{"id":182665,"date":"2016-11-21T16:32:29","date_gmt":"2016-11-21T19:32:29","modified":"2021-11-15T20:57:11","modified_gmt":"2021-11-15T23:57:11","slug":"o-medo-de-perder-tira-vontade-de-ganhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/carlos.nunes\/o-medo-de-perder-tira-vontade-de-ganhar\/","title":{"rendered":"O medo de perder tira a vontade de ganhar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-182670 size-large\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder-617x460.jpg\" alt=\"Uphill\" width=\"617\" height=\"460\" \/><\/p>\n<p>\u201cO medo de perder tira a vontade de ganhar\u201d. Essa frase foi dita pelo t\u00e9cnico Vanderlei Luxemburgo e, hoje, digo que modela, sem d\u00favida, muito dos comportamentos corporativos. Nossa capacidade de protagonismo est\u00e1 quase castrada em benef\u00edcio de uma sobreviv\u00eancia institucional. Regras impl\u00edcitas, padr\u00f5es preconcebidos e nem sempre oficializados t\u00eam limitado o grau de independ\u00eancia que deveria ser inato ao ser humano, \u00e0 parte de seu compromisso laboral.<\/p>\n<p>Esse artigo busca refletir sobre isso, notadamente em n\u00edvel eclesi\u00e1stico, e pretende uma conclus\u00e3o autoral, consideradas as inst\u00e2ncias \u00e0s quais dependo e me reporto respeitosamente, como pastor desta Igreja.<\/p>\n<p>Um dia, quando ainda era estudante do curso de Teologia, ouvi de um experiente servidor adventista algo que ainda hoje repercute em minha mente: \u201cMais vale um cachorro vivo do que um le\u00e3o morto\u201d. Uma frase b\u00edblica, <em>por supuesto<\/em>. Esse amigo fazia refer\u00eancia ao desafio da sobreviv\u00eancia em ambientes hostis a opini\u00f5es divergentes ao <em>establishment<\/em>. O verso de Eclesiastes se insere no contexto da preserva\u00e7\u00e3o da vida porque, na morte, n\u00e3o h\u00e1 lucro, reconhecimento e, sobretudo, sentido existencial! O majestoso le\u00e3o que ruge alto e forte, morto, perde sua pose, poder ou influ\u00eancia. Da\u00ed que, diante do risco da morte f\u00edsica ou institucional, melhor \u00e9 contentar-se com a vida, ainda que permane\u00e7as n\u00e3o mais do que um c\u00e3o, ladrando, mas vivo!<\/p>\n<p>O dilema da vida \u00e9 escolher a op\u00e7\u00e3o mais adequada, ainda que pare\u00e7a \u00f3bvio querer continuar vivo! Que tipo de vida? Uma vida sem sal, ins\u00edpida, conformada aos paradigmas estabelecidos ou uma exist\u00eancia disposta ao protagonismo, a pagar o pre\u00e7o, ainda que ele seja a morte institucional\u2026<\/p>\n<p>Muitos j\u00e1 sofreram as consequ\u00eancias do protagonismo. A vida mesmo, seus compromissos e complexidades, vai exigindo uma esp\u00e9cie de intelig\u00eancia emocional que assegure uma sobrevida sem que isso signifique vender a alma. Os muito corajosos, \u00e0s vezes, s\u00e3o os le\u00f5es mortos pela estrada da vida. N\u00e3o existe ambiente social ou profissional que n\u00e3o nos v\u00e1 exigir uma conforma\u00e7\u00e3o. O ponto \u00e9 entender a dial\u00e9tica da estrutura e romp\u00ea-la para que a mesma n\u00e3o nos absorva de tal forma a anular-nos. Se eu tivesse a f\u00f3rmula, j\u00e1 estaria rico, famoso e vendendo ideias pelo TED!<\/p>\n<p>O que me assusta \u00e9 que a contrarrevolu\u00e7\u00e3o vendida por Cristo seja anulada pela pr\u00f3pria ag\u00eancia institu\u00edda pelos c\u00e9us para represent\u00e1-lo na Terra: a Igreja. Essa institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi idealizada para aqueles que possuem um t\u00edtulo eclesi\u00e1stico! A pr\u00f3pria express\u00e3o \u201cirm\u00e3os laicos\u201d \u00e9 um exemplo da disfun\u00e7\u00e3o social vivida dentro da <em>eklesia<\/em>. Do grego <em>laos<\/em>, significa povo. Assim que, etimologicamente n\u00e3o deveria conter em si a ideia de separar laicos e pastorado porque, mesmo n\u00f3s, pastores, somos o <em>laos<\/em> de Deus! Acontece que a estrutura acaba, em muitos momentos, privilegiando essa classe que, creio, n\u00e3o conforma o ideal divino!<\/p>\n<p>\u00c9 tanto assim que j\u00e1 vi in\u00fameras vezes os pr\u00f3prios laicos incorporando aos seus companheiros o t\u00edtulo \u201cpr\u201d como maneira de fazer-lhes crescer de import\u00e2ncia na pir\u00e2mide eclesi\u00e1stica. Um \u201cpr\u201d \u00e0 frente abre portas, cria vantagens e pode at\u00e9 massagear egos desinflados\u2026<\/p>\n<p>Pessoas pr\u00f3ximas a mim, e eu mesmo, j\u00e1 \u00b4pagamos\u00b4 de le\u00e3o morto! J\u00e1 dever\u00edamos ter aprendido a li\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade? N\u00e3o! Minha aspira\u00e7\u00e3o pela vida inclui rugir o mais alto que possa. No simulacro da exist\u00eancia n\u00e3o me imagino cumprindo o papel do latido. Dizer amanh\u00e3 o que todos est\u00e3o liberados a dizer n\u00e3o me contenta! Prefiro dizer antes, quando o risco da morte pode ser uma realidade iminente. Quando chegar o momento de declarar nossa f\u00e9 diante de toda uma circunst\u00e2ncia contr\u00e1ria, creio que Deus pedir\u00e1 de cada um de n\u00f3s um rugido forte em defesa da f\u00e9 e muitos vamos morrer! Uma morte digna da salva\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9ritos de um Cristo que bradou o maior grito silencioso da hist\u00f3ria, pendurado naquela cruz, como um le\u00e3o morto. O le\u00e3o da tribo de Jud\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na vida crist\u00e3, um passo rumo \u00e0 morte pode significar caminhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida<\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":182670,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3218],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-182665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-estilo-de-vida"],"acf":false,"terms":{"editorial":"Estilo de Vida","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder-768x412.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/11\/21162551\/medodeperder-290x220.jpg"}}