{"id":150053,"date":"2016-04-28T14:47:12","date_gmt":"2016-04-28T16:47:12","modified":"2025-01-21T20:25:43","modified_gmt":"2025-01-21T23:25:43","slug":"igreja-e-solidao-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/igreja-e-solidao-na-era-digital\/","title":{"rendered":"A igreja e a solid\u00e3o na era digital"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-402172\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A solid\u00e3o digital dos novos tempos contrasta com a necessidade humana de conex\u00e3o e compaix\u00e3o. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando crian\u00e7a, eu gostava de observar meu pai. Os gestos comedidos, o trato cort\u00eas, as roupas invariavelmente de linho, uma eleg\u00e2ncia discreta no modo de vestir, andar e falar. Admirava o seu isolamento. Meu pai falava pouco e dedicava bastante tempo para a contempla\u00e7\u00e3o. Lembro de acompanh\u00e1-lo em caminhadas pelas ruas, ele segurando minha m\u00e3o, sempre uma jornada de poucas palavras. Ou de v\u00ea-lo sentado em uma cadeira de balan\u00e7o, j\u00e1 velho, bem vestido, simplesmente olhando o movimento da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu aprendi com meu pai a admirar esses retiros moment\u00e2neos, esse isolamento pontual. Esse fasc\u00ednio cresceu quando mergulhei na literatura. Livros como <em>Walden<\/em>, de Henry David Thoreau, e <em>Os devaneios de um caminhante solit\u00e1rio<\/em>, de Jean Jacques Rosseau, ou mesmo o mais recente <em>Na natureza selvagem<\/em>, de Jon Krakauer, deram estofo a esta solid\u00e3o dedicada para o autoconhecimento, essencial para uma vida mais livre e mais comprometida com ideais que acredito. Lembro de Thoreau: \u201cA maioria dos homens, mesmo neste pa\u00eds relativamente livre, por mera ignor\u00e2ncia e erro, vive t\u00e3o ocupada com as falsas preocupa\u00e7\u00f5es e as lides desnecessariamente pesadas da vida que n\u00e3o consegue colher seus frutos mais delicados\u201d (Walden). Para fugir disso, Thoreau resolver viver nos bosques, durante dois anos e dois meses, suprindo as pr\u00f3prias necessidades, estudando, contemplando a natureza, conhecendo a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis um tipo de solid\u00e3o que parece cada vez mais dif\u00edcil nesses tempos digitais. O que tem se tornado comum \u00e9 um outro tipo de solid\u00e3o, um isolamento doentio, a solid\u00e3o como um mal-estar desses novos tempos. A principal caracter\u00edstica \u00e9 a incapacidade de se relacionar com pessoas crescendo na mesma propor\u00e7\u00e3o em que aumentam nossas habilidades de se relacionar com m\u00e1quinas e dispositivos. O cineasta Spike Jonze mostrou esse jeito de viver contempor\u00e2neo em forma de distopia, no perturbador filme Her, sobre um personagem solit\u00e1rio que se apaixona por um programa de computador. O que na fic\u00e7\u00e3o pareceu absurdo \u00e9 corroborado na vida real. Em entrevista \u00e0 revista <em>Scientific American<\/em>, o pesquisador David Levy, 62 anos, um dos pioneiros da computa\u00e7\u00e3o e dos estudos sobre intelig\u00eancia artificial, disse acreditar em casamento entre humanos e rob\u00f4s em um futuro n\u00e3o t\u00e3o distante.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Exemplo do Jap\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 ir\u00f4nico que a internet, que ampliou as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, tenha nos tornado mais solit\u00e1rios. Alguns pesquisadores associam a interpreta\u00e7\u00e3o literal da palavra \u201cselfie\u201d, palavra do ano em 2013, como um fato de que a tecnologia nos fez mais sozinhos do que nunca e comprometeu nossa sociabilidade. O Jap\u00e3o convive hoje com um problema de sa\u00fade p\u00fablica chamado Hikikomori \u2013 um termo que define pessoas, geralmente jovens, que se retiram completamente da sociedade, de modo a evitar outras pessoas. Para elas, o relacionamento se d\u00e1 apenas por meio de smartphones. Os hikikomoris hoje preocupam tamb\u00e9m os Estados Unidos e o Reino Unido. O receio principal \u00e9 o desenvolvimento de graves sociopatias, ou mesmo a tend\u00eancia para suic\u00eddios. O Brasil convive com esse dilema. Em outubro passado, o jornal Zero Hora noticiou dados do Mapa da Viol\u00eancia, coletados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, informando sobre o crescimento das taxas de suic\u00eddio entre os jovens brasileiros. Um crescimento de 40% entre pessoas de 10 a 14 anos e de 33,5% na faixa dos 15 aos 19 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como um organismo vivo capaz de representar a miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o divinas neste mundo, a Igreja precisa estar atenta a esse contexto que afeta muitas pessoas. Possivelmente, muitas que convivem com esse mal-estar t\u00edpico dessa era digital frequentam os bancos das igrejas, mexendo freneticamente em seus dispositivos, alheios ao que acontece ao seu redor. Um dos desafios da igreja contempor\u00e2nea \u00e9 promover a sociabilidade. Incluir em sua agenda atividades culturais, esportivas, sociais. Promover cada vez mais a vida em sociedade, para al\u00e9m dos hor\u00e1rios de cultos ou das cerim\u00f4nias de devo\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Acima de tudo, a igreja precisa exercer plenamente a sua capacidade de compaix\u00e3o. Aqui vale citar as palavras da escritora americana Ellen White, a respeito de como podemos ajudar pessoas que vivem nesse tipo de solid\u00e3o capaz de afetar a sa\u00fade e o conv\u00edvio social: \u201cPalavras bondosas, olhares de simpatia, express\u00f5es de aprecia\u00e7\u00e3o, seriam para muitas almas lutadoras e solit\u00e1rias como um copo de \u00e1gua fria a uma alma sedenta. Uma palavra compassiva, um ato de bondade, ergueriam fardos que pesam duramente sobre fatigados ombros. E toda palavra ou ato de abnegada bondade \u00e9 uma express\u00e3o do amor de Cristo pela humanidade perdida\u201d. &nbsp;<em>O Maior Discurso de Cristo<\/em>, Ellen White, p\u00e1gina 23.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A internet ampliou as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, mas tornou muitos mais solit\u00e1rios. <\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":402172,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3217],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-150053","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-comportamento","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Comportamento","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/04\/shutterstock_1720951744-480x270.jpg"}}