{"id":134410,"date":"2016-01-29T15:40:03","date_gmt":"2016-01-29T17:40:03","modified":"2025-01-27T16:34:07","modified_gmt":"2025-01-27T19:34:07","slug":"quando-os-verdugos-entram-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/diego.barreto\/quando-os-verdugos-entram-em-cena\/","title":{"rendered":"Quando os verdugos entram em cena"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-403084\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Perdoar \u00e9 perder o direito sobre o outro, renunciar \u00e0 vingan\u00e7a e abrir espa\u00e7o para a compaix\u00e3o. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Pedro uma vez perguntou a Cristo sobre aquilo que \u00e9 nossa maior dificuldade: O perd\u00e3o. \u00c9 muito interessante a premissa de Pedro ao perguntar quantas vezes algu\u00e9m deveria ser perdoado em um \u00fanico dia, e sugerindo a quantia de 7 vezes, ele demonstrou que acreditava que o perd\u00e3o tinha um limite. \u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea, hoje, e muitas outras pessoas tamb\u00e9m tenham essa impress\u00e3o. A resposta revolucion\u00e1ria de Jesus foi muito mais do que 7 vezes em um \u00fanico dia, mas 70 vezes 7 (Mateus 18:21-22). Muito al\u00e9m das 490 vezes, o que Jesus estava propondo de maneira did\u00e1tica \u00e9 que n\u00e3o deve haver um limite para o perd\u00e3o. Mas antes de nos aprofundarmos nisso, vamos esclarecer o que \u00e9 perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria palavra j\u00e1 nos informa o seu significado mais profundo. No portugu\u00eas, os substantivos podem ser aumentados. Por exemplo, posso definir uma casa enorme pelos substantivos com aumentativo: cas\u00e3o ou casar\u00e3o. Copo, cop\u00e3o. Cadeira, cadeir\u00e3o. J\u00e1 entendeu onde quero chegar? Exatamente, a palavra perd\u00e3o nada mais \u00e9 do que o substantivo \"perda\" com aumentativo. Isso \u00e9 o perd\u00e3o. Uma perda enorme, uma perda gigantesca. Todo mundo que perdoa tem que perder. A palavra no ingl\u00eas tamb\u00e9m carrega essa ideia. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/rafael-rossi\/perdoe-e-liberte-se\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Perdoe e liberte-se!<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/noticia\/institucional\/mae-de-missionario-morto-relembra-experiencia-do-perdao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00e3e de mission\u00e1rio morto relembra experi\u00eancia do perd\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>FORGIVE<\/strong> (Jun\u00e7\u00e3o do verbo \"dar\" com a preposi\u00e7\u00e3o \"para\") \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o que quem perdoa est\u00e1 entregando alguma coisa, doando de si mesmo, perdendo do que lhe \u00e9 pr\u00f3prio. Dar, doar, entregar nada mais \u00e9 do que a vers\u00e3o altru\u00edsta da palavra perda. Ningu\u00e9m doa sem entregar do seu pr\u00f3prio, sem perder o que j\u00e1 tinha conquistado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica ainda mais interessante quando entendemos que a nossa palavra portuguesa tem origem latina, Per+donum, que nada mais \u00e9 do que doar plenamente, perfeita doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode estar se perguntando agora, o que \u00e9 que eu doo\/perco\/entrego quando tenho que perdoar algu\u00e9m? Para explicar isso de maneira bem clara e quase l\u00fadica Jesus conta uma par\u00e1bola que vem em seguida \u00e0 resposta dada a Pedro (Mateus 18:23-35). Nessa par\u00e1bola, que eu recomendo a leitura, Jesus conta de um rei que tinha um funcion\u00e1rio que devia muito. A B\u00edblia fala de 10.000 talentos. Para entender o valor da d\u00edvida considere que um talento equivale a 6.000 den\u00e1rios. Um den\u00e1rio equivale a um dia de trabalho. Portanto esse homem devia 60.000 de dias de trabalhos, o que daria 164.383 anos (arredondando para baixo) trabalhados todos os dias da vida sem folgas. Alguma d\u00favida de que a d\u00edvida era impag\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Em vista disso, o rei s\u00f3 tinha uma alternativa vender como escravos a ele e sua fam\u00edlia (costume da \u00e9poca) visto que nunca haveria pagamento de tal d\u00edvida. O homem ent\u00e3o clama por miseric\u00f3rdia e implora que o rei n\u00e3o fa\u00e7a assim. Pede tempo e diz que vai dar um jeito de pagar a d\u00edvida. Essa parte \u00e9 bastante engra\u00e7ada. Ouvi recentemente um amigo pregando sobre esse tema e ele levantou uma quest\u00e3o que eu nunca tinha abordado dessa maneira. Se a d\u00edvida era impag\u00e1vel, como o homem estava prometendo dar um jeito de pag\u00e1-la? Essa era uma proposta desesperada e uma afirma\u00e7\u00e3o leviana. O d\u00e9bito era simplesmente impag\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A perda do rei<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Sabendo disso, o rei toma a atitude que a compaix\u00e3o demanda, perdoa. O que o rei est\u00e1 perdendo aqui? Al\u00e9m da quantia exorbitante que ficar\u00e1 faltando nos cofres reais, ele tamb\u00e9m perde o direito de cobrar a d\u00edvida, perde o seu direito de ser ressarcido, perde o seu direito sobre o outro. Essa \u00e9 a quest\u00e3o principal e mais profunda. Perdoar \u00e9 perder o direito que temos sobre os outros. Quando algu\u00e9m nos ofende, nos hostiliza, nos rouba, nos humilha, nos difama, ou qualquer mis\u00e9ria que voc\u00ea possa imaginar, ganhamos da justi\u00e7a o direito de agir sobre ela em retalia\u00e7\u00e3o direta ao dano que sofremos. Quando digo justi\u00e7a aqui, n\u00e3o me refiro somente \u00e0s leis da sociedade, mas ao senso de justi\u00e7a. \u00c9 estranho, mas quando algu\u00e9m nos faz mal paira uma no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a no universo que parece nos informar que temos um direito contra aquele que nos injuriou. Ficamos imbu\u00eddos dessa no\u00e7\u00e3o e todos concordar\u00e3o que temos direitos contra aquele que nos injusti\u00e7ou. O pior \u00e9 que isso \u00e9 t\u00e3o pessoal e subjetivo que podemos nos achar com direito sobre algumas pessoas que n\u00e3o queriam mesmo nos ferir, mas que por acidente, ou mesmo por um ato de justi\u00e7a possam ter agido para nos corrigir. N\u00e3o importa, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma sempre, perder.<\/p>\n\n\n\n<p>O rei escolheu abrir m\u00e3o do seu direito sobre o outro. Decidiu que n\u00e3o iria operar sobre aquele homem a justi\u00e7a que lhe era digna por compaix\u00e3o, amor. O amor faz isso, ele perdoa e releva. Isso n\u00e3o quer dizer que a justi\u00e7a n\u00e3o ir\u00e1 acontecer, porque Deus deixa bem claro que a justi\u00e7a sempre vir\u00e1 dEle e n\u00e3o de nossas m\u00e3os. Mas n\u00f3s temos o poder de abrir m\u00e3o do que temos contra os outros. Perder aquele sentimento que nos acompanha h\u00e1 anos, aquele desejo de vingan\u00e7a que nos acostumamos a alimentar, e \u00e0s vezes perder inclusive bens. Foi isso que o rei fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Refiro-me agora ao Rei do Reino dos C\u00e9us. Porque n\u00f3s somos o homem com uma d\u00edvida impag\u00e1vel na par\u00e1bola. Nenhum de n\u00f3s, humanos, em nosso pecado, somos capazes de pagar a d\u00edvida que temos diante de Deus a n\u00e3o ser que nossa vida seja deposta. S\u00f3 a morte paga nossa d\u00edvida. O Rei se compadece de n\u00f3s e nos perDOA. Abre m\u00e3o da justi\u00e7a que eu mere\u00e7o receber, da qual sou indivisivelmente digno e me liberta dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Saindo dali o servo <strong>perDOADO<\/strong> encontra um homem que lhe devia apenas 100 den\u00e1rios, pouco mais de tr\u00eas meses de trabalho e lhe cobra sem compaix\u00e3o o lan\u00e7ando na pris\u00e3o. O rei, informado de tal, chama de volta o servo perdoado e o condena, porque havendo o rei agido com miseric\u00f3rdia com uma d\u00edvida impag\u00e1vel este servo n\u00e3o fez o mesmo com aquele que tinha uma d\u00edvida muito menor. Somos assim, queremos o perd\u00e3o ilimitado de Deus, mas queremos limitar e muito o tanto que somos capazes de <strong>DOAR<\/strong>. Agimos como quem pensa assim: Deus pode e deve nos perdoar de tudo sempre, mas aqueles que nos ofendem sofrer\u00e3o a justi\u00e7a que nos \u00e9 direito t\u00e3o logo pudermos cobr\u00e1-la. Levaremos \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias se preciso for, mas n\u00e3o aceitamos a perda. E acabamos por perder muito mais. Perdemos a chance de ser justos, pois tendo sido perdoados muito mais por Deus, nossos atos de justi\u00e7a contra nossos irm\u00e3os se tornam injusti\u00e7a diante da nossa d\u00edvida. Perdemos a chance de se parecer com o Rei. Perdemos a chance de sermos coerentes. Perdemos a chance de melhorar quem somos. Perdemos o bonde do altru\u00edsmo e continuamos embarcados em nosso ego\u00edsmo desgovernado. E o pior, seremos lan\u00e7ados aos verdugos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus tenta explicar o quanto temos a perder em n\u00e3o perder (deixar de perdoar). A par\u00e1bola \u00e9 clara em apontar as consequ\u00eancias para o que n\u00e3o perdoa. Jesus informa que aqueles que n\u00e3o perdoam ser\u00e3o lan\u00e7ados aos \"Verdugos\". Palavra da \u00e9poca para torturadores. \u00c9 o jeito de Jesus de informar que, quando n\u00e3o perdoamos, carregaremos os sentimentos que nos torturam, nos fazem definhar, adquirir c\u00e2nceres e at\u00e9 morrer de desgosto. Quando n\u00e3o perdoamos, nos tornamos almas torturadas, nas m\u00e3os dos verdugos sofremos, remoemos e definhamos em dor por uma propriedade maldita, o direito sobre o outro, o clamor da ira, \"o veneno que eu tomo esperando que o outro morra\" (ad\u00e1gio Romano sobre a vingan\u00e7a). Perceba que \u00e9 o Rei (Deus) que nos lan\u00e7a aos verdugos. Afinal, n\u00e3o h\u00e1 nada mais que possa ser feito para ajudar aquele que conhecendo o perd\u00e3o infinito se limita a amar. A este, s\u00f3 resta a tortura de odiar. Livre-se disso! PERCA! PERCA TUDO! PERDOE. Sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que tem a ver os verdugos, ou torturadores, da par\u00e1bola do credor incompassivo com a gente? Leia esse artigo e entenda!<\/p>\n","protected":false},"author":160,"featured_media":403084,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668,3217],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-134410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia","xtt-pa-editorias-comportamento","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2016\/01\/shutterstock_1265154016-480x270.jpg"}}