Projeto um.oito: os desafios para o sucesso da missão
Oração, união e perseverança: caminhos para o fortalecimento do projeto

Criado para mobilizar adolescentes adventistas para a missão, o projeto um.oito está dividido em cinco fases. Com o encerramento da fase Judéia, realizada no mês de maio, as atividades da fase quatro, Samaria, são iniciadas. Este é um momento oportuno para refletir sobre as alegrias e os desafios enfrentados até aqui.
Se, por um lado, é comum ouvir líderes relatarem com entusiasmo como tem sido maravilhoso ver o agir de Deus na vida dos adolescentes – especialmente em suas participações nas Quartas do poder Teen, nos momentos de louvor, em encenações, na Escola Sabatina, nos momentos do ofertório e em programas especiais como Dias das Mães e Semana de Oração - , por outro lado, há queixas recorrentes de líderes que, com muito esforço, tentam implementar o projeto em suas igrejas:
- A baixa adesão dos adolescentes (e, quando aderem, muitos não recebem apoio em casa para se envolver e realizar atividades básicas como estudo da Bíblia e da lição da Escola Sabatina e a frequência nos cultos);
- A pouca participação dos pais ou responsáveis.
Os desafios da liderança
Líderes envolvidos relatam que a jornada não tem sido fácil. A falta de engajamento dos adolescentes e o distanciamento das famílias têm sido obstáculos significativos à plena realização do projeto.
Isso tem gerado desânimo, apesar da certeza de que Deus ainda está no controle.

Enquanto alguns adolescentes seguem firmes, enfrentando desafios pessoais e mesmo assim brilhando nas atividades, outros ainda não compreenderam o valor e o propósito do projeto um.oito.
Diante dessas dificuldades, professores e líderes muitas vezes se sentem sozinhos na missão, questionando se estão fazendo o suficiente. Eles se perguntam: como envolver mais as famílias? Como continuar lutando pelos adolescentes?
Apesar disso, alguns já tem tomado iniciativas promissoras: realizando encontros mensais com os pais, enviando mensagens personalizadas por WhatsApp, organizando cafés da manhã coletivos e premiando os adolescentes que concluem os desafios propostos.
O exemplo da Igreja Primitiva
Inspirado em Atos 1:8 – “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra” –, o projeto um.oito encontra na Igreja Primitiva um modelo para superar as dificuldades.
Embora o projeto tenha como objetivo principal motivar e capacitar adolescentes para serem testemunhas de Jesus, começando em casa e indo até onde Deus os enviar, ele enfrenta desafios semelhantes aos dos primeiros discípulos:
- Medo (como ocorreu após o apedrejamento de Estevão – Atos 7:59),
- Perseguição (Pedro e João foram presos– Atos 4:1-3,18; Saulo perseguia cristãos – Atos 8:3),
- Desânimo,
- Oposição.
Tudo isso aconteceu mesmo após terem recebido a promessa que seriam cheios do Espírito Santo.
A resposta da Igreja Primitiva foi clara: perseverança na oração, união e comunhão. “Todos os estes perseveravam unânimes em oração e súplicas” – Atos 1:14.
Oração e União

Os primeiros cristãos cumpriram a missão que receberam porque desenvolveram hábitos que favoreceram a prática da oração e a união:
- Intercediam continuamente uns pelos outros – Atos 12:5
- Louvavam mesmo em situações adversas – Paulo e Silas cantam na prisão – Atos 16:25
- Jejum e oração – Antes de decisões importantes – Atos 13:2-3
Vale lembrar que o cumprimento de Atos 1:8 não foi instantâneo. Foi progressivo, marcado por perseguições, prisões e resistência cultural e religiosa. Nessas situações, a resposta da Igreja foi sempre a mesma: comunhão, oração e união de propósito (Atos 2: 42-47; 4:32).
Da mesma forma, as dificuldades enfrentadas projeto um.oito – como a baixa participação dos adolescentes, a falta de apoio familiar e o envolvimento limitado das igrejas locais – ecoam os desafios do primeiro século.
Assim, a superação virá pelos mesmos caminhos:
- Orar juntos (Atos 4:31)
- Compartilhar necessidades e dificuldades (Atos 4:32)
- Repartir o pão / comer juntos (Atos 2:46)
- Permanecer unidos em um só propósito (Atos 1:14
O que os adolescentes precisam talvez não sejam apenas estratégias, mas o testemunho vivo de pais e líderes e da igreja como um todo. Quando veem uma fé atuante ao seu redor, sentem-se fortalecidos. E o Espirito Santo fará a obra que só compete a Ele: capacitar e usar os adolescentes como testemunhas de Jesus.
O objetivo é resgatar os princípios da Igreja Primitiva: comer juntos, orar juntos, conversar sobre as dificuldades e criar um ambiente de apoio ao discipulado com o envolvimento dos pais, líderes e membros. Onde há oração e união, há poder para cumprir o chamado do Mestre.
Compartilhando experiência
Antonia Maria, conhecida com Marisa, atua na Igreja Riacho Fundo II. Embora não seja professora dos adolescentes na Escola Sabatina, ela está sempre na classe incentivando a participação no projeto. Ela lidera o Pequeno Grupo de adolescentes, que se reúne quinzenalmente.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Antônia destaca as alegrias proporcionadas pelo projeto: Aqui no Riacho Fundo II está sendo uma benção, dez adolescentes estão participando, só dois não cumprem os desafios. Então, se alguns esquecem de levar o planner para igreja, eu falo para levarem no sábado seguinte com as tarefas respondidas e os desafios feitos. Sobre o estudo do spoiller tem alguns que ainda não pensaram para quem vão dar o estudo, mas seguem estudado o deles. Ou seja, temos dificuldades, mas está funcionando bem. Posso citar como exemplo da participação deles nas atividades da igreja, as Quartas do Poder Teen, onde eles atuam na recepção, no louvor, na oração, na mensagem musical e pregando na hora do sermão”.
Josianne Tavares, Distrital e Coordenadora do Ministério dos Adolescentes na Igreja Adventista de Ponte Alta Norte, destaca que, por já terem estudado o livro de Daniel no ano anterior, os adolescentes estão mais preparados para o estudo do Spoiller e cita as atividades desenvolvidas durante o mês de maio: “Tem sido maravilhoso ver o agir de Deus na vida deles. Na primeira semana da fase Judéia eles participaram do louvor e da recepção. Na segunda, eles passaram a lição nas classes do jardim e rol do berço. Na terceira, eles se colocaram a disposição para ajudar nas visitas pastorais, na última semana, eles organizaram uma noite de jogos com o amigo que vai estudar a bíblia com eles.”

Além da dinâmica de atividades realizadas, Josianne compartilhou uma experiência marcante que ocorreu na igreja, durante a Semana Santa: foi iniciada uma programação especial, com muitas visitas, a maioria vinda de um assentamento próximo. Enquanto o pastor falava para os adultos a diretora do Ministério Infantil realizava atividades com as crianças, mas devido a quantidade e variedade de idades foi preciso dividir e ela ficou numa sala com os juvenis e adolescente.
Depois de orar e buscar a direção de Deus, Josianne teve a ideia de apresentar Cristo para elas, como um amigo real, desde Sua infância até a ressurreição. A aceitação foi surpreendente – eles demonstraram muito interesse e participavam fazendo perguntas profundas sobre Jesus.

Mesmo não sendo adventistas, essas crianças retornavam entusiasmadas todas as noites, chegando ao ponto de a sala ficar pequena e o grupo precisar ser transferido para uma sala maior.
No sábado à noite, no encerramento, depois de momento especial em que as crianças fizeram várias perguntas sobre Jesus, Irene – uma mulher recém batizada do assentamento – disse que desejava uma classe bíblica em sua casa para todas aquelas crianças. Josianne sentiu que esta era uma resposta de Deus a um desejo que já estava em seu coração e pelo qual orava.

Hoje, a classe bíblica no assentamento é uma realidade - para a honra e glória do Senhor Jesus.
