{"id":175681,"date":"2016-09-29T10:22:33","date_gmt":"2016-09-29T13:22:33","modified":"2021-11-15T20:59:06","modified_gmt":"2021-11-15T23:59:06","slug":"o-labirinto-da-folha-em-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/geyvison.ludugerio\/o-labirinto-da-folha-em-branco\/","title":{"rendered":"O labirinto da folha em branco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-175683\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco.jpg\" alt=\"o-labirinto-da-folha-em-branco\" width=\"891\" height=\"594\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-768x512.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-730x487.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 891px) 100vw, 891px\" \/><\/a>Ok, vamos tentar mais uma vez. Esta j\u00e1 \u00e9 a terceira tentativa de escrever um texto, e n\u00e3o estou muito confiante que ser\u00e1 a \u00faltima. Veremos se, agora, rende mais alguns par\u00e1grafos.<\/p>\n<p>Todos j\u00e1 passamos por isso antes. Em um dia, nossa cabe\u00e7a n\u00e3o para quieta e recebemos o que parece ser uma avalanche criativa. Vem ideias para todos os lados. Mas temos aqueles dias em que nada vem, nada mesmo. Aquele momento em que a p\u00e1gina est\u00e1 em branco e o pontinho piscando na tela, que supostamente deveria estar cuspindo letras, teima em n\u00e3o sair do lugar. Aquele momento em que as ideias somem.<\/p>\n<p>\u201cEu sou uma farsa\u201d, este \u00e9 o primeiro pensamento que surge. Logo nos comparamos com outras pessoas, e de repente algumas perguntas existenciais come\u00e7am a surgir, mas afinal, qual o sentido da vida? De onde vim? Para onde vou? Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ok, foco. N\u00e3o adianta arrancar os cabelos, voc\u00ea vai precisar lidar com essa crise criativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes parecia t\u00e3o mais f\u00e1cil. Eu apenas pensava e as palavras surgiam. Ent\u00e3o, o que mudou de ontem pra hoje? Pelo visto, tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando nos deparamos com essa crise, aquele momento quando a ideia simplesmente n\u00e3o vem, devemos primeiramente ficar calmos. Isso \u00e9 algo comum, acontece com todas as pessoas. O primeiro passo \u00e9 respirar fundo, o segundo \u00e9 tentar algumas t\u00e9cnicas de profissionais da \u00e1rea. E o terceiro passo, se o segundo n\u00e3o deu certo, \u00e9 voltar para o primeiro.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Receita do bolo<\/strong><\/p>\n<p>James Webb Young, famoso publicit\u00e1rio, reconhecido com pr\u00eamios pela sua facilidade em criar campanhas inovadoras, resolveu pesquisar qual era o processo para produzir boas ideias. E em seu livro <em>A Technique For Producing Ideas<\/em> fez a descoberta de que, para aprender qualquer coisa, devemos sempre entender duas coisas: princ\u00edpios e m\u00e9todos. E listou um passo-a-passo:<\/p>\n<p>-Colete mat\u00e9ria-prima. Mergulhe de cabe\u00e7a no assunto que vai abordar. Pesquisa, assista e ou\u00e7a tudo a seu respeito. Esse material bruto pode render alguma coisa.<\/p>\n<p>-Trabalhe esta mat\u00e9ria na sua mente. Tente fazer conex\u00f5es entre os assuntos, autores e textos. Fa\u00e7a um mapa mental, uma t\u00e9cnica que materializa a nossa forma de pensamento n\u00e3o linear.<\/p>\n<p>-Est\u00e1gio de incuba\u00e7\u00e3o. Esque\u00e7a tudo. Isso mesmo, fa\u00e7a outra coisa, v\u00e1 caminhar, comer ou at\u00e9 dormir. N\u00e3o parece, mas neste momento sua mente est\u00e1 a todo vapor, tentando armazenar tudo que foi pesquisado e encontrando algum sentido pra ela.<\/p>\n<p>Eureka! Quando menos se espera, a ideia vem. \u00c9 o famoso: como n\u00e3o pensei nisso antes? \u00c9 t\u00e3o \u00f3bvio que voc\u00ea pode esquecer, por isso, tenha sempre algo para anotar do lado da cama, na sala ou no banheiro (vai dizer que nunca teve ideia l\u00e1?).<\/p>\n<p>-Coloque as ideia em modelo funcional. Quando uma ideia sai da sua cabe\u00e7a, ela encara a realidade, o que pode ser fatal. Converse com os amigos, veja se ela \u00e9 boa mesmo, submeta a cr\u00edticas e sugest\u00f5es, nada \u00e9 bom que n\u00e3o possa ser melhorado.<\/p>\n<p>Outra dica \u00e9 fazer um pequeno <em>brainstorm<\/em>, ou seja, pensar em solu\u00e7\u00f5es diversas sem se preocupar com os limites que vir\u00e3o depois, alguns at\u00e9 traduzem o termo em ingl\u00eas para \u201ctor\u00f3 de palpites\u201d, tradu\u00e7\u00e3o livre feita por algu\u00e9m bastante criativo por sinal. Nesta reuni\u00e3o, que pode ser com uma pessoa s\u00f3, pense em diversas ideias, da mais \u00f3bvia at\u00e9 a mais absurda. Tente, tamb\u00e9m, alcan\u00e7ar os extremos, assim voc\u00ea pode delimitar at\u00e9 onde sua mente consegue ir. Nem \u00f3bvia, nem imposs\u00edvel, sua ideia deve estar entre estes dois limites.<\/p>\n<p><strong>A fuga do labirinto<\/strong><\/p>\n<p>Ter ideias \u00e9 como um estar em um labirinto, com muitos caminhos corretos, mas nenhum seguro o suficiente para me fazer andar. O que me faz lembrar de uma hist\u00f3ria mitol\u00f3gica grega muito conhecida, o Voo de \u00cdcaro. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar da hist\u00f3ria do jovem \u00cdcaro, que faz parte do repert\u00f3rio mitol\u00f3gico grego. \u00cdcaro ficou muito famoso por sua gan\u00e2ncia e n\u00e3o se contentar em apenas voar, mas querer chegar ao mesmo patamar do Sol. E muitos tiram isso como li\u00e7\u00e3o para a vida: N\u00e3o tente chegar muito perto do Sol, ou suas asas v\u00e3o derreter e voc\u00ea vai cair.<\/p>\n<p>Seth Godin, um dos escritores mais conceituados nos estudos de Marketing, lan\u00e7ou um livro chamado <em>A Ilus\u00e3o de \u00cdcaro<\/em>, onde consta, em pequenos textos, como o medo de alcan\u00e7ar o Sol nos impede de tentar fazer as coisas de uma maneira diferente. Um dos trechos do seu livro que mais gosto diz:<\/p>\n<p>\u201cCriamos um mundo onde \u00e9 poss\u00edvel voar muito mais alto do que nunca e a trag\u00e9dia \u00e9 que, ao inv\u00e9s disso, fomos seduzidos a acreditar que devemos voar cada vez mais baixo\u201d.<\/p>\n<p>E a mitologia grega continua.<\/p>\n<p>Como todos sabem, \u00cdcaro estava preso com o pai, D\u00e9dalo, em um labirinto e, juntando penas de gaivota com cera de mel, ambos criaram asas artificiais que os levariam para o outro lado do mar. Mas h\u00e1 um detalhe neste conto que alguns n\u00e3o conhecem. Antes do voo, o pai aconselhou o filho para que n\u00e3o voasse t\u00e3o alto para que o sol n\u00e3o queimasse suas asas. O conselho, no entanto, n\u00e3o para a\u00ed; \u201ce nem t\u00e3o baixo a ponto do mar lhe molhar as asas\u201d, completou. A recomenda\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria conta, foi ignorada e, com l\u00e1grimas, o pai viu o filho se afundar no meio do mar Egeu, mais especificamente numa parte chamada\u2026 Ic\u00e1rio, conforme mitologia.<\/p>\n<p>Eu ainda n\u00e3o sei se vou terminar este texto, talvez a minha crise n\u00e3o passe e no final deste par\u00e1grafo apague tudo de novo. Ou talvez venha alguma ideia melhor e finalmente eu escreva alguma coisa mais interessante. Mas uma coisa eu tenho certeza: quando nada parece ser bom, ou quando toda a criatividade sumir, preciso apenas seguir em frente, preciso apenas tentar.<\/p>\n<p>A crise vem para nos lembrar que, como seres humanos, temos limites, que nem tudo sai como planejado. Normalmente, \u00e9 uma crise pessoal onde paredes s\u00e3o levantadas e quem a construiu esqueceu de criar uma porta. Muitas vezes, exigimos tanto de n\u00f3s mesmos que nada fica bom o suficiente para ser considerado terminado. Mas \u00e9 ao conhecer o nosso limite, que descobrimos a criatividade. Em cada folha em branco, temos uma oportunidade de criar algo novo, uma nova chance de fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como conseguir sair desse labirinto que \u00e9 a luta para conseguir ser criativo quando a crise de ideias surge?<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":175683,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3218],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-175681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-estilo-de-vida"],"acf":false,"terms":{"editorial":"Estilo de Vida","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/09\/29102143\/o-labirinto-da-folha-em-branco-290x220.jpg"}}