{"id":284916,"date":"2021-08-02T05:00:34","date_gmt":"2021-08-02T08:00:34","modified":"2025-01-17T11:02:41","modified_gmt":"2025-01-17T14:02:41","slug":"maioria-da-historias-sobre-origem-do-homem-sao-incompativeis-com-registro-fossil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/maioria-da-historias-sobre-origem-do-homem-sao-incompativeis-com-registro-fossil\/","title":{"rendered":"Maioria das hist\u00f3rias sobre origem do homem s\u00e3o incompat\u00edveis com registro f\u00f3ssil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-284941\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown.jpeg 1200w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-768x432.jpeg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-730x411.jpeg 730w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-300x170.jpeg 300w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-60x35.jpeg 60w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Homem de Piltdown. As partes que est\u00e3o em marrom foram supostamente encontradas pelos cientistas e usadas para reconstruir a imagem. (Foto: Wikicommons)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em pesquisa publicada no in\u00edcio de maio de 2021, o pesquisador Sergio Alm\u00e9cija, da Divis\u00e3o de Antropologia do Museu de Hist\u00f3ria Natural Americano, afirma que h\u00e1 dificuldade em conciliar o registro f\u00f3ssil e a narrativa da evolu\u00e7\u00e3o humana defendida pela teoria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A frase \u201co homem veio do macaco\u201d representa um racioc\u00ednio errado, mas \u00e9 muito popular quando mencionado o paradigma da evolu\u00e7\u00e3o, especialmente a humana. &nbsp;De acordo com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o popularizada e sistematizada por Darwin no s\u00e9culo XIX, a vida teria surgiu muito tempo atr\u00e1s, de forma espont\u00e2nea e ao longo dos milh\u00f5es de anos e pela a\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o natural foi se diversificando e produzindo todas as formas de vida que conhecemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Darwin ainda no s\u00e9culo XIX, em seu livro <em>A descend\u00eancia do homem e sele\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao sexo<\/em> afirmou, sem base alguma de registro f\u00f3ssil, que de acordo com o conceito da ancestralidade comum, ter\u00edamos surgido do mesmo ancestral que deu origem aos macacos. Como os s\u00edmios s\u00e3o encontrados na \u00c1frica, ele afirmou que os seres humanos teriam surgido naquele continente e de l\u00e1 se espalhado para todos os cantos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Achados f\u00f3sseis, evid\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o humana?&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, muito se tem falado sobre a evolu\u00e7\u00e3o do homem, a respeito de achados de f\u00f3sseis e a cada nova descoberta, as manchetes de ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o falham em apresentar a evolu\u00e7\u00e3o humana como um fato comprovado. Mas, ser\u00e1 mesmo? Ser\u00e1 que este tema est\u00e1 gravado em pedra e dado por encerrado?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 isso que encontramos ap\u00f3s uma leitura atenta dos estudos e artigos publicados. O registro f\u00f3ssil \u00e9 cheio de falhas e inclusive com relatos de fraude. A mais famosa delas \u00e9 o famoso homem de Piltdown. Pesquisadores, dos quais podemos destacar Charles Dawson, divulgaram nos primeiros anos do s\u00e9culo XX o achado de um f\u00f3ssil que seria at\u00e9 ali uma nova esp\u00e9cie de homem primitivo, que recebeu at\u00e9 nome, <em>Eoanthroopus dawsoni, <\/em>em homenagem ao cientista anteriormente citado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de algumas d\u00e9cadas de avan\u00e7os dos m\u00e9todos de pesquisa, em 1953, a descoberta foi declarada como fraude. Isso porque os achados consistiam em uma mand\u00edbula de s\u00edmio e um cr\u00e2nio de um homem moderno totalmente desenvolvido. Foi demonstrado o uso de lixas para deixar os ossos e dentes com apar\u00eancia mais antiga e que tamb\u00e9m foram submetidos a subst\u00e2ncias qu\u00edmicas para obter o mesmo resultado. \u00c9 a famosa \u201cengambelada\u201d cient\u00edfica.&nbsp;<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Problemas recentes&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Seria desonesto colocar todos os trabalhos dos paleoantrop\u00f3logos no mesmo \u201cbalaio\u201d da fraude do homem de Piltdown, mas isso n\u00e3o significa que nas \u00faltimas d\u00e9cadas a hist\u00f3ria tenha tido um desfecho melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo de revis\u00e3o, publicado na revista <em>Science<\/em> no dia 07 de maio de 2021, traz evid\u00eancias de que o registrado f\u00f3ssil n\u00e3o poderia estar mais confuso. Um dos autores, Sergio Alm\u00e9cija, afirma: \u201cQuando olhamos para a narrativa da origem dos homin\u00eddios, \u00e9 tudo uma grande bagun\u00e7a, n\u00e3o existe consenso sobre o assunto. As pessoas est\u00e3o trabalhando com paradigmas diferentes, e isso \u00e9 algo que eu n\u00e3o vejo acontecer em outras \u00e1reas da ci\u00eancia\u201d. Ele continua: \u201cMais de 50 fosseis de g\u00eaneros de s\u00edmios est\u00e3o documentados na \u00c1frica e Eur\u00e1sia. No entanto, muitos desses f\u00f3sseis mostram uma combina\u00e7\u00e3o de mosaicos de fei\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se igualam \u00e0s expectativas dos representantes antigos dos s\u00edmios modernos e linhagens humanas. Como consequ\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 consenso cient\u00edfico no papel evolucion\u00e1rio desempenhado por esses f\u00f3sseis de s\u00edmios\u201d [1]. (Destaque pela autora)<\/p>\n\n\n\n<p>Essas n\u00e3o parecem afirma\u00e7\u00f5es de um fato comprovado cientificamente como \u00e9 proposto na teoria da evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante \u201cpassear\u201d pelo artigo completo e avaliar uma imagem em que s\u00e3o representados os f\u00f3sseis usados nas an\u00e1lises de filogen\u00e9tica (baseado no poss\u00edvel grau de parentesco entre os animais a partir da similaridade entre eles). Em sua totalidade, eles n\u00e3o est\u00e3o completos, s\u00e3o esparsos, contendo apenas fragmentos de ossos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dados e interpreta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Um cuidado que devemos ter ao ler informa\u00e7\u00f5es como essas \u00e9 separar dados de interpreta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos negar os dados, que nesse caso, s\u00e3o os f\u00f3sseis ou ossos antigos de seres que viveram em um passado distante. J\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente influenciada pela cosmovis\u00e3o do pesquisador. Interpretar as semelhan\u00e7as desses f\u00f3sseis e elaborar uma hip\u00f3tese com base na ancestralidade comum faz parte da cosmovis\u00e3o evolucionista.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significa que essa rela\u00e7\u00e3o de parentesco esteja comprovada, ainda mais quando estamos em territ\u00f3rio da ci\u00eancia hist\u00f3rica em que n\u00e3o temos possibilidade de testar essas hip\u00f3teses relacionadas a eventos que teriam acontecido \u201cmilh\u00f5es de anos atr\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os f\u00f3sseis dos supostos \u201cancestrais dos humanos\u201d tamb\u00e9m podem ser interpretados, pela cosmovis\u00e3o criacionista, como sendo grupos diferentes de humanos que viveram no passado. \u00c0 sua cria\u00e7\u00e3o, Deus deu a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e eventualmente a possibilidade de ocorrerem mudan\u00e7as limitadas nas esp\u00e9cies, o que n\u00f3s chamamos de microevolu\u00e7\u00e3o ou diversifica\u00e7\u00e3o de baixo n\u00edvel. Todas essas formas de homin\u00eddeos, como <em>Homo erectus <\/em>ou <em>Homo neanderthalensis<\/em>, seriam representantes da esp\u00e9cie humana. E que, ao longo do tempo, passaram por diferencia\u00e7\u00f5es causadas por adapta\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, e at\u00e9 mesmo por mudan\u00e7as ambientais como tipo de clima e recursos alimentares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil relacionar esse aspecto com as varia\u00e7\u00f5es que existem dentro da esp\u00e9cie do cachorro e do gato, por exemplo. Por que n\u00e3o aplicar o mesmo conceito aos humanos que sa\u00edram da arca ap\u00f3s o dil\u00favio? [3] Al\u00e9m do fato de que a localiza\u00e7\u00e3o desses f\u00f3sseis na \u00c1frica e Eur\u00e1sia pode se encaixar no relato b\u00edblico das dispers\u00f5es que ocorreram ap\u00f3s o dil\u00favio e a confus\u00e3o das l\u00ednguas na Torre de Babel.<\/p>\n\n\n\n<p>O registro f\u00f3ssil est\u00e1 longe de \u201ccomprovar\u201d a teoria da evolu\u00e7\u00e3o, pois ainda h\u00e1 muitas perguntas e hip\u00f3teses a serem respondidas. Pelo lado do relato da cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante entender que tamb\u00e9m n\u00e3o temos todas as respostas. Mas, ao mesmo temop, \u00e9 preciso saber que a B\u00edblia \u00e9 confi\u00e1vel para sugerir novas linhas de investiga\u00e7\u00e3o para que entendamos melhor as nossas origens e dar raz\u00e3o \u00e0 nossa f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[1] Evolutionary Dispute: Most Human Origins Stories Are not compatible with known fossils. <a href=\"https:\/\/scitechdaily.com\/evolutionary-dispute-most-human-origins-stories-are-not-compatible-with-known-fossils\/\">https:\/\/scitechdaily.com\/evolutionary-dispute-most-human-origins-stories-are-not-compatible-with-known-fossils\/<\/a>. Acesso em 09.05.2021.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6542\/eabb4363\/tab-pdf\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>[2] ALM\u00c9CIJA, S. et al. Fossil apes and human evolution. Science, v. 372, n. 6542, p. eabb4363, 7 maio 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6542\/eabb4363.abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/372\/6542\/eabb4363.abstract<\/a>&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Ronny Nalin. De onde v\u00eam os seres humanos? <a href=\"https:\/\/dialogue.adventist.org\/pt\/2261\/de-onde-vem-os-seres-humanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/dialogue.adventist.org\/pt\/2261\/de-onde-vem-os-seres-humanos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador do Museu de Hist\u00f3ria Natural Americano afirma que h\u00e1 dificuldade em conciliar registro f\u00f3ssil e narrativa defendida pela teoria da evolu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":284941,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-284916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown.jpeg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-768x432.jpeg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-140x90.jpeg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-140x90.jpeg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/piltdown-290x220.jpeg"}}