{"id":202589,"date":"2017-06-22T11:30:15","date_gmt":"2017-06-22T14:30:15","modified":"2021-11-15T20:48:56","modified_gmt":"2021-11-15T23:48:56","slug":"o-criar-na-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/edson.nunes\/o-criar-na-criacao\/","title":{"rendered":"O criar na cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202591\" style=\"width: 631px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-202591\" class=\" wp-image-202591\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao.jpg\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao.jpg 1200w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-768x768.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-40x40.jpg 40w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-80x80.jpg 80w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-95x95.jpg 95w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-124x124.jpg 124w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-140x140.jpg 140w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-180x180.jpg 180w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-220x220.jpg 220w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-400x400.jpg 400w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-730x730.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-202591\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p>O relato de G\u00eanesis 1:1 \u2013 2:3 guarda uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas importantes que ser\u00e3o tratadas em uma s\u00e9rie de artigos, come\u00e7ando por esse. Muitos estudaram e estudam esses versos em busca de respostas, mas, infelizmente, na maior parte do tempo se perde a beleza de estudar o texto pelo que ele \u00e9: um texto. Isso n\u00e3o significa ignorar as perguntas e repostas normalmente trabalhadas por aqueles que acreditam na Cria\u00e7\u00e3o, mas olhar o texto com um olhar mais liter\u00e1rio e buscar, em sua forma, extrair seu conte\u00fado prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>A estrutura do texto \u00e9 bem simples e come\u00e7a com uma introdu\u00e7\u00e3o que apresenta o personagem principal do texto: Deus. Deus n\u00e3o \u00e9 apresentado de maneira tradicional, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma descri\u00e7\u00e3o que lhe acompanhe, nem uma biografia. Diferente de outros relatos mesopot\u00e2micos, n\u00e3o h\u00e1 batalhas entre deuses, nem o sangue desses deuses \u00e9 usado na cria\u00e7\u00e3o de algo. A descri\u00e7\u00e3o inicial de Deus \u00e9 baseada em uma a\u00e7\u00e3o: criar.<\/p>\n<p>Essa narrativa abarcante e generalizada dos atos criativos divinos come\u00e7a com limites de tempo (no princ\u00edpio) e de espa\u00e7o (c\u00e9us e terra), e o que vai conectar essas duas dimens\u00f5es \u00e9 o verbo \u05d1\u05bc\u05e8\u05d0 (<em>br\u2019<\/em>). Para compreender o verbo em quest\u00e3o, de fato, \u00e9 preciso deixar de lado a teologia, j\u00e1 que o entendimento dele \u00e9 geralmente conectado ao conceito doutrin\u00e1rio de <em>ex nihilo<\/em>, ou seja, uma cria\u00e7\u00e3o \u201cdo nada\u201d, antes de haver mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>O foco aqui n\u00e3o \u00e9 discutir quando a compreens\u00e3o de uma cria\u00e7\u00e3o material a partir da n\u00e3o-mat\u00e9ria come\u00e7ou; se no per\u00edodo intertestament\u00e1rio (antes do Novo Testamento) como uma resposta ao juda\u00edsmo helenizado, ou se no per\u00edodo dos ap\u00f3stolos, por causa de textos como Hebreus 11:1-3 e Romanos 4:17, ou mesmo se posteriormente, como uma resposta ao gnosticismo, fruto do platonismo. Esta seria uma discuss\u00e3o muito extensa, at\u00e9. A ideia \u00e9 entender a palavra dentro do contexto b\u00edblico e, por isso, \u00e9 interessante notar como esse verbo \u201ccriar\u201d \u00e9 usado ao longo da B\u00edblia, especificamente no Antigo Testamento (AT).<\/p>\n<p>A origem de <em>br\u2019<\/em> \u00e9 incerta, j\u00e1 que parece n\u00e3o haver uma raiz sem\u00edtica equivalente. H\u00e1 tentativas de ligar sua origem a um \u00e1rabe antigo ou at\u00e9 a outra raiz hebraica, ambas com significado de \u201cconstruir\u201d. <em>Br\u2019<\/em> aparece 49 vezes no AT, e sempre com o mesmo sujeito: Deus. Como n\u00e3o h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria para seu significado \u2013 n\u00e3o h\u00e1 origem etimol\u00f3gica comprovada \u2013 o ideal \u00e9 ver como e onde o verbo aparece, especialmente nos textos onde ele aparece em paralelo com outros verbos.<\/p>\n<p>Por exemplo, <em>br\u2019<\/em> aparece em uma quantidade razo\u00e1vel de textos em paralelo com o verbo \u05e2\u05e9\u05d4 (\u2018\u015bh), que significa \"fazer, criar, elaborar, produzir, fabricar\". Esse verbo, por sua vez, aparece em diversos contextos tendo o homem como sujeito, e em a\u00e7\u00f5es que indicam manipula\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. De fato, <em>\u2018\u015bh<\/em> \u00e9 o verbo que mais aparece para falar da cria\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Talvez o texto de Isa\u00edas 45:18 ajude a entender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre de <em>br\u2019<\/em> com os outros verbos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\ufb3b\u05b4\u05a3\u05d9 \u05db\u05b9\u05a3\u05d4 \ufb2f\u05bd\u05de\u05b7\u05e8\u05be\u05d9\u05b0\u05a0\u05d4\u05d5\u05b8\u05d4 \ufb31\u05d5\u05b9\u05e8\u05b5\u05a8\u05d0 \u05d4\u05b7\ufb2c\u05b8\u05de\u05b7\u059c\u05d9\u05b4\u05dd<\/p>\n<p>\u05d4\u05a3\ufb35\u05d0 \u05d4\u05b8\u05d0\u05b1\u05dc\u05b9\u05d4\u05b4\u0597\u05d9\u05dd \u05d9\u05b9\u05e6\u05b5\u05a8\u05e8 \u05d4\u05b8\ufb2f\u05a4\u05e8\u05b6\u05e5 \u05d5\u05b0\u05e2\u05b9\ufb2b\u05b8\ufb34\u0599<\/p>\n<p>\u05d4\u05a3\ufb35\u05d0 \u05db\u05bd\u05d5\u05b9\u05e0\u05b0\u05e0\u05b8\u0594\ufb34 \u05dc\u05b9\u05d0\u05be\u05ea\u05b9\u05a5\u05d4\ufb35<\/p>\n<p>\u05d1\u05b0\u05e8\u05b8\ufb2f\u0596\ufb34 \u05dc\u05b8\ufb2a\u05b6\u05a3\u05d1\u05b6\u05ea \u05d9\u05b0\u05e6\u05b8\u05e8\u05b8\u0591\ufb34<\/p>\n<p>\u05d0\u05b2\u05e0\u05b4\u05a5\u05d9 \u05d9\u05b0\u05d4\u05d5\u05b8\u0596\u05d4 \u05d5\u05b0\u05d0\u05b5\u05a5\u05d9\u05df \u05e2\u05bd\u05d5\u05b9\u05d3\u05c3<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pois assim diz o SENHOR, <strong>criador<\/strong> dos c\u00e9us<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o Deus que <u>moldou<\/u> a terra e a <u>fez<\/u><\/p>\n<p>Ele a <u>estabeleceu<\/u>, n\u00e3o um deserto<\/p>\n<p><strong>Criou<\/strong>-a para habita\u00e7\u00e3o, <u>moldou<\/u>-a<\/p>\n<p>Eu Sou o SENHOR e n\u00e3o h\u00e1 outro.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n<p>Em negrito est\u00e3o as ocorr\u00eancias da raiz <em>br\u2019<\/em>. Grifadas est\u00e3o as ocorr\u00eancias de outros verbos relacionados a cria\u00e7\u00e3o. Na verdade, s\u00e3o tr\u00eas deles, sendo que um, \u05d9\u05e6\u05e8 (<em>y\u1e63r ) que significa \"<\/em>moldar, dar forma ou formar\", foi usado duas vezes. Os outros dois s\u00e3o o j\u00e1 mencionado,\u00a0<em>\u2018\u015bh<\/em> e <em>k\u00fbn<\/em> (\u05db\u05bc\u05d5\u05bc\u05df), que significa \u201cestabelecer, preparar, fundar, criar\". O que uso de <em>br\u2019<\/em> em paralelo com esses verbos revela? Certamente a complexidade da a\u00e7\u00e3o divina de criar, como se <em>br\u2019<\/em> fosse um multifacetado verbo, que, de certa maneira, resume a ideia de todos os outros verbos, mas em nenhum de seus paralelos expressa a ideia de <em>ex nihilo<\/em>.<\/p>\n<p>Em suas ocorr\u00eancias sozinho, <em>br\u2019<\/em> \u00e9 usado em contextos diversos. A maior parte em refer\u00eancia direta ao que aparece criado em G\u00eanesis 1 (c\u00e9us e terra, homem e mulher, etc), mas algumas outras em refer\u00eancia a coisas j\u00e1 existentes, ou melhor, que n\u00e3o foram criadas <em>ex nihilo (<\/em>Malaquias 2:10 (povo); Isa\u00edas 43:10 (Israel); Isa\u00edas 54:16 (ferreiro e assolador) e Salmos 51:10 (cora\u00e7\u00e3o)). Por fim, uma parcela de textos no qual esse \u201ccriar\u201d, do qual somente Deus \u00e9 o sujeito, aparece relacionado a coisas novas, renovadas, recriadas, como \u201cnovos c\u00e9us e nova terra\u201d (Isa\u00edas 65:17-18, etc).<\/p>\n<p>Talvez a evid\u00eancia mais concreta de que <em>br\u2019<\/em> n\u00e3o evoca uma cria\u00e7\u00e3o do nada seja o verbo usado no terceiro dia da cria\u00e7\u00e3o: \u201cseja vista a por\u00e7\u00e3o seca\u201d (G\u00eanesis 1:9). A terra que em G\u00eanesis 1:2 estava coberta por \u00e1gua, \u00e9 agora chamada a ser vista, ou seja, n\u00e3o h\u00e1, no terceiro dia, uma cria\u00e7\u00e3o material <em>ex nihilo<\/em>.<\/p>\n<p>O que tudo isso significa? Que <em>br\u2019<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma evid\u00eancia de que Deus cria a Terra em um contexto imaterial, mas que a cria\u00e7\u00e3o divina \u00e9 complexa e envolve diversas a\u00e7\u00f5es das quais <em>br\u2019<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo. A complexidade e diversidade de <em>br\u2019<\/em> refor\u00e7a o seu sujeito \u00fanico, Deus, n\u00e3o por uma rela\u00e7\u00e3o imaterial, mas pelo poder com que Ele, e somente Ele, pode criar.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o que acontece na cria\u00e7\u00e3o continua sendo uma prova de f\u00e9 em um Deus Todo-Poderoso, como diz Paulo: \u201cPela f\u00e9 entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o vis\u00edvel veio a existir das coisas que n\u00e3o aparecem\u201d (Hebreus 11:3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bibliografia<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>ANTUNES, Davi Evandro. Uma breve an\u00e1lise do verbo <\/em><em>\u05d1\u05bc\u05e8\u05d0<\/em><em>: como entender a cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis 1:1<\/em><em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso. (Bacharel em Teologia). Unasp, Engenheiro Coelho, 2016.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>BERGMAN, J.; et al. \u201c<\/em>\u05d1\u05bc\u05e8\u05d0<em>\u201d<\/em><em>. In: BOTTERWECK, Johannes; RINGGREN, Helmer; FABRY, Heinz-Joseph. Theological Dictionary of the Old Testament. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1979.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>DOUKHAN, Jacques B. Genesis. Nampa, ID: Pacific Press, 2016. [Seventh-day Adventist International Bible Commentary]<\/em><\/p>\n<p><em>_____________. Response to John H. Walton at the Adventist Forum Conference. <\/em><em>2011. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/spectrummagazine.org\/article\/jacques-doukhan\/2011\/09\/12\/response-john-h-walton-adventist-forum-conference&gt;. <\/em><em>Acesso: Maio 2017.<\/em><\/p>\n<p><em>EVEN-SHOSHAN, Abraham. A New Concordance of the Old Testament: using the Hebrew and Aramaic text. Jerusalem: Kiryat Sefer Publishing House, 1989.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>KOEHLER, Ludwig; BAUMGARTNER, Walter. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. Leiden: Brill, 2000.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>TSUMURA, David Toshio. \u201cThe doctrine of Creation ex nihilo and the translation of toh\u00fb waboh\u00fb\u201d. In: MORIYA, Akio; HATA, Gohei (eds.). Pentateuchal Traditions in the Late Second Temple Period. Leiden: Brill, 2012. (Supplements ot the Journal for the Study of Judaism, vol. 158)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>TURNER, Laurence A. Genesis. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2009. [Readings: a New Biblical Commentary]<\/em><\/p>\n<p><em>WALTON, John H. Genesis 1 as Ancient Cosmology. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2011.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o e versifica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Todos os outros textos s\u00e3o cita\u00e7\u00e3o da ARA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que realmente significa o ato de criar da parte de Deus? Entenda completamente esse assunto.<\/p>\n","protected":false},"author":255,"featured_media":202591,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-202589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia"],"acf":false,"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-768x768.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/06\/22112834\/o-criar-na-criacao-290x220.jpg"}}