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Projeto incentiva alunos adventistas do RS a exercerem influência positiva e intencional na sala de aula

Projeto “Follow Me” trata sobre identidade, propósito e influência, incentivando adolescentes a enfrentar a pressão do ambiente escolar com autenticidade


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A fase escolar é universalmente reconhecida como um período definitivo na vida de qualquer pessoa. É durante esses anos que perfis, reputações e traços de personalidade são forjados. No entanto, essa jornada costuma ser acompanhada por uma forte pressão imposta pelo próprio grupo. O desejo natural de pertencer e de se encaixar frequentemente entra em conflito com a individualidade, e nadar contra a correnteza das tendências diárias exige uma dose imensa de coragem.

Foi exatamente para fortalecer o aspecto da autenticidade e dar coragem a quem quer manter a própria essência que a Educação Adventista tem mobilizado estudantes do oitavo ano ao Ensino Médio. Deixando a rotina tradicional de lado, esses adolescentes participaram do projeto Follow Me, um encontro focado em fé, identidade e propósito. Encontros semelhantes têm movimentado regiões do Rio Grande do Sul, reunindo dezenas de estudantes com o objetivo de fortalecer a identidade espiritual e incentivar o protagonismo no ministério estudantil de forma prática e imediata.

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A proposta não é isolar o jovem em uma redoma, mas prepará-lo para interagir com o mundo de maneira segura e intencional. O pastor e líder da rede educacional adventista no centro do Rio Grande do Sul, Anderson Voos, destaca que exercer liderança nessa fase significa mudar a dinâmica social, deixando de ser moldado pelo ambiente para passar a transformá-lo. “A tendência hoje do mundo é estar nos grupinhos, nas reuniões com os colegas, e tudo o que eles fazem, eu faço também. A fala é: você tem que ser uma pessoa que tenha proeminência sobre o outro, que você possa influenciar o outro, e não ser influenciado. Então, esses dias que eles passam aqui têm esse objetivo, principalmente de torná-los luz e sal perante a terra”, ressalta Voos.

Imersão e amizade intencional

Para alcançar esse nível de maturidade, o Follow Me funciona como uma verdadeira imersão espiritual. A programação, que ocorreu durante os dias 10 a 12 de abril no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), em Taquara, substitui a grade curricular por experiências coletivas e momentos individuais com Deus. Temas profundos, como identidade, criacionismo e evangelismo, são traduzidos para uma linguagem que faz sentido na realidade estudantil. O objetivo é claro: oferecer recursos para que o jovem saiba quem é, honre suas origens e se torne uma boa influência para os amigos.

Quebrar o ciclo do dia a dia é parte fundamental desse processo de autodescoberta. O estudante Bernardo Guerreiro, do Ensino Médio, explica como sair do espaço tradicional da escola ajudou a ampliar sua percepção sobre o papel que desempenha.

“Quando a gente sai um pouco do nosso ambiente de sala de aula, da escola, e vai para um lugar diferente, a gente começa a perceber as coisas ao nosso redor que antigamente a gente não percebia. Ainda mais com o Follow Me, que fala tanto sobre Jesus, tanto sobre a nossa identidade adventista. Eu acho muito importante porque realmente explica pra gente quem a gente é e move nosso pensamento pra fora da caixa. A gente consegue entender realmente o que é ser cristão”, reflete.

Ter a identidade bem consolidada gera um resultado prático imediato: a capacidade de conviver e amar pessoas que pensam diferente, sem abrir mão das próprias convicções. A estudante Ana Júlia entendeu que a autenticidade está diretamente ligada à intencionalidade de ajudar o semelhante, respeitando o espaço do outro, mas mantendo a firmeza de caráter.

“Independente daqui de dentro ou lá fora, a gente tem que continuar sendo nós mesmos e mostrando o amor de Cristo, que aqui a gente tá vendo cada vez mais, se aproximando mais, e isso é lindo. E [estar] aqui, ajuda também, porque há muitos adolescentes. Aí tu vê e pensa: 'Poxa, olha que legal, tantos adolescentes na mesma coisa e indo para o mesmo propósito'. Então tu vê que tu pode fazer isso com outras pessoas também. E se elas não aceitarem, pode continuar só sendo amiga, mas sempre com os seus valores, seus princípios”, afirma Ana Júlia.

O desafio começa na segunda-feira

Mais do que viver um fim de semana diferente e inspirador, o verdadeiro desafio desses alunos começa quando o sinal bate na segunda-feira. A ideia central do evento é que eles retornem enxergando a própria sala de aula como um grande campo de influência. A missão é provar que é possível ser fiel àquilo em que se acredita e, por meio de conversas sinceras e atitudes de empatia, despertar no colega de classe o interesse por Jesus.

Para a liderança do evento na região, essa mudança de perspectiva é o que dá uma base sólida para o adolescente em uma fase repleta de dúvidas e estímulos. O pastor Felipe Damasceno, coordenador do evento, reforça que ter um objetivo claro facilita as escolhas diárias. "O ser humano precisa de propósito, e nós, como cristãos, precisamos colocar no coração de um adolescente o propósito que pode ter quando utilizado por Deus. Se toda decisão for tomada no propósito de servir a Deus, fica fácil de seguir em frente", enfatiza.

Foi com essa ideia de propósito prático que grupos de alunos e seus capelães se dedicaram a refletir sobre formas de compartilhar a fé de maneira natural, sem imposições. O foco é encontrar nas pequenas brechas da rotina escolar um espaço de acolhimento. A estudante Alana Vitória já vive essa realidade, participando de projetos que unem os colegas de forma leve e convidativa.

“No intervalo, a gente se reúne numa sala e faz uma meditação, ora e, no final, tem um lanche? Então, mesmo que a pessoa apareça lá só pra comer, ela escuta a meditação, e de certa forma Deus sempre toca no coração dessas pessoas”, conta.

O papel de sentinela: missão para a vida toda

Quem já participou de edições semelhantes do projeto, quando ainda tinha outro nome – o antigo projeto Together – garante: a teoria aprendida nesses encontros muda fundamentalmente a prática lá fora. O evangelismo deixa de ser um conceito abstrato e ganha o formato de ajuda em uma matéria difícil, de saber escutar o outro e pelo exemplo diário. Ser um missionário passa a ser visto não como um cargo futuro, mas como uma responsabilidade imediata.

Um exemplo vivo dessa mentalidade é a estudante Manoela Fuckner, de 17 anos. Com uma bagagem forte no voluntariado, Manoela participou de missões no Uruguai, também pela rede educacional adventista, em 2024 e, mais recentemente, integrou o Projeto Send Me na Amazônia, em parceria com o Instituto UNA Brasil. Durante o evento, ela compartilhou reflexões baseadas no livro bíblico de Ezequiel (capítulo 33), relembrando aos colegas o papel do "sentinela" — aquele que tem a responsabilidade de cuidar, avisar e não se calar. Com a maturidade de quem entende que o silêncio de um cristão pode custar muito caro, ela resume onde a verdadeira missão acontece.

"Mesmo que a gente tenha a oportunidade de sair, de fazer missões em lugares estrangeiros, em outros lugares, a nossa escola, o nosso trabalho, a nossa casa, também devem ser o nosso campo missionário”, pontua a missionária.

No fim das contas, viver com propósito transforma qualquer aluno em um excelente guia para os seus pares. É um aprendizado constante sobre empatia e intencionalidade que vai muito além das notas de um boletim, formando valores que eles certamente levarão para a vida toda.