{"id":196049,"date":"2017-04-15T06:02:58","date_gmt":"2017-04-15T09:02:58","modified":"2025-01-07T09:14:00","modified_gmt":"2025-01-07T12:14:00","slug":"lutero-o-encontro-homem-e-ocasiao-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/wilson.borba\/lutero-o-encontro-homem-e-ocasiao-parte-2\/","title":{"rendered":"Lutero: o encontro do homem e a ocasi\u00e3o \u2013 parte 2"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1335\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-193090\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1.jpg 2000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2017\/03\/15094552\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Martinho Lutero foi uma voz que se levantou para que seu povo tivesse acesso ao texto b\u00edblico em sua pr\u00f3pria l\u00edngua (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Vamos continuar a falar de Lutero nesse artigo. Em 1511, Lutero foi enviado por seu mosteiro a Roma a neg\u00f3cios, mas voltou escandalizado pelo mau exemplo dos sacerdotes. Em resultado escreveu: \u201c...se existe um inferno, Roma \u00e9 constru\u00edda sobre ele, \u00e9 um abismo de onde todos os pecados prosseguem\".<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> Ainda em Roma, ele desejou obter uma indulg\u00eancia<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> que o papa prometera a todos os que de joelhos subissem o que se chamava <em>Escada de Pilatos<\/em>, que, segundo uma supersti\u00e7\u00e3o, havia sido miraculosamente transportada de Jerusal\u00e9m para Roma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, enquanto se dedicava a este ato merit\u00f3rio, Lutero ouviu uma voz semelhante a trov\u00e3o que pareceu dizer-lhe: \"O justo viver\u00e1 pela f\u00e9\". \u201cEstas palavras, que j\u00e1 em duas ocasi\u00f5es diferentes o atingiram como a voz de um anjo de Deus, ressoaram alto e incessantemente dentro dele. Ele se ergueu espantado pelos degraus ao longo dos quais estava arrastando seu corpo\u201d.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/wilson-borba\/lutero-o-encontro-do-homem-e-ocasiao-parte-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lutero: o encontro do homem e a ocasi\u00e3o - parte I<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Segundo Ellen White, \u201cDesde aquele tempo, [Lutero] viu mais claramente do que nunca o engano de se confiar nas obras humanas para a salva\u00e7\u00e3o, e a necessidade de f\u00e9 constante nos m\u00e9ritos de Cristo. Seus olhos foram abertos, e nunca mais iriam se fechar aos enganos do papado. Quando ele deu as costas a Roma, tamb\u00e9m dela volveu o cora\u00e7\u00e3o, e desde aquele tempo o afastamento se tornou cada vez maior, at\u00e9 romper todo contato com a igreja papal\u201d.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1512, Lutero recebeu o t\u00edtulo de doutor em teologia b\u00edblica, e foi convocado para ensinar teologia na Universidade de Wittenberg, onde a filosofia escol\u00e1stica estava sendo substitu\u00edda pela teologia b\u00edblica.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> \u201cDe 1513 a 1515, deu aulas sobre os Salmos, e de 1515 a 1517 sobre a carta aos Romanos, e depois sobre G\u00e1latas e Hebreus\u201d.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Lutero estudou o tema da justi\u00e7a de Deus conforme apresentado em Romanos 1:17 \u201cPorque nele se descobre a justi\u00e7a de Deus de f\u00e9 em f\u00e9, como est\u00e1 escrito: Mas o justo viver\u00e1 pela f\u00e9\u201d. Cairns afirma que, entre 1512 e 1516, \u201cA leitura do verso 17 do cap\u00edtulo 1 de Romanos convenceu-o de que somente pela f\u00e9 em Cristo era poss\u00edvel algu\u00e9m tornar-se justo diante de Deus. A partir da\u00ed, a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9, e a <em>Sola Scriptura<\/em>, a ideia segundo a qual as Escrituras s\u00e3o a \u00fanica autoridade para o pecador procurar a salva\u00e7\u00e3o, passaram a ser os pontos principais do seu sistema teol\u00f3gico\u201d.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Justi\u00e7a de Deus<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Em acordo, Alberto L. Garc\u00eda declara: \u201cA minha opini\u00e3o \u00e9 que Lutero come\u00e7ou especialmente a partir de 1515 a lutar com este conceito [justi\u00e7a] de modo espec\u00edfico. Isto \u00e9 devido, sobretudo que podemos ver Lutero em suas aulas sobre Romanos 3:10 e 4:7, lutando com conceitos chaves\u201d.<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> Anteriormente, Lutero via a justi\u00e7a de Deus como a de um juiz, por isso, a temia. \u201cEu odiava a frase \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d que se fala em Romanos 1:17 porque pelo uso e costume de todos os doutos havia sido ensinado a entende-la filosoficamente como a justi\u00e7a formal ou ativa pela qual Deus \u00e9 justo e castiga aos pecadores e aos injustos\u201d.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com persist\u00eancia e ora\u00e7\u00e3o, Lutero estudou o tema. \u201cDia e noite eu estava meditando para compreender a conex\u00e3o das palavras... \u201cA justi\u00e7a de Deus, se revela nele, como est\u00e1 escrito o justo viver\u00e1 pela f\u00e9\u201d. A\u00ed comecei a entender a justi\u00e7a de Deus como uma justi\u00e7a pela qual o justo vive como um dom de Deus, a saber pela f\u00e9\u201d.<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a> Lutero entendeu que a justi\u00e7a ali apresentada n\u00e3o era <em>exigida<\/em> do homem, mas <em>oferecida <\/em>ao crente pelo evangelho. Descobriu que \u201c...a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d que se fala Romanos 1:17 n\u00e3o era a severa justi\u00e7a legal com que condena..., mas a justi\u00e7a da gra\u00e7a, atrav\u00e9s da qual pelo sofrimento redentor de seu Filho amado, por pura miseric\u00f3rdia, olha com clem\u00eancia a f\u00e9 do pecador e a este justifica\u201d.<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a> Ent\u00e3o testemunhou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me senti como se houvesse nascido de novo e como se houvera entrado no para\u00edso pelas portas rec\u00e9m abertas. Desde ent\u00e3o a B\u00edblia come\u00e7ou a falar-me de uma maneira um tanto diferente. A mesma frase \u201ca justi\u00e7a de Deus\u201d que anteriormente me parecia odiosa, tornou-se agora aquela que eu mais amava mais que todas as outras. Foi assim que aquela passagem paulina tornou-se para mim a porta do para\u00edso. Finalmente, a Escritura inteira me mostrou outra face\u201d.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ewald Plass, \u201cLutero prop\u00f4s, com base em sua interpreta\u00e7\u00e3o das&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sagradas_Escrituras\">Sagradas Escrituras<\/a>, especialmente da&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ep%C3%ADstola_aos_Romanos\">Ep\u00edstola de Paulo aos Romanos<\/a>, que a&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Salva%C3%A7%C3%A3o\">salva\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;n\u00e3o poderia ser alcan\u00e7ada pelas boas obras ou por quaisquer m\u00e9ritos humanos, mas t\u00e3o somente pela f\u00e9 em Cristo Jesus (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sola_fide\"><em>sola fide<\/em><\/a>), \u00fanico salvador dos homens, sendo gratuitamente oferecida por Deus aos homens.\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Indulg\u00eancias<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 linha cronol\u00f3gica. \u201cO papa reinante, Le\u00e3o X, em virtude de que necessitava grandes somas de dinheiro para terminar a bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro em Roma, permitiu a um agente chamado Johann Tetzel, que fosse pela Alemanha vendendo certificados, assinados pelo papa\u201d.<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> Conforme Cairns: \u201cTetzel ensinava que o arrependimento n\u00e3o era necess\u00e1rio para quem comprasse uma indulg\u00eancia, por si mesma capaz de dar perd\u00e3o completo de todo pecado\u201d.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Hurlbut esclarece que o objetivo de Tetzel \u201c...era perdoar todo pecado, n\u00e3o somente dos possuidores do certificado, mas tamb\u00e9m dos amigos vivos ou mortos em cujo favor se comprassem\u201d. <a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a> Ele fazia \u201ctr\u00e1fico\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a> ao dizer ao povo: \u201cT\u00e3o logo sua moeda soe no cofre, a alma de seus amigos ascender\u00e1 do purgat\u00f3rio ao c\u00e9u\u201d.<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Indignado com os enganos de Tetzel, em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou 95 teses na porta da igreja do Castelo de Wittemberg<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a> \u201cque servia como painel de afixa\u00e7\u00e3o dos boletins da universidade\u201d.<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a> Al\u00e9m das <em>indulg\u00eancias<\/em>, suas teses versavam principalmente sobre&nbsp;<em>penit\u00eancia, e a salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9.<\/em><a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a> Lutero negou a efic\u00e1cia das indulg\u00eancias. Observemos, por exemplo, as teses 52 e 76. \u201cA esperan\u00e7a de ser salvo pelas indulg\u00eancias \u00e9 uma esperan\u00e7a embusteira e mentirosa...ainda que o papa, para confirm\u00e1-la, empenhasse a sua alma\u201d. \u201cA indulg\u00eancia do papa n\u00e3o pode tirar o mais leve pecado quotidiano, do que diz respeito a culpa ou a ofensa\u201d.<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a> Segundo o reformador: \u201cO verdadeiro e precioso tesouro da igreja \u00e9 o santo Evangelho da gl\u00f3ria e da gra\u00e7a de Deus\u201d.<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Lutero n\u00e3o imaginava a repercuss\u00e3o que teria aquele ato inicial, que o levaria diante de dignit\u00e1rios papais, e do pr\u00f3prio imperador Carlos V. Por toda Europa, pessoas buscavam c\u00f3pias das teses. Ele tornou-se um her\u00f3i. Entretanto, segundo Froom: \u201c...foi sua apari\u00e7\u00e3o diante da Dieta de Worms, para defender sua posi\u00e7\u00e3o da Escritura diante do imperador, que o fez um her\u00f3i nacional. Suas tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia na l\u00edngua alem\u00e3 o classificam entre os mestres e moldadores da l\u00edngua alem\u00e3. E sua doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 tornou-se o grito de batalha da Reforma\u201d.<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 7 de julho de 1519, Lutero enfrentou, em Leipzig, o celebrado controversista Johannes Maier de Eck, te\u00f3logo de Ingolstadt. Nesta disputa, a quest\u00e3o das indulg\u00eancias ficou em segundo plano. O tema central foi a autoridade e o car\u00e1ter das decis\u00f5es papais e conciliares. \u201cA disputa alcan\u00e7ou seu ponto culminante quando Lutero afirmou que os conc\u00edlios n\u00e3o s\u00f3 podem errar, sen\u00e3o que tem errado de fato, como o conc\u00edlio de Constan\u00e7a na condena\u00e7\u00e3o de Huss. Dessa maneira, nascia o princ\u00edpio fundamental da reforma, o principio <em>Sola Scriptura<\/em>, a Sagrada Escritura como fonte \u00fanica para julgar sobre a ortodoxia da f\u00e9\u201d.<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Autoridade das Escrituras Sagradas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Provavelmente, a maior contribui\u00e7\u00e3o de Lutero seja no terreno da autoridade das Escrituras Sagradas. Ele mesmo reconheceu: \u201cTudo depende da Palavra, que o papa nos tem tirado e falsificado\u201d.<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a> Ao Lutero exaltar a autoridade suprema das Escrituras, \u201csua teologia desafiou a infalibilidade papal em termos doutrin\u00e1rios, pois defendia que apenas as&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Escrituras_Sagradas\">Escrituras<\/a>&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sola_scriptura\"><em>Sola Scriptura<\/em><\/a>) seriam fonte confi\u00e1vel de conhecimento da verdade revelada por Deus\u201d.<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a>&nbsp;Assim, a Reforma Protestante resultou do choque entre o princ\u00edpio&nbsp;<em>Sola Scriptura<\/em>&nbsp;defendido pelos reformadores, e a tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica da Igreja Romana. &nbsp;Para os reformadores e os antigos protestantes, somente a B\u00edblia \u00e9 a suprema regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica, pois a Palavra de Deus est\u00e1 acima de todos os conc\u00edlios.<a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a> A esse respeito, algumas igrejas necessitam de uma reforma do p\u00falpito, pois: \u201cAs palavras da B\u00edblia e a B\u00edblia somente, deviam ser ouvidas do p\u00falpito\u201d.<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de julho de 1520, o papa Le\u00e3o X emitiu bula de excomunh\u00e3o \u2013 a \u201cExsurge Domini\u201d <a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a> dando a Lutero um prazo de 60 dias para retrata\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a> Conforme descreve Baker<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a>, Lutero escreveu tr\u00eas tratados para esclarecer suas cren\u00e7as. Em agosto publicou o \u201cDiscurso a Nobreza Alem\u00e3\u2019, em que clamava por uma reforma da igreja atacando as pretens\u00f5es papais de que o poder espiritual est\u00e1 acima do temporal, que s\u00f3 o papa pode interpretar as Escrituras, e que os conc\u00edlios ecum\u00eanicos s\u00f3 podem ser convocados por um papa. Nesse tratado, tamb\u00e9m atacou o monasticismo, o celibato, e as corrup\u00e7\u00f5es internas da Igreja Romana. Em outubro publicou o \u201cCativeiro Babil\u00f4nico\u201d atacando a efic\u00e1cia das indulg\u00eancias e o sistema sacramental de Roma. E, no m\u00eas seguinte, apareceu seu tratado \u201cA Liberdade do Homem Crist\u00e3o\u201d, em que exaltava a liberdade e o sacerd\u00f3cio de cada crente.<a href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\">[33]<\/a> No final de 1520, ou no princ\u00edpio de 1521 teve lugar uma queima dos escritos de Lutero em Oxford.<a href=\"#_edn34\" name=\"_ednref34\">[34]<\/a> Em resposta, em 10 de dezembro do mesmo ano, Lutero queimou em p\u00fablico a bula de Le\u00e3o.<a href=\"#_edn35\" name=\"_ednref35\">[35]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, em 17 de abril de 1521, atendendo o requerimento do imperador Carlos V que na \u00e9poca tinha 21 anos de idade<a href=\"#_edn36\" name=\"_ednref36\">[36]<\/a>, Lutero compareceu ante a Dieta do Imp\u00e9rio reunida em Worms.<a href=\"#_edn37\" name=\"_ednref37\">[37]<\/a> Novamente ele se recusou a se retratar a menos que fosse convencido pelo \u201ctestemunho das Escrituras\u201d ou pela raz\u00e3o. Disse que se basearia somente nisso, e pediu a ajuda de Deus.<a href=\"#_edn38\" name=\"_ednref38\">[38]<\/a> Lutero foi excomungado, e tamb\u00e9m considerado fora da lei do sacro imp\u00e9rio romano-germ\u00e2nico.<a href=\"#_edn39\" name=\"_ednref39\">[39]<\/a> Assim como Paulo, ele podia dizer: \u201cN\u00e3o me envergonho do evangelho de Jesus Cristo, pois \u00e9 o poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo aquele que nele cr\u00ea\u201d (Romanos 1:16).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o precisamos concordar com tudo o que Lutero fez e ensinou, no entanto, ao ver sua contribui\u00e7\u00e3o para a causa do evangelho temos de reconhecer que ele foi o homem certo para aquela hora. \u201cZeloso, ardente e dedicado, n\u00e3o conhecendo outro temor sen\u00e3o o de Deus, e n\u00e3o reconhecendo outro fundamento para a f\u00e9 religiosa al\u00e9m das Escrituras Sagradas, Lutero foi o homem para o seu tempo; por meio dele Deus efetuou uma grande obra para a reforma da igreja e esclarecimento do mundo\u201d.<a href=\"#_edn40\" name=\"_ednref40\">[40]<\/a> O mundo ainda necessita de homens escolhidos para o tempo certo. N\u00e3o seria apropriado buscarmos um verdadeiro reavivamento, e uma verdadeira reforma, de tal modo, que novamente o mundo possa ver \u201co homem e a ocasi\u00e3o\u201d se encontrarem? \u201cA maior necessidade do mundo \u00e9 a de homens - homens que se n\u00e3o comprem nem se vendam; homens que no \u00edntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que n\u00e3o temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consci\u00eancia seja t\u00e3o fiel ao dever como a b\u00fassola o \u00e9 ao p\u00f3lo; homens que permane\u00e7am firmes pelo que \u00e9 reto, ainda que caiam os c\u00e9us\u201d.<a href=\"#_edn41\" name=\"_ednref41\">[41]<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>D\u2019Aubign\u00e9, 1: 150.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>Indulg\u00eancia no contexto Cat\u00f3lico Romano medieval significava indulto, perd\u00e3o, e remiss\u00e3o de pecados que podiam ser conquistados atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es merit\u00f3rias, ou dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>D\u2019Aubign\u00e9, 1: 151.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>Ellen G. White, O grande conflito (Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), 125. A seguir: White, O grande conflito.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a>Froom, 67.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a>J. Dias, \u201cMartinho Lutero, o Reformador da Igreja\u201d, <a href=\"http:\/\/www.santovivo.net\/gpage%20321.aspx\">http:\/\/www.santovivo.net\/gpage 321.aspx<\/a> (Consultado em 28 de fevereiro de 2017, 15:00h).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a>Cairns, 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a>Alberto L. Garc\u00eda, \u201cLutero, Martinho\u201d, em Justo L. Gonz\u00e1lez, ed., Dicion\u00e1rio ilustrado dos int\u00e9rpretes da f\u00e9 (S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2008), 434.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a>Justo L. Gonz\u00e1lez, Historia del pensamiento cristiano: desde la reforma protestante hasta el siglo veinte (Editorial Caribe, s.d.), 3:17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a>Ib\u00edd., 29.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a>August Franzen, Historia de la iglesia (Barcelona: Editorial Sal Terrae, 2009), 261. A seguir Franzen.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a>Luther's Works, Concordia Publishing House, 34: 336.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a>Ewald M. Plass,&nbsp;What Luther Says, 3 vols., (St. Louis: CPH, 1959), 88, no. 269; M. Reu,&nbsp;Luther and the Scriptures, Columbus, Ohio: Wartburg Press, 1944), 23. A seguir: Plass.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a>Jesse Lyman Hurlbut, Historia de la iglesia cristiana (Editorial Vida, s.d.), 88. A seguir: Hurlbut.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a>Cairns, 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a>Hurlbut, 88.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a>Franzen, 258.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a>Hurlbut, 88.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a>Ib\u00edd., 88, 89.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a>W. Walker, Hist\u00f3ria da igreja crist\u00e3, 3\u00aa ed. (S\u00e3o Paulo, ASTE, 2006), 497.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a>D\u2019Aubign\u00e9, 1: 264-276.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a>Ib\u00edd., \u201cTese 52 e 76\u201d, 1: 268, 269.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a>Ib\u00edd., \u201cTese 62\u201d, 1: 269.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a>Froom, 65.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a>Josef Lenzenweger, Peter Stockmeier Karl Amon, Rudolf Zinnhobler, Historia de la iglesia cat\u00f3lica, 374.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a>D\u2019Aubign\u00e9, 1:270.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a>Ewald M. Plass, 23.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a>White, O grande conflito, 166.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a>Ellen G. White, Profetas e reis, 8\u00aa ed. (Tatu\u00ed, S\u00e3o Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2013), 626.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a>Cairns, 237.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a>Baker, 180.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a>Ib\u00edd.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\">[33]<\/a>Ib\u00edd., 180, 181. Para ler esses tratados ver: Martin Luther, Three Treatises (Philadelphia: Fortress Press, 1984).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref34\" name=\"_edn34\">[34]<\/a>Josef Lenzenweger, Peter Stockmeier Karl Amon, Rudolf Zinnhobler, Historia de la iglesia cat\u00f3lica (Barcelona: Editorial Herder, 1989), 403.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref35\" name=\"_edn35\">[35]<\/a>Cairns, 237.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref36\" name=\"_edn36\">[36]<\/a>Ib\u00edd., 425.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref37\" name=\"_edn37\">[37]<\/a>Baker, 181.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref38\" name=\"_edn38\">[38]<\/a>Cairns, 237.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref39\" name=\"_edn39\">[39]<\/a>Para ler sobre o Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico ver \u201cHist\u00f3ria da Alemanha\u201d em http:\/\/www.suapesquisa.com\/paises\/alemanha\/historia_alemanha.htm.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref40\" name=\"_edn40\">[40]<\/a>White, O grande conflito, 120.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref41\" name=\"_edn41\">[41]<\/a>Ellen G. White, Educa\u00e7\u00e3o (Tatu\u00ed, S\u00e3o Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2013), 57.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lutero foi o homem certo na hora certa. 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