{"id":124234,"date":"2015-11-13T10:25:51","date_gmt":"2015-11-13T13:25:51","modified":"2025-01-21T20:36:10","modified_gmt":"2025-01-21T23:36:10","slug":"tres-dicas-para-praticar-a-mansidao-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/tres-dicas-para-praticar-a-mansidao-na-era-digital\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas dicas para praticar a mansid\u00e3o na era digital"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-402184\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Se antes a defesa da f\u00e9 ocorria na esteira da cordialidade, hoje prevalece um evangelismo autorit\u00e1rio, repressivo, teclado em computadores ou smartphones tendo como combust\u00edvel uma ironia depreciativa.(Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Precisamos falar sobre a mansid\u00e3o. Talvez nenhum outro assunto seja t\u00e3o relevante hoje em dia. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que o \u00f3dio prevaleceu. \u00c9 ir\u00f4nico perceber isso agora, quando nunca tivemos tanta oportunidade de aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas em qualquer \u00e9poca anterior. A web surgiu como uma chance de confraterniza\u00e7\u00e3o de fato. Barreiras seriam quebradas, preconceitos seriam superados, o respeito e a toler\u00e2ncia ditariam uma nova era. O discurso era incr\u00edvel. Mas a realidade provou que era apenas uma utopia, uma miragem no deserto de \u00f3dio e ressentimento que nos envolveu a todos. E no qual corremos o perigo de achar que esse estado de indelicadeza \u00e9 normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto um certo espanto quando vejo o perfil de amigos antigos em uma ou outra rede social. O trato doce e educado de alguns, que tanto admirava, cedeu espa\u00e7o ao cinismo. A defesa de ideais, que antes era marcada pela paix\u00e3o, hoje se manifesta nas redes sociais com a arrog\u00e2ncia de quem se imagina ter uma esp\u00e9cie de opini\u00e3o suprema. Se antes a defesa da f\u00e9 ocorria na esteira da cordialidade, hoje prevalece um evangelismo autorit\u00e1rio, repressivo, teclado em computadores ou smartphones tendo como combust\u00edvel uma ironia depreciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma plataforma que definiu a liberdade plena para expressar a minha opini\u00e3o \u00e9 a que uso para reprimir uma opini\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 minha. Os limites n\u00e3o ficam claros entre a liberdade de express\u00e3o e a liberdade de repress\u00e3o. Em meio a isso, todos parecem ter uma opini\u00e3o sobre tudo. Todos falam. Pouqu\u00edssimos escutam. E os que falam usam as palavras n\u00e3o como argumentos, mas como instrumentos de viol\u00eancia gratuita. \"Vivemos um tempo de grande brutalidade, em todos os sentidos, para tudo e para todos\", disse recentemente o ator L\u00e1zaro Ramos, comentando ataques racistas nas redes sociais contra sua esposa, Ta\u00eds Ara\u00fajo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro de Walden, livro do escritor Henry David Thoureau. Walden \u00e9 ensaio biogr\u00e1fico e relato de uma experi\u00eancia social. Transtornado pela corros\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es na sociedade norte-americana, sob imensa influ\u00eancia da industrializa\u00e7\u00e3o e crescente urbaniza\u00e7\u00e3o, Thoureau, ent\u00e3o com 28 anos, decide viver no bosque. Isolado do mundo. Redescobrindo a vida e o sentido de humanidade. \u201cTemos de aprender a redespertar e nos manter despertos, por uma infinita expectativa da aurora\u201d, afirmou. Eu tamb\u00e9m busco uma aurora. E \u00e9 no desejo por ela que muitas vezes tamb\u00e9m prefiro o sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que n\u00e3o \u00e9 preciso uma experi\u00eancia t\u00e3o radical para superar esse estado de intoler\u00e2ncia. Mas para que a supera\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, \u00e9 preciso viver a mansid\u00e3o, como fruto do Esp\u00edrito. O ap\u00f3stolo Paulo definiu a mansid\u00e3o como uma voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que precisa ser exercida com humildade, delicadeza e compreens\u00e3o m\u00fatua (Ef\u00e9sios 4:2). Como chegar a este modelo de conduta em um mundo dominado pela provoca\u00e7\u00e3o? A escritora e educadora Ellen White escreveu algo formid\u00e1vel a esse respeito: \u201cO esp\u00edrito que se conserva manso em face da provoca\u00e7\u00e3o, dir\u00e1 mais em favor da verdade, do que o far\u00e1 qualquer argumento, por mais vigoroso que seja\u201d. \u2013 O Desejado de Todas as Na\u00e7\u00f5es, p\u00e1g. 353.<\/p>\n\n\n\n<p>Como praticar a mansid\u00e3o em plena era digital? Como dito acima, a mansid\u00e3o \u00e9 fruto do Esp\u00edrito, e como tal precisa ser cultivado. Eu tento seguir tr\u00eas atitudes. Mentiria se dissesse que \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. \u00c9 algo dif\u00edcil e que precisa ser praticado, at\u00e9 mesmo inclu\u00eddo em momentos de medita\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o. Mas quero compartilhar com voc\u00ea, e espero sinceramente, se voc\u00ea tamb\u00e9m busca viver a mansid\u00e3o, que o ajude. S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ter opini\u00e3o sobre tudo, muito menos express\u00e1-la na velocidade preconizada pelas redes.<br>As possibilidades da comunica\u00e7\u00e3o digital permitiram que todos n\u00f3s, repentinamente, tiv\u00e9ssemos opini\u00e3o formada sobre qualquer coisa. De um momento para outro, viramos todos especialistas. Pol\u00edtica, religi\u00e3o, comportamento, ci\u00eancia, economia, geopol\u00edtica, teologia, sexualidade, medicina, direito, criminalidade, justi\u00e7a, puni\u00e7\u00e3o, vida, morte. Qualquer que seja o assunto, todos t\u00eam uma opini\u00e3o a respeito. E essa opini\u00e3o \u00e9 resultado n\u00e3o de profunda an\u00e1lise, muito menos do estudo, mas do desejo de pertencer, de ser aceito, ou de superar inseguran\u00e7as com um posicionamento. E tamb\u00e9m porque a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e abundante. E essa \u00e9 tamb\u00e9m uma ironia: o excesso de informa\u00e7\u00e3o leva ao excesso de opini\u00e3o, e esse \u00e9 o caminho largo para a desorienta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se sentir obrigado a participar de uma conversa pode ajud\u00e1-lo a colaborar de forma mais \u00edntegra com esta mesma conversa. Voc\u00ea pode explorar o sil\u00eancio para ouvir mais. E pode expor sua opini\u00e3o com calma, sem o apelo do coment\u00e1rio em \u201ctempo real\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o precisa ter sempre raz\u00e3o.<br>A base da intoler\u00e2ncia \u00e9 a necessidade de ter raz\u00e3o sempre, de n\u00e3o dar o bra\u00e7o a torcer. Este \u00e9 um sintoma bem espec\u00edfico desses tempos digitais. As discuss\u00f5es n\u00e3o se cruzam, porque est\u00e3o em linhas paralelas. Mais do que ajudar o outro, o interesse \u00e9 superar um embate. M\u00e1goas, remorsos e at\u00e9 mesmo \u00f3dio se multiplicam quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 apenas defender o seu ponto de vista, por melhor que ele seja.<br>O pastor Donald Miller, autor de Como os pinguins me ajudaram a entender Deus, tomou uma decis\u00e3o a esse respeito que considero inspirada. Falando acerca de discuss\u00f5es sobre cren\u00e7a, ele escreveu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu mais recente esfor\u00e7o de f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 do tipo intelectual. Eu realmente n\u00e3o fa\u00e7o mais isso. Mais cedo ou mais tarde voc\u00ea simplesmente descobre que h\u00e1 alguns caras que n\u00e3o acreditam em Deus e podem provar que ele n\u00e3o existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe - e a esse ponto a discuss\u00e3o j\u00e1 deixou h\u00e1 muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem \u00e9 mais inteligente; honestamente, n\u00e3o estou interessado nisso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>3 \u2013 Desenvolva uma comunica\u00e7\u00e3o compassiva.<br>Marshall Rosenberg, doutor em psicologia cl\u00ednica da Universidade de Wisconsin e estudioso da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta, afirma que grande parte dos desentendimentos entre as pessoas pode ser amenizada ou mesmo evitada com o emprego da \u201clinguagem da compaix\u00e3o\u201d. Segundo ele, esse \u00e9 um processo de comunica\u00e7\u00e3o que promove o respeito, a aten\u00e7\u00e3o, a empatia e gera o m\u00fatuo desejo de entrega a uma vida em favor do outro.<br>Um grande desafio que temos hoje em dia \u00e9 negligenciar uma cultura que celebra resultados individuais acima da sa\u00fade das rela\u00e7\u00f5es coletivas. A cultura digital \u00e9 alimentada pela cultura do indiv\u00edduo, aquele que consegue mais cliques, mais flashes, mais compartilhamentos, mais capacidade viral. Penso que esse egocentrismo \u00e9 o alimento para um estado de distor\u00e7\u00e3o muito comum hoje em dia, que \u00e9 a incapacidade de auto-cr\u00edtica. Uma cultura que apenas aplaude nos deixa t\u00e3o despreparados para observar nossos erros que censuramos qualquer avalia\u00e7\u00e3o de nossas opini\u00f5es que n\u00e3o seja a aceita\u00e7\u00e3o. A agress\u00e3o resultante \u00e9 apenas uma consequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um esp\u00edrito manso \u00e9 capaz de progredir em pessoas capazes de negar sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia. Lembro de Paulo, mais uma vez: \u201cTodavia, n\u00e3o me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se t\u00e3o somente puder terminar a corrida e completar o minist\u00e9rio que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da gra\u00e7a de Deus\u201d (Atos 20:24).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um esp\u00edrito manso \u00e9 capaz de progredir em pessoas capazes de negar sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia. <\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":402184,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3217,3636],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-124234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-comportamento","xtt-pa-editorias-comunicacao","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Comportamento","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-768x490.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/11\/shutterstock_2192012715-480x270.jpg"}}