{"id":295222,"date":"2021-12-15T05:30:00","date_gmt":"2021-12-15T08:30:00","modified":"2025-01-17T11:02:08","modified_gmt":"2025-01-17T14:02:08","slug":"a-mutacao-dos-elefantes-sem-presa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/a-mutacao-dos-elefantes-sem-presa\/","title":{"rendered":"A muta\u00e7\u00e3o dos elefantes sem presa"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-401815\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisa a respeito de elefantes coloca em discuss\u00e3o teses de cunho mais evolucionista. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em um estudo publicado na revista <em>Science<\/em> no m\u00eas de outubro de 2021, pesquisadores destacaram um fato interessante: est\u00e1 aumentando o n\u00famero de elefantes que nascem sem presas no Parque Nacional Gorongosa, em Mo\u00e7ambique [1].<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da pesquisa era entender os impactos da Guerra Civil de Mo\u00e7ambique, que ocorreu entre 1977 e 1992, na popula\u00e7\u00e3o de elefantes na savana africana. Os soldados, de ambos os lados, ca\u00e7avam os elefantes com marfim para retir\u00e1-los e vender, a fim de ter recursos para continuar a guerra. Como resultado, a popula\u00e7\u00e3o desses animais diminuiu drasticamente ao longo dos anos, o que trouxe p\u00e9ssimas consequ\u00eancias ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato interessante percebido pelos pesquisadores \u00e9 que apenas as elefantes-f\u00eamea nasciam sem as presas; a propor\u00e7\u00e3o saltou de 18,5% (52 indiv\u00edduos) para 50,9% (108 indiv\u00edduos). Esse \u00e9 um exemplo t\u00edpico da chamada sele\u00e7\u00e3o artificial. Por predarem apenas os elefantes com presas, a propor\u00e7\u00e3o daqueles sem aumentou, enquanto a outra diminuiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es levaram os pesquisadores a criar a hip\u00f3tese de que provavelmente havia um componente gen\u00e9tico envolvido e que isso seria uma \u201cresposta evolutiva\u201d produzida pela preda\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de guerra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Explica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Em laborat\u00f3rio, os pesquisadores fizeram um sequenciamento do genoma (mapeamento de todos os genes) dos elefantes que nasciam com as presas e daquelas que nasciam sem. Ao analisar o resultado, eles perceberam que as f\u00eameas que nasciam sem presas possu\u00edam uma muta\u00e7\u00e3o dominante no cromossomo <em>X<\/em>*.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s buscar na literatura cient\u00edfica explica\u00e7\u00f5es para esse mecanismo de heran\u00e7a, os pesquisadores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que os embri\u00f5es-macho que apresentavam o cromossomo X com a muta\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegavam ao final do desenvolvimento embrion\u00e1rio. Por esta raz\u00e3o, apenas f\u00eameas portadoras da muta\u00e7\u00e3o nasciam sem presas. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 elefantes-macho sem presas, porque a muta\u00e7\u00e3o impede o seu nascimento [2].<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado temos algumas consequ\u00eancias ambientais importantes. A primeira e mais \u00f3bvia \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pela preda\u00e7\u00e3o ocasionada na guerra. O que, consequentemente, fez com que uma muta\u00e7\u00e3o letal para os elefantes-macho mudasse a din\u00e2mica da popula\u00e7\u00e3o, fazendo com que o n\u00famero de elefantes sem presa aumentasse ao longo dos anos. Al\u00e9m do fato de que, com menos machos na popula\u00e7\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie t\u00e3o afetada pela a\u00e7\u00e3o humana poderia ter um ritmo menor. Outra consequ\u00eancia est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 flora da regi\u00e3o, j\u00e1 que elefantes com presa se alimentam de plantas diferentes daquelas que n\u00e3o as possuem, causando uma mudan\u00e7a na paisagem e popula\u00e7\u00e3o das plantas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores acreditam que a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 revers\u00edvel, se a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o forem adotadas pelos administradores do parque para impedir a ca\u00e7a ilegal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muta\u00e7\u00f5es nocivas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante notarmos o efeito prejudicial que as muta\u00e7\u00f5es causam nos seres vivos. Largamente usadas pelos neodarwinistas para explicar a origem da diversidade dos organismos, as muta\u00e7\u00f5es parecem contrariar a ideia de progresso quando se observa as evid\u00eancias cient\u00edficas como essa apresentada pelos pesquisadores no parque nacional em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria esmagadora dos relatos, as muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o prejudiciais ao organismo ou neutras, ou seja, n\u00e3o t\u00eam efeito algum. Ainda n\u00e3o foi registrado na literatura cient\u00edfica o fato de muta\u00e7\u00f5es serem respons\u00e1veis pela origem de informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e eventos de forma\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies [3].<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto importante tamb\u00e9m \u00e9 que para que uma muta\u00e7\u00e3o seja fixada na popula\u00e7\u00e3o, ela precisa ser passada para as gera\u00e7\u00f5es seguintes por meio da gera\u00e7\u00e3o de descendentes portadores da nova caracter\u00edstica. Para isso, precisa acontecer justamente nas c\u00e9lulas que s\u00e3o respons\u00e1veis pela reprodu\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o tem efeito algum em termos evolutivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo David Berlinksy possui uma cita\u00e7\u00e3o muito interessante a respeito da viabilidade das mudan\u00e7as no DNA como gerador de novas esp\u00e9cies. Ele afirma no v\u00eddeo <em>Desafios matem\u00e1ticos \u00e0 Teoria da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin<\/em> (<em>Mathematical Challenges to Darwin\u2019s Theory of Evolution, dispon\u00edvel no YouTube) <\/em>o seguinte: \"quando falamos em grandes mudan\u00e7as... se elas v\u00eam em uma fase avan\u00e7ada do desenvolvimento, elas n\u00e3o v\u00e3o fazer diferen\u00e7a, o organismo j\u00e1 est\u00e1 formado. Se elas acontecem em um est\u00e1gio inicial, elas n\u00e3o podem fazer diferen\u00e7a, porque inevitavelmente, elas destruir\u00e3o o organismo, muitas estruturas que ser\u00e3o formadas nos est\u00e1gios seguintes, dependem destas c\u00e9lulas formadas nos est\u00e1gios iniciais. Temos ent\u00e3o um dilema: mudan\u00e7as cedo demais [no desenvolvimento] n\u00e3o funcionam e mais tarde tamb\u00e9m. Ent\u00e3o quando?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Spoiler alert: Nunca!!!<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00eddeo recomendado: <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Confiss\u00f5es de Crente - A muta\u00e7\u00e3o dos elefantes sem presa\" width=\"856\" height=\"482\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/00QvUz3wA9c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>*Nota: \u00e9 importante lembrar que a determina\u00e7\u00e3o do sexo nos mam\u00edferos acontece pela presen\u00e7a de cromossomos conhecidos como \u201csexuais\u201d e que possuem fun\u00e7\u00f5es informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o sexual. F\u00eameas nascem com dois cromossomos X (XX), machos nascem com um cromossomo X e um Y (XY). <\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p>[1] <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-59063328\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-59063328<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[2] Ivory poaching and the rapid evolution of tusklessness in African elephants. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abe7389\">https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abe7389<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[3] Muta\u00e7\u00f5es aumentam a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica? <a href=\"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2018\/10\/12\/mutacoes-aumentam-a-informacao-genetica\/\">https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2018\/10\/12\/mutacoes-aumentam-a-informacao-genetica\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[4] Mathematical Challenges to Darwin`s Theory of Evolution \u2013 Minuto 24\u2019 - <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=noj4phMT9OE&amp;ab_channel=HooverInstitution\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=noj4phMT9OE&amp;ab_channel=HooverInstitution<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usadas por neodarwinistas para explicar origem da diversidade dos organismos, a muta\u00e7\u00e3o de elefantes parece contrariar a ideia de progresso.<\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":401815,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[3627],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-295222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-departamentos-educacao","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"","embed_url":"","embed_length":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/12\/shutterstock_2492903299-480x270.jpg"}}