{"id":176879,"date":"2016-10-10T08:05:58","date_gmt":"2016-10-10T11:05:58","modified":"2025-01-22T11:41:26","modified_gmt":"2025-01-22T14:41:26","slug":"quando-metade-de-seu-coracao-chega-para-ficar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/carolyn.azo\/quando-metade-de-seu-coracao-chega-para-ficar\/","title":{"rendered":"Quando metade de seu cora\u00e7\u00e3o chega para ficar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image wp-image-176880 size-large\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse.jpg\" alt=\"cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse\" class=\"wp-image-176880\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse.jpg 800w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-730x486.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Campo de refugiados na Gr\u00e9cia abriga dezenas de crian\u00e7as (Foto: Adventist Help Gr)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>N\u00e3o consigo conter a emo\u00e7\u00e3o ao escrever estas linhas em uma pequena sala de uma f\u00e1brica abandonada no Norte da Gr\u00e9cia. H\u00e1 crian\u00e7as lindas correndo por todas as partes, todas vindas de botes; algumas foram separadas dos pais na metade do caminho, outras viram seus familiares morrerem em alto mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das meninas corre em minha dire\u00e7\u00e3o com gestos ternos e um sorriso t\u00edmido. Ela para diante da porta e fala comigo em farsi, seu idioma original. Fico olhando para ela, abro meus bra\u00e7os e, sem hesitar, ela corre para me abra\u00e7ar. Em ingl\u00eas, pergunto qual \u00e9 seu nome. Ela responde: Fabiula. Pergunto-lhe se est\u00e1 bem e ela apenas me responde \u201ceu\u201d. Ela tem quatro anos e ao verem a cena, outras tr\u00eas meninas correm para me abra\u00e7ar. Tenho de ser forte. Sei que por tr\u00e1s desses sorrisos t\u00edmidos h\u00e1 terror. Elas escaparam da morte em seu pa\u00eds em guerra, afetado pelo terrorismo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/carolyn.azo\/falta-de-amor-em-nossos-dias-faz-parte-da-profecia\/\">A falta de amor em nossos dias faz parte da profecia?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Horas depois, chega uma m\u00e3e adolescente a quem entrevistei para uma reportagem, no dia anterior. Ela para na verga da porta, com os olhos lacrimejantes e inchados, segurando nos bra\u00e7os seu beb\u00ea de apenas tr\u00eas meses. Fica em sil\u00eancio, apenas olhando para mim. Dirijo-me a ela e lhe pergunto o que est\u00e1 acontecendo. Ela apenas segue olhando para mim e abaixa a cabe\u00e7a. N\u00e3o lhe pergunto mais nada, n\u00e3o consigo entender a sua dor, por mais que queira. Apenas a abra\u00e7o, dou-lhe um beijo na testa e lhe digo que estou ali para o que precisar. Digo-lhe que somos uma fam\u00edlia e que ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/projetos-sociais\/obstetra-relata-situacao-das-mulheres-refugiadas-na-grecia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Obstetra relata situa\u00e7\u00e3o das mulheres refugiadas na Gr\u00e9cia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essa adolescente, de 19 anos, foi obrigada a se casar com um homem muito mais velho que queria matar seu beb\u00ea e os terroristas a amea\u00e7aram de morte. Ela teve de fugir do pa\u00eds. Est\u00e1 sozinha no campo de refugiados em Oinofyta, na Gr\u00e9cia. J\u00e1 tentou suic\u00eddio e n\u00e3o sabe para onde ir. Nossos m\u00e9dicos do projeto <em>Adventist Help<\/em> a socorreram um dia, depois de nosso encontro. Ela tomou paracetamol em excesso e est\u00e1 com depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o suporto mais. Procuro um lugar onde estar sozinha, pois necessito chorar, mas muito e sem parar. O sofrimento dessas pessoas \u00e9 muito grande para que eu possa suportar. As hist\u00f3rias que ouvi at\u00e9 agora t\u00eam calado fundo em mim. Fecho-me no quarto, choro com todas as minhas for\u00e7as e me pergunto o porqu\u00ea da exist\u00eancia de um mundo t\u00e3o injusto, ego\u00edsta, mal; mas t\u00e3o mal que n\u00e3o consigo acreditar que essas pessoas tenham de sofrer as terr\u00edveis consequ\u00eancias de serem refugiadas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3rias de dor<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Minha nova amiga, horas antes, me ofereceu seu desjejum dado por uma das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) que tamb\u00e9m trabalham no acampamento. Ele consiste de um pequeno croissant e uma caixa de suco. N\u00e3o posso receber, imponho-me; devo ser forte. Meu colega volunt\u00e1rio me diz: \u201cC\u00e1rolyn, voc\u00ea n\u00e3o pode recusar. Com esse gesto ela lhe est\u00e1 dizendo que a aprecia muito. Aceite\u201d. Eu lhe dou um abra\u00e7o apertado e lhe digo o quanto aprecio esse gesto.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, chego, como de costume \u00e0 sala de suprimentos, onde escrevo as hist\u00f3rias dos refugiados e dos volunt\u00e1rios. Nesse dia, depois de brincar com as crian\u00e7as, um jovem de 25 anos se aproxima. Noto que deseja conversar comigo e me oferecer sua amizade. Seu ingl\u00eas \u00e9 perfeito. Ele fez parte das for\u00e7as armadas brit\u00e2nicas, ajudando como tradutor do farsi ao ingl\u00eas. Conversamos e quando lhe pergunto por que est\u00e1 aqui, seu rosto muda em quest\u00e3o de segundos; desvia o olhar e abaixa a cabe\u00e7a. Eu lhe dou um abra\u00e7o e lhe digo para n\u00e3o se preocupar porque podemos conversar em outro momento. Segundos depois, quando recobra as for\u00e7as emocionais, diz que foi amea\u00e7ado de morte, com uma arma na cabe\u00e7a por tr\u00eas homens. Ent\u00e3o conta que era jornalista e que teme os jornalistas \u201cporque me fazem dizer coisas que desejo deixar no passado\u201d. \u201cN\u00e3o quero estar aqui\u201d, ele diz. \u201cAjude-me, quero estudar. \u00c9 terr\u00edvel ser refugiado. N\u00e3o sabemos o que ir\u00e1 acontecer \u00e0 nossa vida. Estou disposto a lhe contar minha hist\u00f3ria, desde que consiga sair daqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dia como volunt\u00e1ria no campo de refugiados. Um de nossos tradutores refugiados, volunt\u00e1rio, chega \u00e0 nossa cl\u00ednica e pergunta se temos algo para comer. Essa n\u00e3o \u00e9 uma atitude comum dele, pois \u00e9 muito reservado e um tanto t\u00edmido. No momento, imagino que deva estar com muita fome. Pergunto-lhe se o seu irm\u00e3o e sua fam\u00edlia comeram algo neste dia, e ele responde timidamente que n\u00e3o. Com minha colega volunt\u00e1ria, m\u00e9dica, lhe oferecemos o alimento que hav\u00edamos trazido para a equipe, algo simples. Ele sai da cl\u00ednica m\u00f3vel muito agradecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa manh\u00e3, eu saio em busca de minha pequena amiga Fabiula. N\u00e3o a encontro. Procuro-a e fico preocupada. H\u00e1 tr\u00eas dias que n\u00e3o a vejo e n\u00e3o a abra\u00e7o. Sinto falta de sua ternura, mas me encontro com outras lindas crian\u00e7as em um per\u00edodo de frio, com gripe e viroses, correndo pelo acampamento. Elas correm de um lado para outro, a maioria desabrigada. Nossos m\u00e9dicos da <em>Adventist Help <\/em>atendem esses casos, mas a necessidade \u00e9 grande. Elas necessitam de tudo. Muitos chegaram sozinhos, vestidos com a roupa que tinham no momento da fuga.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejo Fabiula de longe, olhando-me com seu rosto terno. Corro para v\u00ea-la e me deparo com uma terr\u00edvel surpresa. Ela est\u00e1 com a m\u00e3e, onde moram em uma barraca de tecido, e vejo papel\u00e3o espalhado pelo ch\u00e3o. Que desespero! Penso: \u201ccomo \u00e9 poss\u00edvel que eu durma em uma cama e ela nessa situa\u00e7\u00e3o?\u201d Dou-lhe um abra\u00e7o apertado e lhe prometo que voltarei com presentes dos amigos do Brasil. Contenho as l\u00e1grimas. Ela me toma pela m\u00e3o, me d\u00e1 um abra\u00e7o e caminhamos juntas pelo campo de refugiados. Dou-lhe um presente e lhe digo que voltarei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A import\u00e2ncia de doar-nos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Estas s\u00e3o apenas algumas das cenas que vi e vivi no campo de refugiados de Oinofyta, no norte da Gr\u00e9cia, onde atuei como volunt\u00e1ria por 12 dias, pelo <em>Adventist Help<\/em>, com o prop\u00f3sito de ajudar a arrecadar fundos e volunt\u00e1rios para ajudar as pessoas que deixaram tudo para salvar a vida e a de seus filhos pequenos. Muitos deles s\u00e3o discriminados nos pa\u00edses europeus e s\u00e3o vistos como um estorvo. Quero dizer a meus leitores, que em minha experi\u00eancia, que eles s\u00e3o as pessoas mais maravilhosas, carinhosas e hospitaleiras que j\u00e1 vi. N\u00e3o podemos generalizar. Eles n\u00e3o s\u00e3o terroristas como tenho ouvido de algum as pessoas em sua ignor\u00e2ncia. Eles s\u00e3o seres humanos, como voc\u00ea e eu, sedentos de amor, de compreens\u00e3o e ajuda de todo tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de t\u00e3o somente lhes dar um abra\u00e7o, de chorar com eles, de brincar com as crian\u00e7as, de acariciar seu rosto, faz uma tremenda diferen\u00e7a. Por favor, abram as fronteiras; abram seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta dizer: Deus o aben\u00e7oe. N\u00e3o! Voc\u00ea e eu somos as m\u00e3os de Jesus nesta Terra para ajud\u00e1-los e podemos fazer muito por eles. Por favor, ajudem-nos, mesmo que seja para mant\u00ea-los saud\u00e1veis e para provocar-lhes um sorriso. Doe agora e mude a vida deles. At\u00e9 a menor contribui\u00e7\u00e3o far\u00e1 a diferen\u00e7a. Da minha parte, posso dizer que a outra metade de meu cora\u00e7\u00e3o ficou com eles. N\u00e3o sei como explicar. A experi\u00eancia como volunt\u00e1ria em um campo de refugiados muda a vida, porque voc\u00ea aprende a viver com pouco ou com nada e a dar \u00e0queles que n\u00e3o lhe podem retribuir. \u00c9 simplesmente maravilhoso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/AdventistHelp\/?fref=ts\"><strong>O que \u00e9 a <em>Adventist Help<\/em>?<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o projeto da Igreja Adventista, na Europa, sustentado por doa\u00e7\u00f5es e volunt\u00e1rios da \u00e1rea da sa\u00fade e que zelam pelo bem-estar dos refugiados. Necessita-se com urg\u00eancia de profissionais da sa\u00fade, com ingl\u00eas fluente, e que possam doar seu tempo para nossos irm\u00e3os refugiados. Necessita-se tamb\u00e9m, com extrema urg\u00eancia, de uma cadeira odontol\u00f3gica com os instrumentos necess\u00e1rios. <strong>Doe agora<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. Devemos salvar vidas, para que atrav\u00e9s de suas m\u00e3os eles vejam o amor de Jesus e para que nosso Senhor volte em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre a <a href=\"http:\/\/adventisthelp.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Adventist Help, <\/em>clique aqui<\/a>. Para doar, <a href=\"http:\/\/adventisthelp.org\/donate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a hist\u00f3rias de refugiados a partir da \u00f3tica de uma volunt\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":45,"featured_media":176880,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3221,3224],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-176879","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-gente","xtt-pa-editorias-projetos-sociais","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Gente","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/10\/10080032\/cuando-la-mitad-del-corazon-llega-para-quedarse-290x220.jpg"}}