PG itinerante leva igreja às casas e resgata jovens afastados
Iniciativa de visitar casas com reuniões de Pequeno Grupo está reconectando a juventude da igreja, em Vitória da Conquista.
No distrito de Kadija, em Vitória da Conquista, um Pequeno Grupo que não espera as pessoas virem até ele, mas vai até onde elas estão, tem produzido resultados surpreendentes: jovens voltando à fé e uma comunidade renovada.

O pastor Tiago Bezerra explica que a liderança percebeu algo fundamental: "Jovem parece que não gosta muito de estar sempre no mesmo lugar, gosta de algo diferente." Assim nasceu o modelo itinerante. "A gente sentiu a necessidade de alcançar alguns que já foram membros da igreja e que não estavam nem indo para o PG, nem frequentando a igreja, mas abriram a porta para que os jovens pudessem ir à casa deles."

As casas visitadas não são escolhidas ao acaso. O grupo prioriza pessoas afastadas da fé ou que nunca frequentaram a igreja, mas demonstram interesse pelo Evangelho. E o resultado tem sido poderoso: quem recebe o PG em casa começa a acompanhar o grupo e, depois, a participar da igreja.
Histórias de Resgate
Thifanne Araújo e seu marido Jonathan se afastaram quando o filho recém-nascido adoecer. "Nesse afastamento, a gente foi ficando realmente cada vez mais distante. Perdemos a vontade de ir à igreja", relembra.

Um convite para um PG mudou tudo. "Quando chegamos lá, ouvindo histórias de pessoas próximas, fomos tocados pelo Espírito Santo." O retorno transformou a família. "Muita coisa mudou: culto familiar, estudo da lição, oração com as crianças. Tem sido muito bom."
Hoje, Thifanne trabalha na coordenação do PG, visitando outras famílias afastadas. "Nós sentimos a necessidade de buscar aqueles que estão longe de Deus, até porque eu estive lá." Seu apelo é direto: "As coisas do mundo são atrativas porque são fáceis. Mas as coisas de Deus nos trazem paz, esperança. Ele nos ama e está ali para nos perdoar todos os dias."
Jonathan Costa descreve seu afastamento com honestidade. Após a alta do filho, começou a se envolver com bebida. "Toda vez que eu saía, algo me dizia que não era para eu estar lá. Me incomodava fortemente."
O PG consolidou seu retorno. "A gente sentiu de novo aquele calor da igreja. Estava sentindo falta, só não sabia." A transformação é evidente: "Antes estava com minha família, mas angustiado. Hoje tenho muito mais paz para tomar decisões, muito mais paz para estar com minha família."
Milena Batista estava afastada da igreja desde 2019, carregando um desânimo profundo. Mãe de uma criança autista, tinha dificuldade real de sair de casa para ir à igreja.

Quando o PG visitou sua casa, dezenas de jovens chegaram juntos. "Eu senti aquele acolhimento. Foi uma coisa que há muito tempo não sentia." Desde então, mesmo com dificuldades, Milena acompanha o grupo semanalmente. Sobre o PG, ela declara: "Tem me ajudado muito, porque estava distante mesmo.Foi uma coisa que veio para levantar."
Igreja fortalecida
O que começou como uma estratégia para alcançar jovens afastados transformou-se em um verdadeiro movimento de resgate espiritual de jovens no distrito de Kadija. Com quatro igrejas adotando o modelo, salas sendo ampliadas para comportar novos frequentadores e batismos acontecendo como fruto direto da iniciativa, os números comprovam que a fórmula funciona.
"Os jovens estão mais frequentes na igreja, participando mais das programações, de forma mais ativa na liderança", observa o pastor Tiago. "É uma faixa etária onde a gente perde muito e, graças a Deus, não estamos perdendo e outros estão chegando."
O maior indicador de sucesso desse modelo de Pequeno Grupo está nas histórias. Quando Thifanne passou de afastada a líder, quando Jonathan trocou a angústia pela paz, quando Milena voltou a sentir Deus falando em sua vida: ali estava a prova de que levar a igreja até as pessoas, em vez de esperar que elas venham, pode ser o diferencial que uma geração precisa.
Em tempos de conexões virtuais e distanciamento real, o PG itinerante do Kadija oferece algo cada vez mais raro: comunidade autêntica, acolhimento genuíno e a certeza de que ninguém está longe demais para ser alcançado. Basta que alguém esteja disposto a ir até lá.
Toda sexta-feira, em alguma casa no bairro do Kadija, portas se abrem e histórias são compartilhadas. E o grupo já está procurando saber: onde será na próxima semana?





