{"id":272143,"date":"2020-11-13T08:47:53","date_gmt":"2020-11-13T11:47:53","modified":"2021-11-15T20:20:37","modified_gmt":"2021-11-15T23:20:37","slug":"o-papel-do-dom-profetico-na-construcao-da-identidade-adventista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/helio.carnassale\/o-papel-do-dom-profetico-na-construcao-da-identidade-adventista\/","title":{"rendered":"O papel do dom prof\u00e9tico na constru\u00e7\u00e3o da identidade adventista"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_272165\" style=\"width: 959px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-272165\" class=\"size-full wp-image-272165\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2.png\" alt=\"\" width=\"949\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2.png 949w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-768x416.png 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-730x395.png 730w\" sizes=\"(max-width: 949px) 100vw, 949px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-272165\" class=\"wp-caption-text\">Atriz encena Ellen White em um de suas vis\u00f5es. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Youtube)<\/p><\/div>\n<p>\u201cEnt\u00e3o me disseram: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que ainda profetizes a respeito de muitos povos, na\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e reis\u201d (Apocalipse 10:11).<\/p>\n<h4><strong>O surgimento dos adventistas sabatistas<\/strong><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heliocarnassale\/o-papel-do-movimento-milerita-na-construcao-da-identidade-adventista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Depois de analisar o papel do movimento milerita na constru\u00e7\u00e3o da identidade adventista<\/a>, vamos voltar o nosso olhar para o grupo de adventistas sabatistas, como ficariam conhecidos aqueles que deram origem \u00e0 Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia. Seus l\u00edderes e fundadores - Jos\u00e9 Bates, Tiago White e Ellen Harmon, aceitaram a mensagem da volta de Jesus<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Apenas Bates teve algum destaque no movimento milerita.<\/p>\n<p>Bates, Tiago e Ellen se tornaram os tr\u00eas pilares do adventismo sabatista e s\u00e3o reconhecidos como fundadores da Igreja Adventista do S\u00e9timo. Bates e Tiago eram da Conex\u00e3o Crist\u00e3, uma denomina\u00e7\u00e3o com forte \u00eanfase no restauracionismo. J\u00e1 Ellen e a fam\u00edlia Harmon eram metodistas. Ela e mais seis de um total de 10 pessoas de sua casa foram exclu\u00eddas da Igreja Metodista da rua Chestnut, da cidade de Portland, em setembro de 1843, onde Miller havia pregado duas vezes, em mar\u00e7o de 1840 e junho de 1842<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<h4><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heliocarnassale\/o-papel-do-movimento-milerita-na-construcao-da-identidade-adventista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O papel do movimento milerita na constru\u00e7\u00e3o da identidade adventista<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Ellen Harmon escreveu sobre dois momentos de sua experi\u00eancia com a volta de Jesus: antes e depois de 22 de outubro de 1844. \u00a0Antes: \u201cEsse foi o ano mais feliz de minha vida. Meu cora\u00e7\u00e3o transbordava de alegre expectativa; mas sentia grande d\u00f3 e ansiedade pelos que se achavam desanimados e n\u00e3o tinham esperan\u00e7a em Jesus. Unimo-nos, como um s\u00f3 povo, em fervorosa\u00a0ora\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar uma verdadeira experi\u00eancia e inequ\u00edvoca prova de nossa aceita\u00e7\u00e3o da parte de Deus\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Depois: \u201cFicamos desapontados, mas n\u00e3o desanimados. Resolvemos refrear-nos da murmura\u00e7\u00e3o naquela severa prova pela qual o Senhor nos estava purificando das esc\u00f3rias e refinando-nos como o ouro no fogo; resolvemos submeter-nos pacientemente ao processo de purifica\u00e7\u00e3o que Deus julgava necess\u00e1rio para n\u00f3s, e aguardar com paciente esperan\u00e7a que o Salvador remisse Seus filhos provados e fi\u00e9is\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Foi em meio a esse cen\u00e1rio de dor, decep\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o que Deus Se manifestou em vis\u00e3o \u00e0 jovem Ellen Harmon, que rec\u00e9m havia completado 17 anos. Seu estado de sa\u00fade havia se agravado com as tristezas do desapontamento, e Elizabeth Haines, uma amiga apenas um pouco mais velha do que ela e que tamb\u00e9m morava em Portland, convidou-a para visit\u00e1-la e passar alguns dias em sua casa. Era o final do m\u00eas dezembro de 1844. Foi numa reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, no culto da manh\u00e3, em que estavam presentes apenas cinco mulheres, que o Senhor deu a Ellen a primeira vis\u00e3o. Ela assim descreveu:<\/p>\n<p>\u201cEnquanto eu estava orando junto ao altar da fam\u00edlia, o Esp\u00edrito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas n\u00e3o o pude achar, quando uma voz me disse: \u201cOlha novamente, e olha um pouco mais para cima.\u201d Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o completa pode ser lida em <em>Primeiros Escritos<\/em>, <em>Vida e Ensinos<\/em> ou <em>Testemunhos Para a Igreja<\/em>, volume I. Os deposit\u00e1rios do patrim\u00f4nio de Ellen G. White entenderam que: \u201cNessa vis\u00e3o, o Senhor descreveu-lhe a jornada do povo do Advento para a Nova Jerusal\u00e9m. Conquanto essa vis\u00e3o n\u00e3o explicasse a raz\u00e3o do Desapontamento \u2014 explica\u00e7\u00e3o esta que s\u00f3 podia provir do estudo da B\u00edblia \u2014 ela deu-lhes a certeza de que Deus os estava guiando e continuaria a gui\u00e1-los em sua peregrina\u00e7\u00e3o rumo da cidade celestial\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma semana depois, Ellen recebeu a segunda vis\u00e3o, em que lhe foi dada a ordem de compartilhar a mensagem recebida<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Foi lhe revelado que sua miss\u00e3o n\u00e3o seria f\u00e1cil, mas que o Senhor estaria ao lado dela. Devido \u00e0 fragilidade de seu estado de sa\u00fade, ela inicialmente resistiu, mas acabou aceitando humildemente o chamado, confiando que Deus a sustentaria. O grupo de Albany havia assumido firme posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a toda e qualquer espiritualiza\u00e7\u00e3o na interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica e contra toda manifesta\u00e7\u00e3o espiritual, como sonhos e vis\u00f5es, porque naqueles dias haviam surgido muitos que reivindicavam ser profetas e o fanatismo proliferava.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para a jovem Ellen seriam extremamente dif\u00edceis. Ela teria que enfrentar muita desconfian\u00e7a e oposi\u00e7\u00e3o. Seria considerada mais uma fan\u00e1tica, com problemas neurol\u00f3gicos, afirmando ter revela\u00e7\u00f5es especiais da parte de Deus. Em parte, foi por isso que, por quase 40 anos, Ellen continuou tendo vis\u00f5es em p\u00fablico, exatamente para confirmar a validade do fen\u00f4meno espiritual, semelhante aos profetas b\u00edblicos.<\/p>\n<p>Assim que Ellen aceitou o chamado, passou a aproveitar cada oportunidade que surgia para apresentar as mensagens que estava recebendo. Foi numa dessas viagens, em 1845, que ela conheceu o jovem ministro Tiago White<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Posteriormente, ele se ofereceu para acompanhar Ellen e sua companheira em outras viagens. Tiago ficou plenamente convencido da autenticidade das vis\u00f5es que ela recebia. A\u00ed come\u00e7ou uma amizade que resultou no casamento deles, pois muito provavelmente o fato de um jovem solteiro acompanhar duas senhoritas poderia gerar uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora e facilmente colocaria empecilhos \u00e0 obra de Ellen. Eles casaram-se em 26 de novembro de 1846, na cidade de Portland<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Bates, Tiago e Ellen estavam entre aqueles que acreditavam na doutrina da porta fechada e, por isso, n\u00e3o compareceram na assembleia de Albany. Havia ainda outros crentes que, como eles, tinham convic\u00e7\u00e3o de que todo aquele movimento n\u00e3o havia sido em v\u00e3o. Queriam encontrar na B\u00edblia a raz\u00e3o de sua decep\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de serem poucos, estavam isolados uns dos outros, espalhados pelo norte central e nordeste dos Estados Unidos. Eles concordavam com os espiritualizadores na aceita\u00e7\u00e3o da exatid\u00e3o do c\u00e1lculo prof\u00e9tico, mas discordavam quanto \u00e0 natureza espiritual da volta de Cristo. Eles acabariam formando a terceira e menor corrente egressa de milerismo<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O estudo da B\u00edblia e a base doutrin\u00e1ria dos adventistas<\/strong><\/p>\n<p>O grupo que logo ficaria conhecido como adventistas sabatistas come\u00e7ou a estudar e buscar na B\u00edblia, no dia 23 de outubro, as raz\u00f5es para o desapontamento. Assim foi com Hiram Edson, um fazendeiro metodista de Port Gibson, Estado de Nova Iorque, e l\u00edder local dos adventistas. Com o prop\u00f3sito de animar os irm\u00e3os, foi surpreendido por uma compreens\u00e3o especial a respeito da passagem de Cristo do compartimento \u201csanto\u201d para o \u201csant\u00edssimo\u201d no santu\u00e1rio celestial.<\/p>\n<p>Com Owen R. L. Crosier e o doutor Franklin B. Hanh, Edson estudou profundamente esse assunto seguindo o m\u00e9todo de concord\u00e2ncia de Miller. Juntos conclu\u00edram que o santu\u00e1rio a ser purificado em Daniel 8:14 n\u00e3o era a Terra nem a igreja, mas o santu\u00e1rio celestial, do qual o santu\u00e1rio terrestre havia sido uma c\u00f3pia ou um tipo<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. \u00c9 interessante notar que outros pastores adventistas mileritas tamb\u00e9m haviam estudado e apresentado reflex\u00f5es sobre o tema do santu\u00e1rio logo ap\u00f3s a primeira decep\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o de 1844, mas parece n\u00e3o ter surtido efeito sobre os mileritas.<\/p>\n<p>Igualmente ao tema do santu\u00e1rio, alguns mileritas j\u00e1 haviam focado na quest\u00e3o da guarda do s\u00e1bado, mesmo antes de 22 de outubro. Mas essas sementes lan\u00e7adas s\u00f3 frutificaram quando Bates leu o artigo do pastor Tomas Preble, publicado no jornal \u201c<em>Hope of Israel<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Bates imediatamente comparou com a B\u00edblia as provas apresentadas por Preble que, por sua vez, havia recebido essa mensagem dos batistas do s\u00e9timo dia por meio da irm\u00e3 Rachel Oaks-Preston. Ficou convencido de que a santidade do s\u00e1bado n\u00e3o havia mudado. A partir da\u00ed, passou a defender vigorosamente a validade do quarto mandamento.<\/p>\n<p>Voltando a Port Gibson, Crosier concordou em escrever as conclus\u00f5es a que haviam chegado e elas foram publicadas inicialmente na revista <em>Day Dawn<\/em>, nos primeiros meses de 1845. Mas foi em 7 de fevereiro de 1846 que Crosier apresentou suas conclus\u00f5es, agora bem amadurecidas, na edi\u00e7\u00e3o extra da revista <em>Day-Star<\/em>, sob o t\u00edtulo \u201cA Lei de Mois\u00e9s\u201d. Seu artigo n\u00e3o passou despercebido para aqueles que haveriam de ser os l\u00edderes dos adventistas sabatistas<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Quando Bates leu o artigo sobre o santu\u00e1rio no in\u00edcio de 1846, n\u00e3o teve d\u00favidas sobre o assunto. Ao que tudo indica, viajou os 600 km, de Fairhaven, onde morava, para Port Gibson, a fim de conversar com Edson, Crosier e Hanh. Ele ficou convencido da verdade do santu\u00e1rio e eles ficaram convencidos da santidade do s\u00e1bado<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. A partir da\u00ed, Bates come\u00e7ou a escrever uma s\u00e9rie de livretos em que apresentava a verdade do s\u00e1bado como dia de guarda, com grande diferencial: incorporou uma teologia que integrava as doutrinas do santu\u00e1rio celestial, da volta de Cristo e do s\u00e1bado. Mas ele ainda foi al\u00e9m e inseriu essas doutrinas no contexto hist\u00f3rico-escatol\u00f3gico de Apocalipse 11 a 14.<\/p>\n<p>Quando Bates, Tiago e Ellen se conheceram, nem Bates se convenceu da autenticidade do dom prof\u00e9tico de Ellen, nem os dois ficaram convencidos sobre o s\u00e1bado. Mas logo depois do casamento deles, em agosto de 1846, ao receberem o panfleto \u201cO s\u00e1bado do s\u00e9timo dia, um sinal perp\u00e9tuo\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, escrito por Bates, eles reconsideraram as evid\u00eancias b\u00edblicas e come\u00e7aram a guardar, defender e ensinar sobre o s\u00e1bado b\u00edblico.<\/p>\n<p>Pouco depois, em novembro desse mesmo ano, Bates se convenceu da autenticidade do dom prof\u00e9tico dado a Ellen White. Foi numa reuni\u00e3o ocorrida em Topsham, Maine, que ela foi tomada em vis\u00e3o e passou a descrever alguns planetas, que o velho capit\u00e3o Bates prontamente identificou. Ao descobrir que Ellen n\u00e3o possu\u00eda nenhum conhecimento de astronomia, convenceu-se de que as revela\u00e7\u00f5es que ela recebia eram de origem sobrenatural. A partir da\u00ed, Bates e o casal White uniram seus esfor\u00e7os<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>Especialmente entre os anos de 1848 e 1850, os adventistas sabatistas empreenderam decididos esfor\u00e7os para reunir os irm\u00e3os que haviam aceitado a mensagem at\u00e9 22 de outubro de 1844 e se dedicaram intensamente ao estudo da B\u00edblia e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, com o prop\u00f3sito de unificar suas ideias e cren\u00e7as. Essas reuni\u00f5es ficaram conhecidas como \u201cconfer\u00eancias sabatistas\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do esfor\u00e7o de reunir pessoas, os adventistas investiram na publica\u00e7\u00e3o de folhetos, jornais e revistas, iniciando assim um minist\u00e9rio de publica\u00e7\u00f5es resultante de uma vis\u00e3o recebida por Ellen White em novembro de 1848<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Por essa raz\u00e3o, gosto de dizer que esta igreja nasceu em uma ber\u00e7o forrado de papel e tinta.<\/p>\n<p>Foi ainda nesse per\u00edodo que uma quarta e muito importante doutrina, que viria a ser mais um pilar doutrin\u00e1rio, foi adotada pelos adventistas sabatistas. Tinha que ver com a correta compreens\u00e3o da natureza humana e o estado dos mortos<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. A imortalidade condicional se harmonizava perfeitamente com a nova teologia adventista e apoiava o ensino do ju\u00edzo investigativo.<\/p>\n<p>Assim, no in\u00edcio de 1848, os l\u00edderes adventistas sabatistas, por meio de intenso estudo da B\u00edblia e ora\u00e7\u00e3o, haviam chegado a um consenso em pelo menos quatro pontos: 1) a volta pessoal, vis\u00edvel e pr\u00e9-milenar de Jesus; 2) o minist\u00e9rio bif\u00e1sico de Cristo no santu\u00e1rio celestial; 3) a perpetuidade do s\u00e1bado do s\u00e9timo dia e sua import\u00e2ncia escatol\u00f3gica; 4) a imortalidade condicional da alma, conhecida como condicionalismo e a destrui\u00e7\u00e3o eterna dos \u00edmpios definida como aniquilacionismo. Outros dois aspectos ainda seriam acrescentados como sendo os pilares ou marcos do adventismo: 5) a santidade da lei de Deus; e 6) a proclama\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica das tr\u00eas mensagens ang\u00e9licas de Apocalipse 14:6-12.<\/p>\n<p>Essas seis colunas distinguiram os sabatistas dos outros mileritas, mas tamb\u00e9m de outros crist\u00e3os em geral. Esses pilares se tornaram um conjunto de cren\u00e7as distintivas que forneceram uma identidade aos adventistas. Embora tivessem v\u00e1rios pontos de doutrina comum a outros crist\u00e3os, eles viam sua mensagem como sendo a verdade presente. Percebiam que possu\u00edam uma mensagem distintiva, especialmente por conta de dois pontos: o santu\u00e1rio celestial como o grande centro unificador das demais cren\u00e7as e sua teologia que envolvia a proclama\u00e7\u00e3o da mensagem dos tr\u00eas anjos<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1850, reconheceram que deveriam abandonar toda e qualquer tentativa de marcar datas para a volta de Cristo e tamb\u00e9m perceberam que a doutrina da porta fechada n\u00e3o se harmonizava com sua teologia. Dessa forma, os adventistas sabatistas haviam verdadeiramente encontrado a sua identidade<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<h4><strong>O papel de Ellen G. White na forma\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria dos adventistas <\/strong><\/h4>\n<p>Ainda \u00e9 necess\u00e1rio destacar o papel de Ellen White e do dom prof\u00e9tico no processo da defini\u00e7\u00e3o da identidade do adventismo. Seu papel foi sempre de confirma\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. Tanto a doutrina do s\u00e1bado como a doutrina da volta de Cristo j\u00e1 existiam antes de Ellen White come\u00e7ar seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico. Devemos entender claramente que os primeiros adventistas eram um povo da B\u00edblia e suas doutrinas distintivas foram definidas em resultado de intenso estudo das escrituras e ora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es de Ellen White.<\/p>\n<p>Mas suas vis\u00f5es livraram os adventistas de muitos enganos. Como exemplos: sua primeira vis\u00e3o confirmou a validade dos c\u00e1lculos prof\u00e9ticos, mas o que de fato havia acontecido, veio em resultado do estudo da B\u00edblia. Outro engano que o dom prof\u00e9tico livrou os adventistas sabatistas foi o erro de marcar datas para a volta de Cristo. Al\u00e9m disso, Ellen White confirmou claramente a verdade das doutrinas do santu\u00e1rio e do s\u00e1bado. \u00c9 prov\u00e1vel que o seguinte texto seja a fonte que melhor esclare\u00e7a o papel e a rela\u00e7\u00e3o dela na confirma\u00e7\u00e3o das doutrinas e n\u00e3o no seu estabelecimento.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes fic\u00e1vamos reunidos at\u00e9 alta noite, e \u00e0s vezes a noite toda, pedindo luz e estudando a Palavra. Repetidas vezes esses irm\u00e3os se reuniram para estudar a B\u00edblia, a fim de que conhecessem seu sentido e estivessem preparados para ensin\u00e1-la com poder. Quando, em seu estudo, chegavam a ponto de dizerem: \u201cNada mais podemos fazer\u201d, o Esp\u00edrito do Senhor vinha sobre mim, e eu era arrebatada\u00a0em vis\u00e3o, e era-me dada uma clara explana\u00e7\u00e3o das passagens que estiv\u00e9ramos estudando, com instru\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 maneira em que dev\u00edamos trabalhar e ensinar eficientemente\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p>Teria sido obra do acaso que o menor grupo do movimento milerita, 176 anos mais tarde, se tornasse o maior, com cerca de 22 milh\u00f5es de membros em praticamente todo mundo? \u00c9 fato inequ\u00edvoco que n\u00e3o foi fruto do acaso, nem mesmo da habilidade humana.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es da expans\u00e3o dos adventistas podem ser identificadas nos seguintes aspectos: 1) a iniciativa de Deus em chamar e aben\u00e7oar um povo para proclamar que a hora de seu \u00a0ju\u00edzo havia chegado; 2) um conjunto de cren\u00e7as distintivas baseadas em sua miss\u00e3o apocal\u00edptica; 3) uma estrutura organizacional capaz de sustentar a miss\u00e3o e os desafios de sua mensagem; 4) um senso de miss\u00e3o e urg\u00eancia gerado pela compreens\u00e3o prof\u00e9tica de seu movimento; 5) a dire\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o moderna do dom prof\u00e9tico como fonte de seguran\u00e7a e prosperidade, conforme II Cr\u00f4nicas 20:20: \u201cCrede no Senhor vosso Deus \u00a0e estareis seguros, crede nos Seus profetas e prosperareis\u201d.<\/p>\n<p>Ao terminar este artigo, deixo com os leitores um conjunto de reflex\u00f5es e decis\u00f5es a serem tomadas: 1) ser dedicados estudantes da B\u00edblia e perseverantes na ora\u00e7\u00e3o; 2) reconhecer o papel distintivo da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia como possuidora da verdade presente; 3) fazer com que os escritos de Ellen G. White, tamb\u00e9m conhecidos como esp\u00edrito de profecia, sejam uma fonte individual de seguran\u00e7a e prosperidade espiritual; 4) permitir que o Senhor desperte o senso de miss\u00e3o e urg\u00eancia que marcou os pioneiros adventistas; 5) pregar o evangelho com ousadia para, finalmente, ver o breve retorno Cristo em nossa gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAqui est\u00e1 a perseveran\u00e7a dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a f\u00e9 em Jesus\u201d (Apocalipse 14:12).<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Knight, George R. Adventismo. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 278-279.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Fortin, D. e Moon J. (ed). Enciclop\u00e9dia Ellen G. White. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018, p. 39.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> White, Ellen G. Primeiros Escritos. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 51.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, p. 54<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> White, Ellen G. Primeiros Escritos. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 14.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Idem, p. XVI.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> White, Ellen G. Vida e Ensinos. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 65.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Fortin, D. e Moon J. (ed). Enciclop\u00e9dia Ellen G. White. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018, p. 44.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Idem, p. 45.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Knight, George R. Em Busca de Identidade. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 57.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Idem, p. 63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Idem, p.68.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Idem, p. 64.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Idem, p.69.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Knight, George R. Adventismo. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 289.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Fortin, D. e Moon J. (ed). Enciclop\u00e9dia Ellen G. White. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018, p. 45.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Knight, George R. Adventismo. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 297.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> White, Ellen G. Vida e Ensinos. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 251.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Knight, George R. Em Busca de Identidade. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 73.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Knight, George R. Em Busca de Identidade. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 76.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Knight, George R. Em Busca de Identidade. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 83-85.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Fortin, D. e Moon J. (ed). Enciclop\u00e9dia Ellen G. White. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018, p. 46.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> White, Ellen G. Mensagens Escolhidas-II. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira. p. 206.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante do desapontamento de 1844, Deus trouxe respostas \u00e0queles que decidiram estudar a B\u00edblia profundamente a respeito do dom prof\u00e9tico.<\/p>\n","protected":false},"author":292,"featured_media":272165,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-272143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia"],"acf":false,"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2.png","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-768x416.png","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-140x90.png","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-140x90.png","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/11\/ellenwhite-2-290x220.png"}}