{"id":283941,"date":"2021-07-05T08:00:34","date_gmt":"2021-07-05T11:00:34","modified":"2022-03-18T12:36:23","modified_gmt":"2022-03-18T15:36:23","slug":"a-pratica-do-perdao-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/janete.suarez\/a-pratica-do-perdao-em-familia\/","title":{"rendered":"A pr\u00e1tica do perd\u00e3o em fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_283946\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-283946\" class=\"wp-image-283946 size-full\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia.jpeg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-768x432.jpeg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-730x411.jpeg 730w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-300x170.jpeg 300w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-60x35.jpeg 60w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-283946\" class=\"wp-caption-text\">O perd\u00e3o \u00e9 um princ\u00edpio b\u00edblico e traz paz ao cora\u00e7\u00e3o (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>Dona Concei\u00e7\u00e3o e o senhor Jo\u00e3o, ambos j\u00e1 falecidos, tiveram 12 filhos. Atualmente, todos t\u00eam mais de 60 anos de idade. Alguns s\u00e3o av\u00f3s. Outros, inclusive, bisav\u00f3s. Dos 12 irm\u00e3os, apenas tr\u00eas se visitam e os filhos e netos destes se conhecem e interagem. Os demais mal se encontram e pouco sabem sobre os outros.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, o mais velho esteve muito doente, passou por uma cirurgia, ficou internado por quase dois meses e quase veio a falecer. Nenhum dos demais irm\u00e3os ficou sabendo. Diante de exemplos como o desta fam\u00edlia, surgem alguns questionamentos. Por exemplo: o que contribui para que algumas fam\u00edlias preservem e fortale\u00e7am o relacionamento entre seus membros, enquanto outras mal se toleram, apesar da longa conviv\u00eancia no in\u00edcio da vida e dos pais que t\u00eam em comum?<\/p>\n<h4><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/janete-suarez\/familias-fortes-em-tempos-de-pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fam\u00edlias fortes em tempos de pandemia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/janete-suarez\/qual-e-o-nosso-legado-a-proxima-geracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Qual \u00e9 o nosso legado \u00e0 pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Conflitos familiares cujas ofensas n\u00e3o s\u00e3o perdoadas e a pr\u00e1tica do perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exercitada desde a inf\u00e2ncia est\u00e3o entre os principais motivos de um relacionamento prec\u00e1rio ou mesmo inexistente entre fam\u00edlias. Brigas e falta de perd\u00e3o n\u00e3o apenas impedem uma conviv\u00eancia saud\u00e1vel e prolongada, mas d\u00e3o origem a afastamentos que atravessam gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando adultos se recusam a dialogar e perdoar por alguma ofensa atual ou antiga, os mais novos perdem a oportunidade de conhecer a alegria das rela\u00e7\u00f5es familiares s\u00f3lidas que os ligaria a tios, primos, av\u00f3s e demais familiares.<\/p>\n<p><strong>Perdoar faz bem<\/strong><\/p>\n<p>O perd\u00e3o entre os membros das gera\u00e7\u00f5es mais velhas n\u00e3o apenas abre portas para relacionamentos significativos e compreensivos entre as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, como apresentam in\u00fameros benef\u00edcios tanto para a sa\u00fade f\u00edsica, mental e espiritual de todos (Griffin et al., 2015; Norman, 2017).<\/p>\n<p>Estudos destacam que pessoas que nutrem raiva e ressentimento n\u00e3o apenas envenenam elas mesmas, mas todos os seus relacionamentos, al\u00e9m de apresentarem maior tend\u00eancia a sofrer de ansiedade, estresse, culpa, depress\u00e3o, ins\u00f4nia, hipertens\u00e3o, infarto, \u00falceras, enxaqueca, dor no corpo e inclusive c\u00e2ncer (Worthington et al., 2005).<\/p>\n<p>O oposto \u00e9 igualmente verdadeiro. Perdoar s\u00f3 faz bem! Al\u00e9m de reduzir o estresse, a ansiedade e a depress\u00e3o, liberta a v\u00edtima para retomar a vida e seguir em frente. Tamb\u00e9m leva ao amadurecimento e tem a oportunidade de um futuro desatrelado das m\u00e1goas e sofrimentos do passado (Melgosa, 2014).<\/p>\n<p>Ao estudar sobre o impacto do perd\u00e3o, n\u00e3o apenas no ambiente familiar, Luskin (2007) afirmou que o treinamento do perd\u00e3o reduz a depress\u00e3o, aumenta a esperan\u00e7a, diminui a raiva, melhora a conex\u00e3o espiritual e aumenta a autoconfian\u00e7a. O autor verificou, ainda, que pessoas com maior capacidade para perdoar experimentam menos problemas f\u00edsicos e mentais, e menos sintomas f\u00edsicos de estresse.<\/p>\n<p>Quando se deixa de ter raiva ou ressentimento por qualquer ofensa cometida por aqueles com quem se convive e ama, o assunto deixa de exercer qualquer controle sobre o estado emocional. \u00c9 um sentimento libertador.<\/p>\n<h4><strong>O perd\u00e3o exige pr\u00e1tica<\/strong><\/h4>\n<p>Perdoar \u00e9 uma escolha que exige pr\u00e1tica constante, honestidade e disposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de um convite para fingir que n\u00e3o h\u00e1 problemas e que nada aconteceu mesmo entre as pessoas que mais amamos, mas um convite para criar um ambiente de liberdade, paz e amor.<\/p>\n<p>Por vezes, o perd\u00e3o exige recorda\u00e7\u00e3o destemida da dor, di\u00e1logo mais s\u00e9rio que fale ao cora\u00e7\u00e3o e um tempo mais longo que o esperado at\u00e9 se poder perdoar verdadeiramente. Outras vezes h\u00e1 que haver um reconhecimento honesto de que somos todos imperfeitos e humanos, que cometemos erros e podemos fazer mal inclusive a quem amamos e entre eles est\u00e3o os irm\u00e3os, pais, c\u00f4njuges e filhos.<\/p>\n<p>A esse respeito, todos corremos o risco de cometer os mesmos erros cometidos contra n\u00f3s. Ou seja, \u00e0s vezes somos v\u00edtimas, outras vezes, culpados. Nunca uma coisa s\u00f3.<\/p>\n<p>No processo de pr\u00e1tica do perd\u00e3o \u00e9 importante lembrar que nada \u00e9 imperdo\u00e1vel e n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que esteja aqu\u00e9m do perd\u00e3o. As m\u00e1goas, os insultos, as perdas e os danos causados no ambiente familiar s\u00e3o muitas vezes inevit\u00e1veis. Todos os dias no lar, no playground, no trabalho, na escola e na rua enfrentamos a possibilidade de sermos feridos ou ferir algu\u00e9m. Da\u00ed a necessidade de todos, desde as crian\u00e7as mais novas at\u00e9 os mais idosos, exercitarem a pr\u00e1tica do perd\u00e3o. Quando esta pr\u00e1tica \u00e9 cultivada desde muito cedo nas pequenas ofensas, h\u00e1 a prontid\u00e3o para o momento em que um ato de perd\u00e3o maior seja exigido.<\/p>\n<h4><strong>O modelo divino de perd\u00e3o em fam\u00edlia<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o conseguimos desistir da vontade de retribuir o mal com o mal e \u201cperdoar nossos devedores\u201d por n\u00f3s mesmos. Se quisermos viver bem em fam\u00edlia e sociedade, careceremos ser constrangidos pelo amor de Deus. Do contr\u00e1rio, podemos ter 12 irm\u00e3os e correr o risco de n\u00e3o nos darmos bem com nenhum deles.<\/p>\n<p>O caminho do perd\u00e3o \u00e9 sempre o melhor. Para os que o escolhem, se deparam com um modelo divino de perd\u00e3o que inclui o arrependimento por parte da pessoa que comete o erro e o perda\u0303o concedido pela pessoa que sofreu o preju\u00edzo. Diante do reconhecimento da culpa, Deus e\u0301 fiel e justo para igualmente perdoar e purificar o culpado de toda injusti\u00e7a (1Jo\u00e3o 1: 9).<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus por estabelecer um modelo de perd\u00e3o (Ef\u00e9sios 4.32). Como fruto da decis\u00e3o de perdoar surgem novas oportunidades de conviv\u00eancias com aqueles que amamos; curas emocionais e oportunidades de novos recome\u00e7os. Por isso tudo, escolhamos hoje sempre trilhar o caminho do perd\u00e3o. As b\u00ean\u00e7\u00e3os e os privil\u00e9gios desta decis\u00e3o marcar\u00e3o significativamente n\u00e3o apenas os anos da inf\u00e2ncia e juventude no lar, mas uma vida toda, bem como a vida das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr>\n<h4><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h4>\n<p>Griffin, B. J., Worthington E. L., Lavelock C. R., Wade N. G., Hoyt W. T. (2015) <strong>Forgiveness and Mental Health<\/strong>. In: Toussaint L., Worthington E., Williams D. (eds) Forgiveness and Health. Springer, Dordrecht. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-94-017-9993-5_6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-94-017-9993-5_6<\/a><\/p>\n<p>Luskin, F. (2007). <em><strong>O poder do perda\u0303o<\/strong><\/em>. Sa\u0303o Paulo: Francis.<\/p>\n<p>Melgosa, J. (2017). <em><strong>Crer faz bem<\/strong><\/em>. CPB, Tatu\u00ed, SP.<\/p>\n<p>Norman K. (2017). <em><strong>Perd\u00e3o: como ele se manifesta na nossa sa\u00fade, bem estar e longevidade<\/strong><\/em>. University of Pennsilvania. (Master of applied Positive Psychology). <a href=\"http:\/\/repository.upenn.edu\/mapp_capstone\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/repository.upenn.edu\/mapp_capstone<\/a><\/p>\n<p>Worthington, E. L. Jr., Witvliet, C. V. O., Lerner, A. J., and Scherer, M. (2005). <strong>Forgiveness in health research and medical practice<\/strong>. EXPLORE 1, 169\u2013176. doi: 10.1016\/j.explore.2005.02.012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprender a pedir perd\u00e3o e a perdoar traz reflexos na sa\u00fade f\u00edsica, mental e espiritual<\/p>\n","protected":false},"author":274,"featured_media":283946,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3217],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-283941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-comportamento","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":""},"terms":{"editorial":"Comportamento","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia.jpeg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-768x432.jpeg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-140x90.jpeg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-140x90.jpeg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/07\/a-pratica-do-perdao-em-familia-290x220.jpeg"}}