{"id":183257,"date":"2016-11-28T08:09:31","date_gmt":"2016-11-28T11:09:31","modified":"2025-01-21T13:30:19","modified_gmt":"2025-01-21T16:30:19","slug":"globalizacao-em-choque-e-uma-proposta-para-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/globalizacao-em-choque-e-uma-proposta-para-2017\/","title":{"rendered":"A globaliza\u00e7\u00e3o em choque e uma proposta para 2017"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-402114\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Integrar tecnologia e contato humano \u00e9 o desafio das institui\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar relev\u00e2ncia e compaix\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu comecei a me interessar de verdade pela globaliza\u00e7\u00e3o depois que conheci Thomas Friedman. Eu ganhei <em>O Lexus e a Oliveira (<\/em>Editora Objetiva), quase um manifesto apaixonado escrito por esse jornalista americano. Thomas Friedman \u00e9 colunista de assuntos internacionais do <em>The New York Times<\/em> (suas colunas s\u00e3o reproduzidas no Brasil no portal Uol).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ansiedade t\u00edpica da Guerra Fria foi o medo da aniquila\u00e7\u00e3o por um inimigo muito bem conhecido, num mundo est\u00e1tico e est\u00e1vel. A ansiedade pr\u00f3pria da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o medo da rapidez da mudan\u00e7a, precipitada por um inimigo invis\u00edvel, intoc\u00e1vel e impercept\u00edvel \u2013 a sensa\u00e7\u00e3o de que, a qualquer momento, sua vida est\u00e1 sujeita a transforma\u00e7\u00f5es impostas por for\u00e7as econ\u00f4micas e tecnol\u00f3gicas an\u00f4nimas\u201d, escreveu, mostrando como a Guerra Fria foi substitu\u00edda pela for\u00e7a dominante dessa nova ordem da atualidade. Gostei tanto que comprei <em>O Mundo \u00e9 Plano<\/em>, seu best-seller, que mostra um campo de competi\u00e7\u00e3o onde as for\u00e7as dos Estados Unidos est\u00e3o niveladas com for\u00e7as de pa\u00edses em desenvolvimento. China e \u00cdndia como exemplos, com servi\u00e7os que poderiam ser feitos em estados americanos sendo transferidos para pa\u00edses como esses, em uma fuga impressionante de empregos. Friedman ampliou o tema, ao lan\u00e7ar <em>Quente, Plano e Lotado<\/em>, que tamb\u00e9m recomendo, tentando propor solu\u00e7\u00f5es para problemas dessa nova ordem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/valdeci-junior\/vida-da-igreja-na-pos-modernidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A vida da igreja na p\u00f3s-modernidade<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Thomas Friedman aponta seu racioc\u00ednio para um caminho simples de entender: O surgimento da web, da fibra \u00f3tica, dos dispositivos m\u00f3veis, do c\u00f3digo aberto, da democratiza\u00e7\u00e3o de acesso a comunica\u00e7\u00f5es por meio de servi\u00e7os como o Voip, da terceiriza\u00e7\u00e3o global e da tecnologia colaborativa planificaram o mundo, nivelando for\u00e7as econ\u00f4micas e abrindo espa\u00e7os de crescimento para quem soubesse surfar essa nova onda. Era um racioc\u00ednio t\u00e3o claro que o jornalista se mostrou indiferente para teorias igualmente importantes sobre este novo mundo, como o choque de civiliza\u00e7\u00f5es do cientista pol\u00edtico Samuel Huntington e suas amea\u00e7as de conflitos culturais e radicalismos tribais; e o fim da hist\u00f3ria do economista Francis Fukuyama, apontando a ascens\u00e3o da democracia liberal do Ocidente como ponto final da hist\u00f3ria pol\u00edtica e econ\u00f4mica da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As ideias de Friedman, t\u00e3o otimistas e encantadoras, fizeram sentido para mim at\u00e9 o esfarelamento das torres g\u00eameas em 11 de setembro de 2001. Em 2016, assistimos a perplexidade da imprensa, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, das m\u00eddias sociais e da opini\u00e3o p\u00fablica com a ascens\u00e3o de for\u00e7as <em>anti-establishment<\/em>, que conseguiram vit\u00f3rias expressivas nas urnas e parecem representar as aspira\u00e7\u00f5es de uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se veem representadas pelos apelos do conte\u00fado produzido pela m\u00eddia e pelas redes sociais. Talvez assistir a um document\u00e1rio como Detropia, por exemplo, ajude a entender mais a vit\u00f3ria de Donald Trump do que toda a an\u00e1lise pol\u00edtica realizada pela m\u00eddia at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mais contato nas ruas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Esse sistema de for\u00e7as emergentes que parece existir \u00e0 margem do conte\u00fado e da influ\u00eancia da m\u00eddia contempor\u00e2nea me faz refletir sobre uma necessidade vital das institui\u00e7\u00f5es hoje, que \u00e9 dividir seu tempo entre o conte\u00fado mobile, as estrat\u00e9gias web e as an\u00e1lises do <em>Google Analytic<\/em>s e sa\u00edrem um pouco para as ruas, para conversar com pessoas que at\u00e9 podem eventualmente consumir o conte\u00fado produzido pelas institui\u00e7\u00f5es, mas que n\u00e3o encontram nesse conte\u00fado o eco para suas necessidades e aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, o trabalhador branco de meia idade que vive em cidades como Detroit, e que viram seus empregos sumirem, como resultado do avan\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o, foram agentes de mudan\u00e7a que cresceram longe das an\u00e1lises do jornalismo e de reflex\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica. O mesmo aconteceu em lugares como o Brasil, onde uma popula\u00e7\u00e3o religiosa, predominantemente pobre e neopentecostal, que assiste ao retrocesso da economia cujo avan\u00e7o de 20 anos atr\u00e1s a fez ascender economicamente, parece n\u00e3o ter sido devidamente ouvida em nenhuma proje\u00e7\u00e3o de mercado e ainda viu e continua vendo, assistindo e ouvindo manifesta\u00e7\u00f5es de preconceito de formadores de opini\u00e3o, argumentando se tratar de um povo alienado.<\/p>\n\n\n\n<p>Refletir sobre isso me fez lembrar do exemplo de Jesus, que percorria as ruas para ouvir as pessoas em seus lugares, mesmo suburbanos e obscuros, levando os disc\u00edpulos a procurar entender o que se passava na vida das pessoas e tentando responder a esses anseios com ideais do Reino de Deus. Acredito que Jesus faria o mesmo hoje, usando as redes sociais e com mobile na m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez essa seja a grande e necess\u00e1ria tend\u00eancia para o futuro. Sair da zona de conforto proporcionada pelas an\u00e1lises de marketing digital (em um pa\u00eds com s\u00e9rios problemas de inclus\u00e3o digital como o Brasil, onde a internet ainda n\u00e3o alcan\u00e7a plenamente a quase 50% da popula\u00e7\u00e3o, segundo dados do IBGE) e colocar os p\u00e9s nas ruas e visitar mais as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou a hora de equilibrar as coisas. Sair um pouco dos canais geeks e ouvir o que as palafitas, sub\u00farbios, favelas, pequenas cidades t\u00eam a dizer. Infelizmente, essa parece n\u00e3o ser, ainda, a tend\u00eancia do marketing digital para 2017. Pelo que li e pesquisei at\u00e9 agora, de ag\u00eancias variadas e diversos analistas dessas tend\u00eancias, em 2017 teremos mais propaganda em canais como o Instagram, a explos\u00e3o do live no pr\u00f3prio Instagram e no Facebook, a consolida\u00e7\u00e3o do Imbound Marketing, e muito mais ideias centradas no falar, falar, falar. E se vai ouvir, ou\u00e7a o que as redes sociais t\u00eam a dizer. Ouvir essas redes evidentemente \u00e9 importante. Mas vai passar sempre a impress\u00e3o que se fala para convertidos, para quem pensa igual, para quem idealiza o mundo do mesmo jeito. Pense um pouco e perceba, por exemplo, como \u00e9 desconfort\u00e1vel estar em um grupo no Whatsapp e ter algu\u00e9m que pensa um pouco diferente e parece n\u00e3o se ajustar devidamente na casinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acredito que o conte\u00fado \u00e9 e continua sendo o rei. O problema \u00e9 quando esse rei s\u00f3 consegue se comunicar com sua corte, sendo irrelevante para o resto.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que um pouco de sol e poeira em 2017 pode ajudar institui\u00e7\u00f5es \u2013 a igreja entre elas \u2013 a ter empatia necess\u00e1ria para ser ouvida e, no caso da igreja, apresentar uma face mais humana e compassiva de sua f\u00e9, transformando a esperan\u00e7a em algo real para as pessoas. Fico feliz pelo movimento que vejo na igreja hoje, tentando entender essa realidade. <a href=\"http:\/\/ulb.adventistas.org\/\">Em minha regi\u00e3o<\/a>, h\u00e1 o sonho de visitar, em 2017, todas as casas de membros da comunidade de f\u00e9 que representamos nos Estados da Bahia e de Sergipe, algo em torno de 200 mil pessoas. A revolu\u00e7\u00e3o talvez seja essa. Uma mistura de marketing digital e uma pele mais curtida pelo sol e poeira dos sub\u00farbios e das pequenas cidades e povoados do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue explicar tudo. \u00c9 preciso, ainda, ouvir as pessoas diretamente onde vivem. \u00c9 o que a Igreja precisa fazer<\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":402114,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3609,3225],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-183257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-missao","xtt-pa-editorias-tecnologia","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Miss\u00e3o","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-768x487.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/shutterstock_2495143773-1-480x270.jpg"}}