{"id":277176,"date":"2021-03-03T10:24:15","date_gmt":"2021-03-03T13:24:15","modified":"2021-11-15T20:18:40","modified_gmt":"2021-11-15T23:18:40","slug":"ajudando-a-crianca-a-passar-pelo-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/cucalapalma\/ajudando-a-crianca-a-passar-pelo-luto\/","title":{"rendered":"Ajudando a crian\u00e7a a passar pelo luto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_277203\" style=\"width: 818px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-277203\" class=\"wp-image-277203 size-full\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45.png\" alt=\"\" width=\"808\" height=\"538\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45.png 808w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-768x511.png 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-150x100.png 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-730x486.png 730w\" sizes=\"(max-width: 808px) 100vw, 808px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-277203\" class=\"wp-caption-text\">Cada crian\u00e7a vai elaborando os conceitos de vida e morte de acordo com sua idade. (Imagem: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p><em>\u201cEstamos tristes porque meu av\u00f4 morreu de COVID e n\u00e3o pudemos nos despedir dele.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTenho medo de adoecer, porque minha tia adoeceu e morreu.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSinto muita falta da minha m\u00e3e, que morreu de c\u00e2ncer.\u201d<\/em><\/p>\n<p>2020 foi um ano em que muitos de n\u00f3s nos sentimos perto da morte. Um sentimento de fragilidade chegou de m\u00e3os dadas com a pandemia, e o temor constante ecoou em nossos lares. A morte, algo que para muitos s\u00f3 chegava na velhice, passou a ser uma realidade para milhares de fam\u00edlias, sem distin\u00e7\u00e3o de classes sociais, idade ou nacionalidade. E atr\u00e1s de um adulto ouvindo as m\u00e1s not\u00edcias, h\u00e1 crian\u00e7as que tamb\u00e9m as escutam. Crian\u00e7as que tentam entender e assimilar as perdas de entes queridos. Crian\u00e7as que se assustam com uma realidade t\u00e3o sombria e sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/institucional\/mulher-encontra-na-oracao-alivio-para-oluto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulher encontra na ora\u00e7\u00e3o al\u00edvio para o luto<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Embora a COVID-19 n\u00e3o seja a \u00fanica respons\u00e1vel pela morte de tantas pessoas, parece que ela trouxe \u00e0 nossa realidade a necessidade de saber como conversar com nossos filhos sobre a melhor maneira de lidar com a morte de algu\u00e9m querido.<\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga Maria J\u00falia Kov\u00e1cs, a morte faz parte do desenvolvimento humano, o que ajuda a dar significado \u00e0 vida.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> Mas para a mente infantil, elaborar esse conceito pode ser um verdadeiro desafio.<\/p>\n<h4><strong>O que as crian\u00e7as entendem sobre a morte?<\/strong><\/h4>\n<p>Cada crian\u00e7a desenvolve os conceitos de vida e morte de acordo com sua idade, sua compreens\u00e3o da realidade, costumes sociais e familiares, religi\u00e3o, etc. \u00c0 medida que cresce, a crian\u00e7a vai entendendo e desenvolvendo o conceito de morte, a partir de alguns pilares:<\/p>\n<ul>\n<li>A morte alcan\u00e7a todos os seres vivos;<\/li>\n<li>A morte \u00e9 irrevers\u00edvel;<\/li>\n<li>H\u00e1 diferentes causas de morte;<\/li>\n<li>Cren\u00e7as sobre o que acontece depois do que algu\u00e9m more.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Entendendo o luto<\/strong><\/h4>\n<p>Quando um ente querido morre, come\u00e7a um processo inevit\u00e1vel chamado \u201cluto\u201d. Poder\u00edamos definir o luto como um conjunto de rea\u00e7\u00f5es emocionais diante da perda de uma pessoa querida, sendo a tristeza e a afli\u00e7\u00e3o as mais frequentes e as vividas com mais intensidade. A psiquiatra su\u00ed\u00e7o-americana Elisabeth K\u00fcbler-Ross estabeleceu cinco fases pelas quais as pessoas costumam passar:<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n<p><strong>Fase da nega\u00e7\u00e3o.<\/strong> Esta nega\u00e7\u00e3o pode inicialmente amortecer o golpe da morte de um ente querido e prorrogar parte da dor, mas esta fase n\u00e3o pode ser indefinida porque eu algum momento chocar\u00e1 com a realidade.<\/p>\n<p><strong>Fase da raiva.<\/strong> Nesta fase, os sentimentos de raiva e ressentimento s\u00e3o t\u00edpicos, bem como a busca pelos respons\u00e1veis ou culpados. A ira aparece diante da frustra\u00e7\u00e3o de que a morte \u00e9 irrevers\u00edvel, de que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e de que essa raiva pode ser projetada para o meio ambiente, incluindo outras pessoas pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p><strong>Fase da negocia\u00e7\u00e3o.<\/strong> Nesta fase, as pessoas fantasiam com a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel reverter ou alterar o fato da morte. \u00c9 comum se perguntar o que aconteceria se\u2026 Ou pensar em estrat\u00e9gias que teriam evitado o resultado, como: e se eu tivesse feito isso ou aquilo?<\/p>\n<p><strong>Fase da depress\u00e3o<\/strong>. A tristeza profunda e a sensa\u00e7\u00e3o de vazio s\u00e3o caracter\u00edsticas desta fase, cujo nome n\u00e3o se refere a uma depress\u00e3o cl\u00ednica, como um problema de sa\u00fade mental, mas um conjunto de emo\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 tristeza natural diante da perda de um ente querido. Algumas pessoas podem sentir que n\u00e3o t\u00eam incentivos para continuar vivendo seu dia a dia sem a pessoa que morreu e talvez se isolem de seu ambiente.<\/p>\n<p><strong>Fase da aceita\u00e7\u00e3o.<\/strong> Uma vez que a perda \u00e9 aceita, as pessoas em luto aprendem a conviver com sua dor emocional em mundo onde o ente querido n\u00e3o est\u00e1 mais. Com o tempo, elas recuperam sua capacidade de experimentar alegria e prazer.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as tamb\u00e9m passam pelo luto. A maneira como passam de uma fase para outra \u00e9 determinada por alguns aspectos, por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>A rela\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a tinha com a pessoa que faleceu.<\/li>\n<li>A idade e o sexo da crian\u00e7a.<\/li>\n<li>As causas e as circunst\u00e2ncias da morte do ente querido (n\u00e3o \u00e9 o mesmo lidar com a morte por uma doen\u00e7a do que por um assassinato).<\/li>\n<li>As circunst\u00e2ncias sociais e psicol\u00f3gicas que afetam a crian\u00e7a durante a perda e depois dela.<\/li>\n<li>A personalidade da crian\u00e7a e a forma como reage diante de situa\u00e7\u00f5es estressantes.<\/li>\n<li>Cren\u00e7as que a crian\u00e7a tem sobre a vida e a morte.<\/li>\n<li>O apoio emocional recebido dos adultos de sua confian\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>\u201cO processo do luto n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a, mas uma oportunidade de aceitar a perda e se adaptar a viver sem a pessoa falecida.\u201d<\/em><a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]\u00a0<\/a>Ver a perda como fatalidade, fazer de conta que est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o se permitir sentir tristeza, podem ser formas pelas quais os adultos negam os sentimentos que a morte provoca para que a crian\u00e7a n\u00e3o sofra. Mas ser\u00e1 que essa \u00e9 uma forma saud\u00e1vel de ajud\u00e1-la a enfrentar a morte?<\/p>\n<h4><strong>O papel dos adultos<\/strong><\/h4>\n<p>Muitas vezes, os adultos ocultam seus sentimentos para n\u00e3o fazer a crian\u00e7a chorar, e isso acaba causando mais problemas, porque a crian\u00e7a entende que tamb\u00e9m n\u00e3o deve manifestar seus sentimentos. N\u00e3o se permitir expressar pode trazer como consequ\u00eancias sintomas patol\u00f3gicos e confus\u00e3o, j\u00e1 que ela sente que n\u00e3o pode conversar sobre seus sentimentos com ningu\u00e9m. Al\u00e9m disso, n\u00e3o pense tamb\u00e9m que o luto \u00e9 um processo f\u00e1cil para as crian\u00e7as e que rapidamente se esquecer\u00e3o da pessoa que faleceu.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como acompanhar a crian\u00e7a nesse processo? Sem d\u00favida, a crian\u00e7a precisa ser acompanhada o tempo todo e deve ser levada a sentir que pode chorar e conversar sobre o que est\u00e1 passando. Se voc\u00ea est\u00e1 muito afetado pela situa\u00e7\u00e3o porque esse ente querido tamb\u00e9m era muito pr\u00f3ximo, pe\u00e7a ajuda a pessoas de confian\u00e7a da crian\u00e7a para que possam cuidar dela ou acompanh\u00e1-la quando for necess\u00e1rio.<\/p>\n<ul>\n<li>Se a crian\u00e7a pedir e as circunst\u00e2ncias permitirem, acompanhe-a ao vel\u00f3rio, mas n\u00e3o a deixe sozinha e explique os detalhes de tudo o que ele ver\u00e1 na cerim\u00f4nia. N\u00e3o a obrigue a ver ou tocar o corpo da pessoa falecida.<\/li>\n<li>Explique as causas do falecimento sem dar informa\u00e7\u00e3o em excesso. Dependendo da idade da crian\u00e7a, ele pode sentir que a morte do ente querido foi por algo que ele fez ou deixou de fazer, trazendo sentimentos de culpa desnecess\u00e1rios.<\/li>\n<li>Se a crian\u00e7a n\u00e3o participa de nenhum ritual como vel\u00f3rio, enterro, etc., pense em ideias de \u201cdespedidas\u201d, como, por exemplo, escrever algumas palavras sobre a pessoa falecida, recordar momentos agrad\u00e1veis compartilhados juntos, fazer um desenho ou orar agradecendo a Deus pelo tempo vivido junto \u00e0 pessoa que se foi. Se com o passar dos meses, os sintomas negativos resultantes da perda n\u00e3o desaparecerem, considerem conversar com algum psic\u00f3logo ou pastor para receber aconselhamento adequado.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>\u00a0O papel da esperan\u00e7a<\/strong><\/h4>\n<p>A esperan\u00e7a que as promessas de Deus nos transmitem s\u00e3o um verdadeiro b\u00e1lsamo nos momentos de dor pela perda de algu\u00e9m amado. \u00c9 fundamental entender pela perspectiva b\u00edblica o que \u00e9 a vida e, por consequ\u00eancia, o que \u00e9 a morte. Isso muda totalmente a perspectiva do luto.<\/p>\n<p>Dedique tempo para ler junto com a crian\u00e7a sobre esses conceitos b\u00edblicos e a se reconfortar nas promessas de Deus para os enlutados. Orem juntos pedindo que Deus possa dar-lhes o consolo de que necessitam. Se quiser mais informa\u00e7\u00f5es sobre o que a B\u00edblia ensina sobre a morte, <a href=\"https:\/\/www.adventistas.org\/pt\/escolasabatina\/2014\/09\/13\/licao-12-morte-e-ressurreicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>clique aqui<\/u>.<\/a><\/p>\n<p>\u201cO luto \u00e9 um caminho sem volta. Podemos parar em um lado da cal\u00e7ada para descansar, podemos ficar encolhidos na linha de largada recusando-nos a caminhar, assustados e atordoados, podemos pedir que algu\u00e9m nos acompanhe pelo percurso, mesmo sabendo que \u00e9 um caminho que precisamos necessariamente percorrer com nossos pr\u00f3prios p\u00e9s.<\/p>\n<p>Podemos percorr\u00ea-lo sozinhos ou acompanhados, em nosso ritmo r\u00e1pido ou lento, ou \u00e0s vezes r\u00e1pido e \u00e0s vezes devagar, podemos para em algum ponto ao longo do caminho para descansar e recuperar as for\u00e7as para depois continuar pelo \u00e1rduo caminho do luto, e inclusive podemos resistir chegar ao fim da jornada por medo de esquecer quem tanto amamos... Cada um de n\u00f3s ter\u00e1 que passar por sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de vida, esta dif\u00edcil e comum experi\u00eancia de perder algu\u00e9m que amamos a partir de sua individualidade, criando o territ\u00f3rio pelo qual seu caminho \u00e9 tra\u00e7ado.\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h4><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h4>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Kov\u00e1cs, Maria J\u00falia. A morte e desenvolvimento humano. Casa do psic\u00f3logo. S\u00e3o Paulo: 1992.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> K\u00fcbler-Ross, Elisabeth. Sobre la muerte y el morir. Extra\u00eddo de: <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-43893550\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-43893550<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Prieto, Vicente. La p\u00e9rdida de un ser querido. La esfera de los libros. 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Martinez, Rosa Ma. Cicatrices del coraz\u00f3n. Editorial Descl\u00e9e de Brouwer, S.A. Bilbao: 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reserve um tempo para ler com seu filho sobre o conceito b\u00edblico de morte e se console com as promessas de Deus aos que est\u00e3o de luto.<\/p>\n","protected":false},"author":336,"featured_media":277203,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-277176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna"],"acf":false,"terms":{"editorial":"","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45.png","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-768x511.png","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-140x90.png","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-140x90.png","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/03\/Captura-de-Tela-2021-03-03-a%CC%80s-10.01.45-290x220.png"}}