{"id":207422,"date":"2017-09-20T11:18:07","date_gmt":"2017-09-20T14:18:07","modified":"2025-01-27T15:43:55","modified_gmt":"2025-01-27T18:43:55","slug":"o-ritmo-do-materialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/diego.barreto\/o-ritmo-do-materialismo\/","title":{"rendered":"O ritmo do materialismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-207429\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana.jpg 800w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana-768x513.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/09\/20111442\/choupana-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cristo nos orienta a levar uma vida mais tranquila. N\u00e3o a que deixemos de sonhar, mas a que as nossas metas n\u00e3o se transformem em monstros que nos devoram diariamente. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Vamos continuar a s\u00e9rie #materialismo com o quinto artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contemple a seguinte cena: Um homem do campo habita com sua fam\u00edlia em um vislumbrante vale. Sua casa \u00e9 rodeada por natureza e seus animais est\u00e3o espalhados por toda parte, assim como seus filhos, brincando ou trabalhando nas coisas do s\u00edtio. Sua fam\u00edlia \u00e9 pequena para as propor\u00e7\u00f5es campestres; tem apenas dois filhos e duas filhas. Sua esposa est\u00e1 sempre atarefada com o cuidado da casa e da fam\u00edlia, provendo sempre uma saborosa refei\u00e7\u00e3o todas as manh\u00e3s, tardes e noites. Ele trabalha no campo todos os dias; o seu rendimento \u00e9 sua sobreviv\u00eancia. Ao anoitecer, os lampi\u00f5es s\u00e3o acesos, afinal, a casa n\u00e3o possui energia el\u00e9trica. Eles conversam e brincam enquanto esperam a deliciosa janta. N\u00e3o h\u00e1 barulho de TV como fundo da conversa, apenas o som dos animais noturnos. Ap\u00f3s uma simples e saborosa refei\u00e7\u00e3o, todos se re\u00fanem por alguns minutos e logo se despedem para dormir. \u00c0s 18h30 as crian\u00e7as adormecem, e \u00e0s 19h50 todos j\u00e1 est\u00e3o na cama. \u00c0s 4h30, a esposa se levanta para preparar o dejejum. \u00c0s 5h, o galo canta, o homem acorda, o cheiro de p\u00e3o quente e leite fervido impregna a casa. Mais 30 minutos e todos est\u00e3o na mesa. O dia j\u00e1 come\u00e7ou. \u00c0s 6h todos est\u00e3o em suas devidas atividades. E a vida recome\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea nasceu em cidade grande deve estar desesperado s\u00f3 de imaginar a vida simples dessa fam\u00edlia. Talvez esteja indignado com tanto desprezo pelo que voc\u00ea considera \u201cessencial\u201d. Ou, talvez, esteja morrendo de inveja dessa fam\u00edlia. Mas o fato \u00e9 que vivem uma vida incomparavelmente menos ansiosa e fren\u00e9tica que a nossa, como moradores das cidades. Isso pode ser muito bom, pode ser paz e felicidade, mesmo que n\u00e3o consigamos imaginar como. Reparem que eu disse: \u201cpode ser\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\"Felicidade? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! Eles n\u00e3o sabem de nada que ocorre no mundo, n\u00e3o sentem o prazer de uma boa m\u00fasica, n\u00e3o conhecem as luzes da Times Square, nunca riram de uma boa piada em um seriado da TV por assinatura, n\u00e3o sabem o que Hollywood \u00e9 capaz de recriar em seus filmes, n\u00e3o imaginam as atrocidades ocorridas na guerra da S\u00edria, nem devem saber que o planeta est\u00e1 sendo arruinado por causa da maneira como o temos, predatoriamente, tratado. Desconhecem os furac\u00f5es, Irma, Jos\u00e9 ou Maria! S\u00e3o uns ignorantes! Como podem ser felizes?<\/p>\n\n\n\n<p>Assistindo a uma palestra do professor de teologia e psicologia, Graciliano Martins, h\u00e1 alguns anos, aprendi que o desejo s\u00f3 existe quando falta o objeto desejado. Ningu\u00e9m deseja \u00e1gua se n\u00e3o estiver com sede, sombra se n\u00e3o houver calor ou um rel\u00f3gio at\u00e9 que precise verificar as horas. \u00c9 na percep\u00e7\u00e3o da falta que as necessidades surgem. N\u00e3o damos falta do que n\u00e3o precisamos no momento. Por isso, ningu\u00e9m \u00e9 capaz de desejar o que n\u00e3o conhece, ou n\u00e3o sabe que existe. Por isso, nada do que temos e de que sentimos falta em nossa vidinha civilizada faz falta \u00e0quela fam\u00edlia imaginada no come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso caso espec\u00edfico, o conhecimento que temos de tanta coisa nos faz desejar cada vez mais coisas. Usei o exemplo fantasioso da fam\u00edlia no campo para expor a nossa pr\u00f3pria vida, para nos fazer enxergar a n\u00f3s mesmos. A onda de consumo nos empurra uma lista de desejos sempre crescente e atualiz\u00e1vel. E n\u00f3s somos aprisionados por essa realidade! Parece imposs\u00edvel viver num lugar que n\u00e3o tenha padaria, internet, sinal de celular e muito menos luz. S\u00f3 quando passamos um m\u00eas sem ver o jornal da TV \u00e9 que percebemos que n\u00e3o precisamos dele para viver; a vida continua, quer voc\u00ea saiba o que ocorre nela ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Stephen Kanitz, em artigo publicado na Revista Veja em agosto de 2002 (ou seja, informa\u00e7\u00e3o muito velha para os padr\u00f5es atuais), informava que, a cada 18 meses, o volume de informa\u00e7\u00f5es dobra. Dobra! Ou seja, se algu\u00e9m fosse capaz de saber de tudo, em apenas um ano e meio saberia apenas metade do conhecimento vigente. Logo, a cada 18 meses, as possibilidades aumentam, o volume de desejos pode dobrar. O vazio da falta aumenta e somos cada vez mais aprisionados nesse sistema que chamamos de civiliza\u00e7\u00e3o, progresso. A \u00faltima contagem do volume de informa\u00e7\u00e3o feito indica que o volume dobra a cada 12 meses agora. A Google j\u00e1 tem estimativas maiores no patamar dos dias, e n\u00e3o dos meses. Quanto mais informa\u00e7\u00f5es, maiores s\u00e3o as cobran\u00e7as internas, os desejos e as metas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje somos estressados, n\u00e3o temos tempo para nada. Tudo tem que ser r\u00e1pido, desde nossos alimentos at\u00e9 nossos relacionamentos. Vivemos em busca de uma felicidade que nunca vamos alcan\u00e7ar, uma utopia, perseguindo o inalcan\u00e7\u00e1vel, tentando o dom\u00ednio do indomin\u00e1vel. Obesos de sonhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando surgem, ent\u00e3o, em nossas sociedades, sociopatas de todo tipo, terroristas que parecem denunciar esse falso progresso, grandes golpes e pessoas cada vez mais individualizadas e ego\u00edstas, nos perguntamos: \u201cpor que?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cercamos dessas \u201ccoisas\u201d e vivemos a vida para t\u00ea-las. Resumimos nossa exist\u00eancia em possuir, o m\u00e1ximo que pudermos, desde conhecimento at\u00e9 bens materiais. Somos consumidores de tudo que soubermos ser desej\u00e1vel. Presos em um ciclo maligno de autodestrui\u00e7\u00e3o e infelicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo rebate essa nossa doen\u00e7a contempor\u00e2nea com as antigas palavras: \u201cVinde a mim, todos os que estais <em>cansados e sobrecarregados<\/em>, e eu vos aliviarei\u201d (Mateus 11:28, grifo acrescentado). Como aliviar\u00e1 Jesus? Como? \u201cTomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o; e achareis descanso para a vossa alma\u201d (Mateus 11:29).<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus pede para que carreguemos o \u201cSeu jugo\u201d. O jugo de Cristo \u00e9 uma carga diferente da que estamos acostumados a carregar. \u00c9 uma carga que n\u00e3o nos cansa nem nos sobrecarrega. Que carga \u00e9 essa, mais leve que a nossa? Ele diz: <em>\u201cAprendam comigo a ser mansos e humildes\u201d<\/em>. Os mansos n\u00e3o querem conquistar a Terra, e os humildes n\u00e3o pensam ser mais do que s\u00e3o. Os humildes n\u00e3o almejam ser reis e rainhas, n\u00e3o querem poder, fama e dinheiro. Humildes baixam suas expectativas e desejos e vivem em contentamento. S\u00e3o felizes com pouco porque n\u00e3o querem tudo. Jesus est\u00e1 falando de uma vida de contentamento e baixas expectativas. De desejos moderados e alvos menos estressantes. Est\u00e1 dizendo para mim e para voc\u00ea que nossa identidade e nosso valor n\u00e3o est\u00e1 nos sonhos exacerbados, no consumo desenfreado ou no fato de termos mais. Ele n\u00e3o est\u00e1 dizendo para n\u00e3o termos sonhos e metas grandes, est\u00e1 dizendo que devemos control\u00e1-las a ponto de n\u00e3o serem um jugo destruidor. Est\u00e1 dizendo que nosso valor n\u00e3o vem disso. Que em Cristo, na humildade e na mansid\u00e3o est\u00e1 tudo aquilo que a gente mais anseia na nossa busca por todas as coisas: \u201cdescanso para a alma\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nossa vida fren\u00e9tica, consideramos como essenciais certas coisas, bens, sonhos, metas... 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