Relatório aponta tendências para adventismo sul-americano
Os dados mostram uma preocupante realidade e a necessária reflexão, por exemplo, a respeito da saída de membros, especialmente mais jovens.

Compreender cenários futuros é imprescindível para qualquer organização. No caso de uma denominação religiosa, isso é mais necessário, porque lida com o comportamento humano, que tem mudado muito nos últimos anos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, de 1916, quando foi criada a Divisão Sul-Americana, contava com 136.379 membros registrados no mundo e menos de cinco mil no território sul-americano. A sociedade predominantemente rural, familiar e com pouco acesso a meios rápidos de comunicação, do início do século 19, caracterizava-se por um estilo de vida radicalmente diferente do que se viverá ao longo do próximo desafiador século 21.
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Diante desse cenário, o relatório da Secretaria Executiva da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul trouxe tendências com base em dados estatísticos. O pastor Edward Heidinger, secretário-executivo da sede sul-americana adventista, explicou, durante relatório apresentado dia 11 de novembro no Concílio Quinquenal, que essas tendências estatísticas devem ajudar a criar ações mais eficientes e eficazes no futuro. “Precisamos observar o que vai acontecer para nos prepararmos adequadamente”, ressalta Heidinger.
Ele utilizou a analogia da navegação de um barco representando a igreja em movimento. “Muitas vezes, a direção do barco é mais importante do que a velocidade”, destacou.
Mais membros em igrejas menores
Há muitos fatores e parâmetros que podem indicar qual a direção desejada para esse grande barco chamado Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul. Um dos pontos estudados, nas análises, foi o cruzamento de dados relacionados ao tamanho das congregações adventistas. Hoje, na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai os 2.710.001 membros registrados adventistas se reúnem em 30.402 congregações (igrejas e grupos).
Uma das tendências de crescimento é a de congregações adventistas que têm entre 51 e 100 membros. De acordo com o levantamento, em 2012 as congregações com esse tamanho representavam 30,34% do total, passando para 33,76% em 2024. Se somarmos a quantidade de congregações com até 50 membros (36,95% em 2024), concluiremos que 70,71% das igrejas e grupos adventistas nos oito países sul-americanos atendidos pela Divisão são de tamanho médio e não grandes.
O relatório também apontou uma tendência de crescimento de número de membros nas congregações com tamanho entre 51 e 100 membros. Em 2012, 22,56% dos membros adventistas estavam em igrejas e grupos com esse porte; já em 2024, o percentual chega a 25,88% e a projeção é que aumentem mais ainda.
Há, ainda, uma outra leitura possível sobre tal cenário. Se cruzarmos dados sobre a quantidade de membros e o tamanho das congregações, veremos que o futuro parece indicar a possibilidade de um maior número de membros adventistas em congregações médias e pequenas. Em 2024, 69,69% do total de adventistas registrados no sistema de secretaria participavam em congregações com tamanho de até 200 membros. Este tipo de análise é fundamental para se prever a realização de projetos, produção de materiais e mesmo formas de mobilização nas igrejas e grupos.
Entrada e saída de membros
Um tema de constante preocupação em qualquer organização religiosa é quanto à entrada e saída de membros. Muitos se unem à fé adventista, porém outros também deixam depois de algum tempo. As perspectivas futuras foram avaliadas no relatório da Secretaria Executiva da sede sul-americana adventista. O pastor Edward Heidinger trouxe dados preocupantes aos delegados. Um levantamento indicou que nos últimos dez anos, a cada 10 pessoas que chegam à Igreja Adventista na América do Sul, 7 saem. No caso de jovens, entre 17 e 30 anos de idade, a cada 10 jovens que chegam à denominação 14 saem.

Foram realizadas algumas análises. Uma delas mostra uma tendência de crescimento de batismos de membros em congregações entre 51 e 100 membros. Em 2012, os batismos nessa faixa representavam 26,28% e, em 2024, chegaram a 28,99%. Já as saídas (abandono da fé ou paradeiro desconhecido) se dão mais nas congregações com a mesma quantidade de membros (30,70% do total em 2024).
Quando o assunto é faixa etária, algumas estimativas realistas indicam desafios à frente. Entre os anos de 2012 e 2024, foram identificadas em que idade os adventistas saem mais ou se tornam mais membros. Em 2024, 24,9% são crianças entre 8 e 12 anos de idade que mais entram na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Na sequência, no mesmo ano, os que mais entraram foram: jovens de 17 a 30 anos (19,3%); adultos entre 31 e 45 anos (18%); adultos de 46 a 60 anos (13,5%); idosos acima de 60 anos (12,4%) e, em último, adolescentes entre 13 e 16 anos (11,9%).

Missão global
Há tendências promissoras em relação ao envio de missionários e ofertas missionárias para evangelização em âmbito global. Segundo o relatório, a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista está entre as regiões do mundo que mais cresce no envio de ofertas missionárias para fora de seu território. Utilizando como base o acumulado em dólares, a Divisão local representa 25,9% do total de ofertas enviadas no planeta; na sequência, vem outras duas divisões, com 24,4% e 21,4% de representatividade.
Além de recursos, a Divisão Sul-Americana também expressa crescimento no envio de missionários por maior tempo para atuar fora do continente. Em 2015, foram enviados 123 e, em 2024, o número chegou a 142.
Reações
O doutor David Trim, diretor da área de Estatísticas, Arquivos e Pesquisas da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, parabenizou o relatório apresentado e destacou o trabalho sério de análise de dados realizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul.
Uma das delegadas presentes ao Concílio Quinquenal fez uma consideração interessante sobre o relatório da Secretaria Executiva. A enfermeira oncologista Jemima Franco, do Paraná, ressaltou que é preciso uma maior integração entre as gerações. Além disso, chamou a atenção para uma necessária preocupação com a representatividade feminina e jovem na liderança geral da organização. Destacou, ainda, que a saída de jovens é algo muito preocupante no contexto adventista. “Entendo que precisamos não apenas refletir acerca de tais dados, que nos fazem pensar; nós precisamos agir de forma concreta para ajudar as novas gerações”, comentou.
O pastor Oliveiros Ferreira Júnior, que preside a Associação Paulista Sul, comentou que o relatório traz preocupações, e destacou a evidência, mostrando que a missão é universal, soberana e que vai ocorrer.
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