Reconstruindo com Dignidade traz novas oportunidades profissionais a famílias vítimas das enchentes
ADRA Rio Grande do Sul oferece cursos profissionalizantes para quem perdeu sua fonte de renda em 2024

Quando a enchente histórica de 2024 atingiu a Ilha da Pintada, no Rio Grande do Sul, Janaína do Prado Lousado viu sua pizzaria — construída ao longo de anos — desaparecer. Meses depois, em junho de 2025, uma nova ameaça de inundação colocou a região novamente em alerta, e a possibilidade de perder tudo pela segunda vez fez com que ela e a família decidissem que não conseguiriam recomeçar no mesmo ramo. O medo, a incerteza e a sensação de ruptura abriram espaço para uma pergunta mais profunda: “e agora?”.
Janaína buscou direção espiritual enquanto tentava entender qual futuro poderia construir. Naquele momento, surgiu a oportunidade de participar do curso de cabeleireira oferecido pelo projeto Reconstruindo com Dignidade, da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) no Rio Grande do Sul. A decisão representou uma mudança radical de trajetória — da cozinha para a área da beleza — e também um passo de coragem. “[Havia] muito medo. Eu fiquei pedindo para Deus um direcionamento do que fazer, porque vivi muitos anos fazendo comida e, agora, nos ver ali perdendo tudo novamente. [...] Se não fosse o projeto da ADRA, nós não teríamos essa iniciativa”, declara a empreendedora.
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A história de Janaína é uma entre as dezenas que ganharam um novo rumo graças ao projeto, criado para apoiar famílias que perderam renda e estrutura de vida por causa das enchentes. A iniciativa oferece formação prática em cinco modalidades, aulas de empreendedorismo, acompanhamento e um incentivo financeiro para que cada participante possa iniciar ou retomar sua autonomia profissional — processo que culminará na formatura oficial no início de 2026, quando os alunos receberão certificados e um novo voucher para investimento em seus pequenos negócios.
Uma nova esperança
Segundo a coordenadora da ação, Lívia Palma, muitos chegaram inseguros, sem acreditar na própria capacidade de reconstrução. O processo de formação — que agora culmina nos primeiros atendimentos práticos no Abrigo Bom Jesus — tem revelado mudanças visíveis. “A maioria dos alunos chegou no início do projeto com medo, retraídos. [...] Hoje a gente vê eles aplicando isso, atendendo seus clientes. A gente já está no processo de acompanhamento, de visitas em casa, e a gente já vê que a maioria já tem os seus clientes e que realmente eles estão se desenvolvendo dentro da oficina que executaram”, afirma.
Ao lado de Janaína, outras pessoas também encontraram no projeto uma virada de página. Angelica Roliano, moradora da zona norte de Porto Alegre, já trabalhava como manicure, mas nunca havia tido contato profissional com o ramo de cabelo. A capacitação abriu portas que ela não imaginava. “Para mim, está sendo maravilhoso, uma oportunidade diferente. [...] Após eu iniciar o curso com a ADRA, eu consegui abrir o meu salão e hoje tô exercendo. As clientes estão adorando e é isso. Para mim é um momento único”, ressaltou a nova empresária.
A etapa prática do curso acontece em dois abrigos, um deles, o Bom Jesus, onde mulheres acolhidas recebem cortes de cabelo, manicure e outros atendimentos oferecidos pelos participantes do projeto. A coordenadora do abrigo, Sabrina Ferreira, descreve o impacto da iniciativa tanto para quem se capacita quanto para quem recebe o cuidado. “A gente entende que elas vieram de uma situação difícil, elas estão recuperando sua autoestima. [...] Esses gestos das alunas em virem aqui e prestarem seus atendimentos aos nossos acolhidos fazem muita diferença na vida delas e recuperam bastante o senso de humanidade”, explica Sabrina.
Entre as acolhidas do abrigo está Valquíria Santos, que tem participado de várias atividades promovidas pela ADRA no espaço e percebe o local como uma oportunidade de mudar de vida. “Aqui é diferente de outros abrigos porque fornece mais portas, mais situações diferentes pra gente não ficar na mesma rotatória. Novos horizontes. Um futuro diferente”, compara Valquíria.
No dia dos atendimentos, ela não escondeu o sorriso enquanto recebia cuidados de beleza por parte das alunas do projeto Reconstruindo com Dignidade — um gesto simples, mas carregado de significado para quem está reconstruindo a própria vida. “Tô me sentindo bem. Vou estar mais bonita pro Natal”, celebra.
O Reconstruindo com Dignidade segue com acompanhamento aos novos profissionais, fortalecimento da autonomia e preparação para a conclusão oficial das turmas no início de 2026 — marco que simboliza não apenas o fim de uma formação, mas o início de novos projetos de vida.
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