{"id":139874,"date":"2016-03-09T10:53:11","date_gmt":"2016-03-09T12:53:11","modified":"2025-01-30T23:23:37","modified_gmt":"2025-01-31T02:23:37","slug":"hermeneutica-interpretando-corretamente-a-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/adolfo.suarez\/hermeneutica-interpretando-corretamente-a-biblia\/","title":{"rendered":"Hermen\u00eautica: interpretando corretamente a B\u00edblia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-403833\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A hermen\u00eautica apropriada tem a finalidade de discernir a mensagem de Deus. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A hermen\u00eautica pode ser definida como \u201ca ci\u00eancia e arte de interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica\u201d; ci\u00eancia porque tem normas que possibilitam um sistema ordenado, e \u201carte porque a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 flex\u00edvel, e, portanto, uma aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e r\u00edgida das regras \u00e0s vezes distorcer\u00e1 o verdadeiro sentido de uma comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Dito de modo simples, hermen\u00eautica \u00e9 a \u201cdisciplina que lida com os princ\u00edpios de interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A hermen\u00eautica \u00e9 essencial para uma interpreta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida da B\u00edblia. Ao fazer uso adequado dela podemos ter maior certeza de estar ouvindo a voz de Deus, e n\u00e3o a voz da cultura, ou a nossa pr\u00f3pria voz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Raz\u00f5es para praticar uma hermen\u00eautica apropriada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;<\/strong>Uma das raz\u00f5es pelas quais devemos praticar a hermen\u00eautica apropriada \u00e9 com a finalidade de discernir a mensagem de Deus.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/a> Um cuidadoso sistema hermen\u00eautico pode ser muito \u00fatil para discernir apropriadamente o que Deus disse em Sua Palavra, mediante m\u00e3os e mentes humanas. Assim, a hermen\u00eautica nos protege da utiliza\u00e7\u00e3o indevida das Escrituras, que poderia nos levar a distorce-la para o nosso pr\u00f3prio interesse. Isso \u00e9 poss\u00edvel porque a hermen\u00eautica adequada fornece a estrutura conceitual para interpretar corretamente por meio de exegese acurada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda raz\u00e3o, \u00e9 para evitar ou dissipar equ\u00edvocos ou perspectivas e conclus\u00f5es err\u00f4neas sobre o que a B\u00edblia ensina. Pode acontecer que algum leitor descuidado da B\u00edblia entenda que, se algu\u00e9m da fam\u00edlia est\u00e1 doente fisicamente, \u00e9 suficiente confiar em Deus mediante a ora\u00e7\u00e3o, sem buscar assist\u00eancia m\u00e9dica. Entretanto, ser\u00e1 que confiar em Deus implica em n\u00e3o buscar ajuda m\u00e9dica? Por acaso n\u00e3o \u00e9 Deus quem capacita profissionais para ajudarem no cuidado da sa\u00fade? Certamente Deus pode usar meios variados para cuidar de nossa sa\u00fade, e a ajuda profissional de um m\u00e9dico pode ser um deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, uma terceira raz\u00e3o para praticar a hermen\u00eautica apropriada \u00e9 para sermos capazes de aplicar a mensagem da B\u00edblia em nossa vida. De acordo com Carnell, termos ou express\u00f5es podem ser usados \u200b\u200bem uma destas tr\u00eas maneiras: com apenas um sentido (univocamente), com diferentes significados (equivocadamente), e com um significado proporcional \u2013 em parte, a mesma, em parte, diferente (analogicamente).<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Se aplicarmos essa classifica\u00e7\u00e3o \u00e0 Escritura, ent\u00e3o podemos dizer que sua mensagem pode ser tanto un\u00edvoca, quanto equ\u00edvoca, ou anal\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, entidades como anjos, dem\u00f4nio, Deus, Jesus Cristo, etc., teriam o mesmo sentido para Paulo e Jo\u00e3o, do que para n\u00f3s (compreens\u00e3o un\u00edvoca). Por outro lado, termos como le\u00e3o e serpente podem se aplicar a Jesus Cristo, ou a Satan\u00e1s, dependendo da circunst\u00e2ncia (equ\u00edvoco). Isso pode ser evidenciado em I Pedro 5:8 e Apocalipse 5:5; 20:2 e Jo\u00e3o 3:14. Al\u00e9m disso, a B\u00edblia usa express\u00f5es em que se percebe rela\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia ou semelhan\u00e7a entre coisas e\/ou pessoas distintas (analogia). \u00c9 o caso, por exemplo, da afirma\u00e7\u00e3o \u201cV\u00f3s sois a luz do mundo\u201d (Mateus 5:14). Considerando que, ao longo dos tempos, as pessoas sempre possu\u00edram ou possuem algum sistema de ilumina\u00e7\u00e3o (tocha, vela, lamparina, l\u00e2mpada, lanterna, etc.), ent\u00e3o essa analogia \u00e9 compreens\u00edvel. Obviamente, um correto sistema hermen\u00eautico \u00e9 extremamente \u00fatil na explica\u00e7\u00e3o de termos un\u00edvocos, equ\u00edvocos e anal\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tarefa desafiadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sustentar a ideia de um Deus que se revela num texto escrito n\u00e3o foi algo desafiador para o cristianismo no primeiro mil\u00eanio e meio de sua hist\u00f3ria. De fato, por causa de sua origem judaica, o cristianismo primitivo habituou-se a reconhecer a autoridade dos documentos escritos como Escritura \u2013 ou seja, os crist\u00e3os acreditavam que a revela\u00e7\u00e3o e vontade de Deus estavam localizadas em materiais escritos que serviam para o culto e para as necessidades morais da comunidade de f\u00e9. \u201cA no\u00e7\u00e3o de que a autoridade residia no que depois foi chamado de Escrituras do Antigo Testamento nunca foi questionada na comunidade crist\u00e3 primitiva\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, na atualidade falar da revela\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Afirmar hoje em dia que a B\u00edblia foi dada por Deus, e que por isso difere de qualquer outro texto, requer justificativas e explica\u00e7\u00f5es muito bem fundamentadas,<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> as quais s\u00e3o pouco aceitas especialmente em sociedades c\u00e9ticas e secularizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a despeito de argumentos muito bem estruturados que se possam oferecer, a cren\u00e7a na revela\u00e7\u00e3o de Deus ao ser humano requer f\u00e9. Mas, como McGowan se apressa em afirmar, isso n\u00e3o significa tratar o cristianismo como anti-intelectual ou racionalmente inconsistente, beirando a um \u201ccego fide\u00edsmo\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Afinal, h\u00e1 v\u00e1rias obras que tratam da tem\u00e1tica da racionalidade da f\u00e9 crist\u00e3, e o fazem com admir\u00e1vel consist\u00eancia.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, como afirma Duncan Ferguson, a f\u00e9 \u00e9 uma pr\u00e9-compreens\u00e3o necess\u00e1ria para interpretar corretamente a f\u00e9 crist\u00e3.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Isso n\u00e3o significa \u2013 sob hip\u00f3tese alguma \u2013 que haja necessariamente oposi\u00e7\u00e3o entre um estudo liter\u00e1rio ou hist\u00f3rico da B\u00edblia e a f\u00e9. Todavia \u2013 como destacado por Ferguson \u2013 evid\u00eancias hist\u00f3ricas podem at\u00e9 sugerir a atua\u00e7\u00e3o de Deus nos eventos, \u201cmas elas n\u00e3o podem suprir a experi\u00eancia pessoal de confian\u00e7a e compromisso no Senhor ressuscitado\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Assim, para a compreens\u00e3o e pr\u00e1tica de uma hermen\u00eautica b\u00edblica, torna-se necess\u00e1rio o debate a respeito da Cristocentricidade da Escritura, com vistas \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a e compromisso pessoais do leitor contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao encerrar essa breve reflex\u00e3o \u00e9 importante lembrar que o desafio da leitura e compreens\u00e3o da B\u00edblia \u00e9 tal, que os crist\u00e3os devem encar\u00e1-lo com cuidado e esmero; afinal, est\u00e3o diante de um texto diferenciado, a auto-revela\u00e7\u00e3o de Deus. E, nesse sentido, o te\u00f3logo G.C. Berkouwer afirmou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 quest\u00e3o mais significativa em toda a teologia e em toda a vida humana do que a natureza e a realidade da revela\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Assim, os \u201ccrist\u00e3os sempre t\u00eam crido que a B\u00edblia \u00e9 a Palavra de Deus\u201d, e com isto entendem que \u201cela tem sua origem na atividade revelat\u00f3ria do Deus pessoal de quem ela fala [...] e pela qual Ele se comunica com Suas criaturas que Ele fez\u201d.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Virkler, <em>Hermen\u00eautica Avan\u00e7ada: Princ\u00edpios E Processos De Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica<\/em>. 9.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Silva, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00c0 Hermen\u00eautica B\u00edblica: Como Ouvir a Palavra De Deus Apesar Dos Ru\u00eddos De Nossa \u00c9poca<\/em>. 15.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/a> Os tr\u00eas itens comentados a seguir est\u00e3o fundamentados em Klein et al., <em>Introduction to Biblical Interpretation<\/em>. 19-21.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Edward John Carnell, <em>An Introduction to Christian Apologetics : A Philosophical Defense of the Trinitarian-Theistic Faith<\/em>, 3d edition. ed. (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1948). 144.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lee Martin McDonald, <em>The Formation of the Christian Biblical Canon<\/em>, Rev. and expanded ed. (Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1995). 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A. T. B. McGowan, <em>The Divine Authenticity of Scripture : Retrieving an Evangelical Heritage<\/em> (Downers Grove, Ill.: IVP Academic, 2007). 31.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ibid. 31, 32.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Algumas dessas obras: Cornelius Van Til and K. Scott Oliphint, <em>The Defense of the Faith<\/em>, 4th ed. (Phillipsburg, N.J.: P &amp; R Pub., 2008). William Lane Craig, <em>Philosophy of Religion : A Reader and Guide<\/em> (New Brunswick, N.J.: Rutgers University Press, 2002); <em>Reasonable Faith : Christian Truth and Apologetics<\/em>, 3rd ed. (Wheaton, Ill.: Crossway Books, 2008); William Lane Craig and Chad V. Meister, <em>God Is Great, God Is Good : Why Believing in God Is Reasonable and Responsible<\/em> (Downers Grove, Ill.: IVP Books, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ferguson, <em>Biblical Hermeneutics : An Introduction<\/em>. 63.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ibid. 64.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> G. C. Berkouwer, <em>General Revelation<\/em>, His Studies in Dogmatics (Grand Rapids,: W.B. Eerdmans Pub. Co., 1955). 17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> McGowan, <em>The Divine Authenticity of Scripture : Retrieving an Evangelical Heritage<\/em>. p. 31. Conferir tamb\u00e9m Jack Kuhatschek, <em>Taking the Guesswork out of Applying the Bible<\/em> (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1990).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida da B\u00edblia podemos ter maior certeza de estar ouvindo a voz de Deus, e n\u00e3o a voz da cultura, ou a nossa pr\u00f3pria voz. <\/p>\n","protected":false},"author":167,"featured_media":403833,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-139874","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/03\/shutterstock_2502398909-480x270.jpg"}}