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Setembro Amarelo: Sinais de alerta podem ser percebidos por quem está por perto, afirma psicóloga

Campanha nasceu em 1994 e ganhou reconhecimento internacional. Dez anos depois, o Brasil organizou as primeiras ações no Setembro Amarelo.


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Em 1994, após a morte do jovem Mike Emme, amigos e familiares distribuíram bilhetes com fitas amarelas e contatos de apoio durante o velório. A iniciativa rapidamente se espalhou e deu origem ao Yellow Ribbon Suicide Prevention Program, hoje uma referência mundial em prevenção ao suicídio.

No Brasil, a campanha Setembro Amarelo foi incorporada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo a ABP, a campanha foi criada em 2013 e alcançou divulgação nacional conjunta a partir de 2014.

O dia 10 de setembro é reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, promovido pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio com o co-patrocínio da Organização Mundial da Saúde (OMS). A data reúne governos, organizações e comunidades de todo o mundo em torno de um objetivo comum: mostrar que a prevenção é possível.

Entrevista

Conversamos com a psicóloga Vanessa de Oliveira, formada há mais de 20 anos, que atua na cidade de Jacareí-SP. Especialista em abordagem sistêmica familiar e EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing, que em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos), Vanessa atende adultos e casais, oferecendo suporte voltado para o fortalecimento das relações e o cuidado emocional.

Psicóloga é especialista em abordagem sistêmica familiar e EMDR (Foto: Arquivo Pessoal).

O que mudou desde o Setembro Amarelo?
A principal mudança foi tirar o tema do silêncio. Hoje, os amigos e familiares são os principais agentes que ajudam o paciente a ter força para procurar ajuda de um profissional. Os primeiros sinais de uma depressão podem ser notados na mudança de rotina e de comportamento do paciente, que muitas vezes não consegue se identificar como alguém precisa de cuidado e atenção. As pessoas mais próximas podem mudar o ciclo e o rumo da vida de uma pessoa que está no se sentindo no fundo do poço.

Falar sobre é suficiente?
Falar é o primeiro gesto de proteção, mas precisa vir acompanhado de acesso a serviços, rede de apoio e planos de segurança. Em consultório, trabalhamos sinais de crise, combinamos ‘pessoas-âncora’ para contato rápido e monitoramos fatores de risco.

Como entram a abordagem sistêmica e o EMDR?
A abordagem sistêmica olha o contexto: relações, padrões familiares, rotinas. Muitas crises diminuem quando reorganizamos esses sistemas. Já o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) é uma terapia usada para ajudar pessoas a lidar com traumas e memórias dolorosas. A terapia foi desenvolvida para o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) mas também é usada para tratar ansiedade, depressão, fobias e outras condições relacionadas a traumas.

As pessoas doentes procuram ajuda?
Até hoje não recebi no meu consultório alguém pedindo ajuda por causa da campanha do Setembro Amarelo, dizendo que viu nas redes sociais e na grande mídia, porém já recebi encaminhamento de pacientes que através da ajuda dos familiares e amigos, receberam uma intervenção pontual diante de uma crise. O bom da campanha é que com uma intervenção sistêmica e um plano de crise compartilhado, as pessoas se sentem acolhidas e todos os participantes se ajudam no processo.

O que você diria a quem está em sofrimento agora?
No consultório, quando alguém se permite abrir o coração, percebemos que muitas vezes a luz amarela já se acendeu dentro da alma. Essa luz nos alerta para sentimentos de vazio, de falta de sentido e para o desejo de desistir da própria vida. Esses sinais não podem ser ignorados, porque eles são clamores silenciosos por cuidado. Nosso papel, como profissionais, é acolher essa dor, oferecer um espaço seguro e ajudar a transformar o amarelo da atenção em cores de esperança, propósito e vontade de viver. A cada passo, lembramos que ninguém precisa enfrentar a escuridão sozinho — sempre há caminhos de ressignificação, cura e vida.

A dor emocional, às vezes, não é visível e, justamente por isso, precisa de mais atenção. Ouça uma reflexão sobre como enfrentar a tristeza, encontrar apoio em meio às dificuldades e acompanhar quem passa por um momento difícil. Escute aqui.


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