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Sou Missionário mobiliza mais de 500 líderes para fortalecer evangelismo e Batismo da Primavera

Encontros em Itaboraí e Campos dos Goytacazes reuniram missionários, líderes e pastores em um movimento de treinamento, compromisso missionário e preparação para a colheita espiritual dos próximos meses


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Líderes e missionários do centro, serra e norte do Rio de Janeiro se reuniram em dois dias de treinamento. Foto: Nathan Pereira

Eles ensinam a Bíblia no WhatsApp, no trabalho, na sala de casa, na rua. Alcançam uma pessoa e essa pessoa alcança outra. E foi exatamente para celebrar esse efeito multiplicador e renovar o compromisso com a missão que mais de 500 missionários da Associação Rio Fluminense se reuniram no Congresso Sou Missionário, realizado simultaneamente em Itaboraí e em Campos dos Goytacazes.

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O projeto Sou Missionário é uma iniciativa da União Sudeste Brasileira (USeB), sede da Igreja Adventista para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, voltada para mobilizar membros leigos ao evangelismo por meio do estudo bíblico, presencial ou online. No território da ARF, o congresso reuniu cerca de 300 participantes em Itaboraí e outros 200 em Campos, totalizando aproximadamente 500 missionários celebrando resultados e recebendo novos desafios para os próximos meses.

O momento é estratégico. O Batismo da Primavera, principal ênfase evangelística do segundo semestre está às portas. E cada missionário presente saiu do congresso com um alvo claro: preparar pessoas para decidir por Cristo em setembro.

Uma história que abriu o congresso

O programa começou com um testemunho. Lidiane Rodrigues, missionária da Igreja de Alcântara, em São Gonçalo, subiu ao palco não para falar de técnicas ou métodos, mas para contar o que Deus fez na sua vida quando ela estava no momento mais difícil de todos.

Ela perdeu o filho Arthur, de oito anos, depois de um ano e três meses de luta contra o câncer. Foi no hospital, ao lado dele, que ela pediu ao marido uma Bíblia pela primeira vez. “Aprendi a me comunicar com Deus. E Ele nunca me deixou sem respostas”, contou. Cinco meses após a morte do filho, ela e o marido Victor se batizaram juntos. No dia do batismo, ela fez um pedido específico a Deus: o dom de alcançar almas pelo estudo bíblico.

Desde então, Lidiane já conduziu 58 estudos bíblicos e viu 37 pessoas se batizarem. Ela estuda a Bíblia com pessoas pelo WhatsApp, presencialmente e por meio de um grupo de artesanato que coordena. E o efeito multiplicador do seu trabalho foi visível no próprio congresso: uma das pessoas que ela alcançou com estudos bíblicos, Vanessa, passou a dar estudos para outras pessoas e um dos seus discipulados, Lucas, se batizou durante o evento.

“O trabalho de Deus nunca é em vão. Deus chama e capacita todos que Ele chama”, declarou Lidiane.

Uma corrente de fé: Lidiane, Vanessa e Lucas

Vanessa Nunes conheceu a Lidiane no trabalho. Recebeu estudos bíblicos, foi alcançada e não ficou só. Passou a caminhar ao lado de Lucas Souza, 31 anos, que estava afastado da igreja há mais de dez anos. “Além de a gente ter sido ajudada, a gente também tem que ajudar o outro. Assim como Deus nos deu de graça, a gente tem que dar o estudo bíblico de graça também”, disse Vanessa.

Lucas tomou sua decisão depois de participar do movimento jovem "Atos" em seu distrito e o batismo aconteceu durante o congresso, diante de centenas de missionários. “Eu estava sentindo um vazio dentro de mim e tentava preencher com outras coisas que não agradam a Deus. Percebi que a única coisa que pode tirar nossa tristeza e angústia é Deus”, contou. “Todo o peso que eu carregava ficou para trás. Agora eu sou uma nova pessoa em Cristo.”

Sua história, de quem foi alcançado pelo trabalho de alguém que foi alcançada por outra pessoa, resume o que o Sou Missionário quer plantar em cada participante: a certeza de que ninguém evangeliza sozinho, e de que uma semente plantada pode gerar frutos que você nem imagina.

Lucas foi batizado em Campos dos Goytacazes, na segunda edição do congresso e foi acompanhado por Wanessa e Lidiane, que o evangelizaram. Foto: Nathan Pereira

O tanque sendo enchido pela missão

Além dos testemunhos, um dos momentos mais marcantes do congresso aconteceu quando os pastores se reuniram por distritos para definir alvos de estudos bíblicos, visitas missionárias e pessoas a serem acompanhadas até o Batismo da Primavera.

Após apresentarem publicamente seus compromissos missionários, os participantes receberam uma garrafinha de água. Em seguida, foram convidados a levar aquela água até o tanque batismal, enchendo-o coletivamente enquanto aconteciam os batismos.

O gesto simbolizou que cada estudo bíblico, cada visita, cada oração e cada ato missionário contribuem para a colheita espiritual da igreja. Também houve um momento de compromisso pessoal, em que missionários e líderes registraram nomes de pessoas pelas quais desejam trabalhar e orar intencionalmente nos próximos meses.

Para o pastor Patrick Rangel, departamental de Ministério Pessoal e Escola Sabatina da ARF e organizador do congresso, o timing do evento não é coincidência. “Nós estamos diante do maior movimento evangelístico do ano, a Primavera. Quando nos preparamos, planejamos e plantamos, temos colheitas cada vez mais saudáveis. Quando a gente mobiliza a igreja para a missão, pode ter a certeza de que ao chegarmos no período da Primavera, teremos condições de colher muitas vidas para o Reino eterno.”

Ele reforçou a mensagem central do congresso: “Deus não espera grandes talentos, grandes dons ou muitos recursos. Deus espera corações disponíveis. Se o nosso coração estiver disponível, Deus nos usará e usará os meios celestiais para que através de nós muitas vidas sejam alcançadas.”

Ao longo dos dois dias de congresso, seis pessoas foram batizadas, quatro em Itaboraí e duas em Campos dos Goytacazes.

Por que o estudo bíblico ainda é o método mais poderoso

Para o pastor Marcos Santiago, departamental de Ministério Pessoal e Escola Sabatina da USeB, o estudo bíblico não é apenas uma estratégia, é o método que Deus escolheu. “Deus não perderia o tempo dele produzindo a Bíblia durante 1.600 anos para que o ensino da Bíblia não fosse o método melhor e principal para que Ele pudesse ser conhecido. O Espírito Santo usa poderosamente quem ensina a Bíblia, que Ele mesmo inspirou a ser escrito.”

Ele destacou ainda o poder de pertencimento que o congresso gera. “É uma forma de dizer para o membro de uma igreja menor que ele faz parte de uma igreja maior na missão. Há muitas pessoas ensinando a Bíblia, há muitas pessoas pregando o Evangelho. E esse ciclo de estudo e ensino da Bíblia vai tornando a igreja grande.”

O sonho que ele carrega é simples e ao mesmo tempo imenso. “Nosso sonho é que todos os adventistas declarem que são missionários, porque estão preparando pessoas para a volta de Jesus.”

Um movimento que une o território

Mário Valdo dos Santos, da Igreja de Boa Vista, no distrito de São Gonçalo, resumiu o que sentiu ao participar do congresso. “Muitas vezes nos sentimos sozinhos, achamos que o trabalho está muito pesado. Mas numa tarde de conversa a gente percebe quantos outros irmãos estão dedicados à obra do Senhor. Espero que você, meu irmão e minha irmã, que tenham desejo no coração, abracem essa oportunidade. Não percam tempo e venham conosco falar do grande amor de Jesus e do seu breve retorno.”

Para o pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, o congresso é parte de um movimento maior que está acontecendo em todo o território e que tem um destino claro. “As pessoas são alcançadas por relacionamentos. Quando o pastor, os anciãos e os membros visitam, oram, estudam a Bíblia e demonstram interesse genuíno pelas pessoas, a fé é fortalecida e as decisões por Cristo acontecem de forma muito mais natural. O cuidado pastoral prepara o coração para a colheita.”

Evangelismo que gera discipulado

Para o pastor Diego Nunes, novo líder de Evangelismo da ARF, o congresso traduz exatamente o que ele quer ver acontecer em cada igreja do território. “Nosso maior desafio é transformar cada igreja em um ponto missionário ativo. Mais do que realizar programas, queremos mobilizar pessoas para fazer discípulos, pessoas que levam pessoas até Jesus. É por meio dos missionários voluntários que o Evangelho chega às casas, às famílias e aos amigos. Cada visita, cada estudo bíblico, cada gesto de amor aproxima alguém de Jesus.”

Para ele, a Primavera é a consequência natural de um trabalho que já está acontecendo. “Quando a igreja assume seu papel missionário, o discipulado acontece de forma natural e a colheita se torna consequência da atuação do Espírito Santo, a somatória do esforço divino com o esforço humano.” Sua oração para os próximos meses é concreta: “Que cada igreja, no final da jornada, tenha histórias para contar, vidas restauradas, famílias alcançadas e pessoas tomando a decisão pelo batismo. Quando uma vida é alcançada, toda uma igreja é renovada.”

O congresso terminou com oração, gratidão pelos batismos realizados e um forte apelo missionário para que os participantes retornem às suas igrejas dispostos a continuar estudando a Bíblia com pessoas, visitando lares, utilizando também os meios digitais para evangelizar e preparando corações para encontrar Jesus.