{"id":238587,"date":"2019-05-10T15:50:23","date_gmt":"2019-05-10T17:50:23","modified":"2022-04-21T21:18:12","modified_gmt":"2022-04-22T00:18:12","slug":"o-que-precisamos-entender-sobre-traducoes-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/o-que-precisamos-entender-sobre-traducoes-da-biblia\/","title":{"rendered":"O que precisamos entender sobre tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_238594\" style=\"width: 946px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-238594\" class=\" wp-image-238594\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto.jpg\" alt=\"\" width=\"936\" height=\"624\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-238594\" class=\"wp-caption-text\">Manuscritos do Mar Morto da caverna de Qumram. O que se tem hoje s\u00e3o vers\u00f5es a partir de c\u00f3pias dos manuscritos (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>Ao escolher uma ou v\u00e1rias vers\u00f5es da B\u00edblia, sempre se deve lembrar de que elas n\u00e3o foram escritas em portugu\u00eas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e, em alguns casos espec\u00edficos, em aramaico (ex.: Daniel 2:4-7:28). O Novo Testamento, por outro lado, foi escrito em grego <em>koin\u00e9<\/em> ou helen\u00edstico, que \u00e9 diferente do moderno e do cl\u00e1ssico em muitos aspectos. Isso significa que aquilo que lemos periodicamente e, em especial na igreja, \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Este artigo oferece dois conselhos que todo leitor poderia considerar ao ler ou estudar uma ou mais vers\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/biblia\/nova-versao-da-biblia-em-portugues-e-primeira-revisao-profunda-em-60-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nova vers\u00e3o da B\u00edblia \u00e9 a primeira profunda em 60 anos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rodrigo-silva\/podemos-confiar-na-biblia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Podemos confiar na B\u00edblia?&nbsp;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Escolha a tradu\u00e7\u00e3o correta<\/strong><\/h4>\n<p>Fundamentando-se na metodologia usada, basicamente h\u00e1 duas classes de tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Estas s\u00e3o: <strong>equival\u00eancia formal<\/strong> e <strong>equival\u00eancia din\u00e2mica<\/strong>.<\/p>\n<p>Equival\u00eancia formal - Uma tradu\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia formal adota, na medida do poss\u00edvel, a estrutura gramatical da l\u00edngua original e procura respeitar o uso l\u00e9xico e sint\u00e1tico do texto traduzido.<\/p>\n<p>Exemplo: Na ora\u00e7\u00e3o em hebraico, aparece primeiro o verbo e depois o sujeito. A tradu\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia formal prop\u00f5e seguir o mesmo padr\u00e3o para apresentar o texto b\u00edblico de forma literal.<\/p>\n<p>Equival\u00eancia din\u00e2mica - O modelo da equival\u00eancia din\u00e2mica, por outro lado, prop\u00f5e traduzir as l\u00ednguas do texto b\u00edblico de acordo com seu significado essencial, independentemente de se a ordem das palavras mudar, ou se um adjetivo for transformado em substantivo.<\/p>\n<p>O significado dos voc\u00e1bulos, conforme a proposta, funciona na base do prop\u00f3sito que eles, contextualmente, buscam, selecionando termos que re\u00fanam sentido semelhante e n\u00e3o necessariamente a locu\u00e7\u00e3o original. De acordo com essa interpreta\u00e7\u00e3o, o importante para essa perspectiva \u00e9 adaptar a Palavra de Deus \u00e0 linguagem, tempo, lugar e cultura do leitor moderno, zelando para que a mensagem b\u00edblica adquira um sentido atual e pertinente.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que, tanto a tradu\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia formal quanto a din\u00e2mica t\u00eam limita\u00e7\u00f5es. Apesar do objetivo \u00edntegro da primeira, e sem d\u00favida louv\u00e1vel, a perspectiva formal ignora o fato de que nenhuma tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 estritamente literal. Aqueles que acreditam que para entender ou aprender um idioma o falante deve traduzir literalmente de sua l\u00edngua materna para que os demais possam entender, est\u00e3o equivocados.<\/p>\n<p>Toda pessoa que conhece mais de um idioma sabe que isso \u00e9 um erro comum. No ingl\u00eas, por exemplo, ao perguntar a idade de algu\u00e9m n\u00e3o se pergunta: Quantos anos voc\u00ea tem?, mas: Qu\u00e3o velho voc\u00ea \u00e9? (<em>How old are you<\/em>?). A tradu\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, no entanto, buscar\u00e1 aproximar o sentido do texto ao contexto do destinat\u00e1rio e o expor\u00e1 de forma compreens\u00edvel para os leitores.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que as tradu\u00e7\u00f5es de equival\u00eancia formal devam ser rejeitadas ou que exibam n\u00edvel inferior de conte\u00fado. Pelo contr\u00e1rio. Para o uso da exegese (interpreta\u00e7\u00e3o ou explica\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de um texto), essas s\u00e3o muito importantes, em especial, porque proveem uma ordem e um sabor que nos aproximam do texto original da Palavra de Deus. O problema \u00e9 que a forma literal em que uma passagem B\u00edblia foi escrita, \u00e0s vezes, obscurece seu sentido pleno.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o modelo din\u00e2mico tamb\u00e9m apresenta limita\u00e7\u00f5es, em especial quando os tradutores escolhem parafrasear o texto b\u00edblico. As par\u00e1frases consistem de tradu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se at\u00eam \u00e0 ordem sint\u00e1tica do texto b\u00edblico, e usam conceitos e frases que procuram imitar e contextualizar verbalmente a mensagem de salva\u00e7\u00e3o. Em certos casos, a liberdade empregada para realizar uma comunica\u00e7\u00e3o atenta contra o sentido original de uma palavra.<\/p>\n<h4><strong>Conhecer idiomas originais<\/strong><\/h4>\n<p>Um elemento importante que merece respeito quanto aos tipos de tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que os que participam dela devem conhecer e entender os idiomas originais. \u00c9 verdade que muitas vers\u00f5es no passado s\u00e3o fruto do trabalho de uma pessoa. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que esse indiv\u00edduo conhecia a flutua\u00e7\u00e3o gramatical das l\u00ednguas b\u00edblicas e reconhecia as diferen\u00e7as pr\u00f3prias da cultura b\u00edblica (ex.: Lutero).<\/p>\n<p>Hoje, diferentemente do passado, as tradu\u00e7\u00f5es ocorrem em torno de comiss\u00f5es grupais em que homens e mulheres especialistas em diversas \u00e1reas do conhecimento (antropologia, lingu\u00edstica, teologia, l\u00ednguas, etc.) discutem termos e frases com o objetivo de reproduzir fielmente o texto b\u00edblico. Por isso, prefira as vers\u00f5es em que mais de um indiv\u00edduo fez parte, avaliando, al\u00e9m disso, as filosofias usadas na tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>O <em>textus receptus<\/em> sem as vers\u00f5es modernas<\/strong><\/h4>\n<p>Sobre Textus receptus, veja este v\u00eddeo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O &quot;textus receptus&quot; \u00e9 t\u00e3o bom assim?\" width=\"856\" height=\"482\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zJjWEzj6smg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Visto que os originais da B\u00edblia, tecnicamente denominados aut\u00f3grafos, desapareceram, hoje est\u00e3o dispon\u00edveis c\u00f3pias. Essas c\u00f3pias s\u00e3o chamadas de manuscritos que foram copiados v\u00e1rias vezes por diferentes indiv\u00edduos ao longo das eras. Ao comparar os manuscritos existentes, nota-se certas diferen\u00e7as entres eles que se originaram durante o processo de reprodu\u00e7\u00e3o. Essas diferen\u00e7as foram chamadas de variantes e s\u00e3o a estas que o int\u00e9rprete deve prestar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora seja importante destacar que nenhuma dessas variantes afeta negativamente o sentido doutrin\u00e1rio da B\u00edblia nem pode negar sua exist\u00eancia. As vers\u00f5es da B\u00edblia, geralmente, mostram essas variantes colocando-as entre par\u00eantese e todo leitor da B\u00edblia j\u00e1 notou que elas, em sua maioria, ocorrem no Novo Testamento.<\/p>\n<p>O primeiro Novo Testamento grego a ser publicado foi o de Erasmo de Roterd\u00e3, em 1516 (1469-1536). O Novo Testamento de Erasmo, publicado um ano antes do in\u00edcio da Reforma (1517), foi baseado em poucos manuscritos bizantinos.<\/p>\n<p>Os manuscritos por ele usados inicialmente foram sete, todos encerrados desde o s\u00e9culo 12 at\u00e9 o 16. Erasmo publicou v\u00e1rias adi\u00e7\u00f5es a esses textos (1516, 1519, 1522, 1527, 1535). Nos \u00faltimos dois houve melhoras, embora de forma geral todos seguem uma base semelhante ao primeiro trabalho.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, surgiram outras vers\u00f5es que mantiveram a base do texto de Erasmo a ponto de, em 1633, ser publicada uma edi\u00e7\u00e3o na qual os editores inclu\u00edram as seguintes palavras no pref\u00e1cio: <em>Textum ergo habes, nunc ab omnibus receptum<\/em>, que significa: \u201cPortanto, voc\u00ea tem agora o texto recebido por todos\u201d. Desde ent\u00e3o, esse texto se tornou conhecido como o <em>Textus Receptus<\/em>, ou seja, o texto recebido (TR). O <em>Textus Receptus<\/em> serviu de base para a tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas de Jo\u00e3o Ferreira de Almeida (Novo Testamento, 1681).<\/p>\n<h4><strong>Outros manuscritos mais antigos<\/strong><\/h4>\n<p>Entre os s\u00e9culos 16 e 19 a.D., foram descobertos novos manuscritos do Novo Testamento em grego. Muitos desses manuscritos se comprovaram ser bem antigos; muito mais antigos do que os que j\u00e1 haviam sido encontrados. Isso levou os estudiosos da B\u00edblia a especularem que eles eram mais pr\u00f3ximos dos aut\u00f3grafos. Passou-se, ent\u00e3o, a criar normas a partir das quais escolher quais manuscritos correspondiam a que per\u00edodo e que associa\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica havia entre eles.<\/p>\n<p>Resumindo, e trabalhando com base na produ\u00e7\u00e3o de seus antecessores, em 1881 B. F. Wescott e F. J. A. Horte publicam seu primeiro Novo Testamento em grego cr\u00edtico, o qual deu origem a uma nova era da cr\u00edtica textual. Ou seja, a ci\u00eancia que procura estabelecer qual \u00e9 o texto que mais se aproxima do original. O Novo Testamento grego de Wescott e Hort foi acompanhado de um volume separado onde eram explicados os princ\u00edpios usados para determinar a melhor leitura. Entre outras coisas, Wescott e Hort estabeleceram que os manuscritos usados no <em>textus receptus<\/em> tinham qualidade inferior em compara\u00e7\u00e3o com os que compartilhavam um padr\u00e3o comum mais pr\u00f3ximo do texto original.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da cr\u00edtica textual \u00e9 muito mais ampla e excede ao prop\u00f3sito deste artigo. Por\u00e9m, para resumir, podemos dizer que h\u00e1 duas vers\u00f5es modernas importantes do Novo Testamento grego: a Nestle-Aland, edi\u00e7\u00e3o 28, e a vers\u00e3o grega das Sociedades B\u00edblicas, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Embora as duas se diferenciem pela forma de apresenta\u00e7\u00e3o das variantes no aparato cr\u00edtico, ambas apresentam um texto grego id\u00eantico e trabalham tendo como base os mais de 5.500 manuscritos at\u00e9 o presente. Essas duas vers\u00f5es no grego s\u00e3o as usadas por uma grande quantidade de comiss\u00f5es de tradu\u00e7\u00e3o que buscam expor o texto fiel e puro.<\/p>\n<p>Ao escolher uma vers\u00e3o da B\u00edblia, tenha em mente que a tradu\u00e7\u00e3o pode se basear em uma filosofia que pretende recuperar esse texto original ou ignorar as novas descobertas.<\/p>\n<p>Um trabalho desse tipo requer n\u00e3o apenas conhecimento das l\u00ednguas b\u00edblicas, mas tamb\u00e9m ter acesso a materiais e textos que permitam encontrar as palavras que os autores da B\u00edblia desejaram originalmente transmitir.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Carlos Olivares<\/strong>, PhD, \u00e9 professor de Novo Testamento do <a href=\"http:\/\/unasp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro Universit\u00e1rio Adventista de S\u00e3o Paulo (Unasp)<\/a>, campus Engenheiro Coelho)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tire suas d\u00favidas sobre vers\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia e compreenda que se trata de um processo antigo, s\u00e9rio e respons\u00e1vel. E desfrute da leitura da B\u00edblia.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":238594,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3876],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[3590],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-238587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-noticia","xtt-pa-editorias-biblia","xtt-pa-departamentos-salt","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"custom_author":"Carlos Olivares"},"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Not\u00edcia"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/05\/10123738\/manuscritosmarmorto-290x220.jpg"}}