{"id":210130,"date":"2017-11-10T06:00:41","date_gmt":"2017-11-10T09:00:41","modified":"2025-01-21T21:23:23","modified_gmt":"2025-01-22T00:23:23","slug":"democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora\/","title":{"rendered":"Democracia, m\u00eddias sociais e um apelo a uma igreja pacificadora"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1400\" height=\"935\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-210131\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora.jpg 1400w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-768x513.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-730x488.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 1400px) 100vw, 1400px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Igreja, ao defender as liberdades individuais, pode liderar um movimento de pacifica\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais.(Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 alguns dias, li a reportagem <a href=\"http:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,the-economist-as-redes-sociais-sao-uma-ameaca-a-democracia,70002071600\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>As redes sociais amea\u00e7am a democracia?,<\/em> da revista inglesa <em>The Economist<\/em><\/a>, edi\u00e7\u00e3o de 4 a 10 de novembro. Fundada em setembro de 1843, a <em>The Economist<\/em> \u00e9 uma tradicional publica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e assuntos econ\u00f4micos com circula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia semanal superior a 1,5 milh\u00e3o de exemplares. Tem uma linha editorial de aberta defesa ao liberalismo cl\u00e1ssico, uma mistura de filosofia pol\u00edtica e doutrina econ\u00f4mica que prega o livre-com\u00e9rcio, a defesa das liberdades individuais, o apelo a restri\u00e7\u00f5es \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Estado sobre estas liberdades e a promo\u00e7\u00e3o de causas socialmente liberais, como a globaliza\u00e7\u00e3o e a imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem \u00e9 avassaladora na an\u00e1lise das m\u00eddias sociais digitais e seu impacto na difus\u00e3o de not\u00edcias falsas e dissemina\u00e7\u00e3o de preconceito, intoler\u00e2ncia e hostilidade. Lembra como o surgimento das m\u00eddias sociais trouxe a promessa de uma pol\u00edtica mais transparente e aberta, uma vez que informa\u00e7\u00f5es precisas e um acesso amplo a comunica\u00e7\u00e3o ajudariam as pessoas a combater a corrup\u00e7\u00e3o, o fanatismo pol\u00edtico e as mentiras. Ao inv\u00e9s disso, o que se entrega hoje s\u00e3o <em>fake news<\/em> e ondas preocupantes de intoler\u00e2ncia. Os exemplos apresentados no artigo s\u00e3o muitos. V\u00e3o da interfer\u00eancia russa nas elei\u00e7\u00f5es americanas at\u00e9 o caso recente de como o Facebook, principal fonte de not\u00edcias para muitos habitantes de Myanmar, ajudou a aprofundar o \u00f3dio contra os <em>Rohingya<\/em>, v\u00edtimas da limpeza \u00e9tnica e que protagonizam atualmente uma fuga em massa para Bangladesh, procurando ref\u00fagio contra a intoler\u00e2ncia. \u201cLonge de trazer a ilumina\u00e7\u00e3o, as m\u00eddias sociais est\u00e3o espalhando veneno\u201d, sentencia a reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um cen\u00e1rio que leva a uma reflex\u00e3o angustiante: se as m\u00eddias sociais, que proporcionaram liberdade de express\u00e3o como nunca houve na hist\u00f3ria humana, amea\u00e7am a democracia, como resolver os problemas dessa mesma democracia: com mais liberdade ou menos liberdade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iniciativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rias partes do mundo, existem esfor\u00e7os para tentar restringir essas liberdades. Bem como existem iniciativas que tentam garantir esses direitos. No Brasil, a Lei N\u00b0 12.965\/14, conhecida como <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Civil da Internet<\/a>, \u00e9 uma ideia em busca da garantia de tais direitos. A lei procura regular o uso da Internet no Brasil prevendo princ\u00edpios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como determina diretrizes para a atua\u00e7\u00e3o do Estado. Sancionado pelo Governo em 2014, o Marco Civil da Internet nasceu de um movimento de resist\u00eancia ao projeto de lei de cibercrimes, de 2007, que previa tamanha restri\u00e7\u00e3o e controle ao uso da internet que ficou conhecido como o AI-5 digital, uma refer\u00eancia ao ato que ficou famoso durante a ditadura, na d\u00e9cada de 60, impondo restri\u00e7\u00e3o de liberdades em favor da seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece incoerente a ideia de defender a democracia restringindo ou controlando liberdades. E n\u00e3o \u00e9 exatamente isso que a reportagem da <em>The Economist<\/em> ap\u00f3ia ou analisa. No pr\u00f3prio texto, est\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o l\u00facida sobre a import\u00e2ncia da democracia como regime e como princ\u00edpio. \u201cEm uma democracia liberal, ningu\u00e9m obt\u00e9m exatamente o que ele quer, mas todos t\u00eam a liberdade de liderar a vida que ele escolhe. No entanto, sem informa\u00e7\u00e3o decente, civiliza\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o, as sociedades resolvem suas diferen\u00e7as recorrendo \u00e0 coer\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinal de aten\u00e7\u00e3o para a igreja<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eis um assunto que merece a aten\u00e7\u00e3o da igreja. A democracia \u00e9 um regime pol\u00edtico em que os cidad\u00e3os participam de forma igual, direta ou indiretamente, no debate sobre propostas e na cria\u00e7\u00e3o de leis e exercem o poder de governo por meio de elei\u00e7\u00f5es que permitem aos cidad\u00e3os que escolham seus representantes. A base da democracia, portanto, \u00e9 a a garantia de condi\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e culturais que assegurem o exerc\u00edcio livre e igual da autodetermina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 exemplos que mostram que a democracia \u00e9 um regime imperfeito. O estadista brit\u00e2nico Winston Churchill disse, certa vez, que \u201ca democracia \u00e9 o pior dos regimes pol\u00edticos, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum sistema melhor que ela\u201d. Diferente de regimes totalit\u00e1rios, no entanto, a democracia \u00e9 aberta ao exerc\u00edcio de liberdades individuais. E a defesa dessas liberdades \u00e9 uma oportunidade para a igreja exercer plenamente suas a\u00e7\u00f5es de evangeliza\u00e7\u00e3o. Princ\u00edpios como Estado laico, separa\u00e7\u00e3o da Igreja e do Estado e liberdade de consci\u00eancia s\u00e3o valores democr\u00e1ticos. E \u00e9 importante ressaltar que muitos desses valores surgiram com a Reforma Protestante. Ainda nesta edi\u00e7\u00e3o da revista inglesa, h\u00e1 uma reportagem sobre o legado da reforma eclesi\u00e1stica iniciada por Martinho Lutero. Recomendo a leitura. Em certo momento do texto, o soci\u00f3logo Jacques Berlinerblau, da Universidade de Georgetown, escreveu que \"a separa\u00e7\u00e3o dos poderes, a toler\u00e2ncia, a liberdade de consci\u00eancia, s\u00e3o todas id\u00e9ias protestantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao entender e defender as liberdades individuais, a Igreja pode assumir um papel importante no universo das m\u00eddias sociais digitais. Ao inv\u00e9s da restri\u00e7\u00e3o, pode promover um movimento de pacifica\u00e7\u00e3o. A Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia tem cerca de 2 milh\u00f5es e meio de fi\u00e9is em oito pa\u00edses sul-americanos. Claro que nem todos t\u00eam acesso \u00e0s redes, mas seria interessante ver a igreja liderar tal movimento de pacifica\u00e7\u00e3o. Quem sabe esta seria uma iniciativa a ser conduzida pela lideran\u00e7a jovem da igreja, e uma pauta a ser trabalhada com as novas gera\u00e7\u00f5es. Determinar princ\u00edpios de cordialidade, verdade, empatia e comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta seria um caminho interessante para auxiliar os adventistas na rela\u00e7\u00e3o destes com as m\u00eddias sociais digitais. Uma rea\u00e7\u00e3o contra a intoler\u00e2ncia, o \u00f3dio e a cultura de <em>fake news<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <a href=\"http:\/\/ellenwhite.cpb.com.br\/livro\/index\/24\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Testemunhos Seletos, Volume 2<\/em><\/a>, a escritora Ellen White, escrevendo sobre a crise de liberdade que haver\u00e1 de acontecer nos eventos finais da hist\u00f3ria humana, sugeriu que nossa atitude diante dessa crise n\u00e3o deveria ser de resigna\u00e7\u00e3o e expectativa, mas de ativa promo\u00e7\u00e3o e defesa das liberdades. \u201c\u00c9 nosso dever fazer tudo ao nosso alcance, a fim de advertir contra o perigo iminente. Devemos esfor\u00e7ar-nos por destruir os preconceitos, assumindo a leg\u00edtima atitude diante dos homens. Devemos esclarecer-lhes a quest\u00e3o propriamente dita em torno da qual gira a controv\u00e9rsia, e deste modo lavrar o mais eficaz protesto contra medidas tendentes a restringir a liberdade de consci\u00eancia\u201d, ela escreveu. Estar atentos a esses movimentos, fugir de ciladas que nos fa\u00e7am abra\u00e7ar a intoler\u00e2ncia, defender as liberdades como recurso indispens\u00e1vel para a evangeliza\u00e7\u00e3o em escala global e promover a pacifica\u00e7\u00e3o nas redes sociais como fator crucial para a defesa da liberdade de express\u00e3o parecem formar uma agenda das mais urgentes que a igreja tem nos dias atuais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma igreja pacificadora e o desafio de promover conceitos b\u00edblicos em meio a amea\u00e7as s\u00e9rias \u00e0s liberdades em democracias estabelecidas no mundo<\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":210131,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3636,3225],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-210130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-comunicacao","xtt-pa-editorias-tecnologia","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Comunica\u00e7\u00e3o","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-768x513.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/11\/09153138\/democracia-midias-sociais-e-um-apelo-uma-igreja-pacificadora-290x220.jpg"}}