{"id":311458,"date":"2022-08-26T07:00:00","date_gmt":"2022-08-26T10:00:00","modified":"2022-08-26T07:11:08","modified_gmt":"2022-08-26T10:11:08","slug":"como-o-sacrificio-de-cristo-explica-a-compreensao-adventista-da-liberdade-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/paraserlivre\/como-o-sacrificio-de-cristo-explica-a-compreensao-adventista-da-liberdade-religiosa\/","title":{"rendered":"Como o sacrif\u00edcio de Cristo explica a compreens\u00e3o adventista da liberdade religiosa"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"601\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa.jpg\" alt=\"liberdade religiosa\" class=\"wp-image-311460\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa-768x462.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption>Amar ao pr\u00f3ximo inclui respeitar as escolhas individuais (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1888, l\u00edderes adventistas do s\u00e9timo dia fizeram oposi\u00e7\u00e3o a dois projetos de lei apresentados no Senado dos Estados Unidos. O primeiro previa a promo\u00e7\u00e3o do domingo como um dia de descanso religioso. O segundo trazia a proposta de uma emenda constitucional exigindo que as escolas p\u00fablicas americanas ensinassem os princ\u00edpios da religi\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos opositores a esses projetos foi um pioneiro adventista chamado Alonzo Jones, que viria a ser um dos editores da <em>Adventist Review<\/em>, vers\u00e3o americana da Revista Adventista. Jones testemunhou no Congresso, intercedendo para impedir a lei dominical e a proposta de tornar a Am\u00e9rica uma na\u00e7\u00e3o crist\u00e3 por for\u00e7a da lei. E ele fez isso em respeito \u00e0 liberdade religiosa para todas as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/paraserlivre\/uma-questao-de-liberdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma quest\u00e3o de liberdade<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Este acontecimento foi determinante para a constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia adventista sobre o livre arb\u00edtrio, inclusive na escolha religiosa. Em 1889, os adventistas criaram uma associa\u00e7\u00e3o para promover este direito. \u201cAcreditamos que \u00e9 o certo e que \u00e9 dever de todo homem adorar a Deus de acordo com os ditames de sua consci\u00eancia\u201d, dizia o texto com as diretrizes da rec\u00e9m-criada Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Liberdade Religiosa. Foi o embri\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Liberdade Religiosa (Irla), atuante at\u00e9 hoje, com uma agenda em favor do direito em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cria\u00e7\u00e3o, queda e reden\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O ponto fundamental, desde ent\u00e3o, \u00e9 o entendimento de que liberdade religiosa \u00e9 um direito de todas as pessoas, e n\u00e3o um privil\u00e9gio de um grupo espec\u00edfico. A leitura do primeiro dos oito marcos referenciais adventistas da liberdade religiosa, publicados na mais recente edi\u00e7\u00e3o do Manual Pr\u00e1tico para Diretores de Liberdade Religiosa da Igreja Local, um conte\u00fado da sede sul-americana da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, ajuda nesta compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirma o primeiro marco referencial, focado na cria\u00e7\u00e3o, queda e reden\u00e7\u00e3o da humanidade: \u201cSe, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres\u201d (Jo\u00e3o 8:36). Deus criou os seres humanos com livre arb\u00edtrio. Com a entrada do pecado, essa liberdade foi perdida. Mediante seu sacrif\u00edcio, Cristo restaura, para todos, o direito \u00e0 liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O sacrif\u00edcio de Cristo e Sua ressurrei\u00e7\u00e3o asseguram o direito \u00e0 humanidade de ser livre do peso da culpa e do mal. Esta restaura\u00e7\u00e3o da liberdade precisa ser entendida menos como um privil\u00e9gio e mais como uma d\u00e1diva. Deus restaura a liberdade da humanidade para o bem de todas as pessoas e para a manifesta\u00e7\u00e3o de sua gra\u00e7a e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 desta vis\u00e3o b\u00edblica que deriva a compreens\u00e3o dos adventistas do s\u00e9timo dia sobre o direito \u00e0 liberdade religiosa para toda a humanidade. Vem da f\u00e9 no amor de Deus, expresso na cria\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a. Deus criou seres humanos livres, com liberdade de escolha para ador\u00e1-Lo e obedecer-Lhe, de forma espont\u00e2nea e n\u00e3o coercitiva. A coer\u00e7\u00e3o anula o amor, mas a liberdade \u00e9 o requisito para a express\u00e3o do amor genu\u00edno.<\/p>\n\n\n\n<p>A origem do mal, o surgimento do pecado e a queda da ra\u00e7a humana com a consequente perda da liberdade original s\u00e3o evid\u00eancias que apontam para um Deus soberano, cujas criaturas nunca foram constrangidas a servi-Lo. O plano da reden\u00e7\u00e3o oferece a restaura\u00e7\u00e3o da liberdade perdida com a queda da humanidade e possibilita a restaura\u00e7\u00e3o da imagem divina no ser humano, caso seja aceita.<\/p>\n\n\n\n<p>A provis\u00e3o foi feita para toda as pessoas, mas receb\u00ea-la \u00e9 uma decis\u00e3o pessoal. Defender, proteger e promover a liberdade religiosa \u00e9 um vigoroso testemunho da cren\u00e7a em um Deus Eterno, Criador e Redentor, que fez tudo para reerguer e restaurar a dignidade humana, que deriva unicamente do Seu eterno amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta disso, os adventistas n\u00e3o entendem a liberdade religiosa como um privil\u00e9gio denominacional. Isto evita fazer uso da liberdade para impor uma vis\u00e3o de mundo \u00e0s pessoas. Pelo contr\u00e1rio. Compartilhar a f\u00e9 \u00e9 um ato de amor, resultado da liberdade experimentada na compreens\u00e3o do sacrif\u00edcio de Cristo. A liberdade religiosa nunca ser\u00e1 usada como privil\u00e9gio, ou buscando minimizar o direito a esta liberdade de pessoas de outras confiss\u00f5es, ou mesmo daquelas que n\u00e3o creem. Em 1 Pedro 2:16, o ap\u00f3stolo aconselha: \u201cVivam como pessoas livres, mas n\u00e3o usem a liberdade como desculpa para fazer o mal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Compreens\u00e3o na pr\u00e1tica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>E como, na pr\u00e1tica, isto pode acontecer? O pastor Ganoune Diop, secret\u00e1rio geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Liberdade Religiosa (Irla) e diretor mundial de Assuntos P\u00fablicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia, apresentou<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> em artigo algumas sugest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Compreens\u00e3o do princ\u00edpio pol\u00edtico. Segundo ele, no n\u00edvel mais b\u00e1sico, a liberdade de pensamento, consci\u00eancia, religi\u00e3o ou cren\u00e7a \u00e9 um princ\u00edpio pol\u00edtico que sustenta outros princ\u00edpios pol\u00edticos, como consentimento dos governados, estado de direito, democracia e governo representativo.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Disposi\u00e7\u00f5es do direito internacional, seguindo textos consagrados como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direito Humanos, da Uni\u00e3o Europeia, e outros documentos e tratados internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Compreens\u00e3o de que que a liberdade religiosa \u00e9 composta e pressup\u00f5e a liberdade de pensamento, consci\u00eancia, cren\u00e7a, convic\u00e7\u00e3o, express\u00e3o, reuni\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Entendimento do direito humano a esta liberdade. O aspecto humano n\u00e3o deve ser negligenciado por raz\u00f5es antropol\u00f3gicas, teol\u00f3gicas, filos\u00f3ficas e existenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>5. Vis\u00e3o clara de ser um sinal da nossa humanidade, n\u00e3o s\u00f3 pela nossa racionalidade, mas tamb\u00e9m pelo sentido de responsabilidades morais e \u00e9ticas. A posi\u00e7\u00e3o central da liberdade religiosa baseada na liberdade de consci\u00eancia permite que ela forne\u00e7a uma base normativa para o que significa ser um indiv\u00edduo, um ser humano. Tem dimens\u00f5es individuais e corporativas, como coexist\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o pac\u00edficas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6. Um s\u00edmbolo de nossa interconex\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>7. Um selo de sacralidade. Nas religi\u00f5es monote\u00edstas, os seres humanos s\u00e3o sagrados, templos do divino, criados \u00e0 imagem de Deus; ou representantes do divino; ou ligado ao divino, como estipulado nas religi\u00f5es asi\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>8. Um apelo \u00e0 solidariedade, toler\u00e2ncia e respeito, baseado na sacralidade de cada ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>9. Um imperativo moral. A liberdade de religi\u00e3o, cren\u00e7a e consci\u00eancia \u00e9 um impedimento contra o autoritarismo ou o totalitarismo. \u00c9 contra o atropelamento da dignidade humana, contra a redu\u00e7\u00e3o dos seres humanos a objetos que podem ser dominados, domesticados ou subjugados.<\/p>\n\n\n\n<p>10. Express\u00e3o do valor imensur\u00e1vel de cada ser humano. A liberdade de religi\u00e3o ou cren\u00e7a \u00e9 um sinal que significa a necessidade de proteger os seres humanos de serem instrumentalizados, usados, abusados \u200b\u200be desumanizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Diop conclui que a liberdade religiosa \u00e9 um apelo intr\u00ednseco \u00e0 solidariedade humana, baseada na inviolabilidade da consci\u00eancia e um ant\u00eddoto contra os abusos que desumanizam uma pessoa ou grupo de pessoas. \u00c9 uma percep\u00e7\u00e3o que promove o entendimento da liberdade segundo os ditames da hist\u00f3ria humana de queda e reden\u00e7\u00e3o, segundo o relato b\u00edblico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Dispon\u00edvel em <a href=\"adventistas.org\/liberdadereligiosa\">adventistas.org\/liberdadereligiosa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> DIOP, Ganoune. Religious Freedom: A Multifaceted Gift to Humanity. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/adventistreview.org\/feature\/religious-freedom-a-multifaceted-gift-to-humanity\/\">https:\/\/adventistreview.org\/feature\/religious-freedom-a-multifaceted-gift-to-humanity\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder escolher sua pr\u00f3pria cren\u00e7a faz parte do princ\u00edpio do livre arb\u00edtrio, em que cada ser humano tem autonomia sobre sua pr\u00f3pria consci\u00eancia e f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"author":392,"featured_media":311460,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-311458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"Heron Santana"},"terms":{"editorial":"","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa-768x462.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2022\/08\/liberdade-religiosa-480x270.jpg"}}