{"id":241729,"date":"2019-06-21T05:00:53","date_gmt":"2019-06-21T08:00:53","modified":"2023-11-20T09:20:28","modified_gmt":"2023-11-20T12:20:28","slug":"a-centralidade-de-cristo-e-a-interpretacao-de-apocalipse-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/a-centralidade-de-cristo-e-a-interpretacao-de-apocalipse-17\/","title":{"rendered":"A centralidade de Cristo e a interpreta\u00e7\u00e3o de Apocalipse 17"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_241834\" style=\"width: 949px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-241834\" class=\" wp-image-241834\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation.jpg\" alt=\"\" width=\"939\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/18080127\/bibliarevelation-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 939px) 100vw, 939px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-241834\" class=\"wp-caption-text\">O estudo mais profundo da B\u00edblia pode levar \u00e0 compreens\u00e3o correta de cap\u00edtulos como o 17 de Apocalipse. (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>Um dos maiores desafios na interpreta\u00e7\u00e3o das profecias b\u00edblicas est\u00e1 relacionado a Apocalipse 17:9 a 11:<\/p>\n<p>\u201cAqui est\u00e1 o sentido, que tem sabedoria: as sete cabe\u00e7as s\u00e3o sete montes, nos quais a mulher est\u00e1 sentada. S\u00e3o tamb\u00e9m sete reis, dos quais ca\u00edram cinco, um existe, e o outro ainda n\u00e3o chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e n\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m \u00e9 ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destrui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 complexidade dos s\u00edmbolos aqui descritos, t\u00eam surgido interpreta\u00e7\u00f5es pol\u00eamicas sobre essa passagem. Algumas controv\u00e9rsias t\u00eam confundido os interessados em encontrar uma explica\u00e7\u00e3o do texto fundamentada nas Escrituras.<\/p>\n<p>Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o definitiva sobre o texto. Contudo, por meio de um exame cuidadoso da B\u00edblia, sabemos o que os s\u00edmbolos dessa profecia n\u00e3o podem significar e, assim, temos condi\u00e7\u00f5es de descartar as interpreta\u00e7\u00f5es alarmistas e equivocadas aplicando uma hermen\u00eautica correta \u00e0 profecia.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rafael-rossi\/quem-e-o-anticristo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quem \u00e9 o anticristo?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Neste artigo temos tr\u00eas objetivos. Em primeiro lugar, mostrar a inconsist\u00eancia e descartar uma interpreta\u00e7\u00e3o de Apocalipse 17 que insiste em se perpetuar em alguns setores do adventismo. Depois, mostrar as op\u00e7\u00f5es interpretativas para o cap\u00edtulo na compreens\u00e3o de te\u00f3logos adventistas estudiosos do tema. Por fim, apresentar qual deve ser o foco principal no estudo dessa profecia, em particular, e do livro do Apocalipse, independentemente das discuss\u00f5es relacionadas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de suas partes mais enigm\u00e1ticas.<\/p>\n<div id=\"attachment_241730\" style=\"width: 1057px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-241730\" class=\" wp-image-241730\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19.png\" alt=\"\" width=\"1047\" height=\"1083\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19.png 1696w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19-768x794.png 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19-40x40.png 40w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17104953\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.49.19-730x755.png 730w\" sizes=\"(max-width: 1047px) 100vw, 1047px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-241730\" class=\"wp-caption-text\">Tabela com interpreta\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas de Apocalipse 17. Parte 1. Adapta\u00e7\u00e3o da Revista Minist\u00e9rio Jul-Set\/2019<\/p><\/div>\n<h4><\/h4>\n<div id=\"attachment_241731\" style=\"width: 1087px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17105152\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.51.32.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-241731\" class=\" wp-image-241731\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17105152\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.51.32.png\" alt=\"\" width=\"1077\" height=\"754\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17105152\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.51.32.png 2512w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17105152\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.51.32-768x538.png 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/06\/17105152\/Captura-de-Tela-2019-06-17-a%CC%80s-10.51.32-730x511.png 730w\" sizes=\"(max-width: 1077px) 100vw, 1077px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-241731\" class=\"wp-caption-text\">Tabela com interpreta\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas de Apocalipse 17. Parte 1. Adapta\u00e7\u00e3o da Revista Minist\u00e9rio Jul-Set\/2019<\/p><\/div>\n<h4>A teoria dos sete papas<\/h4>\n<p>Tem circulado no meio adventista uma interpreta\u00e7\u00e3o de Apocalipse 17 conhecida como \u201cteoria dos sete papas\u201d. Ela prop\u00f5e que as sete cabe\u00e7as da besta escarlate sejam as sete colinas de Roma, pelas quais a cidade \u00e9 famosa. Essa suposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prop\u00f5e que, a partir do estabeleci- mento do Estado do Vaticano, mediante o Tratado de Latr\u00e3o, assegurou-se \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica independ\u00eancia, autoridade civil e pol\u00edtica, dando in\u00edcio, assim, ao tempo do fim, \u00e0 cura da ferida mortal e ao retorno do papado como poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A teoria sugere que, a partir de 1929, surgiriam sete pont\u00edfices que governariam sucessivamente at\u00e9 a segunda vinda de Cristo. Logo, Bento XVI seria o s\u00e9timo papa eleito, que deveria durar pouco tempo, e seu sucessor, Francisco, o oitavo, que governaria at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>Avaliando essa explica\u00e7\u00e3o \u00e0 luz do historicismo &nbsp;se verifica que a teoria faz uma esp\u00e9cie de fus\u00e3o entre os m\u00e9todos de interpreta\u00e7\u00e3o historicista e futurista, inclinando-se mais em dire\u00e7\u00e3o a uma exposi\u00e7\u00e3o sensacionalista e dispensacionalista do que propriamente b\u00edblica. O que encontramos na \u201cteoria dos sete papas\u201d \u00e9 um problema hermen\u00eautico s\u00e9rio. As Escrituras apontam para o historicismo como o m\u00e9todo b\u00edblico para a interpreta\u00e7\u00e3o das profecias. Esse m\u00e9todo foi utilizado pelo pr\u00f3prio Cristo e pelos profetas b\u00edblicos, que viam o cumprimento das profecias ao longo da hist\u00f3ria e n\u00e3o somente com foco em um tempo futuro (Daniel 2:31-45; 9:2; Mateus 17:12,&nbsp; 13;&nbsp; 24:15;&nbsp; Marcos&nbsp; 1:2-4;&nbsp; 13:14; Lucas 21:20; 24:27).<\/p>\n<p>A profecia de Apocalipse 17 descreve uma meretriz montada em uma besta escarlate com sete cabe\u00e7as e dez chifres (Apocalipse 17:7), sendo essas sete cabe\u00e7as tamb\u00e9m sete montes e sete reis (Apocalipse 17:9). Os setes montes, onde a mulher est\u00e1 assentada, n\u00e3o podem ser vistos como as sete colinas de Roma, pois a palavra&nbsp; grega para \u201cmonte\u201d \u00e9 <em>\u00f3ros<\/em> que significa \u201cmonte ou montanha\", e n\u00e3o colina.<\/p>\n<p>Biblicamente, \"monte\" \u00e9 s\u00edmbolo de reinos e imp\u00e9rios (Salmo 48:2; Isa\u00edas 2:2,3; Jeremias 17:3; 31:23; Ezequiel 17:22,23; 36:1-5; Daniel 2:34,35; Zacarias 4:7).&nbsp; Kenneth Strand&nbsp;explica que, quando \u201cprocuramos pelo uso&nbsp;escritur\u00edstico do voc\u00e1bulo \u2018montanha\u2019 nos&nbsp;casos em que a palavra \u00e9 empregada como&nbsp;um s\u00edmbolo [\u2026] nunca encontramos \u2018montanha\u2019&nbsp;usada para simbolizar um monarca&nbsp;ou governante individual. Em vez disso, a&nbsp;encontramos sendo usada como s\u00edmbolo&nbsp;para uma na\u00e7\u00e3o ou imp\u00e9rio.\u201d<\/p>\n<p>Portanto, \u201csete cabe\u00e7as\u201d, \u201csete montes\u201d e \u201csete reis\u201d s\u00e3o termos intercambi\u00e1veis que simbolizam as mesmas entidades, isto \u00e9, imp\u00e9rios\/reinos. Tomando como base o m\u00e9todo historicista e a perspectiva temporal do profeta Jo\u00e3o, no primeiro s\u00e9culo d.C., cinco desses imp\u00e9rios\/reinos j\u00e1 haviam ca\u00eddo, um existia, e o outro ainda estava por vir (Apocalipse 17:10).<\/p>\n<p>A \u201cteoria dos sete papas\u201d aponta para Bento XVI como o s\u00e9timo pelo fato de ele ter renunciado e seu pontificado ter durado pouco (quase oito anos). Contudo, essa interpreta\u00e7\u00e3o ignora o tempo de pontificado ainda menor de Jo\u00e3o Paulo I, que durou apenas 34 dias, em 1978. A ideia de que o s\u00e9timo rei (Roma papal) deveria durar \u201cpouco tempo\u201d (Apocalipse 17:10) vem do termo grego <em>ol\u00edgon<\/em> que, segundo Vanderlei Dorneles, \u201cpode ser entendido da perspectiva da garantia da vit\u00f3ria dos fi\u00e9is de Deus alcan\u00e7ada na cruz e n\u00e3o do ponto de vista do tempo cronol\u00f3gico\u201d.8&nbsp; Assim, a express\u00e3o \u201cpouco tempo\u201d teria uma conota\u00e7\u00e3o mais qualitativa do que quantitativa. Por exemplo, ela \u00e9 usada em Apocalipse 12:12, texto onde \u00e9 declarado que, ap\u00f3s a cruz, o diabo sabia que \u201cpouco tempo\u201d (<em>ol\u00edgon kair\u00f3n<\/em>) lhe restava. Entretanto, para se referir ao per\u00edodo ap\u00f3s os mil anos, quando Satan\u00e1s ser\u00e1 solto por \u201cpouco tempo\u201d, o profeta usou a express\u00e3o <em>mikr\u00f3n kr\u00f3non<\/em> (Apocalipse 20:3), indicando um per\u00edodo de tempo quantitativamente curto.<\/p>\n<h4>Interpreta\u00e7\u00f5es historicistas<\/h4>\n<p>Uma vez que a \u201cteoria dos sete papas\u201d \u00e9 exeg\u00e9tica e historicamente incompat\u00edvel com o texto b\u00edblico, quais outras alternativas temos para explicar Apocalipse 17? O quadro acima apresenta as principais interpreta\u00e7\u00f5es adventistas. Podemos verificar algumas diferen\u00e7as de opini\u00e3o entre os autores com respeito \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o dos oito reis\/montes\/cabe\u00e7as. Contudo, todos eles est\u00e3o de acordo com o m\u00e9todo historicista de interpreta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel visualizar tr\u00eas grandes divis\u00f5es no quadro. Temos uma interpreta\u00e7\u00e3o pioneira postulada por Uriah Smith e, depois, o surgimento de uma interpreta\u00e7\u00e3o fortemente ligada \u00e0 compreens\u00e3o de que a vis\u00e3o de Apocalipse 17 tem como foco o tempo do fim e, portanto, descreve a cura da ferida mortal da besta do mar de Apocalipse 13.<\/p>\n<p>Assim, C. Mervyn Maxwell, Hans K. LaRondelle e Jacques Doukhan iniciam a identifica\u00e7\u00e3o das cabe\u00e7as\/montes\/reis com o Imp\u00e9rio Babil\u00f4nico e, consequentemente, excluem Egito e Ass\u00edria de sua interpreta\u00e7\u00e3o. A \u00faltima divis\u00e3o s\u00e3o os int\u00e9rpretes contempor\u00e2neos que entendem que a explica\u00e7\u00e3o deve ter como refer\u00eancia o tempo do profeta Jo\u00e3o. No entanto, o que une todos esses int\u00e9rpretes \u00e9 que as cabe\u00e7as\/ montes\/reis s\u00e3o reinos consecutivos, seja iniciando por Babil\u00f4nia ou pelo Egito.<\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel que a interpreta\u00e7\u00e3o de Uriah Smith destoa das demais, uma vez que ele identificou os s\u00edmbolos como as formas de governo romano ao longo da hist\u00f3ria. Essa sugest\u00e3o parece ser compat\u00edvel com o m\u00e9todo historicista, uma vez que ela \u00e9 caracterizada pelo cumprimento dos s\u00edmbolos prof\u00e9ticos ao longo do tempo. Entretanto, ela n\u00e3o \u00e9 a melhor maneira de interpretar essa profecia.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o historicista que identifica as cabe\u00e7as da besta como \u201creinos\u201d \u00e9 mais biblicamente consistente do que a interpreta\u00e7\u00e3o que apela para as formas de governo romano. Isso porque a B\u00edblia sistematicamente identifica reinos espec\u00edficos, e n\u00e3o formas de governo, em suas profecias.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de Jo\u00e3o, os cinco primeiros reinos\/poderes j\u00e1 haviam passado. O profeta viveu no tempo do sexto rei (Roma imperial). Portanto, o s\u00e9timo e o oitavo se encontravam ainda no futuro, a partir de sua perspectiva hist\u00f3rica. Praticamente todos os estudiosos citados no quadro compreendem o s\u00e9timo rei como sendo Roma papal, exceto Uriah Smith. Para ele, o s\u00e9timo rei n\u00e3o deveria ser Roma papal, pois esse continuou por muito mais tempo que os anteriores juntos. Depois de Roma imperial, para Smith, houve um governo que durou 60 anos em Roma, sob o t\u00edtulo de <em>Exarca de Ravena<\/em>.<\/p>\n<p>Analisando os quadros acima, parece claro que os autores divergem entre si mais acentuadamente quanto \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do oitavo rei. Essas diferen\u00e7as na interpreta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica podem ser explicadas considerando que o aparecimento do oitavo rei \u00e9 um evento escatol\u00f3gico que ainda n\u00e3o se cumpriu. No momento em que as profecias descritas em<\/p>\n<p>Apocalipse 15:1 a 18:24 come\u00e7arem a se cumprir, compreenderemos de maneira plena o significado de Apocalipse 17.<\/p>\n<h4>O centro da profecia<\/h4>\n<p>Embora muito estudo tenha sido dedicado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da besta escarlate de Apocalipse 17, corremos perigo de perder o foco se a an\u00e1lise desse cap\u00edtulo se encerrar simplesmente com a informa\u00e7\u00e3o de quem s\u00e3o os poderes representados pela profecia.<\/p>\n<p>O Apocalipse come\u00e7a com a declara\u00e7\u00e3o: \u201cRevela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u201d (Apocalipse 1:1). Ele \u00e9 tanto o conte\u00fado quanto a fonte das revela\u00e7\u00f5es de todo o livro. Assim, apesar de seu conte\u00fado relevante quanto aos eventos futuros, Apocalipse 17 foi dado para que tiv\u00e9ssemos seguran\u00e7a em Jesus em meio aos acontecimentos finais. Apocalipse 17:12 a 14 descreve de maneira concisa o desfecho da batalha do Armagedom (Apocalipse 16:12-16), tema ampliado na descri\u00e7\u00e3o da vinda de Jesus em Apocalipse 19:11 a 21.<\/p>\n<p>Conforme proposto por Ranko Stefanovic, Apocalipse 16:19 \u00e9 uma passagem-trampolim que encerra a s\u00e9rie das sete pragas e introduz o ju\u00edzo sobre a Babil\u00f4nia m\u00edstica dos \u00faltimos dias. Portanto, Apocalipse 17 e 18 apresentam uma explica\u00e7\u00e3o de como acontecer\u00e1 a puni\u00e7\u00e3o de Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p>As descri\u00e7\u00f5es da meretriz e da besta de Apocalipse 17 n\u00e3o foram dadas para deslumbrar o estudante da profecia, mas para mostrar o verdadeiro car\u00e1ter e a impot\u00eancia dessas entidades diante do Salvador. Primeiro, o anjo informou a Jo\u00e3o que a meretriz ser\u00e1 julgada (Apocalipse 17:1). Ela \u00e9 retratada como um poder perseguidor (Apocalipse 17:6). Al\u00e9m disso, a besta \u00e9 um poder que se op\u00f5e a Deus. Jo\u00e3o a descreveu como uma par\u00f3dia\/contrafa\u00e7\u00e3o (comparar Apocaipse 1:4, 8 com 17:8). Mas essa descri\u00e7\u00e3o \u00e9 ir\u00f4nica: a besta parece ser, mas n\u00e3o \u00e9. Por fim, os reis da Terra se unem \u00e0 besta e \u00e0 meretriz para guerrear contra o Cordeiro, mas Ele as vence, porque \u00e9 verdadeiramente \u201co Senhor dos senhores e Rei dos reis\u201d (Apocalipse 17:14).<\/p>\n<p>Assim, o foco central de Apocalipse 15 a 18:24 n\u00e3o est\u00e1 no drag\u00e3o, na besta de sete cabe\u00e7as e dez chifres, na meretriz embriagada, no falso profeta nem nos tr\u00eas esp\u00edritos imundos semelhantes a r\u00e3s (Apocalipse 16:13; 17:6, 7), mas em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o grande Vencedor. Por causa de Seu sacrif\u00edcio, Ele vencer\u00e1 os poderes contra os quais Seus s\u00faditos n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima chance de vit\u00f3ria. Apocalipse 17:14 deixa claro que \u00e9 do Cordeiro a vit\u00f3ria sobre o sistema pol\u00edtico-religioso opressor e rebelde dos \u00faltimos dias. Os \u201cchamados, escolhidos e fi\u00e9is\u201d vencem unicamente porque est\u00e3o \u201ccom Ele\u201d (em grego, <em>met\u2019 autou<\/em>). A chave para a vit\u00f3ria do povo de Deus nos dias em que uma coaliz\u00e3o pol\u00edtico- religiosa tentar\u00e1 enganar o mundo \u00e9 estar com o Cordeiro. Nas palavras de Hans K. LaRondelle, \u201cApocalipse 17 deve ser considerado uma das mais importantes vis\u00f5es de encorajamento para o povo de Deus no tempo do fim\u201d.<\/p>\n<h4>Conclus\u00e3o<\/h4>\n<p>Conforme a instru\u00e7\u00e3o do anjo, a interpreta\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos de Apocalipse 17 requer \u201cmente s\u00e1bia\u201d (Apocalipse 17:1, vers\u00e3o NVI). A \u201cteoria dos sete papas\u201d tira o foco de Cristo e o coloca sobre os poderes terrenos, criando agita\u00e7\u00e3o e alarmismo incompat\u00edveis com a f\u00e9 b\u00edblica. Apesar de haver diverg\u00eancias entre os int\u00e9rpretes adventistas sobre a identifica\u00e7\u00e3o do s\u00e9timo e oitavo rei\/monte\/cabe\u00e7a da profecia, permanece o fato de que eles se valem do m\u00e9todo historicista de interpreta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica para compreender a mensagem de Deus.<\/p>\n<p>Qualquer interpreta\u00e7\u00e3o de Apocalipse 17 que n\u00e3o se centralize em Jesus nem em Sua Palavra erra o alvo. Uma compreens\u00e3o equivocada da profecia pode levar as pessoas a se concentrarem nos tempos dif\u00edceis que se aproximam e n\u00e3o no Cordeiro que j\u00e1 nos assegurou a vit\u00f3ria final. Precisamos colocar Cristo de volta ao centro da interpreta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, para que a profecia cumpra seu papel de consolar e animar os santos nos \u00faltimos momentos da hist\u00f3ria terrestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Refer\u00eancias:<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><em>1 Jos\u00e9 Carlos Ramos, A Mensagem de Deus: Como entender as profecias b\u00edblicas (Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 18-36.<\/em><\/p>\n<p><em>2&nbsp; Jon Paulien, Parousia 4 (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2016), p. 11-79; Reimar Vetne, ibid., p.<\/em><\/p>\n<p><em>81-120.<\/em><\/p>\n<p><em>3&nbsp; Johannes P. Louw e Eugene A. Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on semantic domains (Nova York: United Bible Societies, 1996).<\/em><\/p>\n<p><em>4&nbsp; Kenneth A. Strand, \u201cThe seven heads: Do they represent Roman emperors?\u201d, Symposium on Revelation: Exegetical and general studies, DARCOM, (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), v. 7 , p. 186.<\/em><\/p>\n<p><em>5&nbsp; Francis Nichol (ed.), Coment\u00e1rio B\u00edblico Adventista do S\u00e9timo Dia (Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira,<\/em><\/p>\n<p><em>2011-2014), v. 7, p. 796.<\/em><\/p>\n<p><em>6&nbsp; Vanderlei Dorneles, \u201cO oitavo imp\u00e9rio\u201d, Minist\u00e9rio, mai\/jun 2013, p. 29; Ranko Stefanovic, \u201cA besta de sete cabe\u00e7as\u201d, Minist\u00e9rio, mar\/abr 2014, p. 24.<\/em><\/p>\n<p><em>7&nbsp; John-Peter Pham, Heirs of the Fisherman: Behind the scenes of papal death and succession (Nova York, Oxford University Press, 2004), p. 188.<\/em><\/p>\n<p><em>8&nbsp; Dorneles, \u201cO oitavo imp\u00e9rio\u201d, p. 29.<\/em><\/p>\n<p><em>9&nbsp; Usamos aqui o mesmo m\u00e9todo comparativo utilizado por \u00c1ngel Manuel Rodriguez, \u201cAs sete trombetas do Apocalipse\u201d, Minist\u00e9rio, mai\/jun 2012, p. 17-20.<\/em><\/p>\n<p><em>10&nbsp; Uriah Smith, Thoughts, Critical and Practical, on the Book of Daniel and the Revelation: Being and exposition, text by text, of these important<\/em><\/p>\n<p><em>portions of the Holy Scriptures (Battle Creek, MI: Review and Herald, 1882), p. 747-753.<\/em><\/p>\n<p><em>11&nbsp; C. Mervyn Maxwell, Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse, 3\u00aa ed. <\/em><em>(Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002), p. 490-498.<\/em><\/p>\n<p><em>12&nbsp; Hans K. LaRondelle, How to Understand the End- Time Prophecies of the Bible: A Biblical-contextual approach (Bradenton: First Impressions, 2007),&nbsp;<\/em><em>274-288.<\/em><\/p>\n<p><em>13&nbsp; Jacques B. Doukhan, Secrets of Revelation: The Apocalypse through Hebrew eyes (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2002), p. 160-165.<\/em><\/p>\n<p><em>14&nbsp; Ekkehardt Mueller, \u201cA besta de Apocalipse 17: Uma sugest\u00e3o\u201d, Parousia 4 (2005), p. 31-41.<\/em><\/p>\n<p><em>15&nbsp; Jon Paulien, Armageddon at the Door: An insider\u2019s guide to the book of Revelation (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2008), p. 204-223.<\/em><\/p>\n<p><em>16&nbsp; Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ: A commentary on the book of Revelation, 2\u00aa ed. <\/em><em>(Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009), p. 511-531; O Apocalipse de Jo\u00e3o: Desvendando o \u00faltimo livro da B\u00edblia (Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018), p. 97-104.<\/em><\/p>\n<p><em>17&nbsp; Dorneles, \u201cO oitavo imp\u00e9rio\u201d, p. 27-30; \u201cO oitavo imp\u00e9rio: Novas hip\u00f3teses para os s\u00edmbolos de Apocalipse 17\u201d, Kerygma 9 (2) (2013), p. 27-44.<\/em><\/p>\n<p><em>18&nbsp; Stefanovic, Revelation of Jesus Christ, p. 511.<\/em><\/p>\n<p><em>19&nbsp; LaRondelle, How to Understand the End-Time<\/em><\/p>\n<p><em>Prophecies of the Bible, p. 285.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Clacir Virmes J\u00fanior, doutorando em Teologia, \u00e9 professor da Faculdade Adventista da Bahia.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Jo\u00e3o Renato Alves da Silva, p\u00f3s-graduando em Teologia B\u00edblica, \u00e9 pastor em Cuiab\u00e1, Mato Grosso.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o da Revista Minist\u00e9rio (Julho-Setembro\/2019).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que simbolizam os montes e reis de Apocalipse 17? 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