{"id":262673,"date":"2020-04-26T06:00:12","date_gmt":"2020-04-26T09:00:12","modified":"2025-01-09T13:09:16","modified_gmt":"2025-01-09T16:09:16","slug":"podemos-ainda-acreditar-na-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rodrigo.silva\/podemos-ainda-acreditar-na-biblia\/","title":{"rendered":"Podemos ainda acreditar na B\u00edblia?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"653\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-262675\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-140x90.jpg 140w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-768x502.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-70x45.jpg 70w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-132x85.jpg 132w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-400x260.jpg 400w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2020\/04\/manuscritosbiblicos-730x477.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Manuscritos antigos, um s\u00edmbolo de achados antigos comprovando a veracidade do relato b\u00edblico. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O famoso escritor russo Fiodor Dostoi\u00e9vski, autor de cl\u00e1ssicos como <em>Crime e Castigo<\/em> e <em>Os irm\u00e3os Karamavov<\/em>, escreveu algo muito interessante acerca de Deus. Enquanto muitos viam no sofrimento e nos problemas uma evid\u00eancia a favor do ate\u00edsmo, Dostoi\u00e9vski via aqui a pr\u00f3pria t\u00f4nica da exist\u00eancia divina. Ele dizia que \u201c\u00e9 l\u00f3gico que Deus existe, veja que nem as maiores trag\u00e9dias nos fizeram desistir dele\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>De fato, essa conclus\u00e3o do escritor russo se torna muito atual quando vemos que, apesar do mundo virar as costas para o sagrado, Deus ainda ocupa um grande espa\u00e7o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Para tristeza dos descrentes, a humanidade n\u00e3o consegue se ver livre da id\u00e9ia de Deus, est\u00e3o sempre falando a respeito dele, nem que seja para nega-lo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/adolfo-suarez\/a-biblia-a-fonte-autoritativa-de-nossa-teologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A B\u00edblia: a fonte autoritativa de nossa teologia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Alguns, \u00e9 claro, n\u00e3o pretendem negar diretamente a exist\u00eancia de Deus, mas acabam fazendo-o quando negam sua Palavra ou duvidam da hist\u00f3ria que ela apresenta. E \u00e9 justamente isso que temos visto no movimento cada vez mais crescente de produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias escritas por cientistas e acad\u00eamicos que simplesmente dizem n\u00e3o acreditar na historicidade da narrativa b\u00edblica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ceticismo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Um exemplo marcante vem dos professores Isra\u00ebl Finkelstein diretor do instituto de arqueologia da universidade de Tel Aviv e Neil Asher Silberman, um jornalista filiado ao Centro de Arqueologia P\u00fablica da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos escreveram um livro sobre arqueologia intitulado <em>A B\u00edblia desenterrada<\/em> que j\u00e1 foi publicado em v\u00e1rios idiomas, inclusive portugu\u00eas. Ali\u00e1s, \u00e9 curioso notar que no Brasil, o mesmo livro teve seu t\u00edtulo trocado por <em>E a B\u00edblia n\u00e3o tinha raz\u00e3o<\/em> \u2013 um nome bastante pretensioso, n\u00e3o acha?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, conforme a sugest\u00e3o do pr\u00f3prio t\u00edtulo em portugu\u00eas, o objetivo dos autores \u00e9 mostrar que suas pesquisas arqueol\u00f3gicas n\u00e3o confirmam em praticamente nada a hist\u00f3ria contada na palavra de Deus. Veja o que eles dizem:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO processo que temos descrito aqui \u00e9, de fato, o oposto do que encontramos na <a href=\"http:\/\/www.biblia.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">B\u00edblia<\/a>. O surgimento do antigo povo de Israel foi o resultado de um colapso da cultura canaanita e n\u00e3o o que a causou. A maior parte dos israelitas n\u00e3o veio de fora de Cana\u00e3. Eles emergiram de dentro desta terra. N\u00e3o houve nenhum \u00eaxodo em massa do Egito, nem uma conquista violenta de Cana\u00e3. A maior parte do povo que formou o antigo Israel eram moradores locais. Os israelitas primitivos eram \u2013 ironia das ironias \u2013 originariamente cananeus!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como voc\u00ea pode ver Finkelstein e Silberman negam que os principais eventos do Antigo Testamento tenham de fato ocorrido na hist\u00f3ria. Na opini\u00e3o desses dois especialistas, o \u00caxodo jamais existiu, n\u00e3o houve nenhuma conquista de Cana\u00e3 sob o comando de Josu\u00e9 e o reino unido administrado pelo rei Davi n\u00e3o passa de pura lenda. Ser\u00e1 isso verdade? Afinal, os que chegaram a essa conclus\u00e3o s\u00e3o dois respeitados pesquisadores. E, para agravar a situa\u00e7\u00e3o, devemos admitir que n\u00e3o possu\u00edamos ainda uma prova formal para muitas das hist\u00f3rias que a B\u00edblia apresenta. N\u00e3o temos, com base no que se encontrou at\u00e9 hoje, nenhuma evid\u00eancia hist\u00f3rica direta que confirme exist\u00eancia de Daniel em Babil\u00f4nia ou de Salom\u00e3o no pal\u00e1cio em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas espere um pouco! Essa n\u00e3o \u00e9 uma defici\u00eancia da B\u00edblia, mas de toda a hist\u00f3ria em geral. Afinal, grande parte do tesouro arqueol\u00f3gico das mais antigas civiliza\u00e7\u00f5es do passado encontra-se perdido e todo historiador sabe disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, voc\u00ea sabia que at\u00e9 mesmo as mais conhecidas fontes hist\u00f3ricas de Alexandre Magno s\u00e3o baseadas em documentos bastante tardios? N\u00e3o h\u00e1 nenhum registro do IV s\u00e9culo a.C. que confirme sua presen\u00e7a ou de seu ex\u00e9rcito na \u00cdndia ou, sequer, mencione sua exist\u00eancia e seus feitos. As mais antigas fontes da vida de Alexandre que conhecemos datam de 300 a 800 anos depois de sua morte. Al\u00e9m disso, muitas dessas fontes documentais s\u00e3o reconhecidamente mitol\u00f3gicas e n\u00e3o est\u00e3o preservadas nos manuscritos originais, mas em c\u00f3pias tardias posteriores ao II s\u00e9culo depois de Cristo. Por que, ent\u00e3o, dizer que Alexandre Magno \u00e9 um personagem hist\u00f3rico e Abra\u00e3o \u00e9 um mero mito?<\/p>\n\n\n\n<p>E tem mais! A despeito de n\u00e3o possuirmos em m\u00e3os artefatos suficientes para documentar cada epis\u00f3dio da B\u00edblia, n\u00f3s, tamb\u00e9m, n\u00e3o temos, por outro lado, qualquer prova absoluta que negue ou desminta os eventos b\u00edblicos. E isso \u00e9 um elemento muito importante para ser ignorado. Assim, lembrando que a maioria esmagadora dos artefatos antigos ainda est\u00e1 por ser descoberta, entendemos que, teses como a de Finkelstein e Silberman se baseiam grandemente no argumento do sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine, agora, que algu\u00e9m anunciasse na recep\u00e7\u00e3o de um hotel cinco estrelas que perdeu nas proximidades da piscina uma caneta Mont Blanc importada no valor de 2 mil d\u00f3lares. O fato de ningu\u00e9m encontrar a caneta n\u00e3o autoriza determinado funcion\u00e1rio a afirmar categoricamente que aquele h\u00f3spede mentiu e que nunca houve uma caneta Mont Blanc nas proximidades da piscina. Um empregado mais simples e desacostumado com a cultura do mundo empresarial poderia at\u00e9 supor com um outro colega que tudo n\u00e3o passa de um mito pois, afinal, quem daria 2 mil d\u00f3lares numa caneta?<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, o que parece imposs\u00edvel para a mente do funcion\u00e1rio simples seria algo perfeitamente comum para os executivos que est\u00e3o acostumados a usar canetas muito mais caras do que essa, de modo que e que \u00e9 perfeitamente normal que algu\u00e9m perca uma caneta t\u00e3o cara na piscina de um hotel cinco estrelas. Do mesmo modo, costumes \u201cestranhos\u201d do Oriente M\u00e9dio talvez firam o consenso moderno-ocidental a que estamos acostumados e nos faz comportar equivocadamente como o empregado simples do hotel achando que aquilo seria algo imposs\u00edvel de acontecer. Uma coisa n\u00e3o deve ser considerada mito apenas porque n\u00e3o faz parte de nosso dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos, tamb\u00e9m, nos lembrar que \u00e9 poss\u00edvel apresentar mil possibilidades para o sumi\u00e7o e n\u00e3o achado da caneta antes de apontar o h\u00f3spede como um mentiroso. Ela poderia simplesmente ter ca\u00eddo no quarto e por isso n\u00e3o foi encontrada na piscina pois todos a buscavam no lugar errado. Ou algu\u00e9m pode tamb\u00e9m t\u00ea-la encontrado e guardado para si ou vendido para outrem, e pode ainda acontecer que meses depois um funcion\u00e1rio esteja limpando as media\u00e7\u00f5es da mesma piscina e encontre a caneta evidenciando aquele curioso prov\u00e9rbio que diz: \u201ca melhor maneira de encontrar uma coisa, \u00e9 procurando outra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa alegoria da \u201ccaneta perdida\u201d ilustra o que se passa no mundo da arqueologia b\u00edblica. Alguns, como os funcion\u00e1rios incr\u00e9dulos do hotel, negam a vers\u00e3o do h\u00f3spede apenas porque n\u00e3o acharam o objeto que ele disse ter perdido. \u00c9 justamente assim que agem escritores como Silberman e Filkelstein.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Comprova\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Eles se esquecem que o pouco que j\u00e1 se encontrou nas escava\u00e7\u00f5es do Oriente M\u00e9dio confirma em muitos detalhes aquilo que a B\u00edblia apresenta. E isso j\u00e1 seria por demais suficiente. Por outro lado, tamb\u00e9m parecem desconhecer que j\u00e1 no passado houve outros autores c\u00e9ticos, como eles, que tiveram suas teses corrigidas com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles foi Charles C. Torrey, que em 1930 se destacava como um dos mais renomados professores da universidade de Yale, nos Estados Unidos. Eloquente em seu discurso e bastante dogm\u00e1tico em seus escritos, Torrey jogou um balde de \u00e1gua fria nos religiosos. Ele fez isso ao afirmar em um de seus livros que n\u00e3o acreditava absolutamente que houve um cativeiro dos judeus em babil\u00f4nia e um retorno sob o governo de Ciro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, essa hist\u00f3ria est\u00e1 muito bem documentada nos livros de Jeremias, Daniel e outras partes da B\u00edblia, mas Torrey insistia em dizer que tudo n\u00e3o passava de um mito.&nbsp; Pois n\u00e3o havia evid\u00eancia alguma da estada dos judeus na corte de Babil\u00f4nia ou at\u00e9 mesmo de um ataque dos babil\u00f4nios ao reino de Jud\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fosse hoje, a foto de Torrey estaria estampando v\u00e1rias revistas de circula\u00e7\u00e3o nacional que trariam como mat\u00e9ria de capa uma chamada mais ou menos assim: \u201cA B\u00edblia no banco dos r\u00e9us! \u2013 Especialista em arqueologia desmente a hist\u00f3ria b\u00edblica do cativeiro judeu\u201d. Com certeza, venderiam muitos exemplares, mas teriam de desmentir sua manchete pois, oito anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro de Torrey, o professor Ernst F. Weidner, especialista em paleografia da universidade de Berlim, terminou a tradu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tabletes cuneiformes encontrados no pal\u00e1cio real de Nabucodonosor. E, assim, confirmou n\u00e3o somente a presen\u00e7a de judeus cativos em Babil\u00f4nia, mas a exist\u00eancia hist\u00f3rica do ef\u00eamero rei Jeoaquim que havia sido levado para l\u00e1 juntamente com seus filhos por volta de 592 aC \u2013 o que est\u00e1 plenamente de acordo com o testemunho das escrituras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos tabletes cuneiformes decifrado por Weidner, em seu texto neo-babil\u00f4nico, diz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c... [um suprimento de comida deve ser dado a] Jeoaquim rei da terra de Jud\u00e1 e a seus cinco filhos tamb\u00e9m vindos de Jud\u00e1, e tamb\u00e9m aos ... judeus que est\u00e3o com eles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro conjunto de documentos cuneiformes chamado <em>Cr\u00f4nicas de Babil\u00f4nia<\/em> tamb\u00e9m foi traduzido na mesma ocasi\u00e3o e publicado por especialistas do museu Brit\u00e2nico. Um deles mencionava claramente o avan\u00e7o de Nabucodonosor sobre a Judeia, exatamente conforme o relato b\u00edblico:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo s\u00e9timo ano, ao m\u00eas de Kislimu, o rei de Babil\u00f4nia reuniu suas tropas e marchou para a regi\u00e3o da palestina. Ele acampou contra a capital de Jud\u00e1, Jerusal\u00e9m, e no segundo dia do m\u00eas de Addaru, a tomou, capturando o seu rei.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o p\u00fablico acad\u00eamico recebia surpreso a tradu\u00e7\u00e3o desses antigos textos, as escava\u00e7\u00f5es de Laquis, Debir e outras cidades da Jud\u00e9ia confirmavam o massivo ataque dos babil\u00f4nios durante os dias de Nabucodonosor. E o modo abandonado como essas cidades ficaram at\u00e9 ao fim do cativeiro. Tudo exatamente conforme o texto b\u00edblico e contr\u00e1rio \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es do renomado especialista de Yale.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que, no futuro, como aconteceu com Torrey, as teorias de Filkelstein e Silberman tenham de ser revistas. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio Finkelstein foi obrigado a admitir numa entrevista dada a Hershel Shanks, editor da Biblical Arqueology Review, que Davi e Salom\u00e3o\u2013 ao contr\u00e1rio do que diziam os cr\u00edticos anteriores \u2013 foram personagens real que realmente existiram na hist\u00f3ria. No caso de Davi, Finkelstein foi obrigado a admitir sua exist\u00eancia gra\u00e7as ao achado de uma pedra em 1993 nas escava\u00e7\u00f5es de Tel Dan, em Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A insist\u00eancia de alguns em negar o relato das Escrituras n\u00e3o deveria nos surpreender uma vez que a hist\u00f3ria passada sempre esteve repleta desse tipo rea\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 Palavra de Deus. Mas nada melhor que a pr\u00f3pria hist\u00f3ria para corrigi-los!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que evid\u00eancias hist\u00f3ricas importantes apontam em termos de confian\u00e7a na B\u00edblia. 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