{"id":27881,"date":"2013-08-27T09:14:32","date_gmt":"2013-08-27T12:14:32","modified":"2025-01-20T11:00:48","modified_gmt":"2025-01-20T14:00:48","slug":"carne-grilada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/hildemar.santos\/carne-grilada\/","title":{"rendered":"Carne \u201cgrilada\u201d"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2013\/08\/shutterstock_404099926.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2013\/08\/shutterstock_404099926.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-401871\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2013\/08\/shutterstock_404099926.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2013\/08\/shutterstock_404099926-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O impacto do consumo de carne na sa\u00fade e no planeta. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Alguns j\u00e1 est\u00e3o prontos para corrigir o portugu\u00eas, afinal j\u00e1 estou fora do pa\u00eds por mais de vinte anos, mas \u00e9 grilada mesmo, e n\u00e3o grelhada. O assunto \u00e9 sobre a nova moda alimentar de comer insetos. Desculpe, \u00e9 repugnante para muitos, por\u00e9m, parece que a moda vai pegar \u2013 pelo menos \u00e9 uma das alternativas para aqueles que ainda insistem em comer carnes em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea? Com o aumento populacional do planeta, as carnes v\u00e3o aumentar de pre\u00e7o e se tornar alimento raro j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de carne, tanto de vaca, peixe e galinha n\u00e3o vai ser suficiente para alimentar os novos habitantes do planeta. Assim, h\u00e1 poucas op\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 a prote\u00edna vegetal da soja e dos feij\u00f5es. Outra op\u00e7\u00e3o seria as nozes e, finalmente, as algas marinhas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/hildemar.santos\/peso-infantil\/\">O peso infantil<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Mas a fazendeira francesa Laeticia Giroud aposta que o segredo \u00e9 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de insetos e ela baseia sua afirma\u00e7\u00e3o em sua fazenda de insetos na Espanha. A senhora Giroud cria grilos, formigas e lagartas do besouro (tipo bicho da seda). O mercado europeu ainda n\u00e3o est\u00e1 aberto para este tipo de comida. Talvez a Fran\u00e7a somente, mas a carne de inseto promete ser uma solu\u00e7\u00e3o para o problema de alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 que \u00e9 rica em prote\u00edna e tem sabor delicioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Giroud disse que as lagartas do besouro, quando temperadas com sal, t\u00eam o gosto semelhante ao de batata chips. Para aqueles que t\u00eam problema em comer o inseto como ele se apresenta, com pernas e aspas e tudo o mais, h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o: inseto em p\u00f3. Os grilos e formigas s\u00e3o desidratados e um p\u00f3 ou farinha \u00e9 produzido e assim esta pode ser misturada em muitos alimentos, em biscoitos, bolos, p\u00e3o e praticamente tudo o mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 bem, vou parar por aqui, mas o ponto \u00e9 o seguinte: se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 vegetariano, o futuro vai ditar duas op\u00e7\u00f5es. Ou voc\u00ea se torna vegetariano porque a carne animal vai ser rara e cara ou voc\u00ea se torna inset\u00edvoro, cuja prote\u00edna vai ser mais acess\u00edvel e \u201cbarata\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja um exagero de minha parte, mas quantas pessoas t\u00eam um verdadeiro desgosto pela soja e prote\u00ednas vegetais feitas de produtos vegetais. E a soja e o tofu podem ser tornados em farinha e misturados em qualquer outro alimento enriquecendo sua qualidade proteica. Mas isto \u00e9 comida para a cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para humanos, diriam os meus conterr\u00e2neos sulistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A carne tem se tornado um problema tanto por sua contamina\u00e7\u00e3o como por sua riqueza em gorduras saturadas e excesso de prote\u00ednas, o qual traz como consequ\u00eancia s\u00e9rios problemas, come\u00e7ando pelos rins e at\u00e9 aumentando o risco de c\u00e2ncer e diabetes. Pelo menos a carne vermelha est\u00e1 relacionada com estas doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o comemos insetos porque s\u00e3o repugnantes, mas comemos carnes, as quais s\u00e3o deliciosas. Eu convidaria o leitor para visitar um a\u00e7ougue ou passar um dia num matadouro com a fam\u00edlia. Esta experi\u00eancia seria suficiente para alguns membros de sua fam\u00edlia, pelo menos as crian\u00e7as, rejeitarem o consumo animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro de uma vez estar fazendo uma pesquisa entre os imigrantes portugueses da Calif\u00f3rnia sobre o consumo do cigarro. Um dos participantes me disse que n\u00e3o acreditava que o cigarro produzisse c\u00e2ncer. E me perguntou se eu sabia o que transmitia c\u00e2ncer. Como est\u00e1vamos em um ambiente amistoso resolvi continuar com a conversa e lhe perguntei sua opini\u00e3o sobre o c\u00e2ncer. Ele me disse que trabalhava em um matadouro e v\u00e1rias vezes havia animais que eram mortos e que tinham tumores e estes mesmos animais eram mortos e levados aos a\u00e7ougues ou f\u00e1bricas de lingui\u00e7a e sua carne era comercializada da mesma forma como se fosse carne sadia. Mal sabia ele que n\u00e3o precisava me convencer disto, por\u00e9m, esta tem sido uma boa ilustra\u00e7\u00e3o do que ocorre nos matadouros da vida (ou da morte).<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho prometido que n\u00e3o mais falaria mal da carne, porque isto s\u00f3 causa uma rea\u00e7\u00e3o e as pessoas acabam n\u00e3o lendo mais meus artigos e no fim n\u00e3o mudam de dieta. Mas, ao ver as perspectivas do futuro e assistir a palestras de pessoas do movimento verde (green movement) promovendo a dieta vegetariana para salvar o planeta, tenho mudado um pouco de ideia. O assunto da carne n\u00e3o precisa ser o principal em nossas palestras ou escritos, mas n\u00e3o deveria ser algo totalmente esquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a alimenta\u00e7\u00e3o animal \u00e9 um problema em termos de equil\u00edbrio do planeta j\u00e1 que requer mais energia, mais \u00e1gua, mais fertilizantes para produzir uma quantidade de prote\u00edna, sendo \u00e0s vezes dez ou mais vezes menos eficiente do que produzir a prote\u00edna vegetal. Seria mais ou menos assim: se um hamb\u00farguer de soja de 100 gramas de prote\u00edna necessita de uma unidade de energia, \u00e1gua e fertilizante ao passo que um hamb\u00farguer normal ou animal necessita dez unidades de energia, \u00e1gua e fertilizante com o mesmo resultado de 100 gramas de prote\u00edna. E isto \u00e9 bem claro porque o animal tem que consumir a soja e o milho e a ra\u00e7\u00e3o vegetal para produzir a prote\u00edna para o nosso consumo \u2013 assim esta prote\u00edna e de segunda qualidade e bem mais onerosa para ser produzida.<\/p>\n\n\n\n<p>No final o argumento \u00e9 sempre o gosto. Deixar de comer um bife a milanesa ou um churrasquinho tipo \u201cFogo de Ch\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim. Deixar de comer um hamb\u00farguer ou batatas fritas no McDonald\u2019s \u00e9 muito sacrif\u00edcio! Comer faz parte da vida \u00e9 um prazer que n\u00e3o dever\u00edamos evitar, diriam muitos. O gosto \u00e9 relativo porque ningu\u00e9m come carne sem tempero, assim outros vegetais e alimentos vegetarianos podem imitar o gosto, se este \u00e9 o problema. Outro argumento, e bem melhor, \u00e9 a mudan\u00e7a do gosto. Por exemplo, quando eu nasci e cresci na cidade de Porto Alegre, n\u00e3o existia McDonald\u2019s, Burger King, KFC, Pizza Hut ou qualquer outro restaurante semelhante. Quando estes restaurantes chegaram, o padr\u00e3o e gosto foram modificados e aprendi a gostar dos mesmos. E tenho que confessar que eu era um ga\u00facho aut\u00eantico, considerado campe\u00e3o no consumo de carne entre os meus amigos. Mas mudei e me tornei vegetariano, por razoes de sa\u00fade, por ter lido os livros de sa\u00fade de Ellen White, por me convencer que n\u00e3o deveria participar da matan\u00e7a de animais, enfim, por raz\u00f5es espirituais e de sa\u00fade, resolvi mudar. E meu gosto mudou, mudou de certa forma que hoje o cheiro de churrasco n\u00e3o me atrai e muitas vezes \u00e9 repulsivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O exemplo \u00e9 apenas para demonstrar que o nosso gosto e apetite pode ser mudado. Quando mudamos de uns pa\u00eds para outro, muitas vezes aprendemos outros tipos de comidas e receitas e passamos a comer coisas que nunca imagin\u00e1vamos antes que comer\u00edamos. Assim, o argumento do gosto n\u00e3o \u00e9 mais argumento. Portanto, o meu apelo \u00e9 que o meu amigo ga\u00facho ou brasileiro pense seriamente na mudan\u00e7a de sua alimenta\u00e7\u00e3o e adote mais alimentos vegetais e naturais e menos alimentos de origem animal. E vou terminar fazendo uma analogia com a famosa frase&nbsp;do pastor Bull\u00f3n, somente alterando a ordem: Muita carne, nenhuma sa\u00fade, pouca carne, pouca sa\u00fade, nenhuma carne, muita sa\u00fade!<\/p>\n\n\n\n<p>Veja mais artigos, programas \u00a0e motiva\u00e7\u00f5es de sa\u00fade aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/adventistas.org\/pt\/saude\/\">http:\/\/adventistas.org\/pt\/saude\/<\/a>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns j\u00e1 est\u00e3o prontos para corrigir o portugu\u00eas, afinal j\u00e1 estou fora do pa\u00eds por mais de vinte anos, mas \u00e9 grilada mesmo, e n\u00e3o grelhada. O assunto \u00e9 sobre a nova moda alimentar de comer insetos. 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