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Testemunhos marcam evento mundial sobre sexualidade e sociedade

Várias abordagens sobre sexualidade levaram centenas de participantes a evento na África do Sul.

23 de março de 2014
Painel trouxe experiências de vida relacionadas ao tema - Créditos: Ansel Oliver

Painel trouxe experiências de vida relacionadas ao tema – Créditos: Ansel Oliver

Cidade do Cabo, África do Sul … [ASN] Um painel de três adventistas do sétimo dia que viveram um estilo de vida homossexual contou suas histórias na última noite durante a cúpula sobre sexualidade da denominação, discutindo suas viagens para longe da atividade homossexual. Direcionando a cúpula estavam Ron Woolsey, pastor adventista e fundador do “The Narrow Way Ministry” (O Ministério do Caminho Estreito), Virna Santos, presidente do ministério “By Beholding His Love” (Ao Contemplar Seu Amor), e Wayne Blakely, fundador dos “Know His Love Ministries” (Ministérios Conheça Seu Amor). A Igreja Adventista mundial esta semana está presidindo a cúpula “In God’s Image: Scripture. Sexuality. Society.” (À Imagem de Deus: Escritura. Sexualidade. Sociedade.) no Centro de Convenções Internacional da Cidade do Cabo. “Estamos aqui hoje à noite para ouvir depoimentos”, disse o moderador do painel Bill Knott, editor da revista Adventist Review. “Estamos aqui para ouvir os crentes contar as histórias de como Deus os redimiu.” Knott convidou os membros do painel a compartilhar suas experiências em vários estágios diferentes da vida. Woolsey disse que ele cresceu em um “bom lar adventista”, mas foi molestado quando criança por um amigo da família. A partir de então, ele se achou cada vez mais focado em relações do mesmo sexo.

Retorno

Enquanto frequentava uma escola adventista, ele começou a namorar, e finalmente casado, pensando que o casamento era a solução para a sua identidade e relacionamentos conturbados. Contudo, quando sua jovem esposa descobriu seus relacionamentos contínuos com homens, o casamento logo foi dissolvido. Depois de mais de 15 anos em vários relacionamentos gays, Woolsey retornou à sua fé da infância e a um relacionamento com Cristo através da leitura da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White, cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. “Eu comecei a ler Caminho a Cristo com um cigarro na mão e um Martini ao meu lado”, observou ele ironicamente. “Até o capítulo 5, eu tinha largado o cigarro.” Woolsey foi rebatizado e logo começou a contar sua história de recuperação para os grupos da igreja ao redor dos Estados Unidos. Agora casado por 21 anos, ele é o pai de cinco filhos, e pastor ordenado da Igreja na Arkansas-Louisiana Conference (Associação de Arkansas-Louisiana).

Para Wayne Blakely, a rejeição na primeira infância por parte de sua mãe — que tinha desejado uma filha — logo o levou a procurar relacionamentos masculinos. Colocado em diversas situações adotivas, ele foi criado por uma sucessão de parentes que notavam seus comportamentos desafiadores e o enviavam a psicólogos e pastores para aconselhamento. Convidado aos 18 anos por um amigo da faculdade para participar de uma comunidade gay, Blakely disse que encontrou lá uma aceitação que ele não tinha conhecido antes. “Foi quando eu desisti de Deus”, ele disse. Mais de 30 anos de múltiplos parceiros sexuais e uso de drogas se seguiram, enquanto Blakely assistiu 40 amigos gays morrerem durante os primeiros anos da epidemia de HIV/AIDS. Uma série de providências divinas o trouxe de volta à fé, Blakely disse, incluindo as orações dos amigos que não tinham desistido dele. Em sua juventude, Blakely disse que ele fez a seguinte oração: “Deus, torne-me heterossexual”. Ele agora percebe que uma mudança de orientação não era o objetivo: conhecer a Cristo como seu Salvador era realmente o objetivo. Santos acredita que sua jornada ao lesbianismo foi enraizada em uma situação familiar dolorosa e disfuncional. Vítima de abuso sexual na infância, ela disse: “Ninguém me disse que [o abuso] não era minha culpa”.

A família de Santos entrou para a Igreja Adventista no final da adolescência dela, mas ela lutou com a atração pelo mesmo sexo durante a faculdade e, secretamente, manteve uma relação lésbica. Ela se mudou para São Francisco e se tornou ativista política dos direitos homossexuais, e foi supostamente a primeira a adotar sob os termos da lei AB25 no estado americano da Califórnia, que permitiu que casais do mesmo sexo adotem crianças uns dos outros. A decepção dramática para a comunidade gay e lésbica que acompanhou a passagem da Proposição 8 da Califórnia, que não mais permitiu o casamento gay, provou ser uma crise para Santos. Um interesse despertado no adventismo foi acompanhado por uma série de profundas experiências espirituais pessoais que destacaram para Santos a importância do ensino da Igreja sobre o significado e a relevância do santuário celestial. Ao compreender pela primeira vez que Jesus era seu Advogado, ela começou a reavaliar a vida que tinha estado levando. Um sábado de manhã, a cerimônia de Santa Ceia se tornou o pivô para Santos, que lembra sua admiração de que a esposa do pastor estava lavando os pés de uma lésbica orgulhosa.

O moderador do painel Knott perguntou se as histórias dos participantes da mesa-redonda devem ser pensadas como típicas: “Nas últimas semanas, tem havido várias vozes levantadas para perguntar a autenticidade deste evento, porque os organizadores escolheram ouvir primeiro aqueles que já não estão praticando o homossexualismo. Como vocês responderiam a esses comentários?” Woolsey respondeu:“Nós todos estivemos lá. Nós estivemos onde eles estão. Nós demos esses mesmos argumentos toda a nossa vida. Saímos disso. Aprendemos a colocar Deus em primeiro lugar, não o eu”. Santos disse que ela compartilhava a história de sua conversão com amigas lésbicas, dizendo: “Tive uma experiência com Jesus Cristo e eu não sou mais lésbica. Mas eu não sou melhor que vocês”. Ela se lembra da parceira de uma amiga dizendo: “Estou feliz por você. Posso ver em todo o seu rosto. Você encontrou o amor da sua vida”. Santos lembrou aos delegados: “Não somos melhores que eles”. Ela disse que é amiga de muitos dos que escreveram para expressar preocupações sobre a cúpula. “Deus está para ter um relacionamento. Ele me perseguiu… Eu tenho fé de que até as minhas amigas estarão batendo em nossa porta em breve.” As perguntas escritas dos delegados fecharam a sessão de 90 minutos e foram sobre: se os membros do painel ainda se consideram gays e lésbica; como a igreja deve tratar os indivíduos atraídos pelo mesmo sexo e que praticam o homossexualismo; e a natureza dos ministérios em que cada membro do painel serve agora. Frequentemente interrompidos pelos aplausos da audiência, os três continuaram a descrever o poder transformador de Cristo como a causa de suas novas vidas. “Vimos e ouvimos coragem aqui esta noite”, concluiu Knott. Para os aplausos persistentes da audiência, ele acrescentou: “Vamos expressar nossa gratidão por aqueles que compartilharam seus testemunhos de redenção conosco”. [Equipe ANN – Adventist News Network]

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