Quando o amor fala mais alto uma casa vira igreja
Antonia de Souza há 60 anos dedica sua vida a servir na igreja. Pela segunda vez abriu sua casa para servir como Igreja.
Quando tudo parecia sem saída, o amor pela missão mostrou sua força em Igarapé, interior de Minas Gerais. Mais uma vez, a história de fé da comunidade se encontrou com a generosidade de Antonia de Souza, 75, que abriu as portas de sua casa para que a igreja funcionasse ali por vários meses.

Conhecida carinhosamente como “tia Antonia”, ela é professora da Escola Sabatina há mais de 40 anos e nunca mediu esforços para ensinar as crianças. “Imagina se eu ia deixar minhas crianças sem Escola Sabatina? Nem passou pela minha cabeça. Aceitei na hora abrir minha casa novamente para receber a igreja inteira”, conta empolgada.
Essa não foi a primeira vez. Há 20 anos, durante a construção do templo, a igreja também se abrigou em sua casa. Desta vez, o desafio veio quando o espaço alugado para as reuniões precisou ser devolvido.
“Estávamos com a obra em andamento, mas o local foi pedido de volta. Procuramos alternativas, mas nada se encaixava no orçamento. Foi então que lembramos da irmã Antonia e de sua história de dedicação”, relembra o pastor Jalon Lessa.

Durante sete meses, cada canto da residência ganhou um novo propósito: a sala virou espaço teen, a cozinha recebeu os juvenis, a varanda abrigou as crianças, o quintal se transformou em área para os jovens e o terraço foi adaptado para adultos e depois, em nave da igreja.
Para Antonia, o período foi motivo de alegria. “Eu moro sozinha com meu filho nessa casa enorme. Quando meu marido era vivo, acolhíamos missionários e colportores. Agora, ter a igreja aqui novamente trouxe vida e felicidade para dentro do meu lar”, relata emocionada.
O impacto foi marcante também para os membros. Jaqueline, ex-aluna da Escola Sabatina e hoje com 24 anos, destaca: “A lembrança que mais tenho dela é ensinando a memorizar versículos com calma e amor incomparável. É isso que levo comigo e tento reproduzir”.

Até os mais novos reconheceram o valor dessa experiência. Miguel Henrique, 11, aluno atual de tia Antonia. “Achei muito legal a igreja lá na casa dela. Era mais longe, mas era divertido. Ela é engraçada, mas briga quando a gente bagunça, ela nunca responde as perguntas sem antes fazer a gente procurar na nossa Bíblia", conta ele.
Entre paredes que se transformaram em salas de aula e um quintal que virou templo, a história de Igarapé mostra que fé, união e missão podem transformar qualquer espaço em lugar de adoração.