{"id":200994,"date":"2017-06-02T06:00:46","date_gmt":"2017-06-02T09:00:46","modified":"2025-01-09T12:32:16","modified_gmt":"2025-01-09T15:32:16","slug":"quando-as-pedras-clamam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rodrigo.silva\/quando-as-pedras-clamam\/","title":{"rendered":"Quando as pedras clamam"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-200995\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam.jpg 1200w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Descobertas arqueol\u00f3gicas em pa\u00edses como Egito, Israel e Iraque revelam cidades e fatos mencionados nas Escrituras. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A Arqueologia \u00e9 um ramo da ci\u00eancia que procura recuperar o ambiente hist\u00f3rico e a cultura dos povos antigos por meio de escava\u00e7\u00f5es e do estudo de documentos por eles deixados. Em termos acad\u00eamicos, \u00e9 importante diferenciar a Arqueologia hist\u00f3rica daquela chamada paleontol\u00f3gica que lida mais diretamente com formas pr\u00e9-diluvianas, a saber os f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao conhecimento cient\u00edfico das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es que vieram depois de No\u00e9, a Arqueologia sempre contribuiu no encontro e divulga\u00e7\u00e3o de arquivos, documentos, artefatos e objetos comuns que lan\u00e7am luz sobre a vida comercial, religiosa e social de povos at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos ou apenas mencionados de passagem na B\u00edblia ou em autores cl\u00e1ssicos da Gr\u00e9cia e de Roma.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rodrigo.silva\/educacao-nos-dias-de-cristo\/\">A educa\u00e7\u00e3o nos dias de Cristo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 Sagrada Escritura, \u00e9 not\u00f3rio entre muitos especialistas que as escava\u00e7\u00f5es no Oriente Pr\u00f3ximo t\u00eam em geral confirmado o quadro hist\u00f3rico que o referido livro apresenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Teologia subjacente por detr\u00e1s do texto, \u00e9 digno de nota que n\u00e3o cabe \u00e0 Arqueologia pronunciar-se a esse respeito. Foge \u00e0 al\u00e7ada de qualquer ci\u00eancia emitir julgamento sobre verdades que demandam uma atitude de f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, no que diz respeito \u00e0 B\u00edblia Sagrada, ser\u00e1 imposs\u00edvel pela arqueologia \u201cprovar\u201d, em termos de m\u00e9todo cient\u00edfico, que Deus existe, que criou o mundo, que haver\u00e1 um ju\u00edzo final etc. Seu papel se limita \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o da autenticidade de fatos narrados na B\u00edblia; o que contribui com a expectativa de que, se a hist\u00f3ria descrita \u00e9 real, a mensagem religiosa que a permeia tamb\u00e9m o ser\u00e1. Por outro lado, se a Arqueologia apresentasse elementos que desmentem o relato escrito pelos profetas, ent\u00e3o, automaticamente estaria posta em d\u00favida a confiabilidade da doutrina transmitida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contribui\u00e7\u00e3o das escava\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante anotar que o G\u00eanesis \u00e9 a mola mestra de toda cosmovis\u00e3o do cristianismo bem como do juda\u00edsmo e do islamismo, religi\u00f5es que, juntas, perfazem quase a metade da popula\u00e7\u00e3o mundial. Falando especificamente da teologia crist\u00e3, especialistas em Novo Testamento dizem que a doutrina de Cristo est\u00e1 edificada sobre a revela\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento, que por sua vez, repousa inteiramente sobre o relato de G\u00eanesis. Se a hist\u00f3ria do \u00c9den n\u00e3o aconteceu de fato, ent\u00e3o a humanidade n\u00e3o cometeu o chamado \u201cpecado original\u201d e n\u00e3o havia do que ser salva. Ou seja, a cren\u00e7a na morte expiat\u00f3ria de Cristo perde completamente seu significado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta, portanto, que a Teologia dirige ao arque\u00f3logo \u00e9: podem as escava\u00e7\u00f5es contribuir de alguma forma para a confirma\u00e7\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o e esclarecimento do relato b\u00edblico? A resposta \u00e9, sim, embora seja reconhecido que ainda n\u00e3o foram descobertos nem 20% do grande tesouro arqueol\u00f3gico que permanece oculto sob o solo de pa\u00edses como o Egito, Israel, L\u00edbano, Iraque e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel confirmar cada incidente descrito na B\u00edblia, pode-se afirmar que os achados arqueol\u00f3gicos t\u00eam contribu\u00eddo grandemente para a confirma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria contada pelos escritores can\u00f4nicos. Gra\u00e7as a isso alguns c\u00e9ticos chegam a reconhecer seu erro e, nalguns casos, se converterem em defensores da f\u00e9. Este foi o caso de Austin Miles, autor do <em>best seller<\/em> antib\u00edblico \u201cDont call me a brother\u201d (\u201cN\u00e3o me chame de irm\u00e3o\u201d) que, ao perceber tais evid\u00eancias, mudou sua posi\u00e7\u00e3o e hoje \u00e9 ferrenho defensor da historicidade da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em suma, qual seria o papel da Arqueologia no estudo e na prega\u00e7\u00e3o da B\u00edblia Sagrada? Wayne Jackson sistematizou em cinco pontos as contribui\u00e7\u00f5es da arqueologia para o crist\u00e3o. Ele diz: \u201ca ci\u00eancia da Arqueologia tem sido uma grande benfeitora dos estudantes da B\u00edblia. Ela tem: (1) ajudado na identifica\u00e7\u00e3o dos lugares e no estabelecimento de datas. (2) contribu\u00eddo para o melhor conhecimento de antigos costumes e obscuros idiomas (3) trazido luz sobre o significado de numerosas palavras b\u00edblicas (4) aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrin\u00e1rios do Novo Testamento (5) silenciado progressivamente certos cr\u00edticos que n\u00e3o aceitam a inspira\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus.\u201d <em>Biblical Studies in the Light of Archaeology<\/em> (Montgomery, AL: Apologetics Press, 1982), p. 4-5.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00ednive foi a capital da Ass\u00edria que inspirou o terror em todo o antigo Oriente M\u00e9dio por mais de 15 s\u00e9culos. A B\u00edblia a chamou de \u201ccidade sanguin\u00e1ria, toda cheia de mentiras e roubos e que n\u00e3o solta a sua presa\u201d (Naum 3:1). Foi contra ela que Jonas, certa vez, levantou sua prega\u00e7\u00e3o, que felizmente resultou a convers\u00e3o do povo e do rei da ocasi\u00e3o. Muitos duvidavam da exist\u00eancia de N\u00ednive que foi descoberta nas escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas de Austen H. Layard realizadas entre 1845 a 1857.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando N\u00ednive estava no seu apogeu, e, portanto, no seu per\u00edodo de maior viol\u00eancia, outro profeta de Deus declarou: \u201c[O Senhor] far\u00e1 de N\u00ednive um baldio desolado, uma regi\u00e3o \u00e1rida como o ermo. E no meio dela estar\u00e3o deitadas as greis, todos os animais selv\u00e1ticos de uma na\u00e7\u00e3o. Tanto o pelicano como o porco-espinho passar\u00e3o a noite entre os seus capit\u00e9is. Uma voz estar\u00e1 cantando na janela. Haver\u00e1 devasta\u00e7\u00e3o no limiar; porque ele certamente vai expor os pr\u00f3prios lambris.\u201d (Sofonias 2:13, 14) Atualmente, os visitantes veem apenas uma eleva\u00e7\u00e3o de terreno que marca o lugar desolado da antiga N\u00ednive. Al\u00e9m disso, ali pastam rebanhos de ovelhas, at\u00e9 hoje conforme fora predito.<\/p>\n\n\n\n<p>C. Torrey era professor da conceituada Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Em uma de suas entrevistas, ele anunciou a publica\u00e7\u00e3o de um estudo que desmentiria por completo o livro de Ezequiel e o contexto hist\u00f3rico que o circundava. O t\u00edtulo da obra, <em>Pseudo-Ezekiel and the Original Prophecy<\/em> (<em>O falso Ezequiel e a profecia original<\/em>), j\u00e1 dava uma boa ideia de seu conte\u00fado minimalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos correram para adquirir o <em>best-seller<\/em>, pois Torrey j\u00e1 era conhecido por publicar outros livros pol\u00eamicos sobre a B\u00edblia. Ele e seus seguidores j\u00e1 haviam lan\u00e7ado d\u00favidas sobre o cerco de Nabucodonosor a Jerusal\u00e9m, desacreditando, inclusive, que houvesse mesmo havido um \u201ccativeiro babil\u00f4nico\u201d e um retorno dos judeus sob o governo de Ciro.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes dele, outros c\u00e9ticos oriundos do Racionalismo e do Iluminismo alem\u00e3o haviam posto em d\u00favida a exist\u00eancia da pr\u00f3pria cidade de Babil\u00f4nia. Apesar de historiadores extra-b\u00edblicos como Beroso e Her\u00f3doto mencionarem-na em seus escritos, a cultura racionalista do s\u00e9culo 18 parecia ter um fasc\u00ednio em usar sua n\u00e3o descoberta como argumento para negar passagens da B\u00edblia que falavam da grande cidade. Foi preciso mais de um s\u00e9culo de espera at\u00e9 que em 1898, o arquiteto e arque\u00f3logo alem\u00e3o, Robert Koldewey, desenterrasse a cidade sob a colina de Hillah e provasse n\u00e3o somente sua exist\u00eancia, mas seu gigantesco tamanho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s propor\u00e7\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Torrey, no entanto, bastaram oito anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de seu livro, para que verificasse a falta de propriedade daquilo que ele dizia (apesar de ser professor de Yale!). Uma equipe brit\u00e2nica estava escavando a impressionante eleva\u00e7\u00e3o de <em>Tell edh-Duweir<\/em>, situada entre Hebron e Ascalom, quando perceberam que se tratava da antiga cidade de Laquis mencionada mais de vinte vezes no Antigo Testamento (Exemplos: Josu\u00e9 10:3, 5, 31-35; 12:11; 15:39; II Reis 14:19; 18:14, 17; II Cr\u00f4nicas 11:9; 25:27; 32:9; Neemias 11:30; Isa\u00edas 36:2; Jeremias 34:7 etc). Sua evid\u00eancia hist\u00f3rica j\u00e1 havia sido firmada desde o achado dos relevos de conquista do pal\u00e1cio de Senaqueribe, em N\u00ednive. Mas sua localiza\u00e7\u00e3o ainda era uma inc\u00f3gnita.<\/p>\n\n\n\n<p>A fortaleza encontrada em Tell edh-Duweir indicava claramente que, al\u00e9m do ataque ass\u00edrio de Senaqueribe em 701 a.C., a cidade tamb\u00e9m sofrera, juntamente com outras cidadelas da Jud\u00e9ia, um massivo ataque sequencial ocorrido nos dias de Nabucodonosor, o que aumentava a chance de terem sido realmente os babil\u00f4nios que saquearam a regi\u00e3o, conforme o relato b\u00edblico. A evid\u00eancia estava tanto ali quanto em outras cidades escavadas na regi\u00e3o como Eglon, Beth-shemesh, En Gedi, Gibeah e Arad.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os que procuram defender a integridade b\u00edblica, epis\u00f3dios como esse da descoberta de N\u00ednive mostram como a Arqueologia b\u00edblica muitas vezes teve o papel de silenciar cr\u00edticos que vez por outra se apresentam tentando por em xeque a confian\u00e7a nas Escrituras. N\u00e3o sabemos que novas evid\u00eancias a provid\u00eancia divina permitir\u00e1 que sejam encontradas. Mas muitos continuar\u00e3o procurando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pedras escavadas pelos arque\u00f3logos ajudam a silenciar cr\u00edticos que insistem em dizer que a B\u00edblia \u00e9 um relato historicamente inexistente<\/p>\n","protected":false},"author":237,"featured_media":200995,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-200994","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/05\/31082629\/quando-as-pedras-clamam-290x220.jpg"}}