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Uma igreja que vai além do culto: projetos sociais levam mais de 30 pessoas ao batismo no sul do RS

Iniciativas missionárias em Capão do Leão (RS) transformam vidas de novas gerações e fortalecem o evangelismo


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A igreja adventista do Parque Fragata, em Capão do Leão (RS), é formada, em sua maioria, por crianças e adolescentes. (Foto: Ronaldo Vicente)

Uma igreja missionária, formada em sua maioria por crianças e adolescentes. Mas como isso pode ser possível? Tudo começou com uma Escola Cristã de Férias, realizada em um galpão de um bairro carente, às margens de uma rodovia na cidade de Capão do Leão (RS), que deu origem a um grupo com reuniões periódicas. No entanto, os líderes queriam mais. “Deus nos deu um sonho de ter uma igreja que não servisse apenas para cultos. Nela, haveria cultos, mas existiriam muitos projetos de cunho social", contou Marcelo Correa, idealizador do projeto.

As portas se abriram quando a administração da Associação Sul do Rio Grande do Sul (ASRS), sede administrativa local da denominação adventista, acreditou na iniciativa e adquiriu um terreno de 3 mil metros quadrados. A igreja foi construída e diversas ações começaram a ser desenvolvidas. "Então, surgiu o projeto do futebol, os Clubes de Desbravadores e Aventureiros, Cozinha Solidária, Almoço Comunitário, Sopa Também é Janta, Desbrava-Bikers e muitos outros", afirmou Marcelo.

Pouco tempo depois, uma quadra de esportes foi construída nos fundos da igreja com recursos arrecadados por meio de doações. Logo, a notícia se espalhou pela comunidade, e centenas de crianças passaram a jogar bola com os adventistas. Samuel Pacheco, de 17 anos, estava entre eles. Do quintal de sua casa, o garoto observava todo o movimento no terreno ao lado, até que decidiu descobrir do que se tratava.

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Ele conta que, com o incentivo de um amigo, teve coragem para se aproximar do grupo. “Eu cheguei para o meu amigo e contei que na igreja ao lado estava acontecendo jogos de futebol e algo relacionado a clube. Eu o convidei e ele veio comigo. Depois que conheci o Clube de Desbravadores, não consegui mais sair", relembra Samuel. Além de jogar bola, o garoto - assim como os demais - foi convidado a estudar a Bíblia Sagrada e, algum tempo depois, decidiu entregar sua vida a Jesus.

Com o tempo e por meio de sua influência, a família do adolescente também se tornou adventista. Hoje, Samuel atua como líder no mesmo projeto que o alcançou e sonha cursar Gastronomia num futuro próximo. O desbravador demonstrou gratidão por tudo que a Igreja Adventista fez em sua vida. “O projeto mudou muito a minha vida, me fez pensar diferente. Sou um novo Samuel. Me tirou de lugares que eu frequentava, me deu novas amizades. Quando eu me batizei foi a melhor sensação que eu tive. Foi um alívio", relatou Pacheco.

O pastor Pablo Costa batizou o adolescente Samuel Pacheco, alcançado pelo projeto missionário (Foto: Arquivo pessoal)

A igreja servindo a comunidade

Após ganharem o terreno, os líderes da igreja adventista do Parque Fragata, no sul do Rio Grande do Sul, começaram a elaborar diversos projetos para utilizar da melhor forma o espaço e, ao mesmo tempo, apresentar Jesus a cada morador do bairro. Ao olhar para a comunidade local, identificaram diversas necessidades que poderiam ser atendidas pela igreja.

Marcelo conta que sua equipe chegou à conclusão de que precisavam oferecer à população local a oportunidade de realizar algum curso. “Nós pensamos em cursos profissionalizantes que pudessem dar mais oportunidades para as pessoas aqui do bairro. Um professor tem ministrado aulas de Barbearia e já temos profissionais que se disponibilizaram para ensinar Corte e Costura, Artesanato e Panificação”, revelou Marcelo.

Porém, o que tem limitado Marcelo e sua equipe de avançar ainda mais é a ausência de um espaço adequado. Apesar de possuírem um terreno generoso, a igreja carece de recursos para construir um salão que permita a realização dessas atividades. “Enquanto não dispomos desse espaço, temos ensinado os adolescentes do projeto a venderem pães fabricados por irmãos da igreja. O dinheiro arrecadado nas vendas é utilizado para pagar as atividades dos Clubes de Desbravadores e Aventureiros", pontuou Correa.

Adolescentes do projeto durante as aulas de Barbearia ministradas pelo professor Paulo Felipe (Foto: Arquivo pessoal)

Escolinha de futebol

A igreja adventista do Parque Fragata proporciona às crianças e adolescentes do projeto várias atividades recreativas, com o objetivo de afastá-los das más influências. Um dos carros-chefes da iniciativa é a Escolinha de Futebol. Realizada duas vezes por semana, a ação tem atraído diversas crianças e adolescentes para o círculo de amizade adventista. Campeonatos movimentam a comunidade e têm servido de ponte para outros projetos, como os Clubes de Desbravadores e Aventureiros, Escola de Música e Fanfarra.

Paulo Felipe, de 25 anos, atua como professor voluntário nos cursos de Barbearia e na Escolinha de Futebol. O empreendedor conta que aceitou o convite para ajudar como um chamado de Deus. “Esses projetos, para mim, têm sido muito bons. Sei que estou contribuindo de alguma forma e podendo ajudar esses jovens, que muitas vezes não têm atenção nas escolas, na sociedade e, às vezes, até no próprio âmbito familiar", sublinhou Felipe.

Segundo a organização, quem participa das atividades semanais tem a vida transformada. “Quando convivemos com esses meninos e meninas, entendemos que suas necessidades vão além de apenas uma refeição. Eles precisam de carinho e atenção, que muitas vezes não conseguem em casa. Eles vão melhorando, e quem falava palavrões não fala mais, quem dava pontapés, não dá mais", afirmou Marcelo.

Dezenas de crianças e adolescentes participam de Fogo do Conselho após campeonato Copa Calebe (Foto: Arquivo pessoal)

Formando novos missionários

Desde o início do projeto, há três anos, diversas crianças, adolescentes e seus familiares foram alcançados para Jesus. Segundo o pastor Pablo Costa, líder espiritual da igreja adventista do Parque Fragata, a comunidade adventista respira missão 24 horas por dia. “Deus ainda tem muitas pessoas sinceras aqui ao nosso redor. Isso nos alegra muito, pois é possível ver uma transformação verdadeira na vida dessas famílias. Elas ganham um propósito diferente. Eram destruídas por conta de vícios em drogas e álcool e hoje estão unidas, estudando a Bíblia", comemorou Costa.

A igreja está feliz porque, por meio de ministérios como os Desbravadores e Aventureiros, está preparando novos líderes e missionários para servirem à causa do evangelho. “O nosso projeto é um berço para novos missionários. Nós já enviamos nossa primeira aluna e desbravadora para a missão. A Thienry Sotero está participando do projeto Um Ano em Missão (OYIM). Nosso objetivo é fazer com que esses jovens que vêm à igreja e participam dos projetos possam sair daqui e ir alcançar outras pessoas para Cristo Jesus", frisou o pastor Pablo.

Thienry se uniu a outros jovens que, durante todo o ano de 2025, estarão realizando ações missionárias na cidade de Viamão (RS). Ao lembrar da igreja que a evangelizou no passado, ela demonstrou gratidão. “Fui abençoada por participar de experiências missionárias incríveis em diversos aspectos, graças à liderança inspiradora e ao envolvimento ativo da igreja nesse trabalho. Foi ali que eu me encontrei e descobri meu propósito. Desde então, estive envolvida em todas as atividades que contribuíram significativamente para que eu chegasse até aqui", expressou a jovem.

Adolescentes e crianças participam de aula de música ministrada por voluntários do projeto (Foto: Silas Hunter)

Educando para salvar

Uma iniciativa dos coordenadores do projeto e líderes da Igreja Adventista no sul do Rio Grande do Sul possibilitou que 28 crianças e adolescentes carentes de Capão do Leão fossem matriculados no Colégio Adventista de Pelotas (CAP). Taylor Rocha, de 16 anos, está entre os alunos que receberam uma bolsa de estudos. Ele conta que enfrentou dificuldades no início por conta da diferença de ensino, mas que, aos poucos, foi se adaptando. "Comecei a ter muitas dificuldades e eu chorava com medo de perder um ano escolar", revelou Taylor.

O adolescente explica que precisou participar de diversas aulas de reforço para nivelar seu aprendizado com o exigido pelo Colégio Adventista. “Com a ajuda de reforços escolares, estou indo melhor. Ganhei até um broche por mérito acadêmico. Foi um broche de bronze, a menor patente, mas estou feliz porque achei que não ganharia nada. Mudou a minha vida. Ambos, o projeto e a escola, me transformaram", comemorou Rocha.

Essas ações só foram possíveis graças ao envolvimento de pessoas como Jean Lima. Quando não está atendendo no hospital, o médico se une à sua família e atua como voluntário no projeto. Jean foi um dos líderes que lutaram pela concessão de bolsas de estudo para os adolescentes. “Deus tem me dado forças para eu me dedicar, principalmente aos finais de semana, para dar suporte aos projetos. Procuro ajudar essas pessoas para prepará-las para ter uma vida melhor aqui - e pensando na eternidade", sublinhou Jean.

Desde o início, o projeto da igreja adventista do Parque Fragata conta com a atuação de voluntários e com recursos financeiros que tornam viáveis as ações que têm feito a diferença na vida de tantas famílias. “Temos vários desafios financeiros: os livros escolares, os uniformes, a alimentação que oferecemos à comunidade todos os sábados e domingos, além dos passeios e viagens que realizamos com eles", revelou o pastor Pablo.

A igreja sonha e quer ir além. Mais do que apenas resgatar crianças e jovens dos caminhos errados, o objetivo é oferecer um futuro melhor para cada um deles. “Queremos enviar a primeira aluna do Clube de Desbravadores para a faculdade adventista. E não somente ela, mas todos, para que se formem como missionários para a causa do Senhor. Mas, para isso, precisamos de doações. Elas sempre serão bem-vindas", ressaltou o pastor Pablo.

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