{"id":274159,"date":"2020-12-28T05:30:24","date_gmt":"2020-12-28T08:30:24","modified":"2023-05-01T19:19:44","modified_gmt":"2023-05-01T22:19:44","slug":"as-festas-de-israel-e-seu-significado-para-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/as-festas-de-israel-e-seu-significado-para-nos\/","title":{"rendered":"As festas de Israel e seu significado para n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_274160\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-274160\" class=\"size-full wp-image-274160\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"583\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-768x448.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-730x426.jpg 730w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-60x35.jpg 60w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-274160\" class=\"wp-caption-text\">Festas religiosas, dos antigo Israel, ainda falam muito para nossa realidade espiritual atualmente. (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>O calend\u00e1rio b\u00edblico estabelece alguns tempos sagrados, nos quais o povo de Israel deveria se reunir para rememorar, descansar e celebrar. Embora os textos fundacionais destes tempos sagrados estejam espalhados pelo Pentateuco, eles s\u00e3o sistematizados em Lev\u00edtico 23. N\u00fameros 28 e 29, por sua vez, normatizam os rituais e ofertas a serem apresentadas nesses dias.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/biblia\/o-que-o-santuario-nos-ensina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O que o santu\u00e1rio nos ensina?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>A incorreta compreens\u00e3o desses tempos sagrados e de seus significados tem levado a dois extremos facilmente detect\u00e1veis na hist\u00f3ria da igreja Crist\u00e3, em geral, e na Igreja Adventista em particular. O primeiro extremo \u00e9 da subvaloriza\u00e7\u00e3o, segundo o qual as festas b\u00edblicas s\u00e3o apenas festas judaicas, s\u00e1bados cerimoniais, pregados na cruz e sem qualquer valor fora da na\u00e7\u00e3o de Israel nos tempos da B\u00edblia Hebraica.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 de supervaloriza\u00e7\u00e3o, tornando as festividades b\u00edblicas em norma salv\u00edfica, de obrigatoriedade para todos os crist\u00e3os, cujos restabelecimento \u00e9 inclusive visto como parte da miss\u00e3o da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia.<\/p>\n<p>Portanto, compreender o contexto desses tempos sagrados, chamados de <em>chaguim (<\/em>l\u00ea-se <em>rraguim<\/em>) e seus significados \u00e9 de import\u00e2ncia fundamental para cada um de n\u00f3s. E n\u00e3o apenas teologicamente, mas tamb\u00e9m sob o ponto de vista da miss\u00e3o. Antes, no entanto, de falarmos sobre cada uma delas, \u00e9 preciso entender, de forma geral, o conceito de tempo e de tempo sagrado nas Escrituras.<\/p>\n<h4><strong>Tempo<\/strong><\/h4>\n<p>Os eg\u00edpcios pouco pensaram sobre tempo em termos conceituais. Eles n\u00e3o estavam preocupados com no\u00e7\u00f5es como passado, presente e futuro. Tudo o que eles viviam, em sua depend\u00eancia do Nilo, estava relacionado com o recorrente ciclo de vida.<\/p>\n<p>J\u00e1 antigos pensadores gregos, dentro do mesmo modelo de observa\u00e7\u00e3o natural, enxergavam o tempo como uma realidade circular, no qual todos os eventos retornavam de maneira repetitiva e eterna, uma concep\u00e7\u00e3o encontrada tamb\u00e9m entre os hindus.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o b\u00edblica, ao contr\u00e1rio, \u00e9 de uma hist\u00f3ria e tempo que possuem um in\u00edcio e se movimentam em dire\u00e7\u00e3o a um fim, no qual os eventos n\u00e3o retornam factualmente. O que no passado ocorreu, no passado ficou, e n\u00e3o retorna no presente ou no futuro. Paradoxalmente, Deus n\u00e3o apenas incentiva, mas requer que os eventos do passado sejam <em>revividos<\/em> uma e outra vez. Como se resolve esse paradoxo? Por meio de uma concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear, mas tampouco c\u00edclica do tempo.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o <em>espiralada<\/em> \u00e9 justamente esta na qual n\u00e3o s\u00e3o os eventos em si que retornam, mas o seu tempo, e sua lembran\u00e7a. Isso nos permite vivenciar seus significados, enquanto nos mant\u00eam seguindo na ascendente da espiral, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 meta estabelecida por Deus: o reino futuro. E isto se d\u00e1 pelos tempos sagrados, pelas festividades.<\/p>\n<p>Israel possu\u00eda oito grandes tempos sagrados: s\u00e1bado, P\u00e1scoa, P\u00e3es \u00e1zimos, Prim\u00edcias, Semanas ou Pentecostes, Trombetas, Dia da Expia\u00e7\u00e3o e Cabanas. &nbsp;As linhas seguintes s\u00e3o um resumo de seu contexto e significado.<\/p>\n<h4><strong>O s\u00e1bado<\/strong><\/h4>\n<p>O primeiro dos tempos sagrados das Escrituras \u00e9 o s\u00e1bado, ou <em>shabbat<\/em>. Sua origem remonta n\u00e3o a um ato <em>libertador<\/em> de Deus, mas ao ato <em>originador<\/em> de toda a vida e de todos os outros tempos sagrados: a Cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 em G\u00eanesis 2 e n\u00e3o em \u00caxodo 20 que a no\u00e7\u00e3o de tempo sagrado aparece pela primeira vez. E n\u00e3o como homem, mas com Deus. Por isso, o s\u00e1bado \u00e9 o maior dos tempos sagrados das Escrituras, servindo como modelo para todos os outros.<\/p>\n<h4><strong>P\u00e1scoa<\/strong><\/h4>\n<p>O pr\u00f3ximo tempo sagrado do calend\u00e1rio comemora a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, o ato <em>libertador<\/em> mais importante da hist\u00f3ria de Israel. \u00c9 a comemora\u00e7\u00e3o da noite em que o anjo destruidor \u201cpassou\u201d por sobre as casas de Israel e preservou os primog\u00eanitos, ao contemplar o sangue do substituto nos umbrais. Seu estabelecimento, em \u00caxodo 12, inicia com a determina\u00e7\u00e3o de que aquele seria \u201c...o primeiro dos meses do ano...\u201d, indicando que a vida passada deveria ser esquecida, porque ela n\u00e3o existia mais.<\/p>\n<p>O cordeiro que morreu e a vida nova devem ser vistos juntos nessa festa, porque a vida de cada um brotou da morte daquele cordeiro. De igual maneira, a Morte do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo\u00e3o 1:28), \u00e9 o que permite a \u201cpassagem\u201d da morte por sobre n\u00f3s e a nova vida que podemos ter, iniciando um novo ciclo de vida NELE.<\/p>\n<h4><strong>P\u00e3es \u00c1zimos<\/strong><\/h4>\n<p>A festa de P\u00e1scoa se estendia por oito dias (Lev. 23:6), durante os quais apenas p\u00e3es sem fermento poderiam ser comidos. O objetivo era lembrar a sa\u00edda r\u00e1pida do Egito, quando n\u00e3o tiveram tempo para permitir o crescimento da massa. N\u00e3o comer fermento simbolizava n\u00e3o parar para esperar que o local atual lhe desse algo. O Egito, o mundo, o mal e o pecado nada t\u00eam a oferecer e apenas impedem o r\u00e1pido cumprimento das promessas de Deus a Seu povo.<\/p>\n<h4><strong>Prim\u00edcias<\/strong><\/h4>\n<p>O dia ap\u00f3s o s\u00e1bado de P\u00e1scoa era o dia para apresentar os primeiros frutos da terra, segundo Lev\u00edtico 23:10. Era um tempo de agradecimento pela provis\u00e3o divina que dava o p\u00e3o a seu tempo, enquanto servia de penhor de uma colheita farta. Ela era o resultado das chuvas tardias, que amadureciam o gr\u00e3o. O ap\u00f3stolo Paulo, em 1 Cor\u00edntios 15:21-24, utiliza uma figura retirada dessa festividade para apresentar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo como penhor da ressurrei\u00e7\u00e3o dos que creem Nele.<\/p>\n<h4><strong>Semanas<\/strong><\/h4>\n<p>No mesmo dia em que as prim\u00edcias eram apresentadas, de acordo com Lev\u00edtico 23:15ss, iniciava-se a contagem de sete semanas inteiras. Embora as atividades di\u00e1rias fossem mantidas, a elas era agregada uma expectante contagem, chamada de <em>sefirat haomer<\/em>.<\/p>\n<p>Esse intervalo, no qual a colheita era terminada, ligava a sa\u00edda do Egito a uma nova festa, ou tempo sagrado, ao final, chamado de<em> Shavuot<\/em>. O evento comemorado \u00e9, ainda, a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, e o tempo de expectativa e entrega de destino ao Eterno. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m, de acordo com pensadores judeus, o per\u00edodo que culmina com a entrega da Lei no Sinai. Se isso for verdade, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o especial com o dito por Jesus no Seu di\u00e1logo com os disc\u00edpulos dobre o Esp\u00edrito Santo, em Jo\u00e3o 14-15: A Lei \u00e9 a Instru\u00e7\u00e3o Divina (Deuteron\u00f4mio. 30-32) e o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o Instrutor (Jo\u00e3o 14:15ss).<\/p>\n<h4><strong>Festa das Trombetas<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo sem festas, chegamos \u00e0 festa das trombetas, descrita em Lev\u00edtico 23:24-25. O objetivo dessa festividade parece ser apenas apontar para o futuro. Mas ela \u00e9 chamada de memorial, anunciado ao som de trombetas, ou do <em>shofa<\/em>r. A primeira men\u00e7\u00e3o do shofar nas Escrituras \u00e9 no Sinai (\u00caxodo 19:16ss), no contexto da revela\u00e7\u00e3o divina e da Lei. Seu toque repetido no in\u00edcio do s\u00e9timo m\u00eas objetivava trazer \u00e0 mem\u00f3ria as obriga\u00e7\u00f5es religiosas de Israel, seu compromisso com a alian\u00e7a e lembrar que tudo isso estava naquele dia sendo trazido a ju\u00edzo.<\/p>\n<h4><strong>Dia da Expia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O Dia da Expia\u00e7\u00e3o era, das grandes festas, a mais importante, pois lidava com o perd\u00e3o (Lev\u00edtico 23:26-32). Curiosamente, o dia em si, n\u00e3o era de ju\u00edzo. Era dia de purifica\u00e7\u00e3o do acampamento, do santu\u00e1rio e do povo, conforme Lev\u00edtico 16. Apenas esse dia possu\u00eda um ritual plenamente elaborado com detalhes que buscavam impactar o povo com a certeza de que Deus os estava perdoando. Ao mesmo tempo que os julgava, n\u00e3o apenas por seus atos do ano, mas por suas inten\u00e7\u00f5es. Nesse dia, todo pecado de Israel era retirado da presen\u00e7a de Deus e sua exist\u00eancia era destru\u00edda.<\/p>\n<p>Durante o ano, o ofertante via o pecado ser retirado de sua vida, e transferido para o santu\u00e1rio. Mas, nesse dia, o pecado era tirado do santu\u00e1rio e do acampamento para ser eliminado. O ritual elaborado, descrito em Lev\u00edtico 16 e na literatura posterior, tinha a inten\u00e7\u00e3o de impressionar a mente com a profundidade da miseric\u00f3rdia de Deus e do Seu perd\u00e3o. E nisso reside seu maior em mais profundo significado: o ju\u00edzo de Deus, anunciado com trombetas no in\u00edcio do m\u00eas. N\u00e3o resultava em morte, mas em perd\u00e3o, porque \u201cnenhuma condena\u00e7\u00e3o h\u00e1 para os que est\u00e3o\u201d no Messias.<\/p>\n<h4><strong>Cabanas<\/strong><\/h4>\n<p>Finalizando o ano lit\u00fargico, a festa das cabanas (Lev\u00edtico 23:34ss) iniciava no dia quinze do s\u00e9timo m\u00eas, e celebrava o tempo que Israel passara no deserto. O objetivo era lembrar que a Terra em que habitavam era heran\u00e7a do Eterno e que seu direito de ali habitar foi dado por Deus e n\u00e3o por direito natural.<\/p>\n<p>Por isso, deveriam sair de suas habita\u00e7\u00f5es e viver por sete dias em cabanas, como os antepassados. H\u00e1 uma ponte dessa festa com o mil\u00eanio, no qual os santos viver\u00e3o fora de sua Terra por um per\u00edodo tempor\u00e1rio. O objetivo do mil\u00eanio, portanto, n\u00e3o \u00e9 turismo celestial, mas nos lembrar que a Terra que pertence ao Eterno nos ser\u00e1 dada por Heran\u00e7a, por Seu M\u00e9rito e por Sua Gra\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Cada festividade de Lev\u00edtico 23 possui caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, mas todas partilham de dois aspectos essenciais: 1. N\u00e3o s\u00e3o de Israel. S\u00e3o de Deus. S\u00e3o tempos de lembran\u00e7a de a\u00e7\u00f5es divinas em favor de Seu povo, Israel; 2. Apontam para o futuro, para al\u00e9m delas mesmas, declarando em sua pr\u00f3pria conforma\u00e7\u00e3o, que possuem uma realidade maior: o Messias e Sua Obra.<\/p>\n<p>Nesse bin\u00f4mio entre mem\u00f3ria e expectativa, podemos encontrar uma resposta para nossa pergunta quanto \u00e0 import\u00e2ncia das festas e sua rela\u00e7\u00e3o conosco. Elas seguem como eventos comemorativos da a\u00e7\u00e3o de Deus para libertar Seu povo, por meio do qual o Messias veio a este mudo e a Sua Palavra chegou a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por isso, s\u00e3o relevantes no aprendizado de um Deus que se relaciona, liberta e dirige.&nbsp; Apesar disso, estas festividades n\u00e3o possuem obrigatoriedade salv\u00edfica, nem devem ser tomadas como m\u00e9trica de relacionamento com Deus, uma vez que a realidade por elas tipificada chegou e \u00e9 essa realidade \u00e9 que deve ser a m\u00e9trica.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rgio Monteiro<\/strong> \u00e9 te\u00f3logo, capel\u00e3o e membro do Instituto de Estudos Judaicos Feodor Meyer, membro da Adventist Theological Society, International&nbsp; Association for the Old Testament Studies e Associa\u00e7\u00e3o dos Biblistas Brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O calend\u00e1rio b\u00edblico, com seus tempos sagrados das festas de Israel, tem significado importante que ajuda em nosso desenvolvimento espiritual hoje.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":274160,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3876],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[3590],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-274159","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-noticia","xtt-pa-editorias-biblia","xtt-pa-departamentos-salt","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"S\u00e9rgio Monteiro","embed_url":"","embed_length":""},"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Not\u00edcia"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-768x448.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/12\/festatrombetas-290x220.jpg"}}