionismo progressivo e no evote\u00edsmo*<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, algumas evid\u00eancias encontradas nos f\u00f3sseis e na natureza tem levantado questionamentos importantes a respeito do papel que processos lentos e milh\u00f5es de anos teriam no surgimento da diversidade de vida e na forma\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Evid\u00eancias de um evento r\u00e1pido<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, os dados fornecidos pelas data\u00e7\u00f5es radiom\u00e9ticas podem ser inconsistentes com evid\u00eancias de que algumas camadas de rochas sedimentares tenham se depositado rapidamente e n\u00e3o em milh\u00f5es de anos. Uma dessas evid\u00eancias \u00e9 a falta de eros\u00e3o que encontramos entre as camadas de rochas sedimentares. Se existe um intervalo de milh\u00f5es de anos entre uma camada e outra, era de se esperar que houvesse sinais de eros\u00e3o, como ra\u00edzes de \u00e1rvores, sinais de escoamento da \u00e1gua da chuva, eros\u00e3o do vento, entre outros. Mas o que acontece, na realidade, \u00e9 que esses sinais de eros\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o encontrados, o que nos leva a acreditar que essa deposi\u00e7\u00e3o ocorreu de forma r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra evid\u00eancia interessante, que desafia os processos lentos do tempo, vem de f\u00f3sseis encontrados na forma\u00e7\u00e3o Pisco, uma regi\u00e3o des\u00e9rtica no sudeste do Peru. Nesse dep\u00f3sito est\u00e3o milhares de cet\u00e1ceos (grupo das baleias e golfinhos) enterrados em extratos depositados no que foi um dia uma ba\u00eda de pouca profundidade. Al\u00e9m dos cet\u00e1ceos, foram encontrados focas, le\u00f5es marinhos, tartarugas e pinguins f\u00f3sseis muito bem preservados.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos esqueletos de baleias est\u00e3o parcial ou totalmente desarticulados, mas os ossos est\u00e3o conectados e agrupados, indicando que houve pouca perturba\u00e7\u00e3o dos ossos antes de serem enterrados pelo sedimento. Esses animais foram encontrados em posi\u00e7\u00e3o de vida, ou seja, de barriga para baixo, indicando um soterramento r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-316881\" width=\"273\" height=\"410\"\/><\/a><figcaption>F\u00f3ssil de baleia preservado com detalhes excepcionais, na Forma\u00e7\u00e3o Pisco, Peru (Foto: Maura Brand\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 foram feitos estudos para verificar os processos que ocorrem ap\u00f3s a morte de baleias no oceano. Se a baleia tem um alto n\u00edvel de gordura em seu corpo, ela tem a tendencia de boiar na superf\u00edcie por mais tempo e servir de alimento para animais como tubar\u00f5es e outros animais carn\u00edvoros. Ao afundar, seus ossos que tamb\u00e9m s\u00e3o ricos em gordura, servem de alimento para animais menores. Eles podem ser colonizados por invertebrados marinhos como moluscos bivalves, crust\u00e1ceos, esponjas, corais, entre outros. Se as baleias f\u00f3sseis da forma\u00e7\u00e3o Pisco tivessem sido soterradas ao longo de muito tempo, era de se esperar que sinais como esses fossem encontrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os f\u00f3sseis encontrados no Peru n\u00e3o indicam sinais desse tipo de deteriora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o encontrados com outros invertebrados, nem apresentam sinais de eros\u00e3o causadas pela \u00e1gua. As evid\u00eancias dizem que n\u00e3o houve tempo para esses processos acontecerem. \u00c9 quase como se tivessem sido soterradas vivas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preserva\u00e7\u00e3o ao longo do tempo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Outra estrutura que foi incrivelmente preservada \u00e9 a barbatana ou \u201cbarba\u201d das baleias. Essa estrutura faz parte do aparato filtrador, que permite as baleias se alimentarem, j\u00e1 que elas n\u00e3o possuem dentes. Elas s\u00e3o feitas de queratina, subst\u00e2ncia que est\u00e1 presente nas nossas unhas e cabelos. Em condi\u00e7\u00f5es normais, as barbatanas se desprenderiam do cr\u00e2nio da baleia e desapareceriam em quest\u00e3o de dias ou semanas, mas nos f\u00f3sseis de baleias da forma\u00e7\u00e3o Pisco h\u00e1 cerca de 37 exemplares com essas estruturas incrivelmente preservadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1626\" height=\"1084\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-316883\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru4.jpg 1626w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru4-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru4-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/><\/a><figcaption>Imagem menor: cerda bucal ou barbas de baleias que n\u00e3o possuem dentes. Na imagem maior, cerdas preservadas em f\u00f3ssil de baleia, na Forma\u00e7\u00e3o Pisco, Peru (Foto: Maura Brand\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os f\u00f3sseis encontrados na forma\u00e7\u00e3o Pisco, no Peru, mostram que ao observar os processos que acontecem no presente, especialmente no caso das baleias f\u00f3sseis, n\u00e3o conseguimos ver como eles podem explicar satisfatoriamente a incr\u00edvel preserva\u00e7\u00e3o dessas estruturas em baleias que teriam sido soterradas ao longo de muito tempo. Os modelos de sedimenta\u00e7\u00e3o que temos atualmente n\u00e3o explicam como esses f\u00f3sseis teriam se formado e se preservado excepcionalmente, com tantos detalhes. Evid\u00eancias e dados fornecidos por esses f\u00f3sseis apoiam que em alguns aspectos, os processos que ocorriam no passado possam ter sido diferentes do que vemos no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A geologia atualmente explica a forma\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis como processos lentos ao longo de grandes per\u00edodos. Ao mesmo tempo, ao estudarmos evid\u00eancias como aquelas que os f\u00f3sseis do Peru nos fornecem, vemos ind\u00edcios de uma hist\u00f3ria diferente. Observamos a possibilidade de taxas de sedimenta\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pidas, inclusive com a presen\u00e7a de grandes cat\u00e1strofes, indicando que a escala de tempo considerado poderia ser bem diferente.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>* Criacionismo progressivo<\/strong> \u00e9 a ideia de que Deus teria realizado seu processo criativo em v\u00e1rios momentos e n\u00e3o em uma semana de dias literais, ao longo de milh\u00f5es de anos na sequ\u00eancia que encontramos na coluna geol\u00f3gica. J\u00e1 o <strong>evolte\u00edsmo <\/strong>aceita as ideias da teoria da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin, afirmando que Deus teria realizado seu processo criativo, sendo a causa da origem da primeira forma de vida simples, e que teria usado a sele\u00e7\u00e3o natural para guiar o processo respons\u00e1vel pelo surgimento da diversidade de vida que temos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[1] Ra\u00fal Esperante. <strong>Tiempo, fe y ballenas f\u00f3ssiles<\/strong>. Di\u00e1logo Universit\u00e1rio 16, n\u00ba 2 (2004) 5-7. 12. Ra\u00fal Esperante, Leonard Brand, Kevin E. Nick, Orlando Poma, Mario Urbina.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] <strong>Exceptional occurence of f\u00f3ssil baleen in shallow marine sediments of the Neogene Pisco Formation, Southern Peru. <\/strong>Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology 257 (2008) 344\u2013360.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estruturas bem preservadas indicam um soterramento r\u00e1pido, como narrado pela B\u00edblia. <\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":316882,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[3635],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[83],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-316874","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-departamentos-comunicacao","xtt-pa-regiao-peru","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-768x431.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/11\/baleias-no-deserto-evidencias-do-diluvio-no-peru-480x270.jpg"}}