{"id":160093,"date":"2016-06-20T13:34:55","date_gmt":"2016-06-20T15:34:55","modified":"2021-11-15T21:02:44","modified_gmt":"2021-11-16T00:02:44","slug":"efeso-amor-na-era-do-gelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/diogo.cavalcanti\/efeso-amor-na-era-do-gelo\/","title":{"rendered":"\u00c9feso: Amor na era do gelo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_160099\" style=\"width: 616px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-160099\" class=\"wp-image-160099 \" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo.jpg\" alt=\"Vivemos numa verdadeira era do gelo nas rela\u00e7\u00f5es humanas, uma crise de indiferen\u00e7a mortal\" width=\"606\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-150x100.jpg 150w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-730x486.jpg 730w\" sizes=\"(max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-160099\" class=\"wp-caption-text\">Vivemos numa verdadeira era do gelo nas rela\u00e7\u00f5es humanas, uma crise de indiferen\u00e7a mortal<\/p><\/div>\n<p>O frio chegou para valer neste ano, como n\u00e3o se via h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada no Brasil. A sequ\u00eancia de temperaturas baixas tomou muita gente de surpresa e fez muitos se enterrarem nos cobertores. Nas redes sociais, sobram fotos de term\u00f4metros e de paisagens branqueadas. Entretanto, nem tudo \u00e9 t\u00e3o divertido assim. Na cidade de S\u00e3o Paulo, pelo menos cinco moradores de rua morreram de frio. Depois do fim tr\u00e1gico e banal dessas almas, houve a esperada indigna\u00e7\u00e3o, com discursos moralistas e uma ca\u00e7a de culpados, especialmente de l\u00edderes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Contudo, o problema vai al\u00e9m de pol\u00edticas p\u00fablicas e exp\u00f5e uma crise de valores. Exp\u00f5e aqueles que ignoraram os corpos gelados, mas ainda vivos. E pior: exp\u00f5e mais ainda aqueles que se dizem servos de Deus que \u201cdescem de Jerusal\u00e9m\u201d, mas que passam de largo pelo necessitado (Lucas 10:31) e n\u00e3o vestem o nu (Mateus 25:43). Ou seja, exp\u00f5e a n\u00f3s todos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Era do gelo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Vivemos numa verdadeira era do gelo nas rela\u00e7\u00f5es humanas, uma crise de indiferen\u00e7a mortal. O individualismo extremo se revela numa profunda falta de amor ao semelhante, reflexo da aus\u00eancia do amor de Deus no cora\u00e7\u00e3o. Esse <em>frio humano<\/em>, oposto ao <em>calor humano<\/em>, se manifesta todos os dias nos assustadores \u00edndices de viol\u00eancia no lar, nas ruas, no choque entre culturas, religi\u00f5es e pa\u00edses.<\/p>\n<p>Quando Cristo olhou para nosso tempo, n\u00e3o poderia dar um diagn\u00f3stico mais preciso: \u201cE, por se multiplicar a iniquidade [<em>anomian<\/em>], o amor [<em>agap\u0113<\/em>] se esfriar\u00e1 de quase todos [<em>poll\u014dn<\/em>, \u201cmuitos\u201d] (Mateus 24:12). O Salvador n\u00e3o s\u00f3 antecipou nossa era do gelo, mas explicou sua causa. O amor-princ\u00edpio, de origem divina (<em>agap\u0113<\/em>) se esfriaria quanto mais se multiplicasse a iniquidade (<em>anomia<\/em>). Mas o que \u00e9 <em>anomia<\/em>? O termo ocorre 14 vezes no Novo Testamento e, em 11 delas, \u00e9 traduzido como \u201ciniquidade\u201d, e nas tr\u00eas restantes, como \u201cmaldade\u201d (duas vezes em Romanos 6:19,) e como \u201ctransgress\u00e3o da lei\u201d (1 Jo\u00e3o 3:4). A passagem de 1 Jo\u00e3o \u00e9 esclarecedora, pois a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada pela etimologia da palavra grega <em>anomia <\/em>(<em>a = <\/em>\u201cn\u00e3o\u201d, \u201ccontra\u201d; <em>nomos = \u201c<\/em>lei\u201d). Se a ess\u00eancia da lei est\u00e1 no amor a Deus e ao semelhante (Marcos 12:28-31), a ess\u00eancia da iniquidade se revela na rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 lei do amor.<\/p>\n<p><strong>Primeiro amor<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira mensagem \u00e0s sete igrejas do Apocalipse, lemos um forte chamado de retorno ao \u201cprimeiro amor\u201d. \u201cTenho, por\u00e9m, contra ti que abandonaste [<em>afekas<\/em>] o teu primeiro amor [<em>agapen\u2026 proten<\/em>]\u201d (Apocalipse 2:4). Apesar de serem elogiados por Cristo por suas obras, labor, perseveran\u00e7a, zelo doutrin\u00e1rio e resist\u00eancia diante das maiores prova\u00e7\u00f5es, os ef\u00e9sios tinham perdido seu \u201cprimeiro amor\u201d. Note que eles n\u00e3o estavam no processo de perder, ou quase perdendo, mas j\u00e1 o haviam perdido, como indicam os tempos verbais de \u201cabandonar\u201d, tanto no grego (aoristo) quanto na tradu\u00e7\u00e3o (pret\u00e9rito perfeito), que expressam uma a\u00e7\u00e3o acabada. \u00c9 poss\u00edvel que, na luta contra \u201clobos vorazes\u201d, com seus falsos ensinos, os ef\u00e9sios tinham perdido de vista o mais importante. O problema n\u00e3o era tanto uma corros\u00e3o teol\u00f3gica, mas uma perda de ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os da capital da \u00c1sia Menor haviam recebido a mensagem do evangelho de bra\u00e7os abertos, mas ap\u00f3s algumas d\u00e9cadas sua religi\u00e3o estava se tornando \u201clegalista e sem amor\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>. Talvez, a press\u00e3o dos falsos ensinadores tenha desviado o cora\u00e7\u00e3o de alguns membros e gerado um clima faccioso na Igreja.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> Na luta contra os falsos ensinos, a Igreja se esqueceu de viver os verdadeiros. Perdeu de vista o <em>agap\u0113<\/em>, o amor-princ\u00edpio que vem de Deus \u2013 o mesmo tipo de amor mencionado por Jesus e por Jo\u00e3o, como vimos. Os ef\u00e9sios n\u00e3o tinham perdido apenas o amor que vem de Deus, mas estavam perdendo o amor a Ele e, sem d\u00favida, o amor tanto pelos de dentro quanto pelos de fora.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o particular daquela igreja representava o quadro maior do fim da primeira e mais pura fase do cristianismo: uma igreja fervorosa, doutrinariamente saud\u00e1vel, mas que, ao fim do primeiro s\u00e9culo, dava mostras de fadiga. Tinha algum amor, mas n\u00e3o como o \u201cprimeiro\u201d. Seu amor a Deus e a Cristo estava se arrefecendo. Em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos contempor\u00e2neos de Jesus, Jo\u00e3o entre eles, as novas gera\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os deixavam a desejar.<\/p>\n<p>Cristo, ent\u00e3o, vai direto ao ponto: \u201cLembra-te, pois, de onde ca\u00edste, arrepende-te e volta \u00e0 pr\u00e1tica das primeiras obras; e, se n\u00e3o, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso n\u00e3o te arrependas\u201d (Apocalipse 2:5). Tr\u00eas verbos marcam o conselho de Jesus, que serve muito bem para n\u00f3s, hoje: (1) A igreja precisa <em>se lembrar <\/em>em que ponto de sua jornada espiritual perdeu seu primeiro amor; (2) tamb\u00e9m deve <em>se arrepender <\/em>de seu desvio; e (3) tem que <em>voltar <\/em>\u201c\u00e0 pr\u00e1tica das primeiras obras\u201d. O amor tem que ver com a\u00e7\u00e3o, com a pr\u00e1tica de boas obras (Ef\u00e9sios 2:10; Tito 2:7, 14; 3:8; Hebreus 10:24; 1 Pedro 2:12) e n\u00e3o s\u00f3 com teorias ou belos discursos vazios de atitude.<\/p>\n<p><strong>Amor em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s visitei parentes que n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa f\u00e9, de uma forma especial: pregando numa igreja pr\u00f3xima da casa deles. V\u00e1rios foram ao culto e apreciaram a mensagem de exorta\u00e7\u00e3o e consolo. \u00c0 tarde, pude visitar alguns desses parentes e conversar com eles. Jos\u00e9, um primo que tem paix\u00e3o pela natureza e pela f\u00e9 crist\u00e3, tinha acabado de chegar de um trabalho em favor de moradores de rua do centro de S\u00e3o Paulo. Ele e um grupo de sua igreja cortam os cabelos e fazem a barba dos moradores de rua, levam-lhes alimentos, limpam suas feridas e aplicam curativos, entre outros servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Naquele dia frio, Jos\u00e9 me contou que haviam sido pegos de surpresa por uma chuva. Por\u00e9m, ele compartilhou algo marcante: \u201cDiogo, n\u00e3o sou muito da liturgia; gosto mais de ajudar as pessoas\u201d. Jos\u00e9 estava onde muitos de n\u00f3s dever\u00edamos estar. Nossa profiss\u00e3o de f\u00e9 e adora\u00e7\u00e3o se tornam genu\u00ednas quando s\u00e3o o cl\u00edmax da celebra\u00e7\u00e3o de uma viv\u00eancia crist\u00e3 em amor ao longo da semana.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/?s=moradores+de+rua\">https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/?s=moradores+de+rua<\/a><\/p>\n<p>Se a igreja do primeiro s\u00e9culo precisava voltar ao primeiro amor, a igreja da era do gelo moral, muito mais. Embora muitas prega\u00e7\u00f5es e iniciativas sejam louv\u00e1veis, precisamos da rara combina\u00e7\u00e3o entre uma doutrina sadia, fundamentada na B\u00edblia, associada a uma f\u00e9 genu\u00edna e impulsionada ao amor pr\u00e1tico. As caracter\u00edsticas do povo de Deus nos \u00faltimos n\u00e3o se resumem na <em>prega\u00e7\u00e3o<\/em> dos verdadeiros mandamentos de Deus e a f\u00e9 em Jesus, mas na <em>pr\u00e1tica<\/em> da lei (Apocalipse 12:17; 14:12). S\u00f3 o amor divino em cora\u00e7\u00f5es humanos pode aquecer pessoas em meio ao individualismo congelante deste mundo. A iniquidade esfria o amor de muitos, mas n\u00e3o de todos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Stefanovic, Ranko, <em>Revelation of Jesus Christ<\/em>. 2 ed. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009, p. 118.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Nichol (ed.), Francis D. <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Adventista do S\u00e9timo Dia<\/em>. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, vol. 7, p. 823.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mensagem \u00e0 primeira Igreja nos desafia a voltar \u00e0s \u201cprimeiras obras\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":146,"featured_media":160099,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[],"xtt-pa-owner":[],"class_list":["post-160093","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia"],"acf":false,"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-768x511.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/06\/20133200\/amor-na-era-do-gelo-290x220.jpg"}}