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Programação evangelística oferece recursos de acessibilidade a pessoas com deficiência

Com Libras e transmissão em áudio via rádio, o Adorai amplia o alcance da mensagem e transforma inclusão em prática no Norte do Brasil


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A família de Andrey se reúne todos os dias para assistir ao Adorai e a mensagem é assimilada graças ao recurso de acessibilidade por meio de Libras. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Graças à acessibilidade do programa, eu e minha esposa, que também é surda, podemos acompanhar o Adorai e adorar todas as noites. É muito bom poder conectar e participar da adoração”. O depoimento é de Andrey Carlos Miranda, de Cametá (PA). Para ele, não se trata apenas de assistir a uma programação religiosa, mas de finalmente sentir que a mensagem também é dirigida a quem tem deficiência auditiva.

Adorai é uma semana de reavivamento espiritual promovida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) no Norte do Brasil. A edição deste ano aconteceu entre os dias 21 e 28 de fevereiro, na igreja da Faculdade Adventista da Amazônia (FAAMA), com mensagens do pastor Gilson Brito e a participação musical do Arautos do Rei. A programação foi transmitida pelo YouTube e alcançou centenas de pessoas no Brasil e no exterior.

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Acessibilidade que se vê e se sente

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Os intérpretes Adriana, Ruan e Ana usam as mãos para levar as boas novas de salvação (Foto: Adriana Costa)

O Adorai se estrutura como um projeto de comunicação inclusiva. A transmissão conta com qualidade técnica de áudio e vídeo e, em todas as noites, há intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) em destaque na tela, e isso não é um mero detalhe, é um curso de comunicação que torna possível que a mensagem bíblica chegue cada vez mais longe.

Em Grajaú (MA), por exemplo, os surdos não apenas participam, eles são verdadeiramente ouvidos. Todos os anos, a comunidade acompanha a programação do Adorai com interpretação em Libras, reafirmando que fé também se traduz. A Igreja Adventista do bairro Canoeiro se tornou referência ao investir de forma pioneira no idioma, promovendo inclusão real e contínua. Ali, a comunicação rompe barreiras e transforma o culto em um espaço acessível para todos.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Pesquisa Nacional de Saúde, estima-se que existam mais de 10 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva no Brasil. Esse grupo é bastante heterogêneo: cerca de 2,3 milhões de brasileiros possuem surdez severa ou profunda, enquanto a maioria apresenta perdas leves ou moderadas, muitas vezes decorrentes do envelhecimento. 

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Dezenas de surdos frequentam regularmente a IASD de Canoeiro graças ao trabalho dos intérpretes de Libras. (Foto: Arquivo Pessoal)

Diante desse cenário de grande necessidade de inclusão e acessibilidade, a Igreja Adventista do Sétimo Dia atua de forma ativa por meio do Ministério Adventista das Possibilidades (MAP), que atende pessoas com algum tipo de limitação ou deficiência. 

Nos bastidores, a iniciativa também emociona quem interpreta. É caso da Adriana Costa, uma das intérpretes voluntárias do Adorai. “Carrego no coração a consciência de que Deus ama cada pessoa surda e deseja se revelar a ela. Ser intérprete nesse contexto é participar ativamente desse propósito: é servir para que ninguém fique de fora do chamado de Cristo. E isso me move com zelo, temor e alegria, porque sei que comunicar o amor de Jesus também é cumprir o “ide” em minha própria vocação", revelou.

Salvação para todos

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Gildeane Coimbra encontrou na Igreja Adventista o espaço que sempre procurou para aprender mais sobre Jesus. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para a maranhense Gildeane Coimbra, de 48 anos de idade, a diferença é concreta. “Gosto da programação da Igreja Adventista porque tem intérprete. Já visitei outras igrejas e não consegui entender o que estavam falando, já que não ouço nada. Estou gostando, mesmo não estando lá ao vivo, porque o intérprete aparece em tamanho bom para ver e entender”, disse.

Intérprete na Igreja Adventista central de Imperatriz (MA), Jesus Queiroz descreve a experiência como missão. “Sempre me coloquei nas mãos de Deus como instrumento. Agora, interpretando para pessoas surdas, muitas vezes me emociono ao ver que estão sendo tocadas pelo Espírito Santo por meio da interpretação Português/Libras. Sou muito grata por fazer parte desse chamado”, afirma. 

Fé para além do olhar: o poder do rádio

Os sermões do Pr. Gilson Brito no Adorai 2026 também estão disponíveis em áudio, um recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. (Foto: Adorai 2026)

Enquanto para os surdos a mensagem chega pelas mãos que interpretam, para cegos e pessoas com baixa visão ela percorre outro caminho: as ondas do rádio.

Parte da programação é transmitida diariamente pela Rádio Novo Tempo Belém, ampliando o alcance da Palavra. O rádio, aliás, segue firme em tempos digitais. Pesquisa divulgada em 2025 pelo estudo Credibilidade das Mídias, da agência Ponto Map em parceria com a V-Tracker, aponta o rádio como o meio de comunicação mais confiável do Brasil, com 81% de credibilidade. Em um país hiper conectado, o velho rádio continua sendo voz segura e, no caso do Adorai, também ponte de inclusão.

A Rádio Novo Tempo de Belém possui alcance potencial de cerca de 4,1 milhões de pessoas em 43 municípios, e a presença da programação tem crescido na região. Segundo Alinic Teles, supervisora da emissora em Belém, o impacto vai além dos números: “O Adorai na rádio atende pessoas que estão no trânsito, no trabalho ou realizando atividades cotidianas. E, claro, também alcançamos pessoas com deficiência visual, que são incluídas nesse movimento de fidelidade, oração, fé e adoração”, pontuou.

Para aprofundar o conhecimento da Bíblia, a Rádio Novo Tempo Belém oferece o guia de estudos “Deus me ouve?”, que está disponível em formato acessível no site novotempo.com/deusmeouve, permitindo que pessoas com deficiência visual estudem a Bíblia em áudio.

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Intérpretes de Libras fazem parte do MAP, o ministério que abraça pessoas com algum tipo de deficiência. (Foto: Adorai 2026)

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