{"id":29265,"date":"2013-09-26T07:13:20","date_gmt":"2013-09-26T10:13:20","modified":"2021-11-15T21:32:00","modified_gmt":"2021-11-16T00:32:00","slug":"cientistas-decifram-estrutura-3d-genoma-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/michelson.borges\/cientistas-decifram-estrutura-3d-genoma-humano\/","title":{"rendered":"Cientistas decifram estrutura 3D do genoma humano"},"content":{"rendered":"<p>Quase n\u00e3o tenho tido tempo de assistir a telejornais. Geralmente me informo pelas m\u00eddias impressas e pela internet, que me permitem ser mais seletivo. Mas, tempos atr\u00e1s, casualmente, assisti a uma reportagem que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no Jornal Nacional, da Rede Globo. A reportagem destacou a mat\u00e9ria de capa de uma das edi\u00e7\u00f5es da revista <i>Science<\/i>. O assunto era a incr\u00edvel arquitetura do genoma e a capacidade que o DNA tem de armazenar quantidade formid\u00e1vel de informa\u00e7\u00e3o que supera em muito os maiores computadores conhecidos. A reportagem televisiva foi recheada com outros adjetivos que deixavam claro como estavam maravilhados os pesquisadores e dos apresentadores, mas terminou dizendo que foi a natureza que encontrou essa \u201csolu\u00e7\u00e3o elegante\u201d para armazenar informa\u00e7\u00e3o. Nesse momento, minha filha, ent\u00e3o com sete anos, olhou para mim e torceu o nariz. Claro, at\u00e9 uma crian\u00e7a (desde que n\u00e3o condicionada pelo naturalismo filos\u00f3fico) percebe a incoer\u00eancia de se falar em <i>design<\/i> e informa\u00e7\u00e3o e se negar o Designer e a fonte de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, se o genoma de cada c\u00e9lula for esticado, ele ter\u00e1 dois metros de comprimento. Mas como as mol\u00e9culas de DNA se enrolam para caber dentro da c\u00e9lula, sem se embara\u00e7ar e sem dar n\u00f3s? Essa pergunta foi respondida por pesquisadores das universidades de Harvard e MIT, nos Estados Unidos. Foram eles que decifraram a estrutura tridimensional do genoma humano, gerando a primeira imagem 3D do DNA em seu estado natural, no interior de uma c\u00e9lula.<br \/>\n\u201cSabemos h\u00e1 muito tempo que o DNA, em pequena escala, tem o formato de espiral dupla\u201d, disse o pesquisador Erez Lieberman-Aiden, um dos autores da descoberta. \u201cMas se a espiral dupla n\u00e3o se dobrasse, o genoma de cada c\u00e9lula teria dois metros de comprimento. Os cientistas de fato n\u00e3o entendiam como a espiral dupla se dobra para caber no n\u00facleo de uma c\u00e9lula humana, que tem cerca de um cent\u00e9simo de mil\u00edmetro de di\u00e2metro.\u201d<br \/>\nSegundo reportagem do site Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica, ao mapear tridimensionalmente o DNA, os pesquisadores fizeram duas descobertas surpreendentes. Primeiro, o genoma humano \u00e9 organizado em dois compartimentos separados, mantendo os genes ativos facilmente acess\u00edveis, enquanto o DNA n\u00e3o utilizado fica muito mais compactado em outro compartimento.<br \/>\nOs cromossomos deslizam para dentro e para fora dos dois compartimentos repetidamente, conforme seus DNAs tornam-se ativos ou inativos. \u201cDe forma muito inteligente, as c\u00e9lulas separam os genes mais ativos, tornando mais f\u00e1cil para as prote\u00ednas e outros reguladores alcan\u00e7\u00e1-los\u201d, disse Job Dekker, outro membro da equipe.<\/p>\n<p>A segunda descoberta \u00e9 que o genoma adota uma organiza\u00e7\u00e3o muito incomum, conhecida como fractal. A arquitetura espec\u00edfica que os cientistas encontraram, chamada \u201cgl\u00f3bulo fractal\u201d, permite que a c\u00e9lula empacote o DNA em um formato incrivelmente denso \u2013 a densidade de informa\u00e7\u00f5es alcan\u00e7ada \u00e9 trilh\u00f5es de vezes mais alta do que a encontrada em uma mem\u00f3ria de computador. E isso sem permitir que o genoma se embarace ou d\u00ea n\u00f3s, o que inviabilizaria o acesso da c\u00e9lula ao seu pr\u00f3prio genoma. Al\u00e9m disso, o DNA pode facilmente ser desdobrado e novamente dobrado durante os processos de ativa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, repress\u00e3o gen\u00e9tica e replica\u00e7\u00e3o celular.<\/p>\n<p>Voc\u00ea prestou bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem de <i>design<\/i>? Se n\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 voltar aos trechos que grifei no texto. Curiosamente, a mat\u00e9ria n\u00e3o dedica uma linha, uma palavra sequer sobre a evolu\u00e7\u00e3o de um mecanismo t\u00e3o complexo (\u00e9 a mesma coisa na mat\u00e9ria publicada pela <i>Science<\/i>). Revelador, n\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase n\u00e3o tenho tido tempo de assistir a telejornais. Geralmente me informo pelas m\u00eddias impressas e pela internet, que me permitem ser mais seletivo. Mas, tempos atr\u00e1s, casualmente, assisti a uma reportagem que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no Jornal Nacional, da Rede Globo. 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