{"id":276201,"date":"2021-02-15T05:30:32","date_gmt":"2021-02-15T08:30:32","modified":"2025-01-27T14:46:30","modified_gmt":"2025-01-27T17:46:30","slug":"tres-principios-comunicacionais-para-fugir-do-cancelamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/felipe.lemos\/tres-principios-comunicacionais-para-fugir-do-cancelamento\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas princ\u00edpios comunicacionais para fugir do cancelamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-402992\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cultura do cancelamento tem pelo menos dois lados. Tem um efeito necess\u00e1rio, mas possui aspectos ruins que precisam ser ponderados. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O cancelamento virtual virou palavra da moda desde o ano passado. E a pr\u00f3pria ideia de cultura do cancelamento se tornou rapidamente uma realidade no ambiente das redes sociais digitais. A pesquisadora em comunica\u00e7\u00e3o digital Issaaf Karhawi afirma que \u201csurge como uma situa\u00e7\u00e3o de recha\u00e7o a figuras p\u00fablicas \u2013 especialmente influenciadores digitais, a partir da identifica\u00e7\u00e3o de uma falha, seja ela de car\u00e1ter ou atrelada a quest\u00f5es sociais, culturais ou de sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/felipe-lemos\/a-comunicacao-que-promove-educacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A comunica\u00e7\u00e3o que promove educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Um estudo da consultoria de comunica\u00e7\u00e3o LLYC, feito em 13 pa\u00edses, demonstrou que as empresas e marcas tamb\u00e9m se preocupam com o assunto. Esta verifica\u00e7\u00e3o mostrou, por exemplo, que 31% das pessoas ouvidas cancelariam uma empresa se a marca n\u00e3o corresponder \u00e0s suas expectativas como consumidor. E 37% j\u00e1 cancelaram uma marca por adotar um posicionamento considerado falso, ou seja, n\u00e3o sustentado por suas a\u00e7\u00f5es em geral.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como funciona<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Basicamente a ideia da cultura do cancelamento, seja de pessoas p\u00fablicas ou marcas de organiza\u00e7\u00f5es, segue uma l\u00f3gica dividida em quatro etapas: a pessoa ou marca \u00e9 famosa; h\u00e1 promessas feitas ou expectativas criadas em torno do que esta marca ou figura p\u00fablica faz diante da sua audi\u00eancia; a figura p\u00fablica comete o que se considera uma incoer\u00eancia, deslize e acaba exposta e finalmente a pessoa ou marca \u00e9 cancelada. Ou seja, come\u00e7a um movimento orquestrado para expor seu erro e pedir que as pessoas deixem de seguir um famoso <em>influencer<\/em> ou deixem de comprar produtos ou servi\u00e7os de uma determinada empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da ag\u00eancia Mutato, no Brasil, divulgado em agosto do ano passado, identificou tr\u00eas tipos de cancelamento: o boicote geralmente relacionado \u00e0 pol\u00edtica, marcas e pessoas ou institui\u00e7\u00f5es de poder. H\u00e1, tamb\u00e9m, o ban e close errado, ligados muitas vezes a falas infelizes de pessoas p\u00fablicas. E, por fim, h\u00e1 o linchamento virtual ou cancelamento, focados mais nos comportamentos de influenciadores ou celebridades.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Oportunidades<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A cultura do cancelamento faz pensar sobre a responsabilidade que pessoas e organiza\u00e7\u00f5es possuem quanto \u00e0 coer\u00eancia de suas atitudes. Este patrulhamento aumenta a necessidade de a\u00e7\u00f5es, no caso das organiza\u00e7\u00f5es, que sejam condizentes com a sua miss\u00e3o, valores e vis\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o aos influenciadores, aquilo que eles prometem como personalidades p\u00fablicas a um grupo de influenciados precisa ser cumprido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da pessoa que afirma respeitar a diversidade, mas \u00e9 pega em ato intolerante. Ou a empresa que fala em respeito ao consumidor, mas o trata, na pr\u00e1tica, de forma desrespeitosa ou indiferente. Pode ser um pol\u00edtico que afirma defender determinados princ\u00edpios, mas \u00e9 flagrado atuando de forma absolutamente diferente. Ou, ainda, l\u00edderes religiosos que pregam um certo estilo de vida, contudo acabam publicamente expostos em situa\u00e7\u00f5es opostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode pensar que isso sempre existiu. Sim! S\u00f3 que hoje o ambiente digital cria dois movimentos diferentes: ele potencializa de forma veloz a incoer\u00eancia e permite a mobiliza\u00e7\u00e3o online de milhares de pessoas em torno de uma causa, que, neste contexto, consiste em cancelar o incoerente. A oportunidade para as organiza\u00e7\u00f5es est\u00e1 em fazer o correto, adequado e esperado eticamente, e aproveitar as situa\u00e7\u00f5es para melhorar sua forma de agir, seus processos e, evidentemente, sua comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 o outro lado da cultura do cancelamento. Novamente vale o que Issaaf Karhawi explica sobre o assunto. No mesmo artigo, j\u00e1 citado, ela pondera que \u201cas redes sociais s\u00e3o bin\u00e1rias, o que atribui \u00e0 rede uma l\u00f3gica de sim e n\u00e3o, ou certo e errado. Desta forma, n\u00e3o existe meio termo para os julgamentos, dificultando a possibilidade de aqueles que erraram, refletirem sobre suas atitudes e reorganizarem suas ideias, o que acaba sendo muito cruel\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um lado muito negativo. O julgamento apressado e, muitas vezes, sem muita contextualiza\u00e7\u00e3o, transforma pessoas e marcas em inimigos p\u00fablicos da noite para o dia. E esse julgamento condenat\u00f3rio se d\u00e1 sem praticamente um di\u00e1logo. Um grupo significativo de pessoas rapidamente se transforma em ju\u00edzes de valor e muitos sequer conhecem mais detalhes acerca do tema em contesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Embarcam em uma atitude que pode ser exagerada, desmedida e, em alguns casos, at\u00e9 completamente equivocada quando outros fatos s\u00e3o comparados com as acusa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cultura da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O que as organiza\u00e7\u00f5es e marcas de <em>influencers <\/em>podem aprender com isso? Re\u00fano aqui tr\u00eas poss\u00edveis ensinamentos sobre os dois lados da cultura do cancelamento, olhando para uma necess\u00e1ria cultura da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Pessoas influentes e marcas (organiza\u00e7\u00f5es) precisam entender que a reputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ativo protegido por uma comunica\u00e7\u00e3o distante dos p\u00fablicos, baseada apenas em ideias criativas na produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos ou posicionamento em redes sociais. A comunica\u00e7\u00e3o que favorece uma boa reputa\u00e7\u00e3o leva em conta o que pensam os p\u00fablicos de interesse e procura ser absolutamente coerente com seus princ\u00edpios e sua pr\u00f3pria identidade. Querer maquiar a imagem \u00e9 um erro que geralmente acaba exposto.<\/li>\n\n\n\n<li>A comunica\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica das marcas (sejam pessoas ou organiza\u00e7\u00f5es) envolve relacionamento com as pessoas, sejam defensoras ou n\u00e3o destas marcas. Obviamente que o relacionamento precisa ser bem pensado e organizado. Ouvir mais \u00e9 importante, mas \u00e9 igualmente necess\u00e1rio saber filtrar o que \u00e9 v\u00e1lido e o que tamb\u00e9m n\u00e3o se se aplica dentro do que foi sugerido. O di\u00e1logo figura como algo essencial, mas h\u00e1 maneiras corretas de se fazer isso.<\/li>\n\n\n\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o eficiente e eficaz, em tempos de cancelamento, n\u00e3o trabalha apenas com a rea\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es: prioriza a a\u00e7\u00e3o preventiva, o trabalho feito antes de uma situa\u00e7\u00e3o de crise surgir. Ainda acredito que fazer o que \u00e9 correto, sem que algu\u00e9m publicamente cobre esta postura, \u00e9 o melhor esfor\u00e7o comunicacional de organiza\u00e7\u00f5es e pessoas s\u00e9rias.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fim desta cultura?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Mas a cultura da comunica\u00e7\u00e3o vai vencer a cultura do cancelamento? Em parte, sim; em parte, n\u00e3o. H\u00e1 pessoas e grupos que sempre apreciar\u00e3o criticar publicamente, arregimentar gente para boicotar marcas e pessoas, enfim, cancelar. Independentemente do que se fa\u00e7a ou que se diga, por parte de pessoas p\u00fablicas ou organiza\u00e7\u00f5es conhecidas, h\u00e1 quem viva da cr\u00edtica. Isso as alimenta e, em certo sentido, supostamente lhes d\u00e1 alguma import\u00e2ncia na sociedade. Ainda que por pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estes s\u00e3o os tempos em que tudo quase \u00e9 superficial e ef\u00eamero. De certa maneira, n\u00e3o se consegue prever todos os comportamentos dos p\u00fablicos no futuro. Mas ser coerente, correto, \u00e9tico e respons\u00e1vel sempre ter\u00e1 valor para uma boa parte das pessoas. Fazer o certo por ser certo, inclusive sem medo da impopularidade circunstancial. \u00c9 preciso seguir no caminho da coer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Artigo O que est\u00e1 por tr\u00e1s da Cultura do Cancelamento? Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/medium.com\/@karolinapestrin\/o-que-est%C3%A1-por-tr%C3%A1s-da-cultura-do-cancelamento-34c2067817d0\">https:\/\/medium.com\/@karolinapestrin\/o-que-est%C3%A1-por-tr%C3%A1s-da-cultura-do-cancelamento-34c2067817d0<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Reportagem Cultura do cancelamento \u00e9 o novo normal. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2021\/02\/12\/cultura-do-cancelamento-e-o-novo-normal.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2021\/02\/12\/cultura-do-cancelamento-e-o-novo-normal.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Artigo O que est\u00e1 por tr\u00e1s da Cultura do Cancelamento? Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/medium.com\/@karolinapestrin\/o-que-est%C3%A1-por-tr%C3%A1s-da-cultura-do-cancelamento-34c2067817d0\">https:\/\/medium.com\/@karolinapestrin\/o-que-est%C3%A1-por-tr%C3%A1s-da-cultura-do-cancelamento-34c2067817d0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura do cancelamento precisa ser entendida a partir de uma cultura estabelecida da comunica\u00e7\u00e3o de pessoas influentes ou organiza\u00e7\u00f5es. <\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":402992,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3636],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-276201","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-comunicacao","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Comunica\u00e7\u00e3o","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2021\/02\/shutterstock_1963911193-480x270.jpg"}}