{"id":236300,"date":"2019-04-02T12:21:17","date_gmt":"2019-04-02T14:21:17","modified":"2023-09-04T23:37:39","modified_gmt":"2023-09-05T02:37:39","slug":"acompanhamento-transdisciplinar-pode-ser-eficaz-no-tratamento-do-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/acompanhamento-transdisciplinar-pode-ser-eficaz-no-tratamento-do-autismo\/","title":{"rendered":"Acompanhamento transdisciplinar pode ser eficaz no tratamento do Autismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_236302\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-236302\" class=\"wp-image-236302\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-236302\" class=\"wp-caption-text\">O isolamento \u00e9 um dos comportamentos mais recorrentes entre autistas. (Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade apontam que cerca de 70 milh\u00f5es de pessoas apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estima-se que uma em cada 88 crian\u00e7as tem tra\u00e7os de autismo, sendo cinco vezes mais prevalente no sexo masculino.<\/p>\n<p>Hoje, no <strong>Dia Mundial de Sensibiliza\u00e7\u00e3o para o Autismo<\/strong>, a Ag\u00eancia Adventista Sul-americana de Not\u00edcias traz entrevista com a psicanalista&nbsp;<strong>Izabel Tafuri<\/strong> a respeito do TEA. Leia:<\/p>\n<h4><strong>Por quais caracter\u00edsticas se identifica o Transtorno do Espectro Autista?<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As principais caracter\u00edsticas que os m\u00e9dicos, psic\u00f3logos, psiquiatras e pediatras observam s\u00e3o: a dificuldade da crian\u00e7a de desenvolver a capacidade de conversa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se fazendo entender nem por gestos nem por palavras. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o consegue manter um v\u00ednculo por meio do olhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro comportamento \u00e9 o que chamamos de mesmice; a crian\u00e7a precisa de uma rotina estrita, todo dia tem que acontecer a mesma coisa. Por exemplo, se alguma coisa no quarto dela muda, ou se os pais fazem um caminho para a escola diferente daquele ao qual est\u00e1 acostumada, ela tem uma crise. Toda vez que a rotina \u00e9 quebrada, ela entra em estado de ang\u00fastia. Al\u00e9m disso, s\u00e3o crian\u00e7as que n\u00e3o atendem aos comandos, como quando s\u00e3o chamadas pelo nome, e n\u00e3o conseguem ficar em meio a outras crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m \u00e9 muito comum haver, associado ao autismo, o transtorno sensorial. A crian\u00e7a foge de ambientes com barulho. Ela tamb\u00e9m pode reagir se mordendo, batendo a cabe\u00e7a na parede, agredindo algu\u00e9m que estiver por perto, gritando, pondo as m\u00e3os nos ouvidos, etc. N\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o; cada crian\u00e7a reage de uma forma diferente. Mas o mais comum \u00e9 elas se isolarem e fazerem maneirismos, como balan\u00e7ar as m\u00e3os, pular na ponta dos p\u00e9s, etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa \u00e9 uma compreens\u00e3o do mundo psiqui\u00e1trico e da psicologia comportamental. Outra forma de compreender o autismo \u00e9 por meio da psican\u00e1lise. Ela tenta entender a mensagem que a crian\u00e7a est\u00e1 produzindo por meio das estereotipias, que s\u00e3o a sua \u00fanica forma de se manifestar no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu desenvolvi uma metodologia de trabalho que \u00e9 por meio do espelhamento. A gente identifica a estereotipia e come\u00e7a a fazer a mesma coisa. Imagine uma crian\u00e7a que est\u00e1 pulando na ponta dos p\u00e9s, da\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a fazer isso tamb\u00e9m. Ela olha para os seus p\u00e9s e se v\u00ea espelhada naquilo; \u00e9 o que chamamos de identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Ela sente que voc\u00ea a compreende e que est\u00e3o interagindo. Ent\u00e3o, o pular na ponta dos p\u00e9s se torna uma brincadeira. Da\u00ed a gente entra com ritmo, com espa\u00e7o, pula num lugar, no outro, mais r\u00e1pido, mais devagar... e a crian\u00e7a come\u00e7a a sorrir, a olhar, a brincar de outras coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 um tratamento bem diferente do cl\u00e1ssico, que tenta \u201cconsertar\u201d a crian\u00e7a, levando-a a abandonar os seus maneirismos, medicando-a e \u201cadestrando-a\u201d para que preste aten\u00e7\u00e3o ao ambiente ao seu redor, mas n\u00e3o podemos dizer que um esteja errado e o outro certo; s\u00e3o formas diferentes de se compreender uma mesma patologia.<\/span><\/p>\n<h4><strong>Em que idade o transtorno come\u00e7a a se manifestar?<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pode ser desde os primeiros seis meses de vida, quando o beb\u00ea n\u00e3o responde a nada, nem ao olhar materno quando est\u00e1 sendo amamentado, n\u00e3o sorri, n\u00e3o emite sons, n\u00e3o brinca\u2026 Mas se mostra de uma forma mais organizada entre o segundo e o terceiro ano de vida. A grande maioria das crian\u00e7as chega at\u00e9 n\u00f3s para tratamento com um ano e meio de vida, porque n\u00e3o conseguem desenvolver a fala, e isso \u00e9 o que mais angustia os pais.<\/span><\/p>\n<h4><strong>Mesmo com o tratamento, a pessoa, necessariamente, ter\u00e1 que conviver com os sintomas pelo resto da vida?<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na minha experi\u00eancia cl\u00ednica, a grande maioria das crian\u00e7as que chegam para tratamento bem pequeninas, e que n\u00e3o t\u00eam outros transtornos neurol\u00f3gicos associados, vai perdendo as caracter\u00edsticas autistas \u00e0 medida em que come\u00e7am a falar, a brincar, etc. Outras permanecem com os sintomas, de uma forma muito ou pouco aparente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para n\u00f3s, psicanalistas, a cura n\u00e3o significa a remiss\u00e3o total dos sintomas. Se, mesmo mantendo alguns trejeitos, a crian\u00e7a se torna funcional e soci\u00e1vel, consideramos que ela est\u00e1 curada. Muitas conseguem se adaptar \u00e0 escola, interagir, mas falham em desenvolver a capacidade cognitiva de simbolizar a realidade, ou seja, produzir met\u00e1fora, meton\u00edmia, entender uma piada ou jogos de linguagem. Do ponto de vista m\u00e9dico, se h\u00e1 qualquer restolho do transtorno, a pessoa \u00e9 considerada autista pelo resto da vida. Ent\u00e3o, s\u00e3o formas diferentes de interpretar o conceito de cura.<\/span><\/p>\n<h4><strong>Como deve ser o acompanhamento de uma pessoa com autismo?<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde pequenina, a crian\u00e7a precisa receber um tratamento multidisciplinar, ou transdisciplinar. A fonoaudiologia vai avaliar sua capacidade de fala, no sentido amplo do termo; n\u00e3o apenas se consegue pronunciar uma palavra, mas se \u00e9 capaz de se comunicar, traduzindo seus sentimentos e necessidades com esta palavra. Porque muitas crian\u00e7as autistas, por exemplo, cantam uma can\u00e7\u00e3o inteira, mas n\u00e3o conseguem responder a uma pergunta. Ou seja, elas falam, mas n\u00e3o conversam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psicoterapia vai desenvolver o senso de \u201ceu\u201d e a capacidade de suportar frustra\u00e7\u00e3o. A psicomotricidade trabalha em cima do atraso no desenvolvimento. A terapia ocupacional trabalha o transtorno sensorial. A psicopedagogia \u00e9 um apoio das escolas para uma aprendizagem mais individualizada. O acompanhamento terap\u00eautico mant\u00e9m um profissional pr\u00f3ximo \u00e0 crian\u00e7a em todos os lugares para ajud\u00e1-la a socializar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cada crian\u00e7a demanda um suporte espec\u00edfico de transdisciplinaridade. Algumas s\u00f3 precisam de psicoterapia, por exemplo. Outras precisar\u00e3o de seis ou sete modalidades de tratamento. E, claro, o empenho da fam\u00edlia e da escola \u00e9 fundamental em todo o processo.<\/span><\/p>\n<h4><strong>Hoje \u00e9 o Dia Mundial de Sensibiliza\u00e7\u00e3o para o Autismo. Por que \u00e9 necess\u00e1ria uma data para lembrar disso?<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ah, ainda existe muito preconceito! Muitas vezes, as pessoas acham que a crian\u00e7a n\u00e3o atende aos comandos por ser mal educada, e que est\u00e1 fazendo birra. Por ser mal compreendida quando est\u00e1 em ambientes sociais, seus pais se sentem temerosos e acabam alienando a crian\u00e7a, enquanto o que ela precisa \u00e9 de apoio. E esse apoio \u00e9 a sensibiliza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00f3s precisamos aprender com os autistas outras formas de ver a realidade. Alguns deles se tornam adultos com habilidades extraordin\u00e1rias; pintam ou desenham muito bem, escrevem livros e poesias, t\u00eam uma sensibilidade grandiosa para m\u00fasica, para matem\u00e1tica, enfim... potencialidades que, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o desenvolvidas porque n\u00f3s n\u00e3o conseguimos dar a elas um ambiente favor\u00e1vel para se desenvolverem.&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A nossa necessidade \u00e9 de ouvir os autistas, ao inv\u00e9s de apenas querer observ\u00e1-los, medic\u00e1-los e adapt\u00e1-los \u00e0 nossa realidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 16px\"><em><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02120130\/izabel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-236310 \" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02120130\/izabel.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02120130\/izabel.jpg 871w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02120130\/izabel-768x733.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02120130\/izabel-730x696.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 267px) 100vw, 267px\" \/><\/a><\/em><\/strong><strong>A especialista<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Izabel Tafuri \u00e9 psic\u00f3loga, psicanalista, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com doutorado pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Trabalha h\u00e1 30 anos com atendimento cl\u00ednico de crian\u00e7as autistas, d\u00e1 cursos e palestras na \u00e1rea e leciona na Universidade de Bras\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fundou, neste ano, em Bras\u00edlia, a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/companhiaterapeutica\/\">Companhia Terap\u00eautica<\/a>; uma cl\u00ednica transdisciplinar de atendimento a crian\u00e7as, adolescentes e adultos, que une v\u00e1rios saberes na busca pelo entendimento fidedigno das pessoas em fase de sofrimento.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transtorno afeta o desenvolvimento psicomotor e a capacidade de socializa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":148,"featured_media":236302,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3876],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3634],"xtt-pa-departamentos":[3866,3633],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61,80,93],"xtt-pa-sedes":[119,3810],"xtt-pa-owner":[1170,2150],"class_list":["post-236300","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-noticia","xtt-pa-editorias-saude","xtt-pa-departamentos-ministerio-das-possibilidades-3","xtt-pa-departamentos-saude","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-regiao-paraiba","xtt-pa-regiao-rio-grande-do-norte","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-sedes-mne","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana","xtt-pa-owner-missao-nordeste"],"acf":{"custom_author":"","embed_url":"","embed_length":""},"terms":{"editorial":"Sa\u00fade","format":"Not\u00edcia"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2019\/04\/02112438\/autismo-290x220.jpg"}}