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Missão

Pastor recebe milagre enquanto segue em missão nos confins da Terra

Com o desafio de pregar nas Ilhas Malvinas (Falklands), descobriu que seria pai depois de cinco anos de espera


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Ilhas Malvinas
Israel, Moira e Abigail vivem nas Ilhas Malvinas (Falkland) e se dedicam à pregação do evangelho (Foto: Arquivo pessoal)

Uma resposta aparentemente negativa e uma mudança de planos. Por cinco anos, o pastor Israel Pardo e sua esposa, Moira, oraram por um filho. Clamavam, buscavam, mas foram informados que para conceber seriam necessários tratamentos caros e difíceis.  

Em uma noite, em segredo, disseram para Deus que, já que não teriam filhos, gostariam de ir ao campo missionário e pediram para que portas se abrissem. Naquele momento, cerca de dois anos atrás, o projeto Mission Refocus, que leva missionários a diversas partes do mundo, estava enviando pessoas para lugares desafiadores, que tinham pouca ou nenhuma presença de adventistas. 

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Pardo decidiu participar do processo seletivo e depois de algumas etapas, o casal foi selecionado. Algum tempo depois, foram do Chile, onde moravam, ao Brasil, para participar da última fase dessa jornada quando sua esposa se sentiu mal. Imaginaram que era por causa da mudança de clima ou, quem sabe, uma comida que não caiu muito bem. 

Dias depois, prestes a se mudarem para as Ilhas Malvinas (Falklands), um arquipélago próximo ao extremo sul do continente sul-americano, veio o tão sonhado teste positivo e descobriram que suas orações foram respondidas. Mas o cenário já não era mais o que tinham imaginado para criar uma família. E agora? Decidiram confiar. 

Conseguir o visto e permissões para se tornarem residentes da ilha levou um tempo e, quando chegaram, enfrentaram desafios com a gestação que exigiam atendimento médico. No entanto, em um arquipélago de pouco mais de 3 mil habitantes, o serviço não é o mais avançado. 

Vinha então o desafio: deveriam voltar ao Chile para o parto? Isso os deixaria fora do trabalho por muito tempo. Mais uma vez, confiaram. Abigail foi uma das poucas crianças nascidas na ilha e isso se tornou uma oportunidade de falar de Jesus. Agora, um casal de uma católica e seu esposo, que não é religioso, frequentam sua casa para visitar a menina e criam relacionamento com a família pastoral. 

Um pequeno povo 

Quando chegaram às Ilhas Malvinas (Falklands), em setembro de 2024, Israel Pardo encontrou uma igreja com dois membros e uma população majoritariamente anglicana. Mas “as pessoas ali, em sua maioria, passam por este processo sociológico que se conhece como pós-cristianismo. Ou seja, são sociedades cristianizadas, mas que abandonaram o cristianismo como forma de vida, para além da cultura”, explica Pardo. 

No local existem algumas famílias nascidas e criadas na ilha, mas há também muitos latino-americanos e africanos que residem por algum tempo e, depois, vão embora. Isso traz um outro desafio: o idioma. Apesar de o inglês o oficial, há muitos falantes do espanhol. E um grupo não entende o outro.  

Israel está aprendendo e pregando nas duas línguas ao mesmo tempo. Ao longo dos dias, algumas novas pessoas foram chegando. Entre elas, pessoas que guardavam o sábado, mas não sabiam que existia uma Igreja Adventista no local. 

“Eu sabia que era um projeto nascente, então pensei que ia ter uma igrejinha pequena. Mas no início aconteceram coisas tristes. Assim, os irmãos estavam desiludidos, alguns com a igreja. Então, havia só duas pessoas que estavam indo, pelo menos na primeira semana, duas pessoas, três”, relembra. Agora, são oito membros oficiais e, em dias que a igreja está cheia, são doze. Considerando o contexto e tamanho da ilha, é um crescimento expressivo, acredita Pardo.   

Identidade e crenças 

Mas entre os que já frequentam o pequeno templo existe o desafio de resgatar ou mesmo ensinar a identidade adventista e seus princípios essenciais, como a guarda do sábado. “É um desafio resgatar o princípio do sábado. Então, não é só um trabalho missionário, de abrir campo missionário, é também de fortalecer a fé adventista, os princípios, inclusive do sábado, com pessoas que têm outra visão, outro olhar mais secular do que é o povo de Deus, a comunidade”, detalha Pardo. 

A estratégia, então, é tentar mostrar que “ser adventista não é simplesmente ir a certos horários às reuniões, mas ter uma experiência espiritual, um estilo de vida. Mas é um processo longo.” 

Ilhas Malvinas
Duas vezes por mês, o pastor Israel Pardo (centro) organiza um almoço nas dependências da igreja, para fortalecer o relacionamento com a comunidade (Foto: Arquivo pessoal)

Além dos cultos aos sábados e quartas-feiras, o pastor Israel Pardo busca fortalecer o vínculo com a comunidade por meio de almoços juntos, aulas de instrumentos, idiomas e a reabertura de um Clube de Desbravadores

Para o futuro, o sonho é realizar o batismo da Karen. “Ela vai todas as quartas-feiras. Eu imprimo o folheto dela da Escola Sabatina, ela estuda sua lição da Escola Sabatina, é adventista, agora guarda o sábado. Eu agora quero... estou orando”, se emociona o pastor. E ela já manifestou o desejo de fazer esse compromisso público. 

Ilhas Malvinas
Durante Concílio Quinquenal, Israel Pardo apresentou dados sobre o trabalho nas Ilhas Malvinas (Falkland)

História de evangelismo

Em 2012, com o apoio da Divisão Sul-Americana, União Chilena e União Argentina, sedes administrativas da Igreja Adventista, o casal Leonard e Linda Westermeyer foi enviado para estabelecer a presença adventista nas Ilhas Malvinas (Falkland), sendo recebidos pelo governador Nigel Hayward.

Este esforço motivou o estabelecimento permanente de um centro de apoio missionário, e no início de 2014, o Governo das Ilhas Falkland concedeu certificação para uma entidade adventista operar legalmente, garantindo suporte jurídico para atividades como projetos educacionais, humanitários e a aquisição de imóveis. Com a aposentadoria dos Westermeyer em 2015, o projeto continuou com outros casais missionários brasileiros, como Robson e Elizabeth Gondim, que adquiriram uma residência pastoral e implantaram a transmissão da TV Hope Channel, seguidos por Jonatas e Mara Hoeppers. Agora, o trabalho fica a cargo de Pardo e sua família.

Concílio Quinquenal  

A cada cinco anos, a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia realiza o Concílio Quinquenal. Nesta reunião são aprovados votos que impactam diretamente os templos locais. Além disso, ocorrem nomeações da maior parte da liderança sul-americana. O Concílio Quinquenal ocorre sempre no mesmo ano de realização da Assembleia da Associação Geral, encontro mundial que reúne representantes de mais de 200 países. Para conhecer a estrutura administrativa da denominação, clique aqui. 


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