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História

Aldeia indígena no Amapá abriga uma das igrejas adventistas mais isoladas do Brasil

O povo Palikur buscou a Igreja Adventista do Sétimo Dia por conta própria após descobrir os ensinamentos bíblicos sobre o sábado


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Igreja Adventista do Sétimo Dia na Aldeia Tawari, construída pela comunidade Palikur na Terra Indígena Uaçá, Amapá
Igreja Adventista da Aldeia Tawari, construída em tijolos simples pela própria comunidade Palikur (Foto: Ribamar Diniz)

No extremo norte do Amapá, a história da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) na Aldeia Tawari desafia a lógica do evangelismo tradicional: foram os próprios membros do povo Palikur que saíram em busca da Igreja, não o contrário. Localizada na Terra Indígena Uaçá, próxima à fronteira com a Guiana Francesa.

Para chegar até lá, é necessário viajar até o Oiapoque e enfrentar cerca de dez horas de barco pelos rios amazônicos. Apesar da distância, a fé permanece viva entre as 13 famílias Palikur que habitam a aldeia.

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A fé que atravessou os rios

O pastor Raimundo Cutrim realiza batismo no rio, junto à comunidade Palikur, em 1999 (Foto: arquivo pessoal)

A história começou nas décadas de 1980 e 1990, quando membros da comunidade Palikur conheceram os ensinamentos bíblicos sobre o sábado e passaram a observá-lo. Mais tarde, o cacique Emílio, conhecido como Simeão, descobriu a existência de uma igreja que também guardava o sábado e foi procurá-la. A iniciativa abriu caminho para a chegada do pastor Raimundo Cutrim, que realizou os primeiros batismos nas águas do rio, ao lado da comunidade.

Henrique Leôncio, líder da aldeia e diretor da igreja local, recorda esse período com gratidão. "Nos anos 90, meu pai pediu esse evangelho para a nossa comunidade. A mensagem chegou até nós e até hoje seguimos obedecendo à Palavra de Deus."

Leôncio também destaca o apoio recebido ao longo dos anos. "Agradecemos à missão. As equipes chegam aqui, conversam conosco e ensinam como andar no caminho de Jesus. Como dirigente da igreja, agradeço a Deus por isso."

Missionárias da floresta

igreja adventista Palikur
Adelaide e Shirley Leôncio durante programação na igreja da Aldeia (Foto: Arquivo pessoal)

A nova geração assumiu o mesmo compromisso. Mesmo sem dominar o português, Adelaide e Shirley Leôncio atuam na colportagem para levar esperança a outras comunidades. Adelaide afirma que Deus a capacitou para essa missão. "Deus me ensinou a falar português e levar salvação para as pessoas. É muito bom conhecer pessoas que precisam de Deus."

Shirley completa: "Não queremos aprender a Palavra apenas para nós. Queremos levar o amor de Deus para as pessoas que precisam de salvação."

Desafios que não param a missão

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O pastor Celso Silva chega de barco à Aldeia Tawari, recebido por membros da comunidade Palikur (Foto: Arquivo pessoal)

A chegada de barco é a única forma de acesso à aldeia, e ela resume o principal desafio pastoral da região. O pastor Celso Silva, que acompanha a comunidade, é direto sobre as limitações. "Nossa maior dificuldade é oferecer a assistência que gostaríamos devido à realidade geográfica."

Ainda assim, cada visita renova o vínculo com a comunidade. "Quando estou lá, vejo a perseverança deles pelo evangelho. Isso me motiva e me dá alegria", afirma Silva, que já planeja novas ações missionárias para os próximos meses.

Leôncio resume o que sustenta essa fé em meio ao isolamento: "Agradecemos à missão. As equipes chegam aqui, conversam conosco e ensinam como andar no caminho de Jesus."

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Membros reunidos durante culto na igreja da Aldeia Tawari (Foto: Arquivo Pessoal)

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