{"id":135255,"date":"2016-02-04T10:55:56","date_gmt":"2016-02-04T12:55:56","modified":"2025-01-17T09:57:10","modified_gmt":"2025-01-17T12:57:10","slug":"detox-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/odailson.fonseca\/detox-2016\/","title":{"rendered":"Detox 2016"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/shutterstock_2023530707.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/shutterstock_2023530707.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-401774\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/shutterstock_2023530707.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/02\/shutterstock_2023530707-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Use as redes para se conectar, mas viva intensamente offline, valorizando as pessoas e o presente que Deus nos d\u00e1. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o teve jeito! Finalmente, cedi \u00e0 press\u00e3o. Depois de tanta insist\u00eancia infind\u00e1vel e incessante, realizei o desejo da minha filha <em>millennial<\/em>, Thalissa, de seis anos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dei um IPhone de presente para ela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso mesmo, o MEU! Eu explico.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz uma \u201caposta da virada\u201d neste \u00faltimo <em>R\u00e9veillon<\/em>: durante 15 dias eternos, entregar nas suas m\u00e3ozinhas um \u201cpeda\u00e7o de mim\u201d, ou seja, meu smartphone onipresente e vital. Ela desligou todas as minhas redes sociais, <em>wi-fi<\/em>, 3G e qualquer aplicativo capaz de me exilar no mundo virtual. Al\u00e9m disso, escondeu-o para eu n\u00e3o ter \u201creca\u00eddas de crise de abstin\u00eancia\u201d. Ah, e foi um Pacto Transm\u00eddia \u2013 incluindo <em>tablet<\/em>, notebook e at\u00e9 a <em>Smart TV<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi o ju\u00edzo? Pode ser. O resultado da aposta? Prepare-se para as declara\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas de um sobrevivente\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Se morri? Sinceramente? N\u00e3o. Entrei em \u201cconvuls\u00e3o digital\u201d, beirando o colapso mental? N\u00e3o. Se tive rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas de \u201csaudade tecnol\u00f3gica\u201d, ins\u00f4nias descontroladas, erup\u00e7\u00f5es p\u00f3s-traum\u00e1ticas na pele ou atitudes amea\u00e7adoras? N\u00c3O. Surtei ou deprimi? N\u00c3O. Perdi o mundo ao redor? N\u00c3O!<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o. N\u00e3o! N-\u00c3-O!!<\/h4>\n\n\n\n<p>Quer saber mesmo? Foi a experi\u00eancia mais libertadora que saboreei na vida. N\u00e3o faleci, mas ressuscitei. Nem colapsei, e sim, relaxei. Sumi do mundo? Nada! Achei um verdadeiro para\u00edso. N\u00e3o perdi grandes neg\u00f3cios, mas garimpei tesouros ainda maiores. Desatualizei a <em>timeline<\/em> do meu Facebook por um verdadeiro <em>update<\/em> familiar. Troquei fotos do Instagram por cliques mentais inestim\u00e1veis, e at\u00e9 descobri sons incr\u00edveis que n\u00e3o ouvia na minha <em>playlist <\/em>do Spotify: gargalhadas infantis, sinfonia das ondas, cochichos rom\u00e2nticos, sussurros da brisa e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, fala-se tanto em alimentos desintoxicantes, sucos revigorantes, <em>spas <\/em>saud\u00e1veis e novos h\u00e1bitos rejuvenescedores, que faltava uma encantadora garota me provocar ao mais importante dos desafios:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O DETOX DIGITAL!<\/h4>\n\n\n\n<p>Atropelado pelo tsunami da tecnologia, intera\u00e7\u00e3o, superexposi\u00e7\u00e3o, redes sociais e respostas \u201c<em>on-time<\/em>,<em> on-demand <\/em>e <em>on-line<\/em>\u201d, reconhe\u00e7o n\u00e3o notar facilmente o quanto mergulhei no po\u00e7o sem fim dos h\u00e1bitos embrutecidos pela digitaliza\u00e7\u00e3o humana. Solu\u00e7\u00e3o? Ou saltamos deste redemoinho antissocial vicioso em busca de equil\u00edbrio, ou nos baniremos \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o extrema dos verdadeiros relacionamentos que \u2013 na cultura off-line de outrora \u2013 um dia nos fez \u201c\u00e0 imagem de Deus\u201d (Gn. 1:26).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos \u00e0s li\u00e7\u00f5es do meu <em>reality show<\/em> particular de detox digital?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALIENA\u00c7\u00c3O.<\/strong> Palavra dura e inc\u00f4moda como areia na \u00edris, mas pertinente ao extremo, ela define nossa tr\u00e1gica antipatia social. Ningu\u00e9m mais parece algu\u00e9m, a menos que esteja conectado \u00e0 dist\u00e2ncia. O problema disso? S\u00f3 estamos presentes com os ausentes \u2013 e quem est\u00e1 ao lado que conviva com nosso \u201csumi\u00e7o\u201d. Outro dia, minha esposa me deu uma \u201cbofetada verbal\u201d lendo uma frase: \u201c<em>VIDA \u00e9 aquilo que passa enquanto voc\u00ea se perde no celular<\/em>\u201d. Tem gente que, sem perceber, acaba se tornando eremita na clausura cibern\u00e9tica de suas melhores inten\u00e7\u00f5es de sociabiliza\u00e7\u00e3o virtual. Viva o presente da presen\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IMPACI\u00caNCIA. <\/strong>Estamos cada vez menos misericordiosos com o tempo de resposta das coisas. Se o s\u00e1bio disse que \u201ch\u00e1 tempo para tudo\u201d (Eclesiastes 3:1), n\u00e3o parece que isto se enquadre nos grupos de WhatsApp e <em>direct messages<\/em> do Twitter. Teclamos pra hoje exigindo retorno pra ontem! O perigo \u00e9 que, de simp\u00e1ticas ferramentas de intera\u00e7\u00e3o, as redes sociais se deformam em amea\u00e7adoras armas de obsess\u00e3o. Quem j\u00e1 n\u00e3o roeu unhas, ou subiu paredes, na ansiedade pelo <em>feedback <\/em>instant\u00e2neo? Calma, <em>take it easy<\/em>! \u201cN\u00e3o andem ansiosos por coisa alguma\u201d (Filipenses 4:6). \u00c9 necess\u00e1rio respeitar o PLM de resposta, ou seja, \u201cper\u00edodo de lat\u00eancia m\u00ednima\u201d nas rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis e construtivas. Fujamos da trai\u00e7oeira car\u00eancia pelo imediatismo que nos larga sufocados, irritados e agressivos (#quemnunca, hein?).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FRUSTRA\u00c7\u00c3O. <\/strong>Vasculhar a vida alheia jamais far\u00e1 algu\u00e9m se sentir melhor. Ainda mais na \u201cmiragem de vitrine\u201d das m\u00eddias sociais. Porque ningu\u00e9m posta l\u00e1 o que realmente \u00e9, mas o que gostaria que fosse. Calma! N\u00e3o me condene, pois sei que n\u00e3o \u00e9 sempre assim. A quest\u00e3o aqui \u00e9 o marketing voltado a uma hiper exposi\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria de n\u00f3s mesmos com uma proje\u00e7\u00e3o ao estilo \u201cfam\u00edlia de comercial de margarina\u201d, lembra? S\u00f3 que na tentativa de seduzir outros com nossas fantasias de perfei\u00e7\u00e3o acabamos devorados pela mesma concorr\u00eancia alheia dos para\u00edsos idealizados. Para viciados em olhar <em>tudo de todos sempre<\/em>, postando o m\u00e1ximo de si, a amea\u00e7a \u00e9 se deprimir no \u201cen-Canto das Sereias\u201d dos que mais parecem que s\u00e3o. E se perder seguidores? \u00c9 melhor do que virar um perseguidor da Terra do Nunca. N\u00e3o deixe as infind\u00e1veis rolagens de p\u00e1ginas com fotos dos outros esvaziarem sua gratid\u00e3o a Deus pelo que voc\u00ea \u00e9 e tem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SOLID\u00c3O.<\/strong> Apresento-lhe o verdadeiro \u201cmal do s\u00e9culo\u201d \u2013 depress\u00e3o e stress viraram vice. Pois o maior desafio \u00e9 detectar quando a agrad\u00e1vel sociedade digital se deforma em isolamento da realidade. \u00c9 um fen\u00f4meno sorrateiramente impercept\u00edvel, mas a depend\u00eancia virtual provoca solit\u00e1rios padecendo de cuidado e controle \u2013 numa releitura contempor\u00e2nea de \u201ccorrer atr\u00e1s do vento\u201d (Eclesiastes 2:17). Olhos cansados, mal-humor, desaten\u00e7\u00e3o, pregui\u00e7a, letargia, tristeza e des\u00e2nimo denunciam limites ultrapassados da gera\u00e7\u00e3o <em>touch-screen. <\/em>Confesso que me forcei nos primeiros momentos aparentemente ociosos para \u201cachar o que fazer\u201d al\u00e9m de teclar meu universo paralelo. Por\u00e9m, foi contagiante voltar a curtir pessoas, sentimentos, toques e imagens reais que passavam despercebidos. Foi quando notei quanta coisa boa, divertida e excepcional eu estava perdendo ao alcance dos meus bra\u00e7os \u2013 mais que na evas\u00e3o dos dedos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OTIMIZA\u00c7\u00c3O.<\/strong> Do tempo, \u00e9 \u00f3bvio! Surpreende ver quanta energia de a\u00e7\u00e3o pode ser capitalizada nos momentos que sobram ap\u00f3s reduzir o uso da tecnologia virtual. Neste caso, de extremos envolvidos, menos \u00e9 mais. Tempo n\u00e3o \u00e9 o que temos, mas o que fazemos com ele. Por isso, pode ser a hora de trocar os bin\u00f3culos digitais para se ver onde pisa. M\u00eddias sociais ajudam (e muito!), mas jamais substituir\u00e3o as conex\u00f5es pessoais. Ou voc\u00ea viu um grande neg\u00f3cio sendo fechado <em>via Snapchat<\/em>? N\u00e3o d\u00e1! Que tal investir mais tempo em planos concretos, projetos de vida e potencializando suas iniciativas com \u201cacabativas\u201d? Produtividade \u00e9 resultado da compet\u00eancia focada. Se for necess\u00e1rio, \u00e9 melhor reduzir a marcha na inebriante pista supers\u00f3nica das atualiza\u00e7\u00f5es nas m\u00eddias sociais a fim de arejar, planejar e refletir sobre o que, consistentemente, vale a vida. Sem contar que a agenda-do-dia voar\u00e1 a <em>terabytes<\/em> por segundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VIDA QUE SEGUE. <\/strong>O mais surpreendente de tudo? O mundo n\u00e3o parou, amigos n\u00e3o desapareceram, mantive meu emprego, nem as contas deixaram de ser pagas por causa desta \u201ccarta de alforria virtual\u201d que me desenjaulou saudavelmente. Senti-me ainda mais criativo e fortalecido para olhar menos os outros e valorizar mais o que sou. Quer mais? N\u00e3o \u00e9 para menos que o Livro mais \u201creal\u201d do universo nos alerte h\u00e1 mil\u00eanios: ame o pr\u00f3ximo, sim! Preocupe-se, interesse-se e interaja com ele, MAS na medida que voc\u00ea ama, valoriza e se realiza <u>consigo mesmo<\/u> (Mateus 22:39 <em>adaptado<\/em>). A f\u00f3rmula n\u00e3o muda: felicidade \u00e9 a plenitude de esp\u00edrito feita da paz de contemplar sonhos divinos conectados com atitudes humanas. Explore o que \u00e9 poderoso: o equil\u00edbrio pessoal blindado no livre-arb\u00edtrio que se liberta de qualquer extremismo. E a vida on-line? Que seja facilitadora da incr\u00edvel e desafiadora exist\u00eancia off-line. Afinal, redes sociais s\u00e3o excelentes redes de pesca para despertar o interesse por Deus, reencontrar bons amigos, e construir di\u00e1logos com boas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Que tal, a carapu\u00e7a tamb\u00e9m lhe serviu? Se for dif\u00edcil se enquadrar na Zona do Bom Senso Virtual, fale comigo. Pedirei para minha filha propor um infal\u00edvel Detox Digital para voc\u00ea tamb\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p>Liberta\u00e7\u00e3o garantida.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 ouviu falar dessa express\u00e3o Detox digital? 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