{"id":137665,"date":"2016-02-26T11:18:09","date_gmt":"2016-02-26T13:18:09","modified":"2016-02-26T12:13:58","modified_gmt":"2016-02-26T14:13:58","slug":"pastor-missionario-descreve-rotina-vivida-na-mongolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/pastor-missionario-descreve-rotina-vivida-na-mongolia\/","title":{"rendered":"Pastor mission\u00e1rio descreve rotina vivida na Mong\u00f3lia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_137666\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120119\/IMG_5255.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-137666\" class=\"wp-image-137666 size-medium\" src=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120119\/IMG_5255-290x220.jpg\" alt=\"IMG_5255\" width=\"290\" height=\"220\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-137666\" class=\"wp-caption-text\">Pastor Yure, a esposa La\u00eds e o filho Kauai<\/p><\/div>\n<p>Salvador, BA\u2026[ASN] Hoje completa um ano em que o pastor Yure Gramacho se mudou para a Mong\u00f3lia, juntamente com a esposa e o filho. De f\u00e9rias no Brasil, ele separou um tempo para contar a incr\u00edvel experi\u00eancia de viver longe do pa\u00eds de origem. \u00a0Ele participa do projeto mission\u00e1rio criado pela Divis\u00e3o Sul-Americana da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia, Mission\u00e1rios para o Mundo. \u00a0A Mong\u00f3lia est\u00e1 localizada entre duas grandes pot\u00eancias do mundo: ao sul est\u00e1 a China e ao norte, a R\u00fassia. Tem a capital mais fria do mundo, Ulan Bator, com um dos invernos mais longos e rigorosos. As temperaturas por seis meses variam entre 20 e 50 graus negativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 em miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 1 ano. Chegamos na Mong\u00f3lia no dia 26 de fevereiro de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Existe\u00a0um tempo estimado para permanecer nesse pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O projeto estabeleceu um per\u00edodo total de 5 anos de servi\u00e7o mission\u00e1rio al\u00e9m mar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como surgiu o desejo de ser mission\u00e1rio fora do Brasil? Foi uma oportunidade ou um sonho antigo?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre achei fascinante dialogar com outras culturas e cosmovis\u00f5es. Durante o semin\u00e1rio teol\u00f3gico, a leitura de um livro que abordava o assunto de miss\u00f5es transculturais chamado <em>O Fator Melquisedeque<\/em> mexeu muito comigo e me despertou para os desafios de trabalhar <em>overseas<\/em> (al\u00e9m mar). Quando soube que a DSA (Divis\u00e3o Sul-Americana da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia) estava iniciando um projeto para enviar 25 fam\u00edlias mission\u00e1rias para pa\u00edses onde o cristianismo \u00e9 praticamente desconhecido, o cora\u00e7\u00e3o ardeu dentro do peito. Senti claramente o chamado de Deus e entendi que Ele estava colocando diante de mim e da minha fam\u00edlia uma grande oportunidade de servirmos nos confins da terra. Participamos de um longo processo seletivo e por fim fomos chamados para trabalhar no continente asi\u00e1tico, mais especificamente em um pa\u00eds remoto, chamado Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 casado e tem filho. Como foi deslocar a fam\u00edlia para participar de uma miss\u00e3o t\u00e3o importante como essa? Eles t\u00eam algum tipo de envolvimento com a miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil largar tudo no Brasil e se dispor a viajar rumo ao desconhecido principalmente porque isso envolve outras pessoas, familiares e amigos, tanto os que ficam quanto os que v\u00e3o. No meu caso, o apoio incondicional de minha esposa foi fundamental antes e agora durante o desenrolar do processo. O choque cultural de uma mudan\u00e7a como esta, atinge todos os membros da fam\u00edlia mission\u00e1ria, portanto \u00e9 fundamental que todos estejam 100% envolvidos com a miss\u00e3o e comprometidos em se apoiarem mutuamente. La\u00eds, minha esposa, \u00e9 fisioterapeuta e est\u00e1 ajudando na \u00e1rea de sa\u00fade e no minist\u00e9rio da crian\u00e7a. Meu filho Kauai tem apenas 2 anos e meio e sempre nos acompanha em todas as atividades. O detalhe \u00e9 que o meu filho tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o do povo local, pois apesar de n\u00e3o saber falar direito ainda, ele consegue falar um idioma que poucas pessoas falam, mas que todas as pessoas do mundo entendem, a linguagem do amor. Ele sorri, abra\u00e7a e beija, transmitindo muito carinho em suas atitudes. As pessoas ficam curiosas para saber de onde vem tanto amor. Aprendi muito com ele esse ano!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea abriu m\u00e3o de muitas coisas para ser um mission\u00e1rio. Qual coisa mais voc\u00ea sente falta?<\/strong><\/p>\n<p>Sou muito flex\u00edvel quanto a vivenciar novos h\u00e1bitos culturais, portanto isso me ajudou bastante nesse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o senti muita falta do lugar em si (no caso de Salvador e do Brasil), apesar de amar a minha terra, mas o que de fato s\u00e3o insubstitu\u00edveis, s\u00e3o as pessoas. Quando estamos distantes, percebemos mais do que nunca que nossa fam\u00edlia e nossos amigos s\u00e3o o bem mais precioso que temos em nossa terra natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais as dificuldades encontradas para desenvolver seu trabalho na Mong\u00f3lia?\u00a0<a href=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120407\/IMG_5782.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-137667 alignright\" src=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120407\/IMG_5782-290x220.jpg\" alt=\"IMG_5782\" width=\"290\" height=\"220\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A Mong\u00f3lia \u00e9 um pa\u00eds de extremos, a come\u00e7ar pelo clima. Ulan Bator, na Mong\u00f3lia, \u00e9 considerada a capital mais gelada do mundo com temperaturas que chegam facilmente a 40 graus abaixo de zero. Mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o vive em condi\u00e7\u00f5es sub humanas, muito abaixo da linha de pobreza. O pa\u00eds tem como religi\u00e3o oficial o budismo tibetano e menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o local \u00e9 crist\u00e3, o que faz de Jesus um nome praticamente desconhecido nesta regi\u00e3o. Apesar de haver liberdade religiosa, o governo cria uma s\u00e9rie de empecilhos burocr\u00e1ticos para dificultar a propaga\u00e7\u00e3o do evangelho. Muitos mong\u00f3is ainda possuem um sentimento de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a tudo que venha do ocidente e muitas vezes o cristianismo \u00e9 visto apenas como uma ferramenta de coloniza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o comercial. Mas entre tantos desafios, com certeza a comunica\u00e7\u00e3o se destaca como um dos maiores. O idioma mongol \u00e9 muito complexo com um alfabeto, gram\u00e1tica e pron\u00fancia completamente diferentes do nosso ou mesmo do ingl\u00eas. Em contrapartida, quando falamos algumas frases na l\u00edngua local, mesmo que em um n\u00edvel b\u00e1sico, conseguimos nos aproximar das pessoas e conquistar sua confian\u00e7a, pois ao ouvirem a mensagem em sua l\u00edngua materna esta lhes chega com mais facilidade ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sentiu medo ao chegar em um local completamente diferente do que estava acostumado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 natural sentir um \u201cfriozinho\u201d na barriga sempre que voc\u00ea tem que enfrentar algo que ainda n\u00e3o conhece, mas em nenhum momento sentimos medo, pois t\u00ednhamos e temos a certeza de que o Senhor nos enviou at\u00e9 a Mong\u00f3lia, Ele est\u00e1 no comando da Sua obra por isso cremos que estamos em suas m\u00e3os e que Ele nunca nos abandonar\u00e1 a despeito das circunst\u00e2ncias adversas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Certamente, voc\u00ea j\u00e1 viveu in\u00fameras experi\u00eancias. Qual \u00e9 a mais marcante?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120702\/IMG_1736.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-137668 alignright\" src=\"http:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/26120702\/IMG_1736-290x220.jpg\" alt=\"IMG_1736\" width=\"290\" height=\"220\" \/><\/a>\u00c9 impressionante quanta coisa acontece em um ano de trabalho como mission\u00e1rio. Obviamente n\u00e3o temos espa\u00e7o para registrar tantas experi\u00eancias interessantes, envolvendo tamb\u00e9m quest\u00f5es de aspectos culturais e alimento um blog, onde relato v\u00e1rias dessas situa\u00e7\u00f5es. Mas, sem d\u00favida, uma das coisas mais marcantes para mim, ocorreu uma semana ap\u00f3s a nossa chegada no pa\u00eds. Depois de um dia de aulas do idioma local eu estava voltando pra casa de \u00f4nibus, quando notei uma jovem senhora mongol conversando em ingl\u00eas com o seu filho. Como n\u00e3o \u00e9 muito comum encontrar algu\u00e9m falando ingl\u00eas na Mong\u00f3lia, me aproximei deles e puxei conversa. Procurando estabelecer um ponto de contato inicial, disse a ela que estava morando na Mong\u00f3lia com minha fam\u00edlia e que estava estudando a l\u00edngua. Logo em seguida, ela me perguntou o que eu fazia na Mong\u00f3lia, qual o meu trabalho. Respondi que eu era um pastor, mas como ela n\u00e3o entendeu o termo, tentei explicar dizendo que era um l\u00edder religioso, comparando aos lamas (monges budistas), mas que ao inv\u00e9s de ser um disc\u00edpulo de Buda, disse a ela que eu era um disc\u00edpulo de Jesus. Foi ent\u00e3o que esta senhora co\u00e7ou a cabe\u00e7a e disse: \u201cJesus? Eu n\u00e3o tenho certeza, mas acho que devo ter ouvido esse nome alguma vez. Quem \u00e9 ele mesmo?\u201d Confesso que n\u00e3o estava preparado para aquilo, foi muito chocante pra mim pois foi a primeira vez que me deparei com algu\u00e9m que realmente nunca havia ouvido falar de Jesus e Sua mensagem de salva\u00e7\u00e3o! Naquele momento a minha ficha caiu e s\u00f3 ali comecei a entender o tamanho do desafio mission\u00e1rio que estava diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a sua rotina como mission\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Esse primeiro ano foi um ano, sobretudo, de adapta\u00e7\u00e3o. Nos primeiros meses, estive focado em estudar a l\u00edngua mongol e compreender a cultura local com o prop\u00f3sito de identificar pontos em comum com o evangelho, criando assim pontes de comunica\u00e7\u00e3o para a prega\u00e7\u00e3o das boas novas de forma contextualizada e revelante para esta sociedade milenar. Pela manh\u00e3, ap\u00f3s nossa devo\u00e7\u00e3o pessoal e familiar, vou para a escola de idiomas onde estudo por tr\u00eas horas o idioma mongol com uma professora local. Na parte da tarde, me divido entre as atividades no escrit\u00f3rio da igreja (Mong\u00f3lia Mission), onde trabalho como Diretor de Comunica\u00e7\u00e3o e MIPES (Minist\u00e9rio Pessoal e Escola Sabatina) e tamb\u00e9m para me misturar com o povo nas pra\u00e7as, parques, feiras, monast\u00e9rios e templos. Acredito plenamente no que diz a escritora Ellen G. White quando afirma que \u201c<em>Unicamente os m\u00e9todos de Cristo trar\u00e3o verdadeiro \u00eaxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes \u00e0s necessidades e granjeava-lhes a confian\u00e7a. Ordenava ent\u00e3o: <\/em><em>\u2018<\/em><em>Segue-Me<\/em><em>\u2019<\/em>\u201d. Jo\u00e3o 21:19. (A Ci\u00eancia do Bom Viver, p. 49). Tenho procurado seguir diariamente o modelo de trabalho do Mestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual mensagem voc\u00ea deixa para quem <\/strong><strong>deseja <\/strong><strong>ser mission\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Prepare-se com ora\u00e7\u00e3o e estudo para os desafios radicais do campo mission\u00e1rio. Deus quer te usar de acordo com os seus dons e haver\u00e1 sempre um lugar na grande seara para todos aqueles que verdadeiramente desejam trabalhar pela salva\u00e7\u00e3o de almas para o reino de Deus. A igreja hoje precisa de profissionais das mais diversas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, para que adentrem, principalmente, nas \u00e1reas do planeta que ainda est\u00e3o fechadas para a prega\u00e7\u00e3o do evangelho, como a janela 10\/40. Lembre-se tamb\u00e9m de se dedicar com afinco ao estudo do ingl\u00eas, pois geralmente o aprendizado da l\u00edngua nativa (no campo mission\u00e1rio) se dar\u00e1 a partir do ingl\u00eas. Se poss\u00edvel, viaje para lugares (cidades, estados e pa\u00edses) com uma cultura diferente da sua. Misture-se com as pessoas e procure familiarizar-se com as mais diversas necessidades humanas, atrav\u00e9s do relacionamento e servi\u00e7o. Comece sendo um mission\u00e1rio na sua fam\u00edlia e entre seus vizinhos. Tenha humildade e o esp\u00edrito de um eterno aprendiz. Mas, acima de tudo, viva uma vida de comunh\u00e3o di\u00e1ria e intimidade com o Senhor pois \u201csem Ele, nada poderemos fazer\u201d (J\u00f3 15:5).\u00a0[Equipe ASN, Monique dos Anjos]<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u201cUnderstanding in order to be understood is the key of every testimony.\u201d <\/strong><\/p>\n<p><strong>(Trad. Compreender para ser compreendido \u00e9 a chave de todo testemunho)<\/strong><\/p>\n<p><em>Ganoune Diop<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos podem acompanhar nossas aventuras na Mong\u00f3lia atrav\u00e9s do blog <a href=\"http:\/\/www.odiariodeummissionario.blogspot.com\">www.odiariodeummissionario.blogspot.com<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador, BA\u2026[ASN] Hoje completa um ano em que o pastor Yure Gramacho se mudou para a Mong\u00f3lia, juntamente com a esposa e o filho. 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