{"id":269260,"date":"2020-09-14T05:30:33","date_gmt":"2020-09-14T08:30:33","modified":"2020-09-14T12:46:28","modified_gmt":"2020-09-14T15:46:28","slug":"caminho-que-tem-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/caminho-que-tem-volta\/","title":{"rendered":"Caminho que tem volta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_269261\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-269261\" class=\"size-full wp-image-269261\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-269261\" class=\"wp-caption-text\">O dia 10 de setembro foi momento para lembrar da quest\u00e3o do combate ao suic\u00eddio em todo o planeta. (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>O suic\u00eddio \u00e9 a 17\u00aa principal causa de mortes em todo o mundo. Entre os jovens, \u00e9 a segunda. Por ano, 800 mil pessoas tiram a pr\u00f3pria vida, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que considera a quest\u00e3o um problema priorit\u00e1rio de sa\u00fade p\u00fablica global.<\/p>\n<p>Embora a ci\u00eancia n\u00e3o tenha compreendido ainda completamente as raz\u00f5es que levam algu\u00e9m a dar fim \u00e0 exist\u00eancia, pesquisadores das Universidades de Glasgow (Reino Unido) e Harvard (EUA) sugerem que essa atitude dr\u00e1stica seja resultado de uma intera\u00e7\u00e3o complexa de v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/comportamento\/suicidio-precisamos-falar-desse-assunto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suic\u00eddio: precisamos falar deste assunto<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Para Rory O\u2019Connor, do Laborat\u00f3rio de Pesquisas do Comportamento Suicida da Universidade de Glasgow, e Matthew K. Nock, do Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard, aspectos da personalidade, cognitivos e sociais, al\u00e9m de experi\u00eancias negativas ou traum\u00e1ticas desempenham um importante papel na ado\u00e7\u00e3o de um comportamento suicida.<\/p>\n<h4><strong>Sobreviventes<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cFoi um choque\u201d, lembra Paloma (nome fict\u00edcio), que perdeu a m\u00e3e por overdose de medicamentos. Ela \u00e9 uma\u00a0sobrevivente, termo dado a filhos ou parentes pr\u00f3ximos de algu\u00e9m que cometeu suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que o senso comum poderia sugerir, sua m\u00e3e n\u00e3o apresentava sinais de tristeza nem depress\u00e3o no dia em que tirou a pr\u00f3pria vida. \u201cEla at\u00e9 parecia mais disposta naquela semana\u201d, acentua. A m\u00e3e, Cristina, sinalizava ter superado a depress\u00e3o e epis\u00f3dios recentes de tentativa de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201cO hist\u00f3rico dela era muito complicado. Chegou a fazer um tratamento psiqui\u00e1trico bem pesado e as crises pararam. Mas havia os sintomas da depress\u00e3o e os pensamentos dela eram muito negativos. Pouco antes de morrer, o quadro dela piorou porque uma pessoa querida faleceu. Por\u00e9m, com terapia, ela melhorou bastante. At\u00e9 os assuntos mudaram. Por orienta\u00e7\u00e3o de uma terapeuta, ela se envolveu em alguns projetos, achou que estava bem e, por conta disso, parou de tomar os medicamentos, al\u00e9m de interromper o tratamento. Contudo, ningu\u00e9m sabia disso\u201d, revela.<\/p>\n<p>A fatalidade pegou todos na fam\u00edlia de surpresa. \u201cFiquei nervosa e me bateu um sentimento de tristeza. N\u00e3o conseguia acreditar que ela havia feito isso\u201d, desabafa Paloma. Cristina deixou algumas cartas para\u00a0os familiares e tomou v\u00e1rios medicamentos. Depois disso, ficou parada. Foi quando o padrasto de Paloma a encontrou, quase sem respira\u00e7\u00e3o, e a levou ao pronto-socorro, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel salv\u00e1-la.<\/p>\n<p>Para a professora de idiomas Martina Tejano, que vive no interior de S\u00e3o Paulo e por anos lutou contra uma depress\u00e3o, a vontade de tirar a pr\u00f3pria vida \u00e9, na verdade, uma tentativa desesperada de dar fim a um sofrimento insuport\u00e1vel. \u201cNingu\u00e9m quer morrer. A vontade de morrer \u00e9 o desejo de que acabe aquela dor invis\u00edvel e pesada. O problema \u00e9 que o\u00a0suicida tem a percep\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 esgotou as tentativas de fazer a situa\u00e7\u00e3o melhorar. \u00c9 por isso que a pessoa fica idealizando n\u00e3o o ato de se matar, mas de deixar de existir\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Ela conta que seus sintomas de depress\u00e3o apareceram ap\u00f3s a perda de um beb\u00ea. Mesmo convivendo com a doen\u00e7a, depois da morte do filho e do div\u00f3rcio, ela se mudou para os Estados Unidos, onde acabou sofrendo tamb\u00e9m num relacionamento abusivo.<\/p>\n<p>\u201cEu achava que se tratava apenas de um relacionamento \u2018complicado\u2019. Nunca contei a ningu\u00e9m o que passava em casa. Por\u00e9m, eu sofria abuso mental e emocional, e era estuprada por meu companheiro\u201d,\u2028revela a docente, que n\u00e3o chegou a tentar o suic\u00eddio, mas precisou lutar seriamente contra a depress\u00e3o e o preconceito.\u201cFiz um pouco de psicoterapia, o que me ajudou tremendamente, muito mais do que rem\u00e9dio\u201d, compara, ao explicar como lidou com a depress\u00e3o. \u201c\u00c9 uma luta f\u00edsica e mental. \u00c9 aprender a ouvir seu di\u00e1logo interno, analis\u00e1-lo, e depois mostrar quem \u00e9 que manda na situa\u00e7\u00e3o\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Martina compara a depress\u00e3o \u2013 a principal causa de morte por suic\u00eddio \u2013 com um disco arranhado que repete a mesma fala de conota\u00e7\u00e3o negativa. Contudo, \u00e9 preciso fazer esse \u201cdisco\u201d parar. \u201cTudo n\u00e3o d\u00e1 errado; isso \u00e9 normal. N\u00e3o acontece s\u00f3 comigo, acontece com todos. Eu mere\u00e7o coisa boa tamb\u00e9m\u201d, salienta, ao repetir pensamentos que evidenciam a necessidade de uma reestrutura\u00e7\u00e3o mental.<\/p>\n<p><strong>Como prevenir? V\u00eddeo com a psic\u00f3loga Carolina Silva:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"#SetembroAmarelo | Como prevenir o #suic\u00eddio?\" width=\"856\" height=\"482\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KsDxki_odlY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h4><strong>Em busca de ajuda<\/strong><\/h4>\n<p>No estudo publicado por O\u2019Connor e Nock na revista cient\u00edfica Lancet Psychiatry, em 2014, os pesquisadores apontaram que boa parte das pessoas que lutam contra pensamentos suicidas n\u00e3o recebe tratamento. \u201cAlgumas evid\u00eancias sugerem que diferentes formas de terapias cognitivas e comportamentais possam reduzir o risco de novas tentativas de suic\u00eddio\u201d, escreveram os cientistas, embora reconhe\u00e7am que h\u00e1 poucas evid\u00eancias na literatura acad\u00eamica sobre os \u201cfatores de prote\u00e7\u00e3o\u201d contra esse problema.<\/p>\n<p>Para quem infelizmente chora a perda de uma pessoa querida, um recurso fundamental \u00e9 buscar ajuda na pr\u00f3pria fam\u00edlia. \u201cAceitar ajuda da fam\u00edlia e de amigos que conheceram bem aquela pessoa tamb\u00e9m \u00e9 ben\u00e9fico\u201d, garante Paloma, a filha que\u00a0hoje \u00e9 \u00f3rf\u00e3 de m\u00e3e.<\/p>\n<p>No entanto, talvez o maior desafio para que mais pessoas busquem e recebam aux\u00edlio seja vencer o estigma que envolve o tema. Todo problema que \u00e9 um tabu acaba n\u00e3o sendo discutido como deveria pela sociedade. De acordo com o psiquiatra Jorge Salton, professor de Medicina da Universidade Federal de Passo Fundo (RS), perdas recentes, transtornos mentais, uso de drogas e \u00e1lcool, hist\u00f3rico de suic\u00eddio na fam\u00edlia e\u00a0<em>bullying\u00a0<\/em>s\u00e3o alguns sinais de alerta. Por\u00e9m, outros diversos fatores podem impedir a identifica\u00e7\u00e3o precoce do problema, como receio de falar sobre o assunto.<\/p>\n<p>Por isso, ele acredita que esse assunto precise ser encarado de forma honesta. \u201cUm tabu como esse n\u00e3o desaparece sem o esfor\u00e7o de todos n\u00f3s. A dificuldade em buscar ajuda, a falta de conhecimento e aten\u00e7\u00e3o sobre o assunto por profissionais de sa\u00fade e a ideia de que o comportamento suicida n\u00e3o seja um evento frequente dificultam a preven\u00e7\u00e3o\u201d, enumera.<\/p>\n<h4><strong>Epidemia global<\/strong><\/h4>\n<p>Contudo, o desafio de enfrentar esse tabu social e um problema de sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 um desafio para na\u00e7\u00f5es de todo o mundo. Em pa\u00edses como os Estados Unidos, por exemplo, o suic\u00eddio chega a ser a d\u00e9cima principal causa de mortes. Segundo a OMS, trata-se de um fen\u00f4meno mundial, cujo impacto maior tem sido sentido nos pa\u00edses mais pobres e em desenvolvimento, onde 78% dos suic\u00eddios de 2015 foram registrados.<\/p>\n<p>\u00c9 nesses pa\u00edses tamb\u00e9m que os n\u00fameros podem talvez n\u00e3o refletir t\u00e3o bem a realidade porque, segundo a OMS, para cada adulto que tira a pr\u00f3pria vida, pode haver outros 20 tentando fazer a mesma coisa. Entre jovens e adolescentes, os n\u00fameros s\u00e3o mais elevados do que a m\u00e9dia geral. O suic\u00eddio j\u00e1 representa a segunda causa de morte das pessoas de 15 a 29 anos. De acordo com o relat\u00f3rio Jovens do Brasil 2014, as taxas de suic\u00eddio haviam crescido quase 63% entre 1980 e 2012, aumentando o ritmo a partir da virada do s\u00e9culo, tanto na popula\u00e7\u00e3o em geral quanto entre os jovens.<\/p>\n<p>Por sua vez, no Equador, os jovens tamb\u00e9m parecem ser vulner\u00e1veis.\u00a0\u201cEles s\u00e3o os que mais cometem suic\u00eddio\u201d, diz a pesquisadora Lorena Campo Ar\u00e1uz, professora da Universidade Polit\u00e9cnica Salesiana. Segundo a docente, o m\u00e9todo mais comum para tirar a pr\u00f3pria vida no pa\u00eds \u00e9 o enforcamento e, entre as mulheres, a ingest\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das organizadoras do livro Etnograf\u00edas del Suicidio en Am\u00e9rica del Sur (Etnografias do Suic\u00eddio na Am\u00e9rica do Sul) e publicou recentemente um estudo sobre o processo ritual de significa\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio em seu pa\u00eds. \u201cNa hora de morrer, as pessoas reproduzem cenas representativas da pr\u00f3pria vida e de sua cultura\u201d, explica. \u201cFalar do suic\u00eddio \u00e9 falar da dor. O que se evidencia \u00e9 o processo ritual, o de dar sentido ao ato, e as rea\u00e7\u00f5es sociais frente a uma morte \u2018volunt\u00e1ria\u2019\u201d, sublinha a pesquisadora.<\/p>\n<p>Apesar de os pa\u00edses sul-americanos apresentarem taxas expressivas de suic\u00eddio, elas s\u00e3o baixas em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros da Finl\u00e2ndia, China, Litu\u00e2nia, Hungria, R\u00fassia e Coreia do Sul. Isso n\u00e3o significa necessariamente que esse problema de sa\u00fade p\u00fablica por aqui seja menos alarmante, mas que outros pa\u00edses apresentam registros mais confi\u00e1veis dos casos de suic\u00eddio. \u201cEles t\u00eam registros mais r\u00edgidos, que permitem diminuir a possibilidade de mascaramento dos dados\u201d, completa a professora. Na Am\u00e9rica do Sul, muitos casos de suic\u00eddio acabam sendo notificados como acidente ou causa desconhecida, o que compromete a confiabilidade das estat\u00edsticas nacionais.<\/p>\n<h4><strong>Linha do bem<\/strong><\/h4>\n<p>Para mudar esse quadro, muita gente ao redor do mundo tem trabalhado para apoiar quem luta contra a depress\u00e3o e os pensamentos suicidas. Na Argentina existe o Centro de Assist\u00eancia ao Suicida (CAS); no Uruguai, a ONG \u00daltimo Recurso; no Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Espanha e Portugal, a organiza\u00e7\u00e3o de voluntariado Telefone da Esperan\u00e7a e, no Brasil, o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV).<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Americana para a Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio (AFSP), e a Alian\u00e7a Nacional de Sa\u00fade Mental (Nami, na sigla em ingl\u00eas), oferecem programas de apoio a sobreviventes e pessoas que lidam com pensamentos suicidas, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es e estat\u00edsticas atualizadas sobre o problema no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No campo da sa\u00fade p\u00fablica, pa\u00edses como Chile e Argentina desenvolveram seus pr\u00f3prios projetos, como o Programa Nacional de Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio, que adota, entre outras frentes de a\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00f5es de risco, planos regionais intersetoriais, sistemas de ajuda em situa\u00e7\u00f5es de crise e capacita\u00e7\u00f5es a profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m iniciativas independentes, como o projeto Live This Through, da psic\u00f3loga, fot\u00f3grafa e escritora Dese\u2019Rae Stage. O trabalho dessa ativista, que j\u00e1 tentou tirar a pr\u00f3pria vida, consiste em divulgar uma cole\u00e7\u00e3o de retratos e hist\u00f3rias contadas por quem sobreviveu a uma tentativa de suic\u00eddio.\u00a0Em 2013, ela arrecadou 23 mil d\u00f3lares por meio de uma ferramenta digital de financiamento colaborativo para viajar pelos Estados Unidos afim de tirar fotos e coletar relatos. At\u00e9 agosto de 2016, ela havia fotografado 166 pessoas, em 28 cidades americanas. Outro ve\u00edculo para dar voz a esse drama \u00e9 o blog The Suicide Project, por meio do qual pessoas s\u00e3o encorajadas a contar como encontraram for\u00e7as para desistir do suic\u00eddio.<\/p>\n<h4><strong>Navega\u00e7\u00e3o perigosa<\/strong><\/h4>\n<p>Se por um lado a internet conecta pessoas e oferece aux\u00edlio e motiva\u00e7\u00e3o para indiv\u00edduos que lutam para sobreviver, a rede mundial de computadores tamb\u00e9m pode ser uma teia perigosa para quem est\u00e1 vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2017, surgiu nas redes sociais um jogo chamado Baleia Azul, no qual os participantes s\u00e3o incentivados a cumprir uma s\u00e9rie de tarefas. Entre elas est\u00e1 a de assistir filmes de terror, mutilar-se e, por fi m, tirar a pr\u00f3pria vida. O game, que parece ter sido produzido na R\u00fassia, espalhou-se pelo mundo, causou algumas mortes e tirou o sono de pais e educadores. Segundo o jornal ingl\u00eas The Sun, ao menos 130 mortes foram associadas ao jogo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no in\u00edcio de 2017, uma s\u00e9rie do Netflix sobre o suic\u00eddio colocou o tema em discuss\u00e3o na sociedade. A pol\u00eamica produ\u00e7\u00e3o 13 Reasons Why foi considerada pelo epidemiologista John Ayers\u00a0e outros quatro pesquisadores como irrespons\u00e1vel na abordagem de um assunto t\u00e3o delicado. De acordo com os cientistas, nos 19 dias seguintes ao lan\u00e7amento dessa s\u00e9rie, a busca na internet por termos relacionados ao suic\u00eddio cresceu 19%. Detalhe: boa parte das pesquisas era sobre como tirar a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1 claro se as buscas precederam alguma tentativa real. No entanto, a pesquisa por informa\u00e7\u00f5es sobre m\u00e9todos precisos de suic\u00eddio aumentaram ap\u00f3s o lan\u00e7amento da s\u00e9rie\u201d, alertam. A principal cr\u00edtica desses especialistas \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o poderia ter seguido as orienta\u00e7\u00f5es da OMS de como abordar o tema na m\u00eddia, o que prev\u00ea n\u00e3o exibir cenas de suic\u00eddio e incluir os contatos de servi\u00e7os de ajuda em cada epis\u00f3dio da s\u00e9rie.<\/p>\n<h4><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Embora a epidemia de suic\u00eddio seja preocupante, ela pode ser combatida e evitada. Por vezes, como j\u00e1\u00a0mencionado, o tabu sobre o assunto impede uma discuss\u00e3o mais aberta a respeito do tema. O ponto \u00e9 que perguntar sobre o suic\u00eddio n\u00e3o ir\u00e1 necessariamente incentivar o ato em si. Ao contr\u00e1rio, falar sobre isso de modo respons\u00e1vel \u00e9 uma forma de oferecer acolhimento para quem pensa em tirar a pr\u00f3pria vida e ajudar a reduzir a ansiedade de quem n\u00e3o tem visto sa\u00edda para o sofrimento.<\/p>\n<p>Outra medida de preven\u00e7\u00e3o \u00e9 restringir o acesso a objetos perigosos e a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que possam facilitar o suic\u00eddio. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio tornar os tratamentos psiqui\u00e1tricos mais acess\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o em geral, tendo em vista que quase todos os casos de suic\u00eddio t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as mentais\u201d, observa o psiquiatra Jorge Salton, professor\u2028da Universidade Federal de Passo Fundo (RS).<\/p>\n<p>\u201cComo ajudar uma pessoa com depress\u00e3o? Convide-a para sair, arranque a pessoa de dentro de casa para distrair um pouco e dar risada. Se voc\u00ea j\u00e1 teve depress\u00e3o, sabe como a luta \u00e9 dura; por isso, apadrinhe algu\u00e9m que passa pelo mesmo problema. Fale sobre o que voc\u00ea sente, troque experi\u00eancias e fique de olho em quem voc\u00ea est\u00e1 acompanhando\u201d, aconselha a professora Martina.<\/p>\n<p>Se as causas do suic\u00eddio s\u00e3o m\u00faltiplas, a preven\u00e7\u00e3o dessa epidemia tamb\u00e9m \u00e9 resultado de in\u00fameros fatores. Quebrar o sil\u00eancio para falar a respeito desse tema pode ser o primeiro passo que levar\u00e1 a outros.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Leonardo Siqueira<\/strong> \u00e9 jornalista e p\u00f3s-graduado em Jornalismo Cient\u00edfico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/p>\n<p>Esta reportagem foi originalmente publicada na revista do projeto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.quebrandoosilencio.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quebrando o Sil\u00eancio<\/a> , edi\u00e7\u00e3o de 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste m\u00eas do Setembro Amarelo, reportagem mostra como \u00e9 poss\u00edvel encarar o suic\u00eddio e compreender que este caminho n\u00e3o precisa sempre terminar ruim. <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":269261,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3876],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3217,3634],"xtt-pa-departamentos":[3631,3633],"xtt-pa-projetos":[35],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[178,119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-269260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-noticia","xtt-pa-editorias-comportamento","xtt-pa-editorias-saude","xtt-pa-departamentos-ministerio-da-familia","xtt-pa-departamentos-saude","xtt-pa-projetos-quebrando-o-silencio","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-ars","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":false,"terms":{"editorial":"Comportamento","format":"Not\u00edcia"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/09\/setembroamarelo-290x220.jpg"}}