{"id":243332,"date":"2019-07-16T20:34:42","date_gmt":"2019-07-16T23:34:42","modified":"2021-11-15T20:30:38","modified_gmt":"2021-11-15T23:30:38","slug":"daniel-2-o-ferro-e-o-barro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/isael.costa\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro\/","title":{"rendered":"Daniel 2: O ferro e o barro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_243334\" style=\"width: 1420px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-243334\" class=\"wp-image-243334 size-full\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro.jpg\" alt=\"\" width=\"1410\" height=\"788\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro.jpg 1410w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-768x429.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-730x408.jpg 730w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-60x35.jpg 60w\" sizes=\"(max-width: 1410px) 100vw, 1410px\" \/><p id=\"caption-attachment-243334\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua vista em sonho pelo rei Nabucodonosor (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ B\u00edblia F\u00e1cil)<\/p><\/div>\n<p>Embora haja variadas sugest\u00f5es para a interpreta\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua polimet\u00e1lica de Daniel 2, aquela que melhor se adequa \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es textuais continua sendo a tradicional proposta da sucess\u00e3o de reinos mundiais<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Ela tem sido atestada desde os pais apost\u00f3licos<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, bem como por escritos de origem judaica anteriores a eles, como \u00e9 o caso de Josefo, em Aniquites X. 208-10, e o pseudep\u00edgrafo conhecido como 4 Esdras, em 11:1-35; 12:1-30; (estimado como do primeiro s\u00e9culo D.C.), nos quais Roma \u00e9 sugerida como o quarto reino de Daniel 2.<\/p>\n<p>Neste artigo afirmamos a exposi\u00e7\u00e3o interpretativa tradicional de Daniel 2, na qual a hist\u00f3ria humana \u00e9 apresentada por meio de uma est\u00e1tua particionada em sequ\u00eancia met\u00e1lica com valores monet\u00e1rios decrescentes. E acrescendo-se, sendo grande e met\u00e1lica, portanto pesada, ela externa indiretamente a instabilidade de sua exist\u00eancia, visto estar estabelecida numa base fragilizada de barro misturado com ferro<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/isael-costa\/daniel-2-e-a-missao-de-deus-na-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daniel 2 e a miss\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/isael-costa\/a-natureza-da-profecia-biblica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A natureza da profecia b\u00edblica<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em outras palavras, essa \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria explicitamente espantosa e, de maneira impl\u00edcita, progressivamente escassa em seus valores econ\u00f4micos e fadada \u00e0 inseguran\u00e7a e ru\u00edna. Como j\u00e1 ressaltado, esta an\u00e1lise se vale da premissa tradicional da sucess\u00e3o de imp\u00e9rios mundiais quanto o cumprimento do sonho prof\u00e9tico de Daniel 2. Assim, tem-se a cabe\u00e7a em fino ouro para o imp\u00e9rio neo-babil\u00f4nico; o peitoral e bra\u00e7os em prata para os Medo-Persas; o quadril de bronze para a o imp\u00e9rio Greco-Maced\u00f4nico, e as pernas de ferro para Roma pag\u00e3, que posteriormente seria dividida conforme sugere os p\u00e9s e dedos em parte de ferro e barro<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>O ferro e barro romano<\/strong><\/p>\n<p>O elemento p\u00e9s e artelhos em mistura de ferro e barro constitui o objeto de nossa aten\u00e7\u00e3o no presente ensaio e nos posteriores. Qual seria o correspondente hist\u00f3rico para o elemento barro nos p\u00e9s e dedos da est\u00e1tua? O que seria esse elemento essencialmente diferente na est\u00e1tua que at\u00e9 ent\u00e3o era apenas de natureza met\u00e1lica? Como historicamente esse quarto reino se revelou forte e fraco? Qual o sentido da frustrada uni\u00e3o mediante semente humana do ferro e barro na hist\u00f3ria do quarto reino?<\/p>\n<p>A simples leitura do relato b\u00edblico revela que os reinos anteriores exerceram domina\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o se fragilizaram e ca\u00edram sem que nenhuma informa\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o de sua natureza fosse oferecida. Ou seja, ao ouro n\u00e3o se informou nenhum tipo de mistura, semelhantemente nenhuma para o bronze e a prata, o que sugere a natureza essencial de sua forma de governo n\u00e3o experimentou nenhuma not\u00f3ria altera\u00e7\u00e3o quando em sua eventual sucess\u00e3o no palco mundial.<\/p>\n<p>No entanto, ao descrever-se o quarto reino quando em sua fragiliza\u00e7\u00e3o, informa-se uma percept\u00edvel altera\u00e7\u00e3o em sua mat\u00e9ria, um novo elemento: o barro, que \u00e9 agregado ao ferro. Isto sugere que algo diferente do que at\u00e9 ent\u00e3o fora descrito na est\u00e1tua teria lugar especificamente no per\u00edodo do quarto reino, isto \u00e9, no per\u00edodo de Roma, algo necessariamente not\u00f3rio e de influ\u00eancia governamental, visto ser essa a \u00eanfase do conte\u00fado como um todo.<\/p>\n<p>E, ainda, algo que permaneceria at\u00e9 o final dos tempos, quando o reino de Deus destr\u00f3i a est\u00e1tua desde os p\u00e9s e se estabelece para sempre. Em face dessas reivindica\u00e7\u00f5es textuais, nenhum outro elemento se apresenta mais adequadamente \u00e0 hist\u00f3ria de Roma do que o cristianismo que neste reino se tornaria a religi\u00e3o oficial, a Igreja Romana<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>No centro do poder<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 fato que o cristianismo, principalmente a partir de Constantino, vai sensitivamente se tornando uma nova influ\u00eancia governamental no imp\u00e9rio Romano, realidade que atinge seu amadurecimento no papado medieval, influ\u00eancia nunca vista at\u00e9 ent\u00e3o na hist\u00f3ria. Isto implica necessariamente que a hist\u00f3ria de Roma sem a presen\u00e7a do cristianismo papal \u00e9 descrita pela representa\u00e7\u00e3o met\u00e1lica do ferro, e por sua vez, a representa\u00e7\u00e3o do ferro em mistura com o barro corresponde \u00e0 hist\u00f3ria de Roma em presen\u00e7a e eventual influ\u00eancia do papado nela.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, razo\u00e1vel concluir que Roma dividida a partir de 476 D.C. e sobe influ\u00eancia do que mais tarde seria o papado, estabele\u00e7a uma correspond\u00eancia ao barro nos p\u00e9s da est\u00e1tua<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Essa Roma modificada, isto \u00e9, Roma no per\u00edodo papal, seria marcada por ocasi\u00f5es de for\u00e7a e instabilidades.<\/p>\n<p>Que a coexist\u00eancia ferro e barro seja uma refer\u00eancia \u00e0 historia sob a presen\u00e7a do papado fica claro ao equiparar-se esse cap\u00edtulo com a passagem paralela de Daniel 7, em que o conte\u00fado de Daniel 2 \u00e9 simetricamente repetido e ampliado. Assim como a mistura ferro e barro \u00e9 algo diferente na est\u00e1tua met\u00e1lica, no quarto animal de Daniel 7 uma ponta pequena se destacaria sob as demais, derrubaria tr\u00eas, seria de natureza diferente das outras e exerceria domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_243333\" style=\"width: 1323px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-243333\" class=\"wp-image-243333 size-full\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201249\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro2.jpg\" alt=\"\" width=\"1313\" height=\"788\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201249\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro2.jpg 1313w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201249\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro2-768x461.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201249\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro2-730x438.jpg 730w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201249\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro2-60x35.jpg 60w\" sizes=\"(max-width: 1313px) 100vw, 1313px\" \/><p id=\"caption-attachment-243333\" class=\"wp-caption-text\">Os p\u00e9s da est\u00e1tua s\u00e3o uma mistura de ferro e barro (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ B\u00edblia F\u00e1cil)<\/p><\/div>\n<p>Consequentemente, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar que Roma papal seria n\u00e3o apenas o barro, mas a combina\u00e7\u00e3o ferro e barro. Ela manifestaria influ\u00eancia de poder pol\u00edtico nalgumas ocasi\u00f5es, poder transmitido a ela mas n\u00e3o originariamente dela. Este \u00e9 um fator claramente indicado noutras passagens b\u00edblicas referentes ao papado:<\/p>\n<p>\u201cGrande \u00e9 o seu poder, <em>mas n\u00e3o por sua pr\u00f3pria for\u00e7a<\/em>; causar\u00e1 estupendas destrui\u00e7\u00f5es, prosperar\u00e1 e far\u00e1 o que lhe aprouver; destruir\u00e1 os poderosos e o povo santo\u201d (Daniel 8:24).<\/p>\n<p>\u201cA besta que vi era semelhante a leopardo,com p\u00e9s como de urso e boca como de le\u00e3o. <em>E deu-lhe o drag\u00e3o o seu poder, o seu trono e grande autoridade<\/em>\u201d (Apocalipse 13:2).<\/p>\n<p>\u201cT\u00eam estes um s\u00f3 pensamento <em>e oferecem <\/em><em>\u00e0 <\/em><em>besta o poder e a autoridade que possuem<\/em>\u201d (Apocalipse 17:13).<\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica f\u00e9rrea de Roma papal, uma autoridade sempre promovida e derivada de outros, v\u00ea-se tamb\u00e9m quando na recupera\u00e7\u00e3o de sua ferida mortal em Apocalipse 13, ocasi\u00e3o em que a besta que sobe da terra com imposi\u00e7\u00e3o civil (Apocalipse 13:15) promove a restaura\u00e7\u00e3o do papado.<\/p>\n<p>Portanto, a religi\u00e3o crist\u00e3 enquanto papado atuando de m\u00e3os dadas com o poder imperial de Roma \u00e9 descrita em Daniel 2 na figura de uma mistura inst\u00e1vel de ferro e barro, e este fen\u00f4meno, a mistura ferro e barro, ora manifestaria for\u00e7a, ora fraqueza. Deste modo, a linguagem do casamento entre o ferro e o barro (tema a ser continuado nos pr\u00f3ximos ensaios) constitui o que o texto prof\u00e9tico afirma que redundaria do recebimento da religi\u00e3o crist\u00e3 no imp\u00e9rio Romano. Esse fato \u00e9 refletido a partir de Constantino e ao longo de toda a Idade M\u00e9dia na influente figura de Roma papal.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Holbrook, Frank B.\u00a0<strong><em>Symposium on Daniel<\/em><\/strong>: Introd. and Exeget. Studies. 1986.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Irineu, Against.\u00a0<strong>Heresias<\/strong><em>, <\/em>livro 5, cap. 26, em ANF, 1:553-55<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Baldwin, Joyce G.\u00a0<strong>Daniel: introduc\u0327a\u0303o e coment\u00e1rio<\/strong>. Sa\u0303o Paulo: Sociedade Religiosa Edic\u0327o\u0303es Vida Nova, 1983.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Alomi\u0301a Bartra, Merling K.\u00a0<em><strong>Daniel: el profeta mesia\u0301nico<\/strong><\/em>. 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Diestre Gil, Antoli\u0301n.\u00a0<em><strong>El sentido de la historia y la palabra profe\u0301tica<\/strong><\/em>. Terrassa, Barcelona: Clie, 1995.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Doukhan, Jacques.\u00a0<em><strong>Secrets of Daniel<\/strong><\/em>: Wisdom and Dreams of a Jewish Prince in Exile. Hagerstown, MD: Review and Herald Pub. Association, 2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que esses elementos representam na profecia b\u00edblica e que li\u00e7\u00f5es podem ser extra\u00eddas a partir disso?<\/p>\n","protected":false},"author":303,"featured_media":243334,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-243332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia"],"acf":false,"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-768x429.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/07\/16201257\/daniel-2-o-ferro-e-o-barro-290x220.jpg"}}